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	<title>Arquivos Jordan Peele - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Jordan Peele - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Fúria Primitiva</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 May 2024 12:47:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enfim chegou o dia do público conhecer outra faceta de Dev Patel (A Lenda do Cavaleiro Verde, de 2021, e A Incrível História de Henry Sugar, de 20233). Fúria Primitiva marca a estreia do artista britânico como diretor e roteirista de um longa-metragem e ele não poderia ter tido um primeiro projeto mais interessante. Com estreia marcada nos cinemas brasileiros para esta quinta-feira (23), o longa de Patel é uma feliz prova do seu talento para além da arte da [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Enfim chegou o dia do público conhecer outra faceta de Dev Patel (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-lenda-do-cavaleiro-verde-prime-video/"><em>A Lenda do Cavaleiro Verde</em></a>, de 2021, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-incrivel-historia-de-henry-sugar-netflix/"><em>A Incrível História de Henry Sugar</em></a>, de 20233). <strong><em>Fúria Primitiva</em></strong> marca a estreia do artista britânico como diretor e roteirista de um longa-metragem e ele não poderia ter tido um primeiro projeto mais interessante. Com estreia marcada nos cinemas brasileiros para esta quinta-feira (23), o longa de Patel é uma feliz prova do seu talento para além da arte da interpretação.</p>
<p><strong><em>Fúria Primitiva</em></strong> é uma eletrizante história de vingança repleta de camadas sociais e políticas costuradas por sua narrativa. O roteiro, que vem de uma história de Patel, foi co-escrito por ele, Paul Angunawela e John Collee. O trio de roteiristas conseguiu desenhar um texto denso, potente e representativo. Ainda que seu foco seja na busca pela vingança do personagem principal, o roteiro consegue amarrar pontos relevantes da política na Índia.</p>
<p>Sem desmerecer os dilemas sociais e políticos do país, a narrativa tem uma clara missão de ser uma espécie de <em>John Wick (2013-)</em> com camadas mais trabalhadas. Não só pela presença dos elementos de ação, luta e dinâmica do filme, mas <strong><em>Fúria Primitiva</em></strong> instiga o público a acompanhar uma motivação muito similar. Esse desejo inato e um tanto selvagem de fazer justiça com as próprias mãos ressoa em ambas produções &#8211; ainda que no longa de Patel venha coberto com contextos que dialogam com problemas reais do país.</p>
<p>Ao trazer elementos similares aos da franquia estrelada por Keanu Reeves (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-john-wick-4-baba-yaga/"><em>John Wick 4: Baba Yaga</em></a>, de 2023), <strong><em>Fúria Primitiva</em></strong> abraça o público de ação, ao mesmo tempo em que desenha uma trama que permite um mergulho um pouco mais profundo nas motivações dessa vingança. A jornada do personagem principal até se tornar o verdadeiro <strong><em>Monkey Man</em></strong> (título original) vai além de ser apenas um produto da violência que lhe foi afligida. As vidas que esbarram na dele constroem mais e mais camadas para elevar sua narrativa justamente por ressoarem nele e em sua constante evolução.</p>
<figure id="attachment_18148" aria-describedby="caption-attachment-18148" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-18148" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/Furia-Primitiva-2-750x500.jpg" alt="Fúria Primitiva (2024)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/Furia-Primitiva-2-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/Furia-Primitiva-2-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/Furia-Primitiva-2-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/Furia-Primitiva-2-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/Furia-Primitiva-2.jpg 1013w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-18148" class="wp-caption-text">Dev Patel em cena de &#8216;Fúria Primitiva&#8217; (2024)</figcaption></figure>
<p>Regado de cultura e ancestralidade, o desenho dessa jornada do herói (não tão heroica assim) é estrelado por ninguém mais, ninguém menos que o próprio Dev Patel. Assim como diretores a exemplo de Clint Eastwood (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-cry-macho-o-caminho-para-a-redencao/"><em>Cry Macho: O Caminho para a Redenção</em></a>, de 2021), o ator e cineasta britânico se divide bem entre o papel da direção e da interpretação. Na verdade, ele consegue ir além. Ele é o filme em todos os níveis que se pode imaginar. <strong><em>Fúria Primitiva</em></strong> é potente, lindamente doloroso e verdadeiro graças ao desempenho total de Patel.</p>
<p>Todas essas forças narrativas, de produção e contextos são envelopadas com uma visualidade bem interessante. O trabalho da arte e da fotografia são claros diferenciais na produção. Há uma preocupação em desenhar essas cores, dores e amores que revestem a história. Existe um coração que pulsa nessa produção e isso é arrebatador. Não há como o espectador sentar em uma poltrona de cinema e passar por uma sessão de <strong><em>Fúria Primitiva</em></strong> sem perceber essa potência de talento, representação e profundidade.</p>
