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	<title>Arquivos Lars Von Trier - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Lars Von Trier - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Ninfomaníaca &#8211; Volume 1 é inferior ao restante da filmografia de Lars Von Trier</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Feb 2014 22:05:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Lars Von Trier]]></category>
		<category><![CDATA[Ninfomaníaca - Volume 1]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Emitir qualquer avaliação sobre Ninfomaníaca &#8211; Volume 1, antes de mais nada, me parece um exercício precoce. Tecnicamente, Ninfomaníaca &#8211; Volume 1 é um filme incompleto, o primeiro ato e a metade do segundo ato de um longa metragem. O Volume 1passa uma clara sensação de incompletude, de raciocínio e proposta interrompida. Ao final de Ninfomaníaca &#8211; Volume 1, não se tem uma ideia muito precisa sobre o que de fato o cineasta Lars Von Trier quer abordar no seu filme e que tom ou mensagem [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/02/NYMPHOMANIAC+VOLUME+1+PHOTOSLIDE.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class=" wp-image-264 alignright" alt="NYMPHOMANIAC+VOLUME+1+PHOTOSLIDE" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/02/NYMPHOMANIAC+VOLUME+1+PHOTOSLIDE-620x346.jpg" width="312" height="174" /></a>Emitir qualquer avaliação sobre <em>Ninfomaníaca &#8211; Volume 1</em>, antes de mais nada, me parece um exercício precoce. Tecnicamente, <em>Ninfomaníaca &#8211; Volume 1 </em>é um filme incompleto, o primeiro ato e a metade do segundo ato de um longa metragem. O <em>Volume 1</em>passa uma clara sensação de incompletude, de raciocínio e proposta interrompida. Ao final de <em>Ninfomaníaca &#8211; Volume 1, </em>não se tem uma ideia muito precisa sobre o que de fato o cineasta Lars Von Trier quer abordar no seu filme e que tom ou mensagem ele quer passar. Caso a sensação permaneça no <em>Volume 2</em>, podemos condenar essa nova empreitada do diretor como a mais redundante da sua carreira. Digo redundante porque todo o arsenal cinematográfico utilizado por Trier no <em>Volume 1</em> de<em>Ninfomaníaca </em>parece uma ligeira reciclagem do que o diretor já utilizou com muito mais brilhantismo nos seus projetos anteriores, principalmente o mais repudiado filme da sua carreira, <em>Anticristo</em>.</p>
<p><em>Ninfomaníaca </em>acompanha as experiências sexuais de Joe, que faz todos esses relatos a Seligman, um homem que a resgata após encontrá-la deitada na rua com alguns hematomas. Diagnosticada como ninfomaníaca, Joe conta a esse personagem sua descoberta da sexualidade na adolescência, sua relação com seu pai e o seu primeiro e único amor, Jerôme (Shia LaBeouf, menos relevante que o usual). Transformando o encontro de Joe e Seligman em uma espécie de divã filmado, trazendo as demais passagens em <em>flashback</em>, <em>Ninfomaníaca </em>é o filme de Lars Von Trier que mais abertamente utiliza a psicanálise como sua linha de raciocínio. No entanto, este uso não é tão eficiente quanto <em>Anticristo</em>, por exemplo, que também abordava a culpa através do sexo como uma espécie de ferida aberta na trajetória feminina. Em <em>Anticristo</em>, as conversas entre os personagens de Charlotte Gainsbourg e Willem Dafoe faziam todo sentido pois ele era um psicólogo e estava de fato submetendo sua esposa (Gainsbourg) a um tratamento. Em <em>Ninfomaníaca</em>, os diálogos entre Seligman e Joe fazem sentido, através de analogias muito interessantes, mas surgem como o aspecto mais inorgânico de todo o filme, soltos.</p>
<p>Vale ressaltar que não é somente sobre a culpa oriunda do sexo que Trier quer tratar em <em>Ninfomaníaca</em>. Pessimista convicto (e aqui ele nos prega uma peça no final do <em>Volume 1</em>, que quase nos faz acreditar que dará uma &#8220;redenção&#8221; para a sua protagonista através de uma relação sexual com Jerôme), Trier discute o lugar do amor em nossas vidas, mostrando que ele, um sentimento tido como nobre e puro, pode ser muito mais cruel do que que qualquer outro aspecto comumente filiado a construções negativas, como a sexualidade. Assim, <em>Ninfomaníaca </em>torna-se uma obra coerente com a visão do seu realizador sobre a humanidade, nada sai ileso, nada é passível de redenção, mas tem seus percalços nos detalhes.</p>
