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	<title>Arquivos Lázaro Ramos - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Lázaro Ramos - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica Velhos Bandidos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Mar 2026 12:33:09 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Os anos 2000 carregam uma forte memória afetiva do <em>boom</em> do cinema nacional, especialmente com comédias que marcaram gerações, como <em>O Auto da Compadecida (2000)</em>, <em>Lisbela e o Prisioneiro (2003)</em>, <em>Se Eu Fosse Você (2006)</em>, <em>Ó Paí, Ó (2007)</em> e <em>Saneamento Básico, O Filme (2007)</em>. Esse estilo de filme parece ter perdido espaço ao longo dos anos, sendo ocupado por longas-metragens de ação e suspense. O cineasta Cláudio Torres (<em>O Homem do Futuro</em>, de 2011), no entanto, parece tentar virar esse jogo com o seu mais novo projeto. Produzido pela Conspiração Filmes e distribuído pela Paris Filmes, <em><strong>Velhos Bandidos</strong></em> chega aos cinemas nesta quinta-feira (26) como uma promessa de resgate do tom cômico dos anos 2000.</p>
<p>Recheados de rostos conhecidos, o novo longa de Torres é a união entre o dinamismo de uma ação cinematográfica simples e objetiva com a comicidade das desventuras e atropelos do acaso com o grupo de criminosos liderados por Fernanda Montenegro (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-ainda-estou-aqui/"><em>Ainda Estou Aqui</em></a>, de 2024). Co-escrito pelo diretor e por Renan Flumian (<em>Amores Pandêmicos</em>, de 2023) e Fábio Mendes (<em>Dom</em>, de 2021-24), o filme desenvolve uma narrativa que não inova, nem surpreende com suas reviravoltas, mas que agrada com a entrega de seu elenco. Ainda que conte com situações inusitadas &#8211; algumas que beiram o absurdo -, <em><strong>Velhos Bandidos</strong></em> conta com a qualidade da contracena de seu elenco principal para guiar a história.</p>
<p>A naturalidade e a cumplicidade da troca entre o elenco é a força desse projeto. Conseguir reunir Montenegro, Ary Fontoura (<em>Patos!</em>, de 2023), Vladimir Brichta (<em>Pedaço de Mim</em>, de 2024), Bruna Marquezine (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-besouro-azul/"><em>Besouro Azul</em></a>, de 2023) e Lázaro Ramos (<em>Medida Provisória</em>, de 2022) num enredo leve, engraçado e com o que aparenta ser uma liberdade para brincar em cena é a grande sacada da produção. No auge dos seus 96 anos, dona Fernandona parece estar se deleitando com as cenas. Ao seu lado, Ary também aparenta curtir cada momento de sua participação em <strong><em>Velhos Bandidos</em></strong> e é o carisma dessa dupla que conquista o público logo nos primeiros momentos do longa.</p>
<figure id="attachment_20530" aria-describedby="caption-attachment-20530" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-20530" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Velhos-Bandidos-2.jpg.jpg-750x500.jpeg" alt="Velhos Bandidos (2026)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Velhos-Bandidos-2.jpg.jpg-750x500.jpeg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Velhos-Bandidos-2.jpg.jpg-1536x1024.jpeg 1536w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Velhos-Bandidos-2.jpg.jpg-2048x1365.jpeg 2048w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Velhos-Bandidos-2.jpg.jpg-360x240.jpeg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Velhos-Bandidos-2.jpg.jpg-720x480.jpeg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Velhos-Bandidos-2.jpg.jpg-770x513.jpeg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Velhos-Bandidos-2.jpg.jpg-1400x933.jpeg 1400w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-20530" class="wp-caption-text">Bruna Marquezine e Vladimir Brichta em cena de &#8216;Velhos Bandidos (2026)&#8217;</figcaption></figure>