<p>Para completar esse envelopamento que, por si só, já chama atenção, o filme ainda é co-produzido pela Monkeypaw Productions, do ilustre Jordan Peele (<em>Não! Não Olhe!</em>, de 2022). Assim, a chancela de qualidade só aumenta e cria ainda mais expectativas no público. Nesse caso, para a alegria dos investidores e de quem vai assistir, essas impressões criadas sobre o filme serão realizadas com louvor. Dev Patel, em seu longa de estreia, conseguiu entregar um clássico arco de jornada do herói bem desenhado, dirigido e executado. <strong><em>Fúria Primitiva</em></strong> é tudo o que se esperava e falava &#8211; e muito mais.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Dev Patel</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Dev Patel, Sharlto Copley, Pitobash, Vipin Sharma, Sikandar Kher, Adithi Kalkunte, Sobhita Dhulipala, Ashwini Kalsekar, Makarand Deshpande, Jatin Malik e Zakir Hussain</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/en_RsIqMxtA?si=qVi-WCxTcQu6ZHuQ" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Não! Não Olhe!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Aug 2022 03:04:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Não! Não Olhe! é o novo filme do diretor Jordan Peele (Corra!) que conta mais uma vez com Daniel Kaluuya (Judas e o Messias Negro) no papel do protagonista. Construindo um bom acervo de thrillers de terror, este longa segue um caminho um pouco mais simples do que os demais, aterrorizando e propondo menos reflexões ao espectador. Ainda assim, não deixa de ser um material bem interessante e que vale a pena acompanhar. OJ (Kaluuya) perde misteriosamente o seu pai [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Não! Não Olhe!</strong></em> é o novo filme do diretor Jordan Peele (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-corra/"><em>Corra!</em></a>) que conta mais uma vez com Daniel Kaluuya (<em>Judas e o Messias Negro</em>) no papel do protagonista. Construindo um bom acervo de thrillers de terror, este longa segue um caminho um pouco mais simples do que os demais, aterrorizando e propondo menos reflexões ao espectador. Ainda assim, não deixa de ser um material bem interessante e que vale a pena acompanhar.</p>
<p>OJ (Kaluuya) perde misteriosamente o seu pai depois de um acidente e tem que assumir o negócio da família de treinador de cavalos, junto com a irmã Emerald (Keke Palmer, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-as-golpistas/"><em>As Golpistas</em></a>). Morando em um rancho distante da cidade grande, eles começam a presenciar fenômenos estranhos de OVNI e resolvem tentar filmar para ganhar dinheiro em cima disso. No entanto, as coisas são muito mais perigosas do que parecem e o objeto estranho não é exatamente uma nave espacial extraterrestre.</p>
<p>Os elementos vão sendo inseridos na narrativa de maneira cautelosa e expositiva. Vamos entendendo aos poucos a construção de todos os cenários e motivações dos personagens. Como surge o possível OVNI, quais os elementos que levam o protagonista a desconfiar disso e por quê ele e sua irmã decidem tentar filmar a situação.</p>
<p>Emerald lidou de maneira completamente diferente com a morte do pai. Enquanto OJ ficou mais pra baixo e reflexivo sobre as finanças da família, ela, com sua personalidade mais altiva, está focada em dar a volta por cima e ser bem sucedida na sua carreira. A jovem tem características, inclusive, que a tornam engraçada. Um detalhe sempre presente nos filmes de Peele: o humor sarcástico em algum personagem específico.</p>
<p>Diferente dos outros longas, no entanto, <em><strong>Não! Não Olhe!</strong></em> não aprofunda no quesito horror e tensão. Ele tem lá seus momentos angustiantes, como na cena em que vemos as pessoas dentro da &#8220;espaçonave&#8221;. São poucos segundos, mas completamente claustrofóbicos. Porém são raros. Não é que o cineasta não pincele isso ao longo da trama, ele só não deu foco total, como costuma fazer. A sensação que fica é que esse é um filme mais comum.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15820" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/08/1033517.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Não! Não Olhe!" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/08/1033517.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/08/1033517.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/08/1033517.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/08/1033517.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A medida que avançamos no tempo (e esse passa sem que possamos perceber, pois a história nos envolve sem esforço), os personagens vão tomando decisões caóticas e previsíveis. O espectador mais atento e que acompanha o trabalho de Peele desde o começo consegue antecipar diversas ações. Até mesmo o que vai dar certo no final. Isso não impede que o longa nos entretenha, mas também não o torna surpreendente, como foi <em>Corra!</em> e <em>Nós</em>.</p>
