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	<title>Arquivos Lola Peploe - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Obra</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Aug 2015 22:30:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema Nacional]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A existência do ser humano é passageira. Cabe a nós deixar prolongar esta passagem com um legado, ato de generosidade, mas também de extrema vaidade humana. Obra acaba sendo um filme sobre o estágio de nossa vida em que a gente se dá conta disso e nos perguntamos sobre o que realizamos e deixamos como herança para esse planeta e o que ainda podemos fazer. Invariavelmente, estes momentos de introspecção revelam uma crise. Em Obra, Gregório Graziosi coloca esta crise [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_3264" aria-describedby="caption-attachment-3264" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/08/505601.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-3264 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/08/505601-620x305.jpg" alt="505601" width="620" height="305" /></a><figcaption id="caption-attachment-3264" class="wp-caption-text">Crise: Prestes a ser pai, personagem de Obra entre em crise existencial</figcaption></figure>
<p class="separator">A existência do ser humano é passageira. Cabe a nós deixar prolongar esta passagem com um legado, ato de generosidade, mas também de extrema vaidade humana. <i>Obra </i>acaba sendo um filme sobre o estágio de nossa vida em que a gente se dá conta disso e nos perguntamos sobre o que realizamos e deixamos como herança para esse planeta e o que ainda podemos fazer. Invariavelmente, estes momentos de introspecção revelam uma crise.</p>
<p class="separator">Em <i>Obra</i>, Gregório Graziosi coloca esta crise em foco por intermédio do protagonista do filme, o arquiteto João Carlos, interpretado pelo ator Irandhir Santos. O personagem está vivendo um momento crucial em sua vida, está em plena execução da obra de uma nova construção, seu pai está com uma doença severa e ele está prestes a se tornar pai pela primeira vez. Em meio a todo este contexto conflituoso, João Carlos passa por uma crise de idade, questionando suas relações e sua vocação profissional. Cenário que só piora quando ele descobre uma enfermidade em sua coluna.</p>
<figure id="attachment_3266" aria-describedby="caption-attachment-3266" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/08/Obra_IrandhirSantos_LolaPeploe-700x352.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-3266 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/08/Obra_IrandhirSantos_LolaPeploe-700x352-620x312.jpg" alt="Obra_IrandhirSantos_LolaPeploe-700x352" width="620" height="312" /></a><figcaption id="caption-attachment-3266" class="wp-caption-text">O peso da responsabilidade: O filme todo gira em torno das preocupações do protagonista sobre o legado que pretende deixar</figcaption></figure>
<p class="separator">O diretor Gregório Graziosi nos apresenta a uma narrativa sustentada pelos silêncios, há pouquíssimos diálogos. Estes momentos de silêncio, por refletirem um vazio no peito e os pensamentos obsessivos e conflituosos do protagonista, acaba carregando a trama com uma atmosfera densa e até mesmo soturna, reforçada por uma bela e melancólica fotografia em preto e branco. O diretor e roteirista estabelece um óbvio paralelo entre a própria profissão de João Carlos e o estágio atual da sua vida, com a sucessão do passado pelo futuro, além, claro, da hérnia do protagonista, uma materialização do &#8220;peso nas costas&#8221; que uma responsabilidade nos traz.</p>
<p class="separator">Ao mesmo tempo que <i>Obra </i>tem como benefício evitar uma hiper-exposição, sendo bastante sutil em seu diálogo com o público, mais apoiado na linguagem audiovisual do que verbal, o longa acaba martelando em tópicos cíclicos, quando o que se espera é um avanço na abordagem do seu <i>plot</i>. Irandhir Santos sustenta muito bem o filme, que praticamente está sob a sua responsabilidade, já que o olhar de Graziosi é todo voltado para o seu João Carlos.</p>
<figure id="attachment_3265" aria-describedby="caption-attachment-3265" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/08/Cinemascope-Irandhir-Santos-e-Julio-Andrade.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-3265 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/08/Cinemascope-Irandhir-Santos-e-Julio-Andrade-620x329.jpg" alt="Cinemascope-Irandhir-Santos-e-Julio-Andrade" width="620" height="329" /></a><figcaption id="caption-attachment-3265" class="wp-caption-text">Conflitos internos e externos: Protagonista colide com os demais personagens da história</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em tempos de muito barulho e pouca produção intelectual ou ousadia narrativa, <i>Obra </i>é relativamente um alento, ainda que eventualmente ande em círculos. Trata-se de um filme que convoca e desafia a cognição e o afeto da sua audiência. Ocasionalmente esta relação é recompensadora, em outros momentos leva a uma busca cansativa marcada por signos que não são nem tão complexos quanto aparentam ser, mas também requer um exercício constante das plateias. De qualquer forma, é uma obra temática e formalmente relevante.</p>
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