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	<title>Arquivos Kristin Scott Thomas - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Kristin Scott Thomas - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Unidas pela Esperança</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Jan 2021 00:14:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Baseado em histórias reais, Unidas pela Esperança conta a trajetória de um coletivo de mulheres casadas com oficiais militares. A partir da ida de seus maridos para o fronte, elas criam um grupo de coral, com intuito de conseguir uma distração para o sentimento de aflição e o temor do que pode acontecer com seus entes queridos. Há uma aparente busca aqui em criar um drama sensível e de certa superação. A primeira característica perceptível é o medo da perda [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Baseado em histórias reais, <strong><em>Unidas pela Esperança</em></strong> conta a trajetória de um coletivo de mulheres casadas com oficiais militares. A partir da ida de seus maridos para o fronte, elas criam um grupo de coral, com intuito de conseguir uma distração para o sentimento de aflição e o temor do que pode acontecer com seus entes queridos. Há uma aparente busca aqui em criar um drama sensível e de certa superação. A primeira característica perceptível é o medo da perda e a perda efetivamente. Isto ronda as personagens durante toda projeção.</p>
<p>No entanto, esta tensão sentida por elas aparece mais em um nervoso constante das mulheres, principalmente Kate (Kristin Scott Thomas,<em> <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-tomb-raider-a-origem/" target="_blank" rel="noopener">Tomb Raider: A Origem</a></em>) e Lisa (Sharon Horgan). A dupla comanda o grupo musical, mas possui personalidades bastante distintas, por isso estão sempre em embate. Há uma tentativa de criação da relação das duas e a demonstração das oposições delas. No que é ofertado por ambas não é algo muito além do óbvio. As construções rasas e levemente estereotipadas.</p>
<p>Kate é a engomada, com mania de perfeição. Apesar de existir todo um conflito sobre a morte de seu filho, há apenas uma cena que a humaniza e põe nela um pouco de complexidade, porque Thomas investe em trabalhar as dinâmicas faciais e corporais sempre tesas e a face quase sem revelar sentimentos. Quando finalmente Kristin traz outro tom, que antes estavam monocórdicos, a performance é pouco vista, porque é rápida e já no final da narrativa. Já Lisa não é fã de regras rígidas e prefere a espontaneidade, pelo menos é o que o texto diz. Mas, as suas ações negam seu discurso, e ela também é engomada e está sempre dando ordens, como a Kate. Ainda que isto pudesse ser interessante, Horgan não é muito expressiva e não avança nas possibilidades que poderia explorar com a sua Lisa.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-13662" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/01/unidas-pela-esperanca-filme.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/01/unidas-pela-esperanca-filme.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/01/unidas-pela-esperanca-filme-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/01/unidas-pela-esperanca-filme-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/01/unidas-pela-esperanca-filme-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>No entanto, talvez, o motivo da falta de criatividade das intérpretes seja do roteiro de <strong><em>Unidas pela Esperança,</em></strong> que não tem possibilidades amplas, é preguiçoso e piegas. Há uma procura insistente em emocionar recorrentemente, porém não há uma criação de estrutura para tal. Quando o longa-metragem se inicia, os problemas já estão postos. Este fator não é necessariamente algo negativo. Contudo, não há espaço para um estabelecimento de empatia com as personagens. Outro detalhe que salta aos olhos é a falta de habilidade para aproveitar os conflitos e desenlaces. Com a exceção da briga final entre Kate e Lisa, os acontecimentos fortes passam rapidamente, como se houvesse uma vontade de que diversos elementos fossem contados, sem deixar os fatos de fora, porém logo descartados.</p>
<p>Por fim, a estrutura de um sistema conservador é exposta, mas não sob forma de crítica e sim de conivência. Em um local no qual os militares comandam as ações e as vidas dessas mulheres, a criação do primeiro coral delas torna-se o mais relevante para obra. As angústias pela exclusão são até levemente mencionadas, mas nunca aprofundadas ou questionadas com mais assertividade. A grande questão disto é que a produção parece datada. Mesmo falando de algo de um passado próximo, o olhar também deixa uma sensação de antiquado.</p>