<p>A temática que ele utiliza como crítica social, mas muito <em>en passant</em>, é a busca pelo dinheiro a qualquer custo. Isso surge na pele de Jupe (Steven Yeun, <em>Em Chamas</em>) e seu trauma de infância que poderia tê-lo paralisado, mas acabou virando motivação para enriquecimento de moral duvidosa. A dupla principal de irmãos também podemos ter essa leitura, já que mesmo com o perigo batendo na porta, eles preferem seguir na tentativa de capturar imagens da situação, do que simplesmente salvar a própria pele.</p>
<p><strong><em>Não! Não Olhe!</em></strong> tem um cuidado impressionante com a parte técnica, especialmente os efeitos visuais. O tal OVNI tem toda uma transformação ao longo da trama, culminando numa mudança drástica ao final, e é incrível a riqueza de detalhes e o apreço por criar fotografias bonitas e informativas. O equilíbrio de cores, a escolha de cenários, de sons, de figurinos. Tudo cuidadosamente definido pelo perfeccionismo de Jordan.</p>
<p>A proposta em si é bem interessante e rendeu de fato um filme bacana. O que acredito que aconteceu foi uma frustração da minha parte ao esperar algo muito grandioso e cheio de significados, quando na verdade é apenas um thriller interessante e bem dirigido. Peele escolheu aqui o feijão com arroz e isso não é necessariamente algo ruim. Só é algo como comer um PF executivo em um restaurante de chef de cozinha renomado. No mínimo, frustrante. Parece loucura dizer, mas ele é muito bom e meeiro ao mesmo tempo.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Jordan Peele</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Daniel Kaluuya, Keke Palmer, Steven Yeun, Michael Wincott, Keith David, Barbie Ferreira</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/l05c7Z8aD0Q" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: A Lenda de Candyman</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Aug 2021 03:02:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Chegou aos cinemas nesta quinta-feira, dia 26 de agosto, o longa A Lenda de Candyman com roteiro de ninguém menos que Jordan Peele, o responsável por sucessos como Corra! (2017) e Nós (2019). Por conta disso, a expectativa de público e crítica era alta e cheia de previsões de como seria esse novo projeto. Sob direção da novata Nia DaCosta, o filme tomou um formato bem interessante de thriller de terror com viés de questões raciais. Em meio a lendas [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Chegou aos cinemas nesta quinta-feira, dia 26 de agosto, o longa <em><strong>A Lenda de Candyman</strong></em> com roteiro de ninguém menos que Jordan Peele, o responsável por sucessos como <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-corra/"><em>Corra!</em></a> (2017) e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-nos/"><em>Nós</em> </a>(2019). Por conta disso, a expectativa de público e crítica era alta e cheia de previsões de como seria esse novo projeto. Sob direção da novata Nia DaCosta, o filme tomou um formato bem interessante de thriller de terror com viés de questões raciais.</p>
<p>Em meio a lendas urbanas, <em><strong>A Lenda de Candyman</strong></em> nos apresenta o surgimento do mito do Candyman, um homem que aparece oferecendo doces a crianças e cometendo crimes em uma comunidade negra e humilde de Chicago, nos EUA, em 1977. Anos depois, aquele local onde existiam vários conjuntos habitacionais foi restaurado e agora abriga prédios caros e de classe média alta.</p>
<p>O roteiro transporta o espectador para 2019, quando um jovem vai apresentar o novo namorado à sua irmã, Brianna, e é recepcionado por ela na nova casa, junto com o namorado da moça, Anthony. Em meio ao bate-papo, ele acaba revelando uma história misteriosa daquele bairro que hoje a irmã mora e que anos atrás foi palco de crimes terríveis. Esse conto anterior foi, inclusive, roteiro de <em>O Mistério de Candyman</em> (1992), que acabou virando um clássico cult à época. <em><strong>A Lenda de Candyman</strong></em> funciona como uma sequência espiritual, e não direta, deste anterior.</p>
<p>O filme não se demora a mostrar que tem muito mais camadas do que um simples filme de terror com um espírito assassino que assombra a todos. Seria simplista demais pensar que Peele iria propor esse tipo de projeto, uma vez que ele sempre insere questões raciais em seus roteiros. E assim é com este longa.</p>
