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	<title>Arquivos Kinoforum - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Kinoforum - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>36º Kinoforum: O medo tá foda</title>
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		<pubDate>Thu, 31 Jul 2025 14:39:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>No novo curta-metragem de Esaú Pereira (AoMar), o espectador se depara com um mundo distópico, cheio de metáforas, angústias e libertações sobre o sistema e uma pitada de poesia. De maneira geral, a produção satisfaz a fruição do espectador, pela beleza imagética dos quadros. Com cores que mesclam temperaturas pastéis, com pontos específicos de tons escuros, há um equilíbrio visual, que se destaca por emitir uma força junto com a suavidade. Esta sensação está quase posta também pelo discurso, que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>No novo curta-metragem de Esaú Pereira (<em>AoMar</em>), o espectador se depara com um mundo distópico, cheio de metáforas, angústias e libertações sobre o sistema e uma pitada de poesia. De maneira geral, a produção satisfaz a fruição do espectador, pela beleza imagética dos quadros. Com cores que mesclam temperaturas pastéis, com pontos específicos de tons escuros, há um equilíbrio visual, que se destaca por emitir uma força junto com a suavidade. Esta sensação está quase posta também pelo discurso, que é direto e subtextual, ao mesmo tempo. Neste sentido, Esaú sabe como elaborar complexidade para sua trama. Todavia, falta amarrar toda essa profundidade em um caminho mais coeso.</p>
<p>Quando o público terminar a sessão, talvez sinta essa ausência de conclusão da argumentação central. O objetivo do herói é alcançado, porém apenas enquanto ação. Porque existe uma tentativa de criticar as modalidades opressoras do patriarcado branco e rico dentro do roteiro. Através de uma metáfora na qual os seres do planeta são figuras habitadas por coisas &#8211; borboletas ou os cosmos, por exemplo -, esses elementos convocam sensações nas personagens, que se portam como inquietas e com um desejo de transformar a realidade na qual vivem. No entanto, qual seria essa experiência que eles rejeitam de fato? Esse ponto não é tocado diretamente e somente paira no ar, como uma indicação de perturbação e medo.</p>
<p>Além disso, todos vivem em um deserto, seco e permeado de calor. Revo, papel principal na trama, foge o tempo inteiro de uma organização que controla a população daquele Universo. Contudo, o que há por trás de toda a situação vivida por Revo não é investigada e explorada com maior propriedade. Falta aqui menos introdução de elementos e mais observação e tempo para tratar daquelas inserções. Há muito mistério e momentos bonitos, mas sem o desenvolvimento necessário para que, ao final da projeção, esses pontos colocados na narrativa se conectem e criem um significado tão plural e relevante quanto as imagens feitas por Esaú.</p>
<p>Assim, enxugar alguns encontros também poderia ser uma solução ou revisitar os diálogos, transformando em um fomento maior do que está sendo defendido na produção. Um produto midiático pode ser despretensioso, simples e tratar de questões triviais. No entanto, é preciso compreender que todo cenário é construído para emitir sentido e em O medo tá foda a plateia encontra uma conversa entre Revo e as pessoas que ele encontra no caminho, que parecem ser com quem assiste, porém são apenas introduções. A cada passagem algo é trazido, impresso na tela e nos corações do receptor, porém esse &#8220;algo&#8221; é interrompido, a todo instante, para que Revo siga seu caminho.</p>
<p>Desta maneira, o curta não completa seu ciclo com plenitude, mas, ainda assim é uma animação que consegue emocionar em alguns momentos e que encanta pelas visualidades que traz em sua encenação. Falta um tanto de amadurecimento para Esaú Pereira, porém parece estar em um bom caminho.</p>
<p><strong>Direção</strong>: Esaú Pereira</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Mateus Honori, Mateus Franklin, Maria Adelino e Bruno Paes</p>
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		<title>32º Curta Kinoforum: Acesso</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Sep 2021 20:50:56 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Júlia Leite]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Acesso é um filme simples, mas que consegue cumprir o que ele, aparentemente, se propõe. Através de recursos como a mistura de imagens retiradas da plataforma Google Maps, trechos de conversas por vídeos chamadas e fotos antigas, relatos de pessoas LGBTQIAP+, moradores da cidade de São Paulo, são contados. A memória e os afetos são pontos centrais aqui. Há um tom despretensioso, que evoca uma espécie de sinceridade. Este elemento presente na obra aproxima o público daquelas histórias. Ainda que, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Acesso</em> </strong>é um filme simples, mas que consegue cumprir o que ele, aparentemente, se propõe. Através de recursos como a mistura de imagens retiradas da plataforma <em>Google Maps</em>, trechos de conversas por vídeos chamadas e fotos antigas, relatos de pessoas LGBTQIAP+, moradores da cidade de São Paulo, são contados. A memória e os afetos são pontos centrais aqui. Há um tom despretensioso, que evoca uma espécie de sinceridade.</p>
<p>Este elemento presente na obra aproxima o público daquelas histórias. Ainda que, em um dado momento, a sessão fique um tanto cansativa, pois os recursos selecionados pela diretora e roteirista Júlia Leite se tornam um tanto repetitivos, a força da obra não se perde por completo. A tranquilidade das vozes que se entregam para o público amortecem o impacto desta estilística que pouco se renova durante a exibição.</p>
<p>O interesse acaba sendo mantido pelo tom das personagens e pela complexidade das temáticas que elas convocam. Enquanto assuntos como a morte de um melhor amigo ou a descoberta de não estar sozinho sendo uma pessoa <em>queer</em> no mundo são trazidos, a experiência se torna mais palpável quando quem assiste se depara com as imagens dos locais no mapa.</p>
<p>Ao se deparar com os espaços é quase como se fosse possível criar uma narrativa paralela, na qual os cenários estáticos ganham vida e são preenchidos de transeuntes em movimento. Isto que torna <strong><em>Acesso</em> </strong>um tanto quanto especial. Em sua possibilidade restrita, provavelmente por ter sido gravado durante a pandemia, Leite encontra esta maneira singela de trazer enredos complexos.</p>
<p>O público se torna um confidente e é justamente por esta razão que a imersão acaba por ser intensa. No entanto, talvez, alguns pontos pudessem elevar a qualidade da produção. Um fator um tanto incômodo é a demora de ser colocado o primeiro rosto de personagem na tela. Nos quatro primeiros minutos de projeção, há apenas a visualização do <em>maps</em>.</p>
<p>Isto pode acabar provocando certa confusão em compreender que serão múltiplas narrações. Há de se tomar um tempo para notar a modificação da voz 01 para a 02, o que enfraquece essa conexão, que acaba por ganhar forma já na metade do curta-metragem. Ainda assim, no geral, o documentário apresenta um resultado equilibrado e contem estratégias criativas.</p>
<p>Na imensidão de São Paulo, nos encontros, medos, alegrias, semelhanças e diferenças da população LGBTQIAP+, um caminho coeso é traçado em <strong><em>Acesso</em></strong>. Além disso, a pluralidade da comunidade é mostrada, através de diferentes integrantes da sigla, mas, ao mesmo tempo, os sentimentos ali impressos possuem uma unidade. A forma como Júlia Leite mescla as duas coisas, faz com que o alcance do curta seja maior e mais rico.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Júlia Leite</p>
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