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	<title>Arquivos Mark Stanley - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Mark Stanley - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Os Colonos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Aug 2024 21:30:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Os Colonos é o longa de estreia do chileno Felipe Gálvez Haberle depois dele ter realizado três curtas. Logo no seu debut, o cineasta demonstra vigor, personalidade e alinhamento com as ideias e as lutas do seu tempo ao contar uma história sobre a colonização do Chile pela perspectiva da população indígena. Na essência, Os Colonos é um drama histórico que deseja deixar marcas na cinematografia mundial ao revisar um gênero colonialista na sua gênese e que se transformou em [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Os Colonos</strong></em> é o longa de estreia do chileno Felipe Gálvez Haberle depois dele ter realizado três curtas. Logo no seu debut, o cineasta demonstra vigor, personalidade e alinhamento com as ideias e as lutas do seu tempo ao contar uma história sobre a colonização do Chile pela perspectiva da população indígena. Na essência, <em>Os Colonos</em> é um drama histórico que deseja deixar marcas na cinematografia mundial ao revisar um gênero colonialista na sua gênese e que se transformou em uma espécie de totem da cultura estadunidense, o western.</p>
<p>Em <em><strong>Os Colonos</strong></em>, Felipe Gálvez Haberle traz a missão incumbida pelo proprietário de terras José Menéndez a um grupo de cavaleiros formado pelo capitão inglês Alexander MacLenan, um mercenário dos EUA conhecido como Bill e o mestiço chileno chamado na região de Segundo. O objetivo declarado da missão é cercar as terras de Menéndez. No entanto, a empreitada é formada para a promoção de um verdadeiro massacre a povos indígenas que estão nas proximidades daquela propriedade.</p>
<p>Gálvez Haberle subverte noções de heroísmo ao retratar seus personagens brancos como figuras abjetas. Enquanto na tradição dos westerns hollywoodianos do século passado personagens como o capitão MacLenan seriam os galãs brancos com protagonismo heróico absoluto, aliado da causa de minorias ou oponentes dos vilões indígenas, em <em><strong>Os Colonos</strong></em> o personagem é a representação do que existiu de mais repulsivo no processo de colonização da América do Sul. Esse deslocamento é o &#8220;motor&#8221; do longa de Gálvez Haberle e é conduzido com muita coerência e força pelo diretor.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18525" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/07/5697049.jpg" alt="Os Colonos" width="748" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/07/5697049.jpg 748w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/07/5697049-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/07/5697049-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 748px) 100vw, 748px" /></p>
<p>Um dos traços mais singulares de <em><strong>Os Colonos</strong></em> é o uso da sua fotografia, um trabalho exemplar de Simone D&#8217;Arcangelo, em prol da narrativa que o diretor quer realizar. Valorizando aspectos da paisagem natural dos Andes através dos seus cenários campestres marcados pelas montanhas e pelas névoas, Haberle e seu diretor de fotografia trazem para <em>Os Colonos</em> uma atmosfera soturna, quase que fantasmagórica. O filme parece convocar uma lembrança de histórias de mansões mal assombradas para estabelecer paralelos entre essas narrativas e a percepção do realizador sobre a identidade do seu país, um Chile forjado pela violência e pela opressão, ainda muito mal resolvido com esse passado que permeia cada memória daquela nação.</p>
<p>Há ótimas atuações no elenco do filme, como o inglês Mark Stanley que interpreta o capitão MacLenan. No entanto, os destaques do longa são mesmos seus atores indígenas. Camilo Arancibia está ótimo como Segundo. Tendo pouquíssimos recursos de expressão, Arancibia reage à barbárie promovida pelos brancos com as expressões siginificativas do seu rosto, muitas vezes entregando percepções ambíguas em razão de segundos. Também merece destaque o trabalho da atriz Mishell Guaña, intérprete da esposa de segundo no terceiro ato do filme. Com pouquíssimos momentos de tela, Guaña marca a produção com uma performance que tem características similares a do seu colega, encerrando a produção em um plano fechado.</p>
<p><em><strong>Os Colonos</strong></em> é um ótimo exercício de forma de Felipe Gálvez Haberle, que faz uma revisão consistente sobre o gênero cinematográfico western. No entanto, não é um exercício puramente formal, ele é propositivo com um forte discurso de revisionismo histórico e cinematográfico sobre os lugares conferidos a determinados estereótipos de personagens. Nesse processo, <em>Os Colonos</em> demonstra muita força política ao falar sobre a história do Chile pela perspectiva de povos que seguem agressivamente oprimidos em diversas frentes em toda a América do Sul, incluindo o Brasil.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Felipe Gálvez Haberle</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Mark Stanley, Camilo Arancibia, Benjamin Westfall</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/FzeMuAeCqCQ?si=S2qsjJ6YpVJD7UA5" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>52º Festival du Nouveau Cinéma de Montréal: Los Colonos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Oct 2023 13:36:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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		<category><![CDATA[Sam Spruell]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Europeus, certo? Assassinos, estupradores, sequestradores, ladrões, destruidores do mundo e genocidas que, ainda por cima, pensam deter alguma superioridade, dentro de todos os seus delitos e perversidades. Existem, ainda, os dominados por essa lógica tola de uma inteligência e uma sagacidade europeia que, na verdade, são modelos de intelectualidade deles e enfiados na goela dos colonizados.  