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	<title>Arquivos Julia Lemmertz - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Pequeno Segredo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Nov 2016 19:25:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[David Schürmann]]></category>
		<category><![CDATA[Julia Lemmertz]]></category>
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		<category><![CDATA[Maria Flor]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Independente de todo o processo de escolha do candidato brasileiro a uma indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2016 e que culminou com o preterimento de Aquarius e a eleição de Pequeno Segredo, todos devem assistir ao filme sobre a família Schürmann desprendidos de toda e qualquer pré-concepção. É o ideal e o mais recomendável. Ainda assim, mesmo com toda boa vontade do mundo, é possível que você constate que os critérios de escolha da comissão foram equivocadas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Independente de todo o processo de escolha do candidato brasileiro a uma indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2016 e que culminou com o preterimento de <i>Aquarius </i>e a eleição de <i>Pequeno Segredo</i>, todos devem assistir ao filme sobre a família Schürmann desprendidos de toda e qualquer pré-concepção. É o ideal e o mais recomendável. Ainda assim, mesmo com toda boa vontade do mundo, é possível que você constate que os critérios de escolha da comissão foram equivocadas e que estamos diante de um filme que não faz jus a uma competição com títulos como <i>Toni Erdmann</i> ou <i>Julieta</i>, de Pedro Almodóvar. <i>Pequeno Segredo </i>não só é um filme menor e pouco marcante em nossa cinematografia como também tem tudo para ser esquecido em um rápido espaço de tempo.</p>
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<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Investindo numa tentativa de prever o resultado das votações da Academia de Hollywood, categorizando o longa como &#8220;filme de Oscar&#8221; (ainda numa ultrapassada concepção reproduzida no senso comum de que as escolhas e os gostos do grupo de votantes são previsíveis), a comissão do MinC fez o seu usual papel de &#8220;Mãe Diná&#8221; e esqueceu de olhar para a obra em si, que apesar de não ser de todo intragável, possui defeitos crassos e escancarados. Claro que todo grupo de votantes têm suas características predominantes e muitas vezes o jogo político impera nas premiações, mas o que importa mesmo numa competição é a qualidade da obra e títulos como <i>Amor</i>, <i>A Grande Beleza</i>, <i>Ida </i>e<i> O Filho de Saul</i>, vencedores do Oscar de filme estrangeiro, correm por fora daquilo que se considera como &#8220;filme de Oscar&#8221;. Mais, em categorias centrais, como explicar o êxito de títulos como <i>Onde os Fracos não têm Vez </i>ou mesmo <i>Birdman</i>? Ambos não têm cara de Oscar.</p>
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<p><i>Pequeno Segredo </i>conta parte da vida da família Schürmann, conhecida pelas histórias das suas viagens marítimas ao redor do mundo. Dirigido por um dos filhos de Heloísa e Vilfredo Schürmann, David Schürmann, o longa cruza a trajetória da família com a de outros núcleos dramáticos: um estrangeiro e sua história de amor com uma brasileira e um casal de australianos. No longa, as tramas se encontrarão para entrar mais a fundo na história de Kat, filha mais nova dos Schürmann falecida em 2006, que entrava na adolescência e somatizava uma série de conflitos potencializados pela fase e por alguns problemas de saúde que já vinha apresentando há alguns anos.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>No filme, Schürmann parece investir num olhar pessoal para a história explorando, sobretudo, a relação entre sua mãe Heloísa e a irmã. Acontece que alguns diretores conseguem relatar eventos pessoais sem cair nas armadilhas do olhar excessivamente parcial para os eventos narrados e personagens que desfilam na tela. Esse foi o caso, por exemplo, de <i>Elena</i>, cuja realizadora Petra Costa conseguira contar com muita sensibilidade a história de vida da sua irmã Elena, e de maneira muito honesta e humana, revelando facetas até mesmo obscuras de alguém  que fora tão importante para a sua formação pessoal sem com isso perder o afeto por sua protagonista.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;"> <img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-6897" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/11/PequenoSegredo.jpg" alt="pequenosegredo" width="610" height="348" /></div>
