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	<title>Arquivos Kô Shibasaki - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: O Menino e a Garça</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Feb 2024 22:39:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mais recente longa de animação de Hayao Miyazaki e seu Studio Ghibli, O Menino e a Garça acompanha a jornada de Mahito, um garoto de 12 anos tentando se recuperar da morte repentina da mãe enquanto o pai reestabelece sua vida com uma nova esposa. Enquanto se habitua com a nova família, Mahito é surpreendido pelas constantes aparições de uma garça. O animal revela ao rapaz que sua mãe ainda está viva e que há meios para reencontrá-la. Mesmo ensaiando [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Mais recente longa de animação de Hayao Miyazaki e seu Studio Ghibli, <strong><em>O Menino e a Garça</em></strong> acompanha a jornada de Mahito, um garoto de 12 anos tentando se recuperar da morte repentina da mãe enquanto o pai reestabelece sua vida com uma nova esposa. Enquanto se habitua com a nova família, Mahito é surpreendido pelas constantes aparições de uma garça. O animal revela ao rapaz que sua mãe ainda está viva e que há meios para reencontrá-la.</p>
<p>Mesmo ensaiando há alguns anos um afastamento dos holofotes, Hayao Miyazaki segue realizando suas animações com o mesmo fôlego poético e filosófico dos primeiros anos da sua carreira. <strong><em>O Menino e a Garça</em></strong> persegue as maiores qualidades de toda a filmografia do cineasta: um flerte inesgotável com a fantasia na criação de um universo estimulante e uma trama que equilibra insights existenciais e muita emoção ao abordar sentimentos e conflitos humanos instantaneamente identificáveis pela maior parte do seu público, seja ele infantil ou não. As animações de Miyazaki definitivamente não são apenas para crianças e muitas vezes o público adulto aproveita mais as investidas do cineasta do que os &#8220;pequenos&#8221;.</p>
<p>No âmbito mais elementar, <strong><em>O Menino e a Garça</em></strong> é um filme sobre a superação do luto. A jornada do garoto Mahito é toda centrada no conflito de um jovem que, compreensivelmente, rejeita a ideia de lidar com a realidade da morte e perde completamente o interesse pela vida, tentando se agarrar na esperança ilusória mínima de reencontrar a sua mãe. O filme de Miyazaki lida de maneira muito madura com o tema. O impacto aqui é encarar a experiência do luto na infância, o primeiro contato com a ideia de finitude da vida em contraponto com uma fase da nossa jornada na qual o fim parece não ser um horizonte e abraçamos uma certa prepotência, um momento no qual acessamos muito pouco qualquer noção de consequência e de limitações das nossas possibilidades.</p>
<p><strong><em>O Menino e a Garça</em></strong> também faz uma reflexão sobre a forte inclinação da humanidade para a barbárie a partir de sua contextualização histórica. O filme de Miyazaki é ambientado no período da Guerra do Pacífico (1941 &#8211; 1945) e naturalmente herda o trauma do Japão com a guerra, utilizando a história de Mahito como forma de refletir sobre essas questões. Com o desenrolar da história, Mahito entra em contato com um de seus ancestrais, um sujeito que lhe lega como desafio construir uma humanidade melhor, mais pacífica. O desencanto decorrente do luto se mistura com a desesperança da guerra intensificando ainda mais a melancolia, um sentimento muito presente na construção atmosférica desse filme. Nesse sentido, <em>O Menino e a Garça</em> se apresenta ao espectador como um conto bucólico e introspectivo durante boa parte da sua projeção. <strong>(ATENÇÃO! O PRÓXIMO PARÁGRAFO CONTÉM SPOILERS!!!)</strong></p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17737" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image-7.png" alt="O Menino e a Garça" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image-7.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image-7-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image-7-610x407.png 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image-7-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Miyazaki resolve o conflito de emoções do protagonista com um &#8220;pé na realidade&#8221;, mas com a sabedoria que lhe é peculiar, entendendo que lidar com a dor parece algo inerente a nossa jornada e que existe beleza nisso quando contemplamos a maneira como atravessamos esse momento. Dessa forma, nos tornamos outra pessoa, alguém mais resiliente. É assim que Mahito nos deixa ao final de <strong><em>O Menino e a Garça</em></strong> e Miyazaki conclui com a sabedoria que lhe é peculiar sua mais recente obra.</p>
<p><strong><em>O Menino e a Garça</em></strong> é uma animação visualmente impecável, confirmando a habilidade de Miyazaki e dos Studio Ghibli em lidar de forma inventiva com o visual dos seus personagens (impossível esquecer figuras como o homem-garça, as avós de Mahito ou os habitantes do reino dos periquitos australianos), bem como dos seus cenários, sempre cheio de cores.</p>
<p>Como em A Viagem de Chihiro, Miyazaki concebe em <strong><em>O Menino e a Garça</em></strong> um universo imaginado que funciona não apenas pela via do encantamento, mas também pelo tom ameaçador e amedrontador do desconhecido, no liame entre o sonho e o pesadelo, algo bem coerente da parte do cineasta por se tratar de uma história que faz colidir temas como a morte e a guerra. Assim como Chihiro, também é sensível em <em>O Menino e a Garça</em> a forma como as realidades imaginadas se sobrepõem a partir do momento que Mahito segue o animal que lhe desafia. Esses universos não apresentam correspondência com a lógica operante no mundo real, mas possuem diversas referências do mesmo, e se sucedem abruptamente fazendo a história assumir diversos tons em fração de segundos: do encantamento ao medo. Nesse sentido é interessante observar como o tom quieto que predomina no começo de <em>O Menino e a Garça</em> é sucedido pelo frenesi vertiginoso da jornada de Mahito na sua &#8220;toca do coelho&#8221; de Alice.</p>
<p><strong><em>O Menino e a Garça</em></strong> é mais uma realização cheia de intensidade e muito bem realizada por Hayao Miyazaki, um diretor que sempre está disposto a levar a animação ao patamar que lhe é próprio, apesar de muitas vezes negado, o de arte cinematográfica. Como toda a filmografia do diretor, a animação é terreno fértil para a imaginação e também para a reflexão sobre a condição humana.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Hayao Miyazaki</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Soma Santoki, Masaki Suda, Kô Shibasaki</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
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