<p>Ao lado de Montenegro e Fontoura, Brichta e Marquezine também são responsáveis por ajudar com o apelo carismático. O <em>timing</em> cômico de Vladimir já é de conhecimento do espectador por conta de sua carreira e ele é conduzido pelos seus mestres em cena para um divertimento que chega em quem está assistindo. Bruna, apesar de ser a mais nova do quinteto principal, tem um vasto currículo e esteve se debruçando em projetos que lhe deram as ferramentas para aproveitar esse longa e se mostrar uma atriz inteligente em cena. Com o quarteto numa sintonia hilária, só falta observar o antagonista deles em <em><strong>Velhos Bandidos</strong></em>: o policial interpretado por Lázaro Ramos.</p>
<p>Ramos, ao contrário de seus colegas, é contraponto da narrativa. Um investigador obstinado que aparenta não descansar até desmascarar os bandidos, custe o que custar. Mesmo com sua extensa experiência com comédia, Lázaro acaba sendo, por boa parte do filme, a sobriedade que a narrativa pede para se manter fiel a ideia da ação policial. No entanto, seus momentos de troca com o restante do elenco desenham ainda mais o abismo entre tons que o longa carrega &#8211; o que, ora gera momentos engraçados, ora gera um leve desconforto por soar deslocado. Ainda assim, <em><strong>Velhos Bandidos</strong></em> se mantém funcionando por ter no <em>front</em> esse quinteto de qualidade que guia o filme.</p>
<p>A produção da Conspiração Filmes ainda conta com um elenco secundário de peso, um alto investimentos em efeitos especiais e um jogo de ação através da direção que prende a atenção. Ao fim da sessão, mesmo que sem nenhuma grande inovação ou surpresa, <em><strong>Velhos Bandidos </strong></em>acaba por agradar. É um filme Sessão da Tarde para arrancar algumas boas risadas por conta do seu elenco. A ação é bem executada dentro da proposta, mas o forte mesmo do projeto é o valor da contracena do quinteto e como eles se deliciam ao estarem em cena. Cada troca é um convite ao público para relaxar na poltrona e aproveitar a troca equilibrada que eles entregam.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Direção:</strong> Cláudio Torres</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Fernanda Montenegro, Ary Fontoura, Vladimir Brichta, Bruna Marquezine, Lázaro Ramos, Reginaldo Faria, Nathalia Timberg, Laila Garin, Vera Fischer, Tony Tornado, Teca Pereira, Hugo Bonemer, Mary Sheila, Guida Vianna e Hamilton Vaz Pereira</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/PRaDV-PaG4s?si=9SS3aZB2WS5Ns9xO" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Ó Paí, Ó 2</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Nov 2023 16:18:36 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Lançado nos cinemas em 2007, o primeiro Ó Paí, Ó é baseado em uma peça homônima de Márcio Meirelles montada com atores do Bando de Teatro Olodum fazendo uma crônica do Pelourinho. A história apresentava um mosaico de personagens, todos moradores do famoso centro histórico de Salvador, e ganhou notoriedade por representar traços da cultura local através da música, do jeito de falar, hábitos locais&#8230; A produção dirigida por Monique Gardenberg teve uma certa repercussão nacional e até ganhou série [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Lançado nos cinemas em 2007, o primeiro <em>Ó Paí, Ó</em> é baseado em uma peça homônima de Márcio Meirelles montada com atores do Bando de Teatro Olodum fazendo uma crônica do Pelourinho. A história apresentava um mosaico de personagens, todos moradores do famoso centro histórico de Salvador, e ganhou notoriedade por representar traços da cultura local através da música, do jeito de falar, hábitos locais&#8230; A produção dirigida por Monique Gardenberg teve uma certa repercussão nacional e até ganhou série na Rede Globo.</p>
<p>A continuação de <em>Ó Paí, Ó</em> chega para o público tardiamente, quase quinze anos depois e fica difícil para o longa exigir da audiência alguma vaga lembrança da trama e das suas personagens, ainda que figuras como Neusão, interpretada por Tania Tôko, e a religiosa Dona Joana, da atriz Luciana Souza, nem precisem fazer muito esforço para garantir a imediata simpatia do público. Como no primeiro longa, não existe em <strong><em>Ó Paí, Ó 2</em></strong> uma premissa que garanta algum tipo de unidade à narrativa. O longa até ensaia a perda do bar de Neusão, o luto de Dona Joana ou a batalha pelo reconhecimento artístico do Roque de Lázaro Ramos como o fios condutores do drama principal do projeto, mas a essência da produção é mesmo a dispersão &#8211; e, nesse caso específico, isso não chega a ser um problema.</p>