<p>O que começa com uma história macabra contada em meio a um jantar, rapidamente se mostra algo muito mais complexos que exemplifica a ira que surge de um homem negro injustiçado por sua cor. A origem do Candyman e a maneira como ele se constrói é sempre relacionado ao quanto o negro é visto de maneira subalterna na sociedade.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14488" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/08/i11730.jpeg" alt="A Lenda de Candyman" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/08/i11730.jpeg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/08/i11730-360x240.jpeg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/08/i11730-610x407.jpeg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/08/i11730-720x480.jpeg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Com um elenco principal composto por excelentes atores negros como Yahya Abdul-Mateen II (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-os-7-de-chicago-netflix/"><em>Os 7 de Chicago</em></a>), Teyonah Parris (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-se-a-rua-beale-falasse/"><em>Se a Rua Beale Falasse</em></a>) e Colman Domingo (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-voz-suprema-do-blues-netflix/"><em>A Voz Suprema do Blues</em></a>), <em><strong>A Lenda de Candyman</strong></em> conta ainda com o roteirista cujo nome é o maior protagonismo negro no cinema atual, Jordan Peele, e uma ótima diretora, também negra, a Nia DaCosta. Neste ponto, entramos no lugar de fala que a equipe possui ao tratar de um tema denso como o racismo estrutural.</p>
<p>O filme propõe a desconstrução do mito do Candyman, mostrando que ele é figura criada como reação dos oprimidos aos opressores, em contraposição às injustiças que vivenciam diariamente. Diversas vítimas são brancas e, em algum momento, algozes dos negros ao redor.</p>
<p>O clima do filme dá o tom à história proposta no roteiro de Peele. DaCosta consegue equilibrar a violência bruta com o choque e a curiosidade do espectador, que está a todo momento tentando entender os caminhos que a narrativa irá tomar. As analogias inseridas na trama são ainda mais ricas ao longa como um todo. As abelhas, que no contexto da Bíblia representam “justiça divina”, que surgem do Candyman já mostram desde o começo o que ele vai induzir nos desdobramentos a seguir.</p>
<p>Além disso, o “body horror” (horror corporal), que é uma estratégia de filmes de terror para criar a sensação de asco no espectador, associado à metáfora de que o racismo consome o negro de dentro para fora e o agride fisicamente.</p>
<p><em><strong>A Lenda de Candyman</strong></em> é um filme de terror que vai muito além do susto ou do espírito matador comum. Analisando as diversas camadas, somos apresentados à um longa crítico e contundente sobre como o racismo estrutural e os comportamentos segregacionista adoecem a nossa sociedade como um todo. Mais um acerto do excelente Jordan Peele.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Nia DaCosta</p>
<p><strong>Roteiro:</strong> Jordan Peele, Win Rosenfeld</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Yahya Abdul-Mateen II, Teyonah Parris, Nathan Stewart-Jarrett, Colman Domingo, Tony Todd</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/cDZn2hWMzDE" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-lenda-de-candyman/">Crítica: A Lenda de Candyman</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
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		<title>Crítica: Toy Story 4</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Jun 2019 17:39:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Com o desfecho de Toy Story 3, ficou claro que a franquia dos brinquedos da Pixar não precisava de mais um capítulo. O filme de Lee Ulkrich de 2010 encerrava de maneira satisfatória a jornada dos seus personagens com a cena na qual Andy, partindo para a faculdade, deixava sua coleção de bonecos aos cuidados da pequena Bonnie. Acontece que Toy Story 4 foi feito pela Pixar, ele existe, e o estúdio conseguiu realizar mais uma história que mescla de maneira orgânica aventura, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Com o desfecho de <i>Toy Story 3</i>, ficou claro que a franquia dos brinquedos da Pixar não precisava de mais um capítulo. O filme de Lee Ulkrich de 2010 encerrava de maneira satisfatória a jornada dos seus personagens com a cena na qual Andy, partindo para a faculdade, deixava sua coleção de bonecos aos cuidados da pequena Bonnie. Acontece que <i><b>Toy Story 4</b> </i>foi feito pela Pixar, ele existe, e o estúdio conseguiu realizar mais uma história que mescla de maneira orgânica aventura, humor e momentos emocionantes com seu grupo de personagens de carisma comprovado.</p>
<p>O quarto longa é centrado numa história sobre Woody, que acaba não se tornando o brinquedo preferido de Bonnie como poderíamos imaginar. Ainda assim, o cowboy é extremamente fiel a sua dona e faz de tudo para vê-la feliz, principalmente agora que ela começou sua jornada no Jardim de Infância e acaba se apegando a Garfinho, um boneco que cria a partir de sucatas no seu próprio colégio. Quando encontra Betty, brinquedo preferido da irmã de Andy, ao acaso, Woody passa a questionar se está de fato entregando para os outros àquilo que de melhor tem a dar e passa a considerar deixar Bonnie.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-10786" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/4636005.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/4636005.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/4636005.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/4636005.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O quarto capítulo da franquia acaba sendo um filme que reflete sobre os efeitos de bem estar e autoestima gerados a partir do exercício da sua própria vocação, no caso de Woody, claramente, servir às pessoas. <i><strong>Toy Story 4</strong> </i>lança as questões: para o que você é feito? A partir disso, você está sendo de fato aproveitado no máximo do seu potencial pelo mundo? É interessante notar como os realizadores do filme encontraram um propósito para sua história que tornou o quarto longa tão urgente quanto os demais, ainda que evidentemente acessório.</p>
