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	<title>Arquivos Jorge Furtado - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Jorge Furtado - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Virgínia e Adelaide</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 May 2025 02:07:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>É uma pena que as boas intenções não fazem bons filmes, caso contrário Virgínia e Adelaide seria um grande longa-metragem. Com experimentações estéticas em sua mise-en-scène e um discurso necessário sobre a inauguração da psicanálise no Brasil e sobre racismo e antissemitismo, a produção peca por tentar demais ser disruptiva e esquecer da coesão. Por este motivo há uma ausência de criação de relação com a plateia. Uma sensação de vazio paira no ar porque nem o debate sobre análise [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="font-weight: 400;">É uma pena que as boas intenções não fazem bons filmes, caso contrário <strong><em>Virgínia e Adelaide</em></strong> seria um grande longa-metragem. Com experimentações estéticas em sua mise-en-scène e um discurso necessário sobre a inauguração da psicanálise no Brasil e sobre racismo e antissemitismo, a produção peca por tentar demais ser disruptiva e esquecer da coesão.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Por este motivo há uma ausência de criação de relação com a plateia. Uma sensação de vazio paira no ar porque nem o debate sobre análise nem o tempo para se olhar para as duas mulheres que dão nome ao título do filme têm espaço aqui. Além disso, o roteiro tem um texto difícil de ser pronunciado com organicidade do cinema.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Os diálogos soam como falas a serem anunciadas, talvez, funcionassem melhor em um espetáculo teatral. Na realidade, as ações físicas trazidas no roteiro também poderiam funcionar mais apropriadamente em um palco italiano, com uma luz à pino.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">A montagem tenta até passar essa impressão de discurso dito por duas atrizes com um foco de luz em cima do palco. Todavia, a edição acaba colaborando como um fomento a esse estranhamento — que ocorre não de uma forma positiva.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Assim, o que se tem aqui são blocos com saltos temporais imensos, que desconectam o espectador da obra. </span>Este é um filme que trata sobre duas mulheres que fundaram a psicanálise no Brasil: Virgínia Bicudo e Adelaide Koch. A trajetória da dupla, pessoal e profissional, é instigante.</p>
<p style="font-weight: 400;">A luta de Virgínia contra o racismo e a fuga de Adelaide de uma Alemanha nazista renderiam longas por si só. <span style="font-weight: 400;">O encontro das duas e as suas individualidades se enfraquecem porque o roteiro de Jorge Furtado quer dar conta de muito mais do que da própria narrativa que esta produção parece pedir. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">A trama poderia focar mais, por exemplo, nas questões de Virgínia. </span><span style="font-weight: 400;">Ela é o ponto de partida e o fio condutor do enredo. As suas transformações não convencem e soam artificiais por conta dos saltos de época. Ao mesmo tempo, as sequências de denúncia, com uma projeção no fundo ou de simulação de entrevista “gastam” esse tempo de desenvolvimento das personagens, durante a história corrida.</span></p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-19481" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/image-1.png" alt="Virgínia e Adelaide" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/image-1.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/image-1-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/image-1-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">O recurso de quebra, um tanto brechtiana, não é em si uma má ideia. No entanto, a quantidade de vezes que são colocadas em <strong><em>Virgínia e Adelaide </em></strong>estabelece mais uma desconexão da plateia. Além disso, os trechos são repetitivos e a entonação das atrizes é monocórdica nestes momentos. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Por fim, também é possível dizer que a encenação — no que ela é enquanto definição clássica dos autores estudiosos do cinema — falha por parecer ingênua e um tanto egóica. Yasmin Thayná e Jorge Furtado embarcam em uma lógica de inserir planificações e efeitos de câmera mais “expressivos” para tentar construir ritmo.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Como a produção aposta na verborragia, a direção investe em trazer um dolly zoom aqui, um zenital ali, para que a visualidade ajude a inserir respiros. Esta estratégia enquanto ideia é excelente e até funciona em dados momentos. Contudo, este é, de fato, um longa intimista. </span></p>