<p>Há no projeto o mérito de pincelar algumas discussões relevantes como os problemas de uma indústria cultural que não reconhece os verdadeiros artistas por trás das suas obras e a ameaça da especulação imobiliária ao patrimônio histórico da cidade. Existe também na continuação um esforço de dimensionar a força daquele grupo de personagens como coletivo, colaborando uns com os outros na superação dos seus respectivos problemas. Contudo, há também um tratamento vacilante do projeto no que tange às discussões sobre questões contemporâneas &#8211; que nem são mais tão contemporâneas assim &#8211; como é o caso do metaverso e a inclusão das novas gerações nessa história.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17512" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/322905611-8-o-pai-o-2-via-h20-films.jpg" alt="Ó Paí, Ó 2" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/322905611-8-o-pai-o-2-via-h20-films.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/322905611-8-o-pai-o-2-via-h20-films-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/322905611-8-o-pai-o-2-via-h20-films-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/322905611-8-o-pai-o-2-via-h20-films-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A direção de Viviane Ferreira tem seus bons momentos, como o interessante uso das canções feito pelo projeto, inclinando-o para o gênero musical, mas de maneira geral não é tão bom quanto o trabalho de Monique Gardenberg no primeiro filme. O projeto também parece não saber o que fazer com alguns personagens que tinham uma certa relevância no primeiro longa e que aqui surgem apenas &#8220;para constar&#8221; e garantir algum tipo de memória afetiva, como é o caso da Psilene de Dira Paes, do Reginaldo de Érico Brás e Yolanda de Lyu Arisson.</p>
<p><em><strong>Ó Paí, Ó</strong> 2</em> sofre dos problemas de uma sequência cinematográfica tardia, a falta de timing, o que prejudica até mesmo o retomada de alguns personagens pelo seu elenco. Entre erros e acertos, o projeto tem o mérito de sustentar muito bem seu orgulho pela identidade baiana, fazendo uma reverência muito sensível a todos os elementos que a constituem. Narrativamente, <strong><em>Ó Paí, Ó 2</em></strong> tem seus tropeços, mas consegue imprimir na tela como poucos a tal &#8220;baianidade&#8221; e a participação de artistas locais é fundamental para o filme mais uma vez atingir esse objetivo, ainda que de maneira não tão interessante quanto da primeira vez.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Viviane Ferreira</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Lázaro Ramos, Luciana Souza, Érico Brás, Valdinéia Soriano, Dira Paes, Lyu Arisson, Tânia Toko</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/2j8UPVfGy-E" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: O Silêncio da Chuva (Globoplay)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Jan 2022 18:27:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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		<category><![CDATA[Cláudia Abreu]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
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		<category><![CDATA[O Silêncio da Chuva]]></category>
		<category><![CDATA[Otavio Muller]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Adaptação do romance policial homônimo de Luiz Alfredo Garcia-Roza, O Silêncio da Chuva é um tanto irregular. Contendo momentos nos quais existem elementos técnicos e discursivos bem trabalhados e algumas questões incômodas, que podem gerar desconfortos,  a avaliação geral do longa-metragem pode variar pela importância que o espectador vai dar para cada um destes pontos. A maneira como a obra aborda o racismo, a misoginia e o elitismo, por exemplo, é um acerto. Durante a projeção, enquanto a investigação da [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Adaptação do romance policial homônimo de Luiz Alfredo Garcia-Roza, <strong><em>O Silêncio da Chuva</em></strong> é um tanto irregular. Contendo momentos nos quais existem elementos técnicos e discursivos bem trabalhados e algumas questões incômodas, que podem gerar desconfortos,  a avaliação geral do longa-metragem pode variar pela importância que o espectador vai dar para cada um destes pontos.</p>