<p>Dosando momentos de puro entretenimento que exploram o carisma comprovado de antigos personagens e apresenta em igual potência a simpatia e complexidade dos seus novatos (como Garfinho, o Coelho e o Pato, Gabi), <strong><i>Toy Story 4 </i></strong>é um filme delicioso de se assistir e presenteia o público com momentos de grande sensibilidade que fazem justiça à tradição Pixar (um deles pela boneca Gabi do antiquario e outro pelo próprio Woody). Não vou nem afirmar que um quinto filme é desnecessário porque o legado de <i>Toy Story </i>está mais do que dado com esse conjunto de obras porque é bem possível que o estúdio faça mais um título com o sucesso desse e seja tão bom quanto.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Josh Cooley<br />
<strong>Elenco:</strong> Tom Hanks, Tim Allen, Annie Potts, Tony Hale, Keegan Michael Key, Madeleine McGraw, Jordan Peele, Keanu Reeves, Christina Hendricks, Ally Maki</p>
<p><strong>Assista ao trailer:</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/76CslX-q5C4" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Nós</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Mar 2019 21:12:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O mistério do desconhecido é pauta para muitos filmes, em especial os de terror. Mas este fato por si só não rende uma grande película. É preciso saber traçar um bom caminho no roteiro para que a trama não caia na falta de imaginação. Nós consegue cumprir este propósito de maneira exemplar, nos oferecendo um thriller completamente tenso e verdadeiramente assustador. O diretor Jordan Peele retorna com mais um filme de terror, depois do sucesso de Corra! (2017), longa que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O mistério do desconhecido é pauta para muitos filmes, em especial os de terror. Mas este fato por si só não rende uma grande película. É preciso saber traçar um bom caminho no roteiro para que a trama não caia na falta de imaginação. <em><strong>Nós</strong></em> consegue cumprir este propósito de maneira exemplar, nos oferecendo um <em>thriller</em> completamente tenso e verdadeiramente assustador.</p>
<p>O diretor Jordan Peele retorna com mais um filme de terror, depois do sucesso de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-corra/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><strong><em>Corra!</em></strong></a> (2017), longa que fala muito sobre o racismo e a ideia de supremacia de raças, associado ao medo. Naquele longa, o cineasta já nos mostrou o quanto de potencial tem para dirigir este modelo de trama, onde criou uma tensão constante no espectador, tanto a partir da construção da narrativa, quanto no uso de recursos técnicos como enquadramentos de câmeras, trilha sonora, fotografia e figurino.</p>
<p>Em <strong><em>Nós</em></strong> a situação não foi diferente. Peele, que assina como roteirista, produtor e diretor, traz uma família comum composta pelos pais, um filho e uma filha, todos negros de classe média, curtindo o verão na casa de praia. Mas isso só é feito depois que um elemento aterrorizante é introduzido na trama. A garotinha que se perde dos pais no começo do filme e se vê assustada ao entrar em uma sala de espelhos num parque de diversões.</p>
<p>O filme logo nos mostra que Adelaide é a menina que cresceu e viveu ao longo de tantos anos com o trama causado naquele dia. Ela desconfia de tudo que acontece ao seu redor e não ignora as coincidências dos fatos, como números e pessoas aleatórias que surgem no seu caminho. A complexidade de sua personagem vai sendo desvendada aos poucos, mas de maneira contundente. Ela é determinada em tudo o que faz, principalmente no papel de salvar sua família.</p>