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<p>David Schürmann não consegue fazer o que Petra Costa realizara em seu documentário &#8220;autobiográfico&#8221;. Ao ter como protagonistas do seu filme sua mãe e sua irmã, Schürmann realiza um longa repleto de chavões do melodrama familiar, não sabendo inclusive se escancara de vez sua veia assumidamente açucarada ou se adere à chave de um &#8220;projeto&#8221; de cinema de arte, com direito a quadros que sugerem uma riqueza simbólica.  O filme descamba para diálogos e cenas clichês que supostamente conferem um ar beato a vida das suas personagens, sobretudo Heloísa Schürmann retratada como alguém isento de falhas ou contradições, e a garota Kat. Em contrapartida, transforma a avó da menina, interpretada por Fionnula Flanagan (de <i>Os Outros</i>, do Alejandro Aménabar), em uma vilã de desenho animado.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Não há na condução de Schürmann um equilíbrio entre o filho, o irmão e o cineasta interessado em contar uma história para uma plateia mais ampla. As emoções parecem entorpecer o realizador que transforma figuras reais em personagens unidimensionais que optam pelo bom mocismo ou pela vilania cartunesca. Em outros departamentos, <i>Pequeno Segredo </i>volta-se para chavões igualmente ultrapassados como a trilha sonora intrusiva de Antonio Pinto (o mesmo que fora responsável pela obra-prima de <i>Central do Brasil</i>) e a fotografia que emula a assepsia de comerciais de margarina ou leite em pó, com direito a <i>Feng Shui </i>e tudo.</p>
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<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p><i>Pequeno Segredo </i>também sofre com o ritmo arrastado, demorando a engatar dramaticamente. Até o público de fato se interessar pelas suas personagens e por seus dramas já se passaram quase uma hora de filme. Até lá, somos apresentados a uma série de histórias e núcleos paralelos, cujos conflitos e dinâmicas de relacionamento (a puberdade da garota, o romance entre o estrangeiro e a brasileira e os problemas do casal de idosos) geram pouca empatia na plateia.</p>
</div>
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<p>O filme é beneficiado pela impactante história da família Schürmann, que, em dado momento, até se coloca à frente dos incômodos efeitos que as escolhas esquemáticas do cineasta proporcionam. A relação entre Heloísa e Kat, por exemplo, é algo que acaba se impondo emocionalmente no longa, abrindo espaço, inclusive, para um desempenho sensível de Júlia Lemmertz (<i>Do Começo ao Fim</i>). Contudo, até mesmo quando vai abordar o falecimento de Kat, David Schürmann prefere metaforizar, investindo em paralelos com contos infantis através de uma associação entre a garota e as fadas.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Não funcionando nem mesmo como relato pessoal, já que todo o afeto investido pelo diretor na história do filme resulta em escolhas ineficazes para uma aderência emocionalmente espontânea do público com a obra, <i>Pequeno Segredo </i>resulta num filme estranho. De um lado, temos uma forte história de vida que merece respeito, não há dúvidas. Por outro, a maneira como Schürmann resolve contar essa história derrapa em um sentimentalismo exagerado que faz com que ele esqueça de enxergar suas personagens e sua própria vida de maneira mais humana, problematizante e, consequentemente, mais interessante e empática.</p>
</div>
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<p>Se o intuito da comissão do MinC para o Oscar era escolher, dentre os filmes à sua disposição, aquele que acessasse o público através da emoção, o argumento revelou-se uma grande furada. Tal qual a escolha estapafúrdia da mesma comissão por <i>Olga </i>em 2004 com argumento semelhante, <i>Pequeno Segredo </i>não reúne elementos o suficiente para sensibilizar o espectador, tamanha artificialidade dos recursos usados ao longo. A sensação que fica é a de que a vida da família Schürmann merecia um filme melhor.</p>
<p><strong>Assista ao trailer do filme: </strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/X_qAIqyZK8g" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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