<p>A maneira como a obra aborda o racismo, a misoginia e o elitismo, por exemplo, é um acerto. Durante a projeção, enquanto a investigação da dupla de policiais Daia (Thalita Carauta) e Espinosa (Lázaro Ramos) acontece, frases preconceituosas e/ou degradantes são emitidas pelas personagens que os cercam. Há um equilíbrio criado entre o estabelecimento de tensão por conta do mistério que envolve a morte de Ricardo (Guilherme Fontes) junto com questões sociais que são evocadas constantemente.</p>
<p>Inclusive, neste jogo de direcionar o olhar do público para os conflitos dos ricos que desejam manter seus privilégios sempre e, por isso, possuem muito a esconder, é que a trama surpreende em seu desfecho. O vilão principal, Aurélio (Otávio Müller), é o típico homem branco pegajoso, que faz “piadas” indigestas e que, diversas vezes, é posto como um bobo que apenas fala e não faz nada.</p>
<p>Aqui, fica colocado como o crápula do cotidiano também oferta perigo e suas falas machistas devem ser notadas e observadas sempre. Neste sentido, a atuação de Müller contribui para a elaboração desta figura que é cuidadosamente trabalhada para soar como inofensiva em suas ações, até o momento da virada, quando seu Aurélio passa a ser perturbador.</p>
<p>O grande ganho de Müller em <em><strong>O Silêncio da Chuva</strong></em> foi utilizar as mesmas movimentações, posturas e gestos corporais, mudando somente o tom e a velocidade da fala. A sua contracena também cresce ao lado de Lázaro e Thalita. Além de elevarem o potencial de Otávio em cena, ambos conseguem criar uma dinâmica jogo cena crível e possuem bastante química. O destaque aqui é ainda maior para Thalita, que entrega em sua Daia uma personagem orgânica e de carisma intenso.</p>
<p>A forma como a intérprete colore o texto vai para um realismo/naturalismo forte, o que não é necessariamente algo positivo ou negativo, porém nesta produção funciona para aumentar a credibilidade para seu papel e fomentar o ritmo das cenas. Em suas acelerações e fluxos ágeis de pensamento, Thalita Carauta sabe selecionar os momentos de peso e relaxamento presentes no texto, aumentando ou diminuindo as tensões.</p>
<p>Ela consegue ser o respiro e o sufocamento em uma mesma sequência ou em mais de uma. Talvez, a atriz seja o ponto alto da obra. Ainda assim, existem mais dois elementos que chamam a atenção de uma forma positiva dentro do longa. A primeira que se pode apontar é a forma como o espaço do Rio de Janeiro é ressignificado para contar uma história policial.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15102" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/lazaro_ramos_-photo_by_mariana_vianna.jpg" alt="O Silêncio da Chuva " width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/lazaro_ramos_-photo_by_mariana_vianna.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/lazaro_ramos_-photo_by_mariana_vianna-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/lazaro_ramos_-photo_by_mariana_vianna-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/lazaro_ramos_-photo_by_mariana_vianna-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Escolhendo locações  que ficam no centro do Rio, vê-se um lado pesado, urbano e de tons soturnos da cidade. A direção de Daniel Filho (<em>A Partilha</em>) eleva essa potencialidade, justamente nestes planos gerais de prédios e construções mais sóbrias, sendo aqui o segundo destaque apontável. O olhar de Filho nesta adaptação colabora com a ambientação policial.</p>
<p>Todavia, a seleção de planos e movimentações falha em uma determinada parte do filme. Uma das questões mais debatidas em relação ao cinema é a utilização de cenas de estupro no audiovisual. Além do “tê-las ou não”, o como as rodar é um foco de atenção nestes debates. Em <strong><em>O Silêncio da Chuva</em></strong> duas saídas seriam realizáveis. Uma: mudar a forma como Aurélio é derrotado ou criar uma decupagem que deixasse esta sequência menos explícita e violenta, principalmente a primeira parte dela.</p>