<p>Vale ressaltar, inclusive, que o elemento feminino é valorizado na construção da trama de <strong><em>Nós</em></strong>. Os homens que surgem ao longo da história, sejam eles o pai da menina, o marido ou o amigo, são completamente dispensáveis. Não no quesito de construção de enredo, mas no sentido de cooperação com o que acontece. Quem decide tudo, quem se defende, quem toma as decisões e as rédeas da situação são as mulheres, em absolutamente todos os momentos.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-10323" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/03/2485565.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/03/2485565.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/03/2485565.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/03/2485565.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Tudo isso faz parte de uma imensa colcha de retalhos que vai sendo construída muito sabiamente por Peele. O filme dá margem a interpretações, mas deixa muito claro seu raciocínio e objetivo. Ele faz uso do cinema de horror e absurdo, choca o espectador com as cenas de violência e perseguição. Tudo isso muito bem orquestrado com a trilha sonora marcante e a fotografia cuidada com esmero. Vale aqui o destaque à paleta de cores claras que é utilizada por Lupita. Isso reforça visualmente todo o sangue que surge ao longo da trama, além de fazer uma referência ao lado bom da protagonista.</p>
<p>Falando em atores, temos uma excelente escolha de elenco, principalmente os coadjuvantes. Elizabeth Moss (<em>The Handmaid&#8217;s Tale</em>) tem uma breve participação com uma personagem afetada, mas o faz com maestria, se destacando nas cenas em que aparece. O mesmo vale para a novata Shahadi Wright Joseph, que interpreta a filha da protagonista. A garota vai evoluindo na trama, passando de assustada à determinada em salvar a própria vida, independente dos traumas que estão surgindo.</p>
<p>No entanto, é Lupita Nyong&#8217;o (<em>12 Anos de Escravidão</em>) que conduz toda a trama e nos presenteia com uma atuação impecável. Ela consegue variar entre tantas emoções e perfis, passeando pela dor, amor, medo, sofrimento e determinação em segundos. Isso sem falar na personagem Red, que deixa qualquer espectador acuado na poltrona do cinema. Verdadeiramente assustadora.</p>
<p><strong><em>Nós</em></strong> é um filme que transita pela arte e pelo comercial com equilíbrio. Acompanhamos o desenvolver da trama que vai muito além do ápice de encontro dos duplos. Ele brinca com a ideia de que tudo aquilo se trata da mesma pessoa e as personalidades boa e ruim que vivem dentro dela. Peele faz isso com pinceladas de humor macabro, onde efetivamente rimos de nervoso do que está acontecendo. São respiros necessários para a trama, que deixa o espectador efetivamente sem ar.</p>
<p>Alguns elementos tornam-se desnecessários, principalmente na segunda metade da trama. Explicações que não precisavam ser dadas e que poderiam ser conferidas a imaginação do espectador. Tanto que a revelação ao final do filme não chega a ser tão surpreendente. Ela funciona muito mais para bagunçar a história (de maneira positiva e acertada). <em><strong>Nós</strong></em> é um verdadeiro filme de terror, na melhor definição do gênero.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Jordan Peele<br />
<strong>Elenco:</strong> Lupita Nyong&#8217;o, Winston Duke, Elisabeth Moss, Shahadi Wright Joseph</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/fQ19DupGfzk" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Especial Oscar 2018 &#8211; Direção</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Mar 2018 01:10:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Especiais]]></category>
		<category><![CDATA[Direção]]></category>
		<category><![CDATA[Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Guillermo Del Toro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas tem o costume de deixar dúvidas em algumas de suas principais categorias. Na 90º edição, entretanto, o tão estimado prêmio de &#8220;Melhor Direção&#8221; parece ser algo certo. Dentre as diversas performances interessantes do ano de 2018, a que tem um destaque maior pelo conjunto da obra entregue ao público foi feita pelo gênio mexicano Guillermo Del Toro. Dos seus colegas nomeados, aquele cujo mais se aproxima de sua qualidade no projeto [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas tem o costume de deixar dúvidas em algumas de suas principais categorias. Na 90º edição, entretanto, o tão estimado prêmio de &#8220;Melhor Direção&#8221; parece ser algo certo. Dentre as diversas performances interessantes do ano de 2018, a que tem um destaque maior pelo conjunto da obra entregue ao público foi feita pelo gênio mexicano Guillermo Del Toro. Dos seus colegas nomeados, aquele cujo mais se aproxima de sua qualidade no projeto recente é Jordan Peele, diretor de <i>Corra!</i>. Apesar de suas grandiosas e importantes apresentações em seus respectivos trabalhos, Greta Gerwig, Christopher Nolan e Paul Thomas Anderson não representam uma forte ameaça a vitória do mexicano. Peele poderá ser a única &#8220;surpresa&#8221; da noite quanto aos diretores indicados.</p>
<p>O olhar usado pela Academia para escolher seus vencedores é algo subjetivo e situacional, fazendo com que a missão de criar um padrão para estudo ou previsões 100% certas seja quase impossível. Às vezes surpreendente, outras, nem tanto, mas sempre é um dos momentos-chave da belíssima cerimônia. E nessa edição de aniversário, nada será diferente. Os indicados se encaixam em diversas opções de acontecimentos anteriores cujo levaram outros artistas a conquistarem a estatueta. Existe a revelação que surpreende com simplicidade e inteligência, mas falta maturidade temática; tem o mestre da técnica que usa a beleza para mascarar uma obra que falta no conteúdo; e há o diretor prestigiado, porém, estéril. Esses são os indicados cuja probabilidade de ganhar nas atuais circunstancias é menor. Já os dois que disputam a estatueta são duas outras adaptações de outros eventos anteriores: como o diretor que saiu da zona de conforto e impressionou a todos e o estrangeiro que teve o mundo e todo o preconceito tendo que reconhecer o seu brilhantismo.</p>
