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	<title>Arquivos Kate Dickie - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Kate Dickie - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: A Bruxa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Mar 2016 21:14:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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		<category><![CDATA[Anya Taylor-Joy]]></category>
		<category><![CDATA[Kate Dickie]]></category>
		<category><![CDATA[Ralph Ineson]]></category>
		<category><![CDATA[Robert Eggers]]></category>
		<category><![CDATA[Terror]]></category>
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<p>Por muitos anos, os fãs do gênero terror se queixaram da produção de filmes ruins nesse nicho da indústria. Muitos <i>remakes </i>de filmes orientais, muitas fórmulas narrativas e muito artificialismo estético voltado para a produção de efeitos nas plateias em títulos que se multiplicavam pelo circuito de exibição, todos eles priorizando uma série de truques cinematográficos e esquecendo alguns dos principais elementos que fazem o gênero conceber histórias de gelar a espinha de qualquer ser humano com sangue correndo em suas veias: uma atmosfera de medo ascendente e uma construção narrativa envolvente com a composição de personagens marcados por densos conflitos psicológicos. Filmes como <i>O Exorcista </i>ou <i>O Iluminado </i>não são sucessos até hoje à toa. Acontece que nos últimos anos ficamos muito bem servidos, não temos do que reclamar. Desde <i>Invocação do Mal </i>de 2013, somos surpreendidos todo ano por longas que primam por essas características e deixam de lado qualquer truque malandro para assustar criancinhas. Títulos como <i>Corrente do Mal</i>, <i>A</i> <em>Visita</em>, <em>The Babadook</em><i> </i>(disponível no Netflix) e o austríaco <i>Boa Noite, Mamãe! </i>são ótimos exemplares dessa recente leva. <i>A Bruxa </i>segue o caminho de todos eles ao apoiar-se em lendas inglesas sobre bruxaria a partir de uma apavorante experiência vivenciada por uma família no interior da Inglaterra por volta de 1630.</p>
<figure id="attachment_4719" aria-describedby="caption-attachment-4719" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-4719 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/02/thewitch2-620x349.jpg" alt="thewitch2" width="620" height="349" /><figcaption id="caption-attachment-4719" class="wp-caption-text">Estética aplicada: Longa beneficia-se por um uso consciente da linguagem cinematográfica em prol da construção de uma atmosfera apavorante.</figcaption></figure>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>&nbsp;</p>
<p>Em <i>A Bruxa </i>acompanhamos o casal William e Katherine e seus cinco filhos após serem expulsos do lugar onde moravam por terem crenças diferentes daquelas que os seus vizinhos possuíam. O casal e seus filhos então passam a viver isolados da sociedade em uma propriedade próxima de um bosque bastante sinistro. Quando o filho mais novo de William e Katherine desaparece misteriosamente uma série de eventos com todos os integrantes dessa família começam a acontecer e eles passam a travar uma disputa com forças sobrenaturais para descobrir o que de fato está por trás de todos os fenômenos que lhes são apresentados.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Esteticamente requintado, soando em muitos momentos até mesmo como um longa pretensioso (mas não é), <i>A Bruxa </i>busca nas cores da sua sinistra sua fotografia e em recursos como jogos de luzes a construção de uma atmosfera sombria que contribui para a crescente tensão da sua trama central. O diretor Robert Eggers ao mesmo tempo que realiza um filme pequeno e de pouca pirotecnia digital ou violência gráfica, prioriza o uso sofisticado de uma linguagem cinematográfica para transportar o espectador para uma história sinistra que mantém o corpo gélido durante boa parte da projeção. O tom da &#8220;narração de uma lenda&#8221; está presente ao longo de todo o filme do realizador e isso além de transformar <i>A Bruxa </i>em um exercício do seu gênero muito peculiar, o qualifica como um filme extremamente eficiente em seus propósitos.</p>
</div>
<figure id="attachment_4720" aria-describedby="caption-attachment-4720" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-4720 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/02/thewitch-620x349.jpg" alt="thewitch" width="620" height="349" /><figcaption id="caption-attachment-4720" class="wp-caption-text">Ecos de A Vila: Há momentos em que o filme lembra o título dirigido por M. Night Shyamalan em 2004.</figcaption></figure>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>&nbsp;</p>
<p>Há uma consciência a respeito da importância que a economia dos recursos do gênero possuem para a própria eficiência do diálogo entre a obra e o seu público, fazendo com que <i>A Bruxa</i>, diferente de outros longas do nicho, não seja um filme orientado pelo terror explícito, mas um longa que permite que o sobrenatural seja revelado ao público na medida em que seus personagens mergulham nesse universo desconhecido. Ao priorizar a construção de uma história, dos seus personagens e o uso dos recursos audiovisuais em prol de um filme que não apenas consegue gerar uma cartela de efeitos de alta voltagem no espectador, mas que também serve à construção de uma obra cinematográfica esteticamente sofisticada, <i>A Bruxa </i>brinca com toda a cartela de elementos do gênero: magia negra, possessões e crianças e animais sinistros.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Em certa medida, determinadas leituras sobre a paranoia coletiva e os mecanismos de controle social através do medo extraídos de filmes como <i>A Vila </i>do M. Night Shyamalan podem ser feitas, possibilitando paralelos interessantes entre as duas obras. O fato é que <i>A Bruxa </i>é um exemplar maduro de um gênero subestimado e temido por muitos, mas que quando consegue utilizar o seu programa de efeitos no espectador aliado a um poderoso jogo narrativo e estético gera filmes poderosos como esse que merecem ser vistos na tela de um cinema.</p>
</div>
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