<p>O encontro de soluções para reduzir este trato do corpo e da figura da mulher violentada no audiovisual cabe aos realizadores. Assim, esta conclusão é difícil de acompanhar, pois a brutalidade do ocorrido ganha destaque nos enquadramentos e movimentações. Todavia, a queda qualitativa não é exclusividade desta cena. D</p>
<p>evido a outros problemas, obviamente, existem problemas durante a sessão. Um deles é a iluminação. É bem verdade que há uma vontade de colocar no ecrã um Rio de Janeiro distinto do que se está acostumado a ver. Esta estratégia é louvável. No entanto, a forma com a luz é utilizada compromete a fruição das ações ou reduz o impacto dos acontecimentos ali mostrados.</p>
<p>Além disso, existe um desnível rítmico. Ainda que a atuação de Thalita consiga empurrar e direcionar as velocidades durante a projeção, melhorando o desenvolvimento da narrativa, algumas voltas dentro do enredo provocam uma sensação de tédio. Quem está assistindo já compreendeu boa parte da situação colocada no longa e fica ansiando por ver as situações se encaminharem, porém sequências semelhantes causam um <em>deja vu</em> que tem, como consequência, um tédio e uma dispersão.</p>
<p>Desta maneira, no geral, <strong><em>O Silêncio da Chuva</em></strong> possui um resultado quase médio. Contendo instantes bem elaborados de suspense, ação e até comédia, ele vale ser visto, ainda que com momentos intragáveis ou um pouco tediosos.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Daniel Filho</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Lázaro Ramos, Thalita Carauta, Cláudia Abreu.</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/zuLbmAZXEU0" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Tudo que Aprendemos Juntos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Dec 2015 22:45:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Criolo]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Fernanda de Freitas]]></category>
		<category><![CDATA[Lázaro Ramos]]></category>
		<category><![CDATA[Sandra Corveloni]]></category>
		<category><![CDATA[Sérgio Machado]]></category>
		<category><![CDATA[Tudo que Aprendemos Juntos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Tudo que Aprendemos Juntos apresenta um Sérgio Machado que bebe de várias fontes para contar os eventos reais por trás da formação da Orquestra Sinfônica de Heliópolis. A mais óbvia são as clássicas e edificantes narrativas sobre o poder da educação centradas em um icônico personagem já visto em filmes como Sociedade dos Poetas Mortos, o professor que torna-se inspiração para um grupo de jovens. Aliado a isso está o contexto problemático da exclusão social no Brasil, o crime como [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_4047" aria-describedby="caption-attachment-4047" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/11/lazaro-ramos-vive-laerte-professor-que-ensina-musica-classica-a-jovens-de-heliopolis-em-tudo-que-aprendemos-juntos-1444413313460_956x500.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-4047 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/11/lazaro-ramos-vive-laerte-professor-que-ensina-musica-classica-a-jovens-de-heliopolis-em-tudo-que-aprendemos-juntos-1444413313460_956x500-620x324.jpg" alt="lazaro-ramos-vive-laerte-professor-que-ensina-musica-classica-a-jovens-de-heliopolis-em-tudo-que-aprendemos-juntos-1444413313460_956x500" width="620" height="324" /></a><figcaption id="caption-attachment-4047" class="wp-caption-text">Emoção: Trama do filme de Sérgio Machado percorre caminhos conhecidos mas consegue envolver espectador com mensagem importante</figcaption></figure>
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<p><i data-blogger-escaped-style="font-style: italic;">Tudo que Aprendemos Juntos </i>apresenta um Sérgio Machado que bebe de várias fontes para contar os eventos reais por trás da formação da Orquestra Sinfônica de Heliópolis. A mais óbvia são as clássicas e edificantes narrativas sobre o poder da educação centradas em um icônico personagem já visto em filmes como <i>Sociedade dos Poetas Mortos</i>, o professor que torna-se inspiração para um grupo de jovens. Aliado a isso está o contexto problemático da exclusão social no Brasil, o crime como alternativa de vida sedutora para uma juventude com pouca perspectiva e o universo elitizado da música erudita. A combinação de tudo isso traz um dos longas mais eficientes da carreira do baiano Sérgio Machado, que tem no currículo produções como <i>Cidade Baixa</i> e<i> Quincas Berro D&#8217;Água</i>.</p>