<p>Com toda a sua pompa e circunstância, Christopher Nolan chega ao Oscar carregando o seu novo filho, mas com muito cuidado porque ele é bem frágil. Sua falta de força e liga não são suficientes para contornar as faltas que existem e, muito menos, para serem compensadas apenas com uma beleza técnica admirável. O trabalho de direção de <i>Dunkirk</i> deixa mais a desejar do que em qualquer uma de suas obras. A falta de sentimentalidade em suas películas finalmente afetou o cineasta. E a queda desse gigante será estrondosa e tão agoniante como a falta de sensibilidade na obra sobre a Operação Dínamo.</p>
<figure id="attachment_8722" aria-describedby="caption-attachment-8722" style="width: 610px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-full wp-image-8722" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2018/02/gettyimages-844916070.jpg" alt="" width="610" height="348" /><figcaption id="caption-attachment-8722" class="wp-caption-text">Guillermo Del Toro é um dos favoritos na premiação deste ano</figcaption></figure>
<p>Paul Thomas Anderson traz um problema diferente. Seus filmes costumam impactar, emocionar e levar o público a loucura com sua perfeição técnica e olhar delicado sobre o mundo. Com trabalhos comumente conhecidos por sua estética diferenciada, <i>Trama Fantasma</i> se destaca da mesma forma no quesito design e figurino, uma pena que a narrativa deixe a desejar. E por se tratar de um diretor cujo também roteiriza suas obras, a coesão textual e da imagem são quesitos fortemente cobrados pela Academia. O inovador Paul Thomas pode estar consagrado no meio da sétima arte com filmes como <i>Magnólia</i>, de1999, e <i>Sangue N</i><i>egro</i>, de 2007, mas o indicado desse ano falta uma consistência nos fatos que faça jus a sua carreira, tornando-se incompleto. Paul muito se preocupou com a forma do seu croqui e esqueceu do conteúdo dele.</p>
<p>A estreia de Greta Gerwig foi perfeita. A temática e a simplicidade de seu primeiro longa-metragem como roteirista e diretora fizeram com que ela pudesse encontrar a sua estrada de tijolos amarelos. Com modéstia e talento, Greta prova que sua capacidade vai muito além do que pessoas podem imaginar; ela é o que ela quiser. Com uma câmera na mão e uma ideia na cabeça &#8211; como já disse o sábio Glauber Rocha – ela é capaz de alçar grandes voos. <i>Lady Bird &#8211; </i><i>A Hora de Voar</i> não é, entretanto, o trabalho que lhe renderá o seu primeiro Oscar por direção; Gerwig precisa de uma proposta mais madura para mostrar tudo o que ela é capaz. O seu espaço vai apenas crescer agora que o mundo já viu do que ela é capaz e, num futuro próximo, ler o nome de mulheres na disputa por prêmios como o de &#8220;Melhor Direção&#8221; será algo do cotidiano. Greta Gerwig: um nome para ser gravado.</p>
<p>Jordan Peele se mostrou um caso à parte dos demais citados. <i>Corra!</i>, obra dirigida, roteirizada e produzida por Peele se mostrou um trabalho maduro – em especial para alguém que está estreando como diretor. Além do debute à frente de uma película, Jordan também entra num universo completamente diferente do seu. Conhecido por seus trabalhos no Comedy Central, o diretor toma para si o comando de um projeto onde o foco é um terror. Com um roteiro invejável, a trama tem fluidez e qualidade para prender o espectador do início ao fim. E, no final das contas, Jordan Peele não seria uma má escolha da academia para premiar.</p>
<figure id="attachment_8724" aria-describedby="caption-attachment-8724" style="width: 610px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-full wp-image-8724" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2018/02/poltrona-Jordan-Peele-Get-Out.jpg" alt="" width="610" height="348" /><figcaption id="caption-attachment-8724" class="wp-caption-text">Jordan Peele marcou presença forte com o longa Corra!</figcaption></figure>
<p>Guillermo Del Toro é o mestre das fábulas sombrias. O homem que reinventou o universo da ficção fantástica é o candidato mais forte na disputa pelo Oscar de &#8220;Melhor Direção&#8221; de 2018. Com seu romance que percorre todos os gêneros da sétima arte, <i>A Forma da Água</i> é uma perspectiva encantadora e irreal sobre a vida e todas as opressões que as pessoas sofrem. Por fazer uma ode aos humilhados, nada mais justo do que sua indicação viesse seguida de uma vitória bela e merecedora. Há cerca de 15 anos que o mundo cinematográfico tem contato com a magia e beleza de suas criaturas e lugares. Del Toro criou seu nome há muito e já está mais do que na hora de tê-lo sendo ovacionado por algo conservador como o Oscar. Anunciar que ele é o diretor campeão no Academy Awards é uma forma de reafirmar a mensagem que o seu roteiro passa: não importa como você seja ou se pareça, você será agraciado como merece. O momento de exaltação chegou para este homem que é um mexicano cuja história é uma inspiração para todos os que sofrem um preconceito ou queiram desistir de seus sonhos. Guillermo del Toro e seu longa são a prova viva de que onde há amor e fantasia, tudo é possível.</p>