<p>Apesar destes detalhes, alguns momentos de <strong><em>Unidas pela Esperança </em></strong>são divertidos, como a sequência em que as coralistas treinam a música que cantarão na primeira apresentação ou em seu desfecho, quando são apresentados todos os corais criados na vida real, após o pioneiro, mostrado no enredo, ter começado as atividades musicais, o Coral das Esposas de Militares. Este não é um longa primoroso, é esquecível, mas pode ser visto em uma tarde qualquer, em um tempo livre.</p>
<p><strong>Diretor:</strong> Peter Cattaneo</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Kristin Scott Thomas, Sharon Horgan, Jason Flemyng, Greg Wise, Lara Rossi</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/-XhghZznJSU" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p><p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-unidas-pela-esperanca/">Crítica: Unidas pela Esperança</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
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		<title>Trailer comentado: O Destino de uma Nação</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Jul 2017 16:19:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Trailers]]></category>
		<category><![CDATA[Gary Oldman]]></category>
		<category><![CDATA[Joe Wright]]></category>
		<category><![CDATA[Kristin Scott Thomas]]></category>
		<category><![CDATA[Lily James]]></category>
		<category><![CDATA[O Destino de uma Nação]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar 2018]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Assim que começaram as gravações de O Destino de uma Nação (tradução brasileira para Darkest Hour) e as imagens do ator Gary Oldman como Winston Churchill, ex-primeiro ministro do Reino Unido, surgiram não havia dúvidas de que estaríamos diante de um desempenho que possivelmente poderia lhe render um Oscar. Em O Destino de uma Nação, Oldman passa por um processo de transformação que já rendeu prêmios para outros atores em temporadas passadas, compondo uma equação normalmente atrativa para a Academia: ator consagrado mas nunca [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Assim que começaram as gravações de <i>O Destino de uma Nação </i>(tradução brasileira para <i>Darkest Hour</i>) e as imagens do ator Gary Oldman como Winston Churchill, ex-primeiro ministro do Reino Unido, surgiram não havia dúvidas de que estaríamos diante de um desempenho que possivelmente poderia lhe render um Oscar. Em <i>O Destino de uma Nação</i>, Oldman passa por um processo de transformação que já rendeu prêmios para outros atores em temporadas passadas, compondo uma equação normalmente atrativa para a Academia: ator consagrado mas nunca premiado interpretando uma personalidade histórica ostentando um espantoso trabalho de maquiagem e dirigido por um diretor respeitado entre os pares e a crítica, mas também nunca vencedor do prêmio. O terreno parece predestinado ao ouro.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p><i>O Destino de uma Nação </i>é dirigido por Joe Wright, que, após bater na trave com <i>Orgulho e Preconceito</i>, <i>Desejo e Reparação </i>e <i>Anna Karenina, </i>pode ter chances com um filme que pretende contar os primeiros anos da administração de Churchill, mesma época em que o político teve que estabelecer negociações de paz com a Alemanha nazista. Com o lançamento do primeiro trailer do filme na semana passada, decidimos compartilhar com vocês leitores, ideias que passaram pela nossa cabeça do que pode ser o longa. Antes de ler nossos comentários, assista ao trailer em questão para ter uma dimensão sobre o filme que estamos tratando:</p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/HPVaRVXGoY8" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p><b>O olhar sobre o personagem biografado</b></p>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p><i>O Destino de uma Nação </i>não me parece um filme confinado na ideia de realizar uma biografia &#8220;quadradona&#8221; de Winston Churchill com o trajeto narrativo convencional contando todo o arco de sua vida. Pelo trailer, o filme parece realizar um esforço de dar conta da personalidade controversa, pesando as ranhuras do seu caráter e da sua personalidade política, analisando a mesma através dos seus atos como administrador. Me parece uma decisão acertada, evitar o deslumbramento com a personalidade biografada frisando um olhar crítico para a trajetória do mesmo sem esquecer o lado humano da personalidade.