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	<title>Arquivos Lucas Limeira - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Lucas Limeira - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Estranho Caminho</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Aug 2024 22:53:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A relação entre os homens e seus filhos tem uma tradição complexa na sociedade. Entre práticas pautadas na masculinidade tóxica, abandono parental e tantas outras estruturas advindas do patriarcado &#8211; como aquela do pai que foi comprar o cigarro e nunca mais voltou -, Estranho Caminho convida o espectador para olhar o que pode mais lhe doer. Talvez exista uma camada do longa-metragem que apenas aquelas pessoas que possuem conflitos com a figura paterna, tenha passado pela perda de um [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A relação entre os homens e seus filhos tem uma tradição complexa na sociedade. Entre práticas pautadas na masculinidade tóxica, abandono parental e tantas outras estruturas advindas do patriarcado &#8211; como aquela do pai que foi comprar o cigarro e nunca mais voltou -, <strong><em>Estranho Caminho</em></strong> convida o espectador para olhar o que pode mais lhe doer. Talvez exista uma camada do longa-metragem que apenas aquelas pessoas que possuem conflitos com a figura paterna, tenha passado pela perda de um pai ou ambos, vão alcançar. Ainda assim, a produção é feliz, acima de tudo, na investigação das relações, de tudo aquilo que não é dito.</p>
<p>São nos olhares trocados pelo protagonista, David (Lucas Limeira), com seu pai, Geraldo (Carlos Francisco), que a construção ampla de sentido é estabelecida. Há muito subtexto elaborado pelo não verbbal e completado com algumas frases sutis, que ambientam o público sobre o passado e o presente daquelas personagens. O fato da trama se passar no período do início da pandemia da Covid-19, convoca este entre encontro entre David e Geraldo e também amplia a clausura e as chances de embate.</p>
<p>O roteiro de Guto Parente (<em>Inferninho</em>) &#8211; que também é diretor do longa &#8211; não tem pressa em explorar cada peripécia vivida por David, revelando as camadas do que está, de fato, ocorrendo na trama com paciência. Este é um filme que olha, sobretudo, para os relacionamentos, em tudo que eles podem trazer de perdas, ganhos, distâncias e aproximações e a calma para explorar mais este fator do que qualquer outro aumenta a intensidade da verdade que está por trás do aparente plot principal.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18529" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-1-6.png" alt="Estranho Caminho" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-1-6.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-1-6-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-1-6-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Um outro elemento que chama a atenção em <strong><em>Estranho Caminho</em></strong> é  iminência da morte, que ronda toda a história, imprime um tom suave de suspense. Além disso, esta característica põe as personagens acuadas, fazendo com que elas precisem encarar a realidade, principalmente David. A potência do que é construído se fortalece no trabalho da arte, principalmente ao que referem aos objetos de cena e à cenografia no geral. Os lugares são apertados e cheios de elementos espalhados pelos espaços. O mesmo pode ser dito da direção, que tenta convocar quadros mais fechados, criando a impressão de sufocamento até mesmo em locais abertos.</p>
<p>A dinâmica da contracena entre Lucas e Carlos completam este cenário. Ainda que o primeiro seja mais verde que o segundo e peque em algumas intenções, o jogo cênico da dupla é essencial para a história. Os atores criam as conexões e os constragimentos entre os dois, através das respirações e pausas. Estes são diálogos do silêncio, que impactam quem assiste mais ainda à medida em que a projeção vai se aproximando do seu desfecho. Por este motivo, de uma maneira geral, Estranho Caminho possui um bom resultado. Ainda assim, a fotografia e a direlçao poderiam ter realizado uma concepção mais coesa.</p>
<p>Algumas sequências são mal iluminadas e decupadas em <strong><em>Estranho Caminho</em></strong>, fazendo com que a plateia perca as emoções das personagens. Apesar disso, por contar com um roteiro inteligente, que flerta com o absurdo e convoca o realismo fantástico, pelo talento e carisma do elenco e por inserir pautas sociais atravé de discussões sentimentais, o longa de Guto Parente é bem sucedido!</p>
<p><strong>Direção:</strong> Guto Parente</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Lucas Limeira, Carlos Francisco, Rita Cabaço</p>
<p>Assista ao trailer!</p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/GgHTQ4vJqbs?si=j3i02JdcB5N2tuIS" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Cabeça de Nêgo (Globoplay)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Jan 2022 14:16:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Cabeça de Nêgo]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Déo Cardoso]]></category>
