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	<title>Arquivos Leon Sampaio - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>XVI Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema: Eu, Empresa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Mar 2021 19:13:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Dirigido por Marcus Curvelo (Mamata) e Leon Sampaio (Gente Bonita), Eu, Empresa é um retrato da sociedade contemporânea, em sua extensa pequenez.  Se existe um sistema capitalista e cruel, há também os que não se encaixam nas dinâmicas, aparentemente, obrigatórias deste contexto. O que resta para os desconectados com esta realidade é a sensação de fracasso e angústia ou a procura para reverter a derrota e, finalmente, fazer parte do todo. Assim, o filme procura mostrar em seus 82 minutos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Dirigido por Marcus Curvelo (<em>Mamata</em>) e Leon Sampaio (<em>Gente Bonita</em>), <strong><em>Eu, Empresa</em></strong> é um retrato da sociedade contemporânea, em sua extensa pequenez.  Se existe um sistema capitalista e cruel, há também os que não se encaixam nas dinâmicas, aparentemente, obrigatórias deste contexto. O que resta para os desconectados com esta realidade é a sensação de fracasso e angústia ou a procura para reverter a derrota e, finalmente, fazer parte do todo. Assim, o filme procura mostrar em seus 82 minutos de projeção as fragilidades e incoerências humanas.</p>
<p>Existe dentro da obra algo de semelhante com as produções anteriores da Cual (<strong>Coletivo Urgente de Audiovisual</strong>). O enredo não é apenas um olhar crítico e sarcástico para o geral, mas também para os indivíduos desesperados em pertencer a este universo cheio de palavras vazias e utilizadas de forma banal, como “mindset”, por exemplo. É nesta lógica que se insere o protagonista dentro da trama. Buscando um espaço no mundo e recém desempregado, Marcus – interpretado por Curvelo – começa a gravar vídeos para o Youtube. A sua tentativa é, em seu empreendedorismo, alcançar o dinheiro e a fama.</p>
<p>A maneira como a sua sensação de competência fantasiosa é mostrada na tela de <em><strong>Eu, Empresa</strong></em>. Passando do limite do constrangedor, não há receio aqui em apelar para o ridículo. Entre suas dúvidas sobre o futuro, Marcus é o típico homem branco privilegiado que acredita possuir direito de ocupar todos os locais que desejar e cheio de ideias geniais, constantemente. A cena que mais ilustra esta característica da personagem é quando ele está em um matagal, com Baumga (Carlos Baumgarten), um amigo que o filma. Enquanto ele tenta produzir algum conteúdo que chame atenção na rede, Marcus demonstra revela a noção que tem de si: um gênio criativo, preenchido de metáforas para as imagens que irá passar em seu canal. No entanto, a qualidade desta representação está também ligada ao fato dela carregar uma complexidade em sua construção.</p>
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<p>O misto de derrotismo com arrogância compõe uma personagem com mais camadas. Algo que eleva esta potencialidade são os coadjuvantes que o cerca. Entre indivíduos que notam a tolice de Marcus ou que aposta em suas estratégias, a narrativa, através disto, consegue explorar as múltiplas facetas dos altos e baixos de Marcus. Em alguns momentos, quando áudios de <em>whastapp</em> são escutados, as emoções do espectador parecem traduzidas. Todo o julgamento que pode ser feito durante a sessão são colocados ali, nas falas de um amigo de Marcus, que contém uma revolta sobre as ações do protagonista, que se mostra mimado e estúpido em diversas cenas. Talvez, este recurso não fosse necessário, pois apenas reitera o que o público já observou em <em><strong>Eu, Empresa</strong></em>. Contudo, existe uma sensação de prazer sentida quando estas frases são escutadas.</p>
<p>Ainda assim, mesmo apontando as bobagens deste início de século, falta dentro no roteiro um desenvolvimento um pouco maior das relações. Escrito por quatro roteiristas (Curvelo e Sampaio, junto com Camila Gregório e Amanda Devulsky), nota-se a presença de profundidade em Marcus. Este dado aumenta a percepção da ausência elaboração maior de seus coadjuvantes. Há o fato de haver uma aparente intenção em imprimir a superficialidade dos tempos atuais e eles servem para direcionar o olhar para os atos estapafúrdios de Marcus, mas, ao se comparar a criação de Marcus com a de seus coadjuvantes, percebe-se que ali estão somente uns tipos, um tanto aleatórios, sem personalidade alguma.</p>
<p>Outro fator que pode ser apontado é que, dentro seus aspectos formais, <strong><em>Eu, Empresa</em></strong> não é inventivo, mas apresenta bem uma execução tradicional. A decupagem é consciente e os quadros e cortes ajudam a aumentar as piadas e situações vergonhosas vividas por Marcus. Um fato que pode incomodar são as pequenas perdas de focos, em algumas sequências. Este elemento não atrapalha a fruição, porém desconcentram de leve. Ainda assim, no geral, a obra entrega o resultado que demonstra desejar: um longa irônico, que ri de si mesmo e de todos.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Marcus Curvelo, Leon Sampaio</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Marcus Curvelo, Carlos Baumgarten, Carol Alves</p>
<p><strong>Confira nossas críticas de festivais <a href="https://coisadecinefilo.com.br/tag/festival/"><em>aqui</em></a>!</strong></p>
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