</p>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Logo na abertura do trailer, vemos a entrada de Churchill no cargo político a partir de arranjos que tiveram a participação do primeiro ministro que o antecedeu Clement Attlee. Simultaneamente, através de aparições públicas registradas por fotógrafos, temos informações sobre a personalidade do protagonista dessa história que parece ser um homem de trato difícil e com um histórico nada favorável de administração pública. Algo que me ocorreu nos primeiros minutos do trailer é como a abordagem e as temáticas de <i>O Destino de uma Nação </i>se distanciam das preocupações do cineasta Joe Wright até aqui e como isso poderá ser uma faca de dois gumes, trazendo um frescor para a sua filmografia ao retirá-lo da zona de conforto, mas também pode ser uma aposta que não encontre no cineasta a pessoa certa para executá-la.</p>
</div>
<p><b><br />
</b><b>Novas e antigas colaborações</b></p>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Outro aspecto que nos chama a atenção no trailer de <i>O Destino de uma Nação</i> é a fotografia empregada por Bruno Delbonnel, indicado quatro vezes ao Oscar (<i>O Fabuloso Destino de Amélie Poulain</i>, <i>Eterno Amor</i>, <i>Harry Potter e o Enigma do Príncipe </i>e <i>Inside Llewyn Davis</i>). As imagens do trailer dão conta de um filme que parece explorar o contraste entre os ambientes escuros dos gabinetes onde as negociações políticas serão tratados e o que lhe é externo com uma luz que incide pontualmente nesses cenários.</p>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Wright nunca trabalhou com Delbonnel. O colaborador mais frequente do realizador nesse departamento é Seamus McGarvey (<i>Desejo e Reparação</i>, <i>O Solista</i>, <i>Anna Karenina</i>), portanto teremos uma estreia, o que será uma experiência interessante. Em contrapartida, <i>O Destino de uma Nação </i>traz antigos colaboradores na trajetória de Wright, como o compositor italiano Dario Marianelli, responsável pela trilha sonora do longa, e a diretora de arte Sarah Greenwood (ambos de <i>Desejo e Reparação </i>e <i>Anna Karenina</i>)<i>.</i></p>
<p><i></i>Sobre a colaboração com Sarah é interessante notar como o trailer de <i>O Destino de uma Nação </i>nos traz vestígios de características semelhantes às de <i>Desejo e Reparação </i>que trouxeram méritos notáveis do filme nesse departamento. Estamos nos referindo ao cuidado que Greenwood teve com os mínimos detalhes da casa dos Tallis &#8211; aqui os gabinetes que servem de cenário para as conversas de Churchill e seu quadro de apoio &#8211; e o esmero com os ambientes percorridos por Robbie (James McAvoy) destruídos por força da guerra &#8211; algo que se repete aqui ao que tudo indica.</p>
</div>
<p><i><br />
</i><b>É o show de Gary Oldman!</b></p>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Se a primeira imagem oficial do filme chamava a atenção para uma transformação visual de Oldman como Churchill, o trailer de <i>O Destino de uma Nação </i>nos dá relance da performance do ator, mostrando que tem tudo para ser muito mais do que um empurrãozinho da maquiagem em busca de uma verossimilhança.</p>
<p>Oldman parece disposto a impressionar em pequenos gestos, na postura encurvada de Churchill, no jeito de andar, na colocação da sua voz&#8230; Parece um trabalho complexo que nos faz lembrar, por exemplo, da transformação visual aliada a todos esses componentes que tornaram o seu Drácula em <i>Drácula de Bram Stoker </i>tão interessante, por exemplo. Além disso, Oldman parece ter um roteiro que entrega de bandeja para o ator grandes cenas, monólogos e falas.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">A depender de como o filme será recebido, acho que estamos sim diante de um <i>front runner </i>do Oscar a ser superado pelos seus concorrentes. Temos que levar em consideração ainda que Oldman é um dos mais aclamados de sua geração, mas possui apenas uma indicação em seu currículo, como melhor ator por <i>O Espião que sabia Demais </i>em 2012, o que o coloca na categoria &#8220;injustiçado&#8221; pela Academia. Sempre é tempo de construir a narrativa da &#8220;justiça&#8221; pelo Oscar de melhor ator e isso ajuda sobretudo se estivermos diante de um desempenho que de fato mereça a atenção.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><b>Scott Thomas, Scott Thomas</b></p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Falando em &#8220;injustiçados&#8221; do Oscar&#8230; Não é só Oldman que nos chama a atenção no trailer, Kristin Scott Thomas como Clementine Churchill, esposa do primeiro ministro, parece ter um grande destaque no filme. Assim como Oldman, Scott Thomas tem apenas uma única indicação no currículo, a de melhor atriz por <i>O Paciente Inglês </i>em 1998. Vale lembrar que pelos idos de 2009, a atriz quase conseguiu uma menção por sua performance elogiada no drama francês  <i>Há tanto tempo que te amo</i>.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">A depender do tratamento do filme para essa personagem, Scott Thomas tem tudo para duelar de igual para igual com seu parceiro de cena e conseguir semelhante destaque por sua interpretação.</p>
