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	<title>Arquivos Johnny Massaro - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Johnny Massaro - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Aumenta que é Rock&#8217;n Roll</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 May 2024 23:07:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Na década de 1980, um grupo de jovens cariocas liderados pelo jornalista Luiz Antônio Mello é responsável por um movimento cultural no país. O ano era 1982 e Luiz Antonio recebeu a tarefa de gerir uma rádio em crise na época, a Fluminense FM. Mello e sua equipe fez história ao criar a primeira rádio brasileira com uma programação dedicada exclusivamente ao rock. Apelidada de &#8220;Maldita&#8221; pelos seus fãs, logo a Fluminense FM se transforma em um fenômeno nacional e [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Na década de 1980, um grupo de jovens cariocas liderados pelo jornalista Luiz Antônio Mello é responsável por um movimento cultural no país. O ano era 1982 e Luiz Antonio recebeu a tarefa de gerir uma rádio em crise na época, a Fluminense FM. Mello e sua equipe fez história ao criar a primeira rádio brasileira com uma programação