<figure id="attachment_4046" aria-describedby="caption-attachment-4046" style="width: 615px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/11/lazaro-ramos-em-cena-de-acorda-brasil-de-sergio-machado-1422533564047_615x300.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-4046 size-full" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/11/lazaro-ramos-em-cena-de-acorda-brasil-de-sergio-machado-1422533564047_615x300.jpg" alt="lazaro-ramos-em-cena-de-acorda-brasil-de-sergio-machado-1422533564047_615x300" width="615" height="300" /></a><figcaption id="caption-attachment-4046" class="wp-caption-text">Oportunidade: Filme utiliza a clássica narrativa em torno da transformação mobilizada pelo conhecimento e pela arte</figcaption></figure>
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<p><i>Tudo que Aprendemos Juntos </i>é, inicialmente, centrado na vida de Laerte, um dedicado e talentoso violinista interpretado por Lázaro Ramos que encontra dificuldades para passar no teste da OSESP, a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Como um meio de sobrevivência, Laerte acaba aceitando o emprego de professor em uma escola pública da periferia de São Paulo para ensinar música a um grupo de adolescentes. A experiência que a princípio mostra-se completamente desestimulante pelo desinteresse do grupo nas aulas e pela convivência diária com o crime organizado da favela passa a fazer nascer no violinista um interesse pelos jovens a partir da descoberta de um talento excepcional na classe. Daí em diante, os garotos e Laerte aprenderão lições importantes que os farão enxergar outras possibilidades na vida e conferir importância a determinadas coisas que antes não tinham valor ou sentido.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Mesmo tendo em mãos um tipo de história aparentemente &#8220;batida&#8221; e com sério risco de tornar-se piegas em determinado momento, a condução de Sérgio Machado e o roteiro lúcido escrito por Maria Adelaide Amaral, Marta Nehring, Marcelo Gomes e pelo próprio diretor tornam <i>Tudo que Aprendemos Juntos </i>um filme capaz de gerar um envolvimento emocional espontâneo e intenso no espectador. Os roteiristas e o diretor constroem uma história que sai da banalidade para ir gradativamente ganhando o coração da plateia na medida em que consegue passar uma mensagem simples, repetida, é verdade, mas como muita lucidez, sensibilidade e sempre pertinente: a de que a educação e a arte são chaves de transformação humana.</p>
</div>
<figure id="attachment_4048" aria-describedby="caption-attachment-4048" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/11/the-violin-teacher-1.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-4048 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/11/the-violin-teacher-1-620x341.jpg" alt="the-violin-teacher (1)" width="620" height="341" /></a><figcaption id="caption-attachment-4048" class="wp-caption-text">Do erudito ao popular: Turma de jovem músicos da periferia consegue formar a Orquestra de Heliópolis</figcaption></figure>
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<p>Sem maiores elucubrações ou experimentações visuais e narrativas, Sérgio Machado realiza um filme repleto de momentos emocionantes e pungentes apoiados em uma interpretação certeira de Lázaro Ramos e do seu elenco de jovens talentos. Assim, <i>Tudo que Aprendemos Juntos </i>é um tipo de filme que já vimos alguma vez em algum lugar com outras caras (talvez gringas) na pele dos seus personagens e cuja mensagem nos soa familiar, mas que sempre que realizada de maneira emocionalmente sincera como Sérgio Machado faz do início ao fim da sua história evidencia um reforço de consciência sobre o que realmente é importante no mundo e faz a vida das pessoas melhorarem.</p>
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