<div class="" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">
<p><b>Segunda Guerra, nunca sai de &#8220;moda&#8221;</b></p>
<p>Também pensamos que o filme é uma grande isca para prêmios por trazer temas propiciados por força do contexto histórico da Segunda Guerra Mundial, algo que não importa a edição do prêmio ou até mesmo a qualidade do filme, sempre chama a atenção de votantes da Academia. E <i>O Destino de uma Nação </i>parece estar imerso nesse contexto e mergulhar a fundo na maneira como Churchill lidou com toda a questão.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><b>A câmera de Wright</b></p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Alguns dos momentos mais marcantes de longas como <i>Orgulho e Preconceito</i>, <i>Desejo e Reparação</i>, <i>Anna Karenina </i>e até mesmo de filmes menos visados como <i>O Solista </i>e <i>Hanna </i>é quando Joe Wright toma sua história para si e até mesmo em um gesto de vaidade artística resolve pontuá-la com alguma decisão que surpreende o espectador como o plano-sequência de <i>Desejo e Reparação </i>ou mesmo sua transição entre cenários e coxias em <i>Anna Karenina. </i>Com registros como os que vemos em <i>O Destino de uma Nação</i>, a expectativa é que Wright pontue de alguma maneira essa história com preciosismos que fizeram seu cinema angariar tantos fãs (e detratores também). Momentos propícios para tanto não faltam no trailer, como as imagens que vemos do conflito, tomadas aéreas etc.</p>
<p data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><i>O Destino de uma Nação </i>tem previsão de estreia no Brasil para janeiro de 2018.</p>
</div>
</div>
</div>
</div>
</div>
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		<title>Resenha TV: Só Deus Perdoa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 Aug 2014 01:05:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Outros]]></category>
		<category><![CDATA[Kristin Scott Thomas]]></category>
		<category><![CDATA[Nicolas Winding Refn]]></category>
		<category><![CDATA[Ryan Gosling]]></category>
		<category><![CDATA[Só Deus Perdoa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Ambientado em um universo diferente, Só Deus Perdoa mantém alguns traços do último trabalho do diretor Nicolas Winding Refn, Drive, que o consagrou com o prêmio de melhor diretor em Cannes no ano de 2011. Refn parece interessado em fazer experiência com gêneros cinematográficos e toda a sua trama é calcada na sede de vingança dos seus personagens. É o &#8220;olho por olho, dente por dente&#8221;, todos eles têm contas a acertar e parece não sobrar pedra sobre pedra [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_1646" aria-describedby="caption-attachment-1646" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/08/ONLY-GOD-FORGIVES-ryan-gosling.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1646 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/08/ONLY-GOD-FORGIVES-ryan-gosling-620x331.jpg" alt="ONLY-GOD-FORGIVES-ryan-gosling" width="620" height="331" /></a><figcaption id="caption-attachment-1646" class="wp-caption-text">Com as próprias mãos: Vingança, honra e laços familiares dão o tom no banho de sangue promovido por Refn e Ryan Gosling ao longo do filme.</figcaption></figure></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ambientado em um universo diferente, <em>Só Deus Perdoa </em>mantém alguns traços do último trabalho do diretor Nicolas Winding Refn, <em>Drive, </em>que o consagrou com o prêmio de melhor diretor em Cannes no ano de 2011. Refn parece interessado em fazer experiência com gêneros cinematográficos e toda a sua trama é calcada na sede de vingança dos seus personagens. É o &#8220;olho por olho, dente por dente&#8221;, todos eles têm contas a acertar e parece não sobrar pedra sobre pedra no final da história. No entanto, as semelhanças param por aqui. <em>Só Deus Perdoa, </em>que por enquanto só teve os seus direitos de exibição adquiridos para a TV a cabo no Brasil (nada de distribuidora no cinema ou no mercado doméstico), tem muito menos viço do que a empreitada anterior do realizador.</p>