<p>Nomes que não foram nem citados, como o de Joe Wright por <i>O Destino de Uma Nação</i> ou Martin McDonagh pelo maravilhoso <i>Três anúncios para um </i><i>crime</i>, são sentidos nessa categoria. Até mesmo o gênio Spielberg e seu belo filme jornalístico (<i>The </i><i>Post – A Guerra Secreta</i>) ficou de fora dessa corrida pelo ouro. Contudo, por mais que esses nomes façam falta, há uma nuvem de aceitação quanto os indicados. Com ou sem defeitos; perfeitas ou não, as direções das películas foram bem ricas. Por essas e outras &#8216;n&#8217; questões, o óbvio pode vir a não acontecer. A imprevisão e as surpresas estão sempre presentes nas últimas edições dessa premiação e esse ano podem estar ainda mais. Como dito anteriormente, nada é 100% certeza quando se trata da Academia, agora o que resta é esperar até o dia 4 de março para que o mundo saiba o resultado desse glorioso embate.</p>
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		<title>Crítica: Corra!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 May 2017 19:12:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Corra]]></category>
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		<category><![CDATA[Filme]]></category>
		<category><![CDATA[Jordan Peele]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Corra! é um dos melhores filmes do ano até o momento, sem dúvida. Tenso do começo ao fim, o diretor consegue segurar a atenção do espectador com uma história impressionante e envolvente, que deixa qualquer um de cabelo em pé. Além de ser um excelente thriller, traz uma reflexão importante e contundente sobre a questão do racismo velado e a superioridade racial. Chris é um jovem negro que se vê tendo que conhecer a família de sua namorada branca. Ele [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Corra!</em> é um dos melhores filmes do ano até o momento, sem dúvida. Tenso do começo ao fim, o diretor consegue segurar a atenção do espectador com uma história impressionante e envolvente, que deixa qualquer um de cabelo em pé. Além de ser um excelente thriller, traz uma reflexão importante e contundente sobre a questão do racismo velado e a superioridade racial.</p>
<p>Chris é um jovem negro que se vê tendo que conhecer a família de sua namorada branca. Ele fica receoso pois eles não sabem de sua cor, mas é acalmado pela moça, que faz questão de dizer que sua família não tem problema com isso. Ao chegar na casa dos sogros, Chris começa a perceber comportamentos estranhos por parte dos funcionários, que são todos negros. Neste fim de semana em questão, acontecerá uma festa da família, e o rapaz será apresentado para todos.</p>
<p>A evolução da narrativa do filme é um de seus pontos mais altos, definitivamente. O ritmo é constante e intrigante, mantendo o espectador atento, mas sem fazer uso de picos de emoção. Tudo vai crescendo gradativamente, culminando num final espetacular. Isso não faz com que o filme seja monótono. Muito pelo contrário! Torna o enredo ainda mais interessante e mantém o suspense constante no ar.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7655" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/05/emZPptKwTzlMmYcjlTvVVHmOAac.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p>O diretor Jordan Peele, mais conhecido por seus trabalhos de comédia, consegue manter a tensão e suavizar a situação do espectador ao mesmo tempo. É possível rir em muitos momentos, mas está mais para um riso de desespero, o que ajuda a manter e criar ainda mais tensão. O cineasta nos apresenta, inclusive, um outro lado de trabalho muito eficiente e que certamente ele deveria apostar mais.</p>
<p>Daniel Kaluuya interpreta Chris e o faz muito bem. Ele consegue equilibrar a tentativa do personagem de se manter tranquilo e o desespero que vai crescendo dentro de si, ao mesmo tempo. Ele faz uma boa dupla com a novata Allison Williams, que faz sua estreia no cinema. Aliás, o elenco como um todo é bastante coerente e bem selecionado.</p>
<p>Não tem como falar muito do filme sem revelar um ou outro spoiler. E como se trata de um longa de suspense pesado, prefiro me privar de certos comentários para que o leitor curta cada momento da sessão. O que vale dizer é que <em>Corra!</em> é um excelente filme e que marca qualquer espectador. Definitivamente não será daqueles que passam despercebidos pela multidão e traz aspectos fundamentais para reflexão.</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/mDGV5UucTu8" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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