<p>Portanto, a inserção de alguns enquadramentos ou movimentos e efeitos de câmera cortam a investigação das emoções das personagens. E esta é a chave para entender porque a produção não funciona como deveria. Falta deixar espaço para que o público se aproxime delas e consiga olhar com calma para suas vivências e sensações.</p>
<p>Ao mesmo tempo, o carisma de Gabriela Correa e Sophie Charlotte tornam a sessão mais tolerável. O poder da relevância de <strong><em>Virgínia e Adelaide</em></strong> também são bons propulsores para que quem assiste fique atento até o final da exibição.</p>
<p>Desta maneira, mesmo com uma tonalidade monocórdica, tanto na fala quanto na estética &#8211; é um filme todo com cores blocadas na Arte. Tudo azulado, preto ou salmão —, as figuras centrais ajudam a criar um conteúdo um tanto interessante.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Charlotte e Correa entregam um trabalho minimamente digno. Seja no sotaque de Adelaide, que poderia ser trágico, mas é convencível, ou nos bifões panfletários que ambas precisam dizer, a suavidade das intenções das intérpretes ajudam a deixar os textos mais orgânicos.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;"><strong>Direção:</strong> Yasmin Thayná; Jorge Fernando</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;"><strong>Elenco:</strong> Gabriela Correa, Sophie Charlotte</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="font-weight: 400;"><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/jRYw48YcPH0?si=d2nSqYSf8b45CLjb" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Grande Sertão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 May 2024 12:45:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Fora das telonas por mais de uma década, Guel Arraes (O Auto da Compadecida, de 2000, e O Bem Amado, de 2010) retorna aos cinemas com seu mais novo filme. Grande Sertão, inspirado no livro Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa, foi dirigido pelo cineasta pernambucano e co-escrito por ele e Jorge Furtado (Vai Dar Nada, de 2022).  Assim, o longa-metragem da Paranoïd Filmes em coprodução com a Globo Filmes marca esse momento de Guel voltando a fazer seu [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Fora das telonas por mais de uma década, Guel Arraes (<em>O Auto da Compadecida</em>, de 2000, e <em>O Bem Amado, de 2010</em>) retorna aos cinemas com seu mais novo filme. <em><strong>Grande Sertão</strong></em>, inspirado no livro Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa, foi dirigido pelo cineasta pernambucano e co-escrito por ele e Jorge Furtado (<em>Vai Dar Nada</em>, de 2022).  Assim, o longa-metragem da Paranoïd Filmes em coprodução com a Globo Filmes marca esse momento de Guel voltando a fazer seu cinema fantástico e sensível.</p>
<p>Com estreia marcada nos cinemas brasileiros para esta quinta-feira (30), <strong><em>Grande Sertão</em></strong> transforma o texto modernista de Guimarães Rosa e remonta a história em um futuro distópico sobre a periferia urbana. Essa mudança, por si só, já é um risco que merece ser observado. Adaptar um clássico literário e deslocar completamente a sua história e seu tempo é uma difícil e delicada missão. Por um lado, essa atualização vestida de fantasia futurista é extremamente interessante por dialogar ainda mais com temas sociais atuais. Por outro, gera um certo estranhamento ao deslocar uma história tão sertaneja para algo tão eixo Rio-São Paulo.</p>
<p>A escolha dos roteiristas, no entanto, é bem paga por conseguirem imprimir o resultado visual e textual dessa periferia (ainda mais) refém da violência, do crime e da política. E, para completar as escolhas arriscadas do roteiro, Arraes e Furtado ainda escolhem manter parte do texto original inalterado, o que pode gerar um estranhamento inicial, mas que tem uma força cênica absurda. Por essa razão, <strong><em>Grande Sertão</em></strong> acaba se aproximando de <em>Romeu + Julieta (1996)</em>, de Baz Luhrmann (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-elvis/"><em>Elvis</em></a>, de 2022). A diferença entre as duas obras é que, no longa de Guel Arraes, a inserção desse texto mais clássico é incorporada de uma forma mais eficaz e convincente &#8211; mérito também do elenco extraordinário.</p>