<p>Toda a narrativa de <em>Só Deus Perdoa </em>se passa em Bangkok e acompanha a jornada de Julian, papel de Ryan Gosling, na tentativa de honrar o nome da sua família. O irmão mais velho de Julian foi assassinado após estuprar e matar uma jovem prostituta. A mãe do rapaz e chefe de uma organização criminosa articulada em Bangkok dá ordens expressas ao seu grupo e a Julian: eles devem procurar o assassino do seu primogênito e o matar com requintes de crueldade. A partir dai a rivalidade interna e externa do grupo começa a desencadear um rastro de sangue que parece não ter fim. Ao mesmo tempo, Julian tem que lidar com um conflito interno antigo, a mágoa e o sentimento de rejeição que tem do relacionamento com sua mãe.</p>
<p><figure id="attachment_1648" aria-describedby="caption-attachment-1648" style="width: 617px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/08/kristin-scott-thomas-only-god-forgives.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1648" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/08/kristin-scott-thomas-only-god-forgives.jpg" alt="kristin-scott-thomas-only-god-forgives" width="617" height="315" /></a><figcaption id="caption-attachment-1648" class="wp-caption-text">Matriarca implacável: Kristin Scott Thomas brilha como a chefe de uma organização criminosa em Bangkok.</figcaption></figure></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Se <em>Drive </em>flertava com o <em>western </em>e buscava referências oitentistas, <em>Só Deus Perdoa </em>dialoga com o cinema oriental e com os filmes de gângsters. Refn apresenta algumas abordagens interessantes, como acontecia em <em>Drive</em>, na tentativa de fazer algumas leituras pessoais sobre os gêneros, mas cai em uma excessiva e escancarada auto-apreciação. Durante todo o longa a sensação que se tem sobre Refn é que ele está contemplando a si próprio e suas habilidades e inventividades cinematográficas, fazendo reverência a cada segundo por um &#8220;<em>insight</em>&#8221; qualquer que tenha ao longo de <em>Só Deus Perdoa</em>, o que torna o filme emperrado. Esteticamente, <em>Só Deus Perdoa </em>é impecável. Desde a direção de arte que valorizou as referências orientais, passando pela fotografia que prioriza o lugar das cores e da luz, não há o que se questionar sobre o longa nesses departamentos. O empenho de Refn e sua equipe é louvável nesse sentido, mas o êxito localizado não ameniza um dos maiores defeitos da obra que é o de olhar para o próprio umbigo. A todo momento temos a impressão de que Refn está gritando pela atenção e reconhecimento a qualquer feito técnico, o mínimo que seja. Tudo isso torna a &#8220;viagem&#8221; em <em>Só Deus Perdoa </em>enfadonha e ausente de propósito.</p>
<p>Ryan Gosling faz um tipo muito parecido com o que interpretou em <em>Drive</em>. Julian surge em cena cansado (parece levar o peso de uma vida), entediado, calado e, ao mesmo tempo, capaz de cometer atrocidades. No entanto, Refn prefere manter o personagem no subtexto e a interpretação de Ryan Gosling, como aconteceu em outros momentos com essa mesma orientação porém com resultados melhores (<em>Tudo pelo Poder </em>e o próprio <em>Drive</em>), não funciona, parece faltar alguma peça na engrenagem e Julian tem menos camadas do que sugere o filme. Kristin Scott Thomas, por sua vez, é a força motriz desse longa, a sua melhor &#8220;peça&#8221;. Como uma grande chefe do tráfico, a personagem é interpretada por Thomas como uma daquelas mulheres dominadoras, implacável com sua cria e fria com o sentimento alheio. A atriz está soberba no papel e é sempre motivo para manter o espectador fiel ao longa, aguardando os seus próximos passos, sempre imprevisíveis.</p>
<p><figure id="attachment_1647" aria-describedby="caption-attachment-1647" style="width: 612px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/08/OnlyGodForgivesGoslingFightbig5993.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1647" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/08/OnlyGodForgivesGoslingFightbig5993.jpg" alt="OnlyGodForgivesGoslingFightbig5993" width="612" height="329" /></a><figcaption id="caption-attachment-1647" class="wp-caption-text">Entre erros e acertos: Filme tem um excelente acabamento técnico, mas derrapa como narrativa pelos excessos do diretor.</figcaption></figure></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Só Deus Perdoa </em>acaba sendo uma jornada auto-centrada de Nicolas Winding Refn após o interessante <em>Drive. </em>O novo longa do diretor é uma embalagem ornada de belíssimos atrativos, mas ausente de um conteúdo que dê sentido a sua própria existência. Talvez da próxima vez, Refn se redima de um trabalho como esse e volte a nos surpreender. Com <em>Só Deus Perdoa</em> ele só conseguiu a indiferença.</p>
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