<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/02/Nymphomaniac-16-photo-by-Christian-Geisnaes.jpg"><img decoding="async" class=" wp-image-265 alignleft" alt="Nymphomaniac-16-photo-by-Christian-Geisnaes" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/02/Nymphomaniac-16-photo-by-Christian-Geisnaes-620x348.jpg" width="347" height="195" /></a></p>
<div>Von Trier quebrou um pouco esta sua concepção pessimista sobre o homem em <em>Melancolia</em>, o antecessor de <em>Ninfomaníaca</em>, um filme essencialmente trágico, mas o mais esperançoso da sua carreira. No entanto, afirmar o que o Lars Von Trier de<em>Ninfomaníaca </em>nos revelará ainda é precoce pois sabemos que rumo a história de Joe só virá no <em>Volume 2. </em>O que se pode afirmar é que existe coerência em <em>Ninfomaníaca</em>, uma relação coesa entre realizador e obra que, apesar de carecer da ousadia que tanto foi anunciada &#8211; <em>Anticristo </em>é infinitamente mais chocante e sombrio, aqui até existe uma certa ironia na forma com que o diretor trata as situações que envolvem seus personagens &#8211; é um filme que vai muito além de propósitos fetichistas.</p>
<p>Charlotte Gainsbourg ainda não pode ser avaliada em seu trabalho na fita pois a sua Joe só surge em cena nas &#8220;sessões&#8221; de análise com Seligman, personagem de Stellan Skarsgard. Como o <em>Volume 1 </em>centra-se na juventude de Joe, a jovem Stacy Martin é a protagonista dessa parte e não faz feio. Martin compõe Joe como uma jovem distante, fria, uma mulher com uma evidente dificuldade, não de exteriorizar sentimentos, mas de sentir algo por alguém. Provavelmente, ou ao menos esperamos, a origem do comportamento de Joe poderá ser revelada no <em>Volume 2</em>, mas temos leves pistas aqui sobre sua vinculação com o casamento de seus pais. Interpretado com espantoso empenho por Christian Slater, o pai de Joe sofreu com a indiferença da mulher, esse dado parece atingir a jovem em cheio, tornando-a objetiva, mecânica e direta em suas relações pessoais. Encerrando o quadro de ótimas interpretações nesse primeiro capítulo está Uma Thurman. Impecável como a mulher de um dos amantes de Joe, ela surge no apartamento da personagem para protagonizar uma cena patética e constrangedora de desforra só que de uma forma nada convencional.</p>
<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/02/ninfomaníaca-1.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-266 alignright" alt="ninfomaníaca-1" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/02/ninfomaníaca-1-620x348.jpg" width="347" height="195" /></a>Ao menos a julgar por esse primeiro capítulo, há menos sexo explícito ou bizarro do que a publicidade de <em>Ninfomaníaca</em>prenunciava, um dado que pode apontar para a nossa necessidade de maximizar tudo que tem a mínima vinculação com a sexualidade ou uma estratégia esperta do seu realizador de atrair a audiência das plateias (mais polêmicas&#8230;). O fato é que o mais decepcionante em <em>Ninfomaníaca</em>, repito, a julgar por esse primeiro volume, é que o Lars Von Trier surpreendente e de estética e narrativa apuradas de filmes como <em>Dogville </em>e <em>Melancolia</em> dá lugar a um diretor morno e de ideias recicladas. O filme é coerente consigo e coerente com o que o realizador nos entregou até então, mas, ocasionalmente perdido e repetitivo e, normalmente, diretores buscam sempre um passo adiante em seus próprios universos. <em>Ninfomaníaca </em>parece um Lars Von Trier extremamente acomodado.</p>
<p>P.S.: Não fiz cotações para o longa pois esperarei o <em>Volume 2 </em>chegar aos cinemas para ter um julgamento mais preciso e justo com a obra.</div>
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