<p>Com esse texto e pano de fundo, Guel pôde fazer o que faz de melhor: mergulhar no fantástico. A filmografia do diretor pernambucano sempre flertou com as possibilidades desse gênero, mas agora, graças ao contexto criado para o filme, Guel conseguiu cair de cabeça nesse universo. O resultado desse mergulho é um trabalho visual extremamente cuidadoso e impactante. Existem cenas que falam por si só e, como já disse Villeneuve (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-duna-parte-2/"><em>Duna: Parte 2</em></a>, de 2024), no cinema, as imagens devem bastar &#8211; e Guel faz isso como ninguém em <em><strong>Grande Sertão</strong></em>.</p>
<figure id="attachment_18202" aria-describedby="caption-attachment-18202" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-18202 size-medium" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/Grande-Sertao-Helena-Barreto-4-1-750x500.jpg" alt="Grande Sertão (2024)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/Grande-Sertao-Helena-Barreto-4-1-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/Grande-Sertao-Helena-Barreto-4-1-1536x1024.jpg 1536w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-18202" class="wp-caption-text">Eduardo Sterblitch em cena de &#8216;Grande Sertão&#8217; (2023) | Foto: Divulgação/Helena Barreto</figcaption></figure>
<p>Existe uma teatralidade e espetacularização em cena que só Guel consegue criar. Assim como vemos em filmes anteriores do diretor, existe um quê de exagero milimetricamente calculado, que compõe e guia a narrativa e suas performances. E é justamente nesse campo que o elenco e os departamentos de fotografia e arte conseguem brilhar. <em><strong>Grande Sertão</strong></em> é uma produção que chama atenção. Seja pelo seu texto original, pelas suas escolhas de adaptação ou pelas suas cores e dores em cena. Não há como sair da sessão sem sentir esse impacto.</p>
<p>O elenco é quem complementa e coloca em cena esse universo distópico-fantástico. Com conhecidos nomes das telinhas e telonas como Luisa Arraes (<em>Aos Teus Olhos</em>, de 2017), Caio Blat (<em>O Debate</em>, de 2022), Rodrigo Lombardi (<em>Carcereiros: O Filme</em>, de 2019), Luis Miranda (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-pai-o-2/"><em>Ó Paí, Ó 2</em></a>, de 2023) e Eduardo Sterblitch (<em>Dois é Demais em Orlando</em>, de 2024), as performances merecem uma atenção especial. Sob essa rege da teatralidade tão gueliniana, os artistas entregam cenas com emoções viscerais. É palpável cada dor e conquista vista em tela. Essa troca só engrandece ainda mais o texto e o resultado de <strong><em>Grande Sertão</em></strong>.</p>
<p>É preciso, portanto, pontuar algumas pessoas que se destacam no elenco. Mariana Nunes (<em>Alemão 2</em>, de 2022), apesar de ter uma rápida participação, consegue entregar uma performance de tirar o fôlego. Ao seu lado, narrativamente e cenicamente falando, está Blat que brilha como Riobaldo, especialmente nos segmentos sobre o futuro em <strong><em>Grande Sertão</em></strong>. O público se encanta e teme, porém, pelos personagens vividos por Miranda e Sterblitch. Os dois no campo no vilania, cada um com suas camadas de desejos e anseios &#8211; e até com momentos de redenção -, ambos personagens chamam o público para uma conexão imediata (ainda que essa seja de repulsa).</p>
<p>A força do elenco em cena é a responsável por concretizar toda a parte técnica e a direção. A materialidade expressa pelos trechos originais do texto ou criada por determinado cenário, fotografia e enquadramento são resultado dessa cooperação completa da produção. <strong><em>Grande Sertão</em></strong> conta com uma força expressiva arrebatadora e esse é o seu maior diferencial. Faz, por momentos, até mesmo com que o espectador mais atento (ou talvez, preocupado) esqueça do sequestro da história para uma periferia que parece estar localizada no Rio de Janeiro. Seja como for essa dinâmica entre-espectador-filme, uma coisa é certa: o longa não vai ser facilmente esquecido por quem o assiste.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Guel Arraes</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Luisa Arraes, Caio Blat , Rodrigo Lombardi, Luis Miranda, Mariana Nunes, Lucas Oranmian e Eduardo Sterblitch</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/O9Q-6VSzQCw?si=BqF3spAaoVWeP8X3" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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