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	<title>Arquivos Márcio Américo - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Ninguém Sai Vivo Daqui</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Jul 2024 01:01:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Na década de 1980, o Hospital Psiquiátrico Colônia em Barbacena, interior de Minas Gerais, ficou conhecido por ambientar para alguns dos maiores atos de desumanidade da história do nosso país. Desde a década de 1970, o hospital recebia internos das mais diferentes localidades do Brasil. Pessoas tidas por seus familiares ou pelo Estado como &#8220;não agradáveis&#8221; eram levadas em trens para a instituição sem diagnóstico algum de doença mental: jovens grávidas, mendigos, homossexuais etc. Pelas condições com que os internos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Na década de 1980, o Hospital Psiquiátrico Colônia em Barbacena, interior de Minas Gerais, ficou conhecido por ambientar para alguns dos maiores atos de desumanidade da história do nosso país. Desde a década de 1970, o hospital recebia internos das mais diferentes localidades do Brasil. Pessoas tidas por seus familiares ou pelo Estado como &#8220;não agradáveis&#8221; eram levadas em trens para a instituição sem diagnóstico algum de doença mental: jovens grávidas, mendigos, homossexuais etc. Pelas condições com que os internos eram tratados, mais de 60 mil pessoas morreram no local naquilo que ficou conhecido como o &#8220;holocausto brasileiro&#8221; (há até um ótimo documentário sobre o assunto, Holocausto Brasileiro de 2016 dirigido por Daniela Arbex, que, por sinal, co-assina o roteiro desse longa).</p>
<p>O diretor André Ristum (de Meu País) tenta dramatizar eventos ocorridos no Hospital Colônia a partir de personagens fictícios em <em><strong>Ninguém Sai Vivo Daqui</strong></em>. O ponto de partida e de chegada do filme é a história da jovem Elisa, personagem de Fernanda Marques. Em 1971, Elisa chega à instituição grávida e com um diagnóstico de esquizofrenia, um pretexto criado pelo pai conservador da garota para &#8220;tirá-la de circulação&#8221;. No hospital psiquiátrico, Elisa conhece outros internos com histórias semelhantes às suas e tenta a todo custo fugir dos diretores e enfermeiros do local sem muito sucesso.</p>
<p>O grande problema de <em><strong>Ninguém Sai Vivo Daqui</strong></em> é que o filme não consegue construir uma linha narrativa consistente com modulações que permitam uma imersão do espectador na vivência de horror que o filme deseja dimensionar. Ao invés de se dedicar à construção de um arco dramático que explore e faça evoluir a psicologia daquela que parece ser a sua protagonista, o filme opta por mudanças abruptas na personalidade de Elisa. Além de não fazer muito por sua protagonista, o filme não sabe muito bem o que fazer com as personagens que estão no seu entorno.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18456" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-3.png" alt="Ninguém Sai Vivo Daqui" width="750" height="498" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-3.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-3-360x240.png 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A enfermeira interpretada por Naruna Costa deixa de ser linha dura quando assume um cargo de maior responsabilidade e passa a ser subitamente compreensiva com os internos. Outra resolução incômoda do roteiro é a maneira como ele utiliza e descarta a personagem de Rejane Faria (de Marte Um). Assim que a personagem de Faria reencontra o filho, ela sai de cena de forma precoce e sem dar muita vazão a esse clímax, frustrando o espectador dado o potencial da atriz e da sua personagem. Outra figura completamente anulada pelo longa é a atriz Andrea Horta, que surge em cena sempre como um presságio para Elisa. Enfim, nenhuma dessas atrizes merece o destino que o filme reserva a suas personagens.</p>
<p><em><strong>Ninguém Sai Vivo Daqui </strong></em>também entra na armadilha de não &#8220;abraçar&#8221; o gênero horror. Em vários momentos, o filme de André Ristum dá pistas de querer transformar a história dos internos do Hospital Psiquiátrico Colônia em um longa de terror por algumas decisões criativas da obra, a exploração de recursos como jump scares, sua trilha sonora com acordes soturnos e a fotografia em preto e branco, o que seria um grande acerto do projeto já que o tema &#8220;loucura&#8221; rende bastante no gênero. No entanto, o horror parece uma aposta tímida nas mãos de um realizador que volta e meia recua na história e apela para o drama fácil não conseguindo com essa indecisão expressar em toda a sua potencialidade a violenta experiência do &#8220;holocausto brasileiro&#8221; pelo ponto de vista das suas vítimas.</p>
<p><strong>Direção:</strong> André Ristum</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Fernanda Marques, Márcio Américo, Paulo Américo</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/7O6uXTQqJso?si=usTff2-eIcNntoMW" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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