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	<title>Arquivos Júlia Leite - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>32º Curta Kinoforum: Acesso</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Sep 2021 20:50:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Acesso é um filme simples, mas que consegue cumprir o que ele, aparentemente, se propõe. Através de recursos como a mistura de imagens retiradas da plataforma Google Maps, trechos de conversas por vídeos chamadas e fotos antigas, relatos de pessoas LGBTQIAP+, moradores da cidade de São Paulo, são contados. A memória e os afetos são pontos centrais aqui. Há um tom despretensioso, que evoca uma espécie de sinceridade. Este elemento presente na obra aproxima o público daquelas histórias. Ainda que, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Acesso</em> </strong>é um filme simples, mas que consegue cumprir o que ele, aparentemente, se propõe. Através de recursos como a mistura de imagens retiradas da plataforma <em>Google Maps</em>, trechos de conversas por vídeos chamadas e fotos antigas, relatos de pessoas LGBTQIAP+, moradores da cidade de São Paulo, são contados. A memória e os afetos são pontos centrais aqui. Há um tom despretensioso, que evoca uma espécie de sinceridade.</p>
<p>Este elemento presente na obra aproxima o público daquelas histórias. Ainda que, em um dado momento, a sessão fique um tanto cansativa, pois os recursos selecionados pela diretora e roteirista Júlia Leite se tornam um tanto repetitivos, a força da obra não se perde por completo. A tranquilidade das vozes que se entregam para o público amortecem o impacto desta estilística que pouco se renova durante a exibição.</p>
<p>O interesse acaba sendo mantido pelo tom das personagens e pela complexidade das temáticas que elas convocam. Enquanto assuntos como a morte de um melhor amigo ou a descoberta de não estar sozinho sendo uma pessoa <em>queer</em> no mundo são trazidos, a experiência se torna mais palpável quando quem assiste se depara com as imagens dos locais no mapa.</p>
<p>Ao se deparar com os espaços é quase como se fosse possível criar uma narrativa paralela, na qual os cenários estáticos ganham vida e são preenchidos de transeuntes em movimento. Isto que torna <strong><em>Acesso</em> </strong>um tanto quanto especial. Em sua possibilidade restrita, provavelmente por ter sido gravado durante a pandemia, Leite encontra esta maneira singela de trazer enredos complexos.</p>
<p>O público se torna um confidente e é justamente por esta razão que a imersão acaba por ser intensa. No entanto, talvez, alguns pontos pudessem elevar a qualidade da produção. Um fator um tanto incômodo é a demora de ser colocado o primeiro rosto de personagem na tela. Nos quatro primeiros minutos de projeção, há apenas a visualização do <em>maps</em>.</p>
<p>Isto pode acabar provocando certa confusão em compreender que serão múltiplas narrações. Há de se tomar um tempo para notar a modificação da voz 01 para a 02, o que enfraquece essa conexão, que acaba por ganhar forma já na metade do curta-metragem. Ainda assim, no geral, o documentário apresenta um resultado equilibrado e contem estratégias criativas.</p>
<p>Na imensidão de São Paulo, nos encontros, medos, alegrias, semelhanças e diferenças da população LGBTQIAP+, um caminho coeso é traçado em <strong><em>Acesso</em></strong>. Além disso, a pluralidade da comunidade é mostrada, através de diferentes integrantes da sigla, mas, ao mesmo tempo, os sentimentos ali impressos possuem uma unidade. A forma como Júlia Leite mescla as duas coisas, faz com que o alcance do curta seja maior e mais rico.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Júlia Leite</p>
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