Por fim, para resumir o que é a presença do ser europeu no mundo, para que a gente fale de cinema, aqui neste humilde [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Europeus, certo? Assassinos, estupradores, sequestradores, ladrões, destruidores do mundo e genocidas que, ainda por cima, pensam deter alguma superioridade, dentro de todos os seus delitos e perversidades. Existem, ainda, os dominados por essa lógica tola de uma inteligência e uma sagacidade europeia que, na verdade, são modelos de intelectualidade deles e enfiados na goela dos colonizados. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por fim, para resumir o que é a presença do ser europeu no mundo, para que a gente fale de cinema, aqui neste humilde texto, há o que veio depois e persiste na Terra de negativo, que vem também deste povo vil do norte global. Racismo, homofobia, transfobia, aquecimento global, capitalismo, patriarcado, catolicismo, crentes, estadunidenses etc etc etc, pense um problema da humanidade e muitas vezes a resposta será “é da Europa”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ufa! Com este desabafo retirado do peito, podemos retornar para a crítica cinematográfica e lembrar porque estamos aqui, certo? <em><strong>Los Colonos</strong></em>, primeiro longa-metragem do chileno Felipe Gálvez Haberle</span> <span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Rapaz</span></i><span style="font-weight: 400;">) traz uma história intensa, banhada de sangue, tristeza e um passado sombrio das colônias da América do Sul, exploradas e destruídas por brancos. A destruição em massa dos indígenas é o foco central aqui.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para realizar o intento de convocar uma trama tão difícil e pesada, na qual existem vilões nítidos, mas sem planificar o seu enredo, Felipe, ao lado de Antonia Girardi (<em>Rapaz</em>) e Mariano Llinás (</span><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985</span></i><span style="font-weight: 400;">) constroem uma narrativa que complexifica as personagens e suas vivências. Todavia, a maior sacada deste roteiro é que não há uma tentativa de retirar a verdadeira culpa dos homens brancos europeus de caráter duvidoso. Pelo contrário. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, a maneira encontrada para desfazer os nós do maniqueísmo em <em><strong>Los Colonos</strong> </em>foi colocar a figura de Segundo (Camilo Arancibia), um homem filho de indígenas com branco e que é chamado de mestiço durante toda a projeção. Ele precisa sobreviver e deseja tentar tomar as rédeas de sua vida. Por isso, o jovem acaba tomando atitudes complicadas durante o caminho, porém é marcante o fato de que o jovem não tem tantas outras opções, não se ele se quisesse ficar vivo.</span></p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17367" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/5665849.jpg" alt="Los Colonos" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/5665849.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/5665849-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/5665849-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/5665849-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentro deste contexto colonial, existe uma criação de atmosfera imprescindível para a imersão na trama. Com musicalidades que mesclam a batida de tambor repentinas, com ruídos diegéticos, o clima de tensão é mantido no longa inteiro. Mesmo que existam respiros, que geram o equilíbrio do filme, a tensão é palpável, principalmente por conta do desenho, edição e mixagem de som. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, a precisão dos enquadramentos, que ganham pouquíssimos movimentos de câmera, e colocam as personagens centralizadas ou não a depender de suas hierarquias e locais de poder são fundamentais para o fomento da criação de sentido aqui. Juntamente com isso, chega o granulado, com o uso das temperaturas mais frias. A melancolia, a nostalgia e a perda são tão grandes que ocupam mais tempo no ecrã do que o próprio sangue que escorre da mão dos brancos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O elenco contribui para esta técnica afiada e afinada, com composições corajosas e movimentações corporais que mesmo que sejam estereótipos de personas, são essenciais para a elaboração deste universo, preenchido de ganância, masculinidade tóxica e sede por matança. A ideia de superioridade jamais abandona o enredo e essa composição está nos corpos dos intérpretes calcasianos, que caminham eretos, possuem mais diálogos e ações velozes, frutos de suas trapaças.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desta maneira, <strong><em>Los Colonos</em></strong> é uma obra que trabalha nas singularidades para compor o todo. Cada batida de percussão é única, cada texto sobre a colonização é único, cada palavra preconceituosa sobre os indígenas também, como no discurso da branca filha do maior dizimador de indígenas, que se tornou muito rico por isso. Ela diz, orgulhosa, como salva o “povo selvagem” com recursos que eles mesmos roubaram. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A hipocrisia e a crueldade são colocadas explicitamente nas falas das personagens, mas, ao mesmo tempo, com todas essas voltas e enganos que fazem parte do discurso do opressor até os dias de hoje. É no macro e no micro que Felipe constrói sentido e entrega uma obra prima, quase sem defeito algum. Talvez, a escolha de avançar no tempo sete anos faça com que a qualidade geral da produção caia. A premissa inicial se perde um tanto e a sua força também. Ainda assim, este é um filme histórico, em todos os sentidos que esta palavra pode ter.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Direção:</strong> Felipe Gálvez Haberle</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Elenco:</strong> Camilo Arancibia, Mark Stanley, Sam Spruell</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assista ao trailer!</span></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/BHWqUnp1XYw" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/52o-festival-du-nouveau-cinema-de-montreal-los-colonos/">52º Festival du Nouveau Cinéma de Montréal: Los Colonos</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
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