		<category><![CDATA[Filme]]></category>
		<category><![CDATA[Globoplay]]></category>
		<category><![CDATA[Jéssica Ellen]]></category>
		<category><![CDATA[Lucas Limeira]]></category>
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<p class="wp-block-paragraph">Há todo um percurso progressivo realizado por Déo Cardoso neste longa-metragem. Iniciando com uma ambientação que localiza o espectador, existem duas atmosferas instaladas aqui em <strong><em>Cabeça de Nêgo </em></strong>e ambas funcionam corretamente. A primeira é a da rotina escolar, com colegas que brincam na sala, enquanto outros colam cartazes pelos muros da instituição. É notável que em pouco tempo de projeção que aquele é um espaço da juventude, mas também de lutas. A partir deste ponta pé inicial, Cardoso deixa nítidos os traços marcantes das personalidades das personagens, ainda que estas sejam até coadjuvantes.</p>
<p>A segunda construção é a do que cerca aquela realidade escolar, para além de cálculos, interpretações de textos e traduções: a opressão racial e social que os estudantes passam todos os dias e que é “normalizada” por muitos. Mais ainda, o diretor e roteirista insere o racismo e a luta contra ele, vinda de alunes e de algumas (poucas) professoras.</p>
<p>É neste cenário jovial, mas repleto de conflitos graves, que são diminuídos por quem deseja manter seus privilégios – dentro ou fora do colégio – é que Déo conta a sua história. A maneira como a narrativa consegue ampliar a tensão durante a exibição é notória.</p>
<p>Cada evento vai se desdobrando em novos acontecimentos, sem que o conflito central se perca em <strong><em>Cabeça de Nêgo</em></strong>. Neste contexto, seria até compreensível que a quantidade de informação pudesse afetar o enredo, gerando uma investigação e cuidados menores com algum ou mais de algum elemento. Todavia, tanto o protagonista Saulo (Lucas Limeira) quanto quem o cerca, ganha contornos e são bem trabalhados. O texto é direto e, por isso, consegue delinear com vigor as características das personalidades das personagens. Outro fator que contribui para a rápida percepção sobre estas figuras ficcionais mostradas na tela é que, feliz e infelizmente, elas existem, na vida real.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15054" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/cabeca_de_nego02-17296510.jpg" alt="Cabeça de Nêgo" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/cabeca_de_nego02-17296510.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/cabeca_de_nego02-17296510-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/cabeca_de_nego02-17296510-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/cabeca_de_nego02-17296510-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Há aqui posto o jogo de poder do diretor da escola, que tem planos escusos com partidos políticos, versus a garra, a militância e a luta antirracista e de estudantes do ensino público no Brasil. Talvez seja por isso que quanto mais a projeção avança, mais intensa ela precise ficar. Déo é certeiro em aumentar o caos e a suspensão a cada sequência.</p>
<p>Toda esta tensão e angústia somente são quebradas por algumas questões que incomodam, mas que não comprometem a totalidade do filme. Em certas sequências as atuações são artificiais e os diálogos expositivos. O curioso é que são passagens que não são tão cruciais para o desenvolvimento da trama, porém estão ali porque o realizador as achou relevantes para a obra.</p>
<p>Assim, elas poderiam ser mais orgânicas, para que funcionassem e não destoassem do restante, ou serem retiradas. Outro fator preocupante está no som. Em algumas sequências, como na conversa da professora Elaine (Jéssica Ellen) com suas alunas, o áudio possui um eco, que causa estranhamento em quem assiste. Mas, com todo o conteúdo presente na produção, o que ela traz como discussão, e como a traz, garante uma boa sessão. <strong><em>Cabeça de Nêgo</em></strong> merece ser visto e revistado sempre, pois ele tem uma importância intensa para o audiovisual, para a cultura brasileira. Além de ser um longa feito no Nordeste, de ser composto por uma equipe majoritariamente negra, por tratar de violência policial, opressão do Estado e racismo estrutural, o filme tem uma decupagem inteligente, que fomenta o clima de tensão e aumenta a compreensão dos sentimentos e pensamentos de cada personagem.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Déo Cardoso</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Lucas Limeira, Jéssica Ellen, Val Perré</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/HPE6_1-Ss-k" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p><p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-cabeca-de-nego-globoplay/">Crítica: Cabeça de Nêgo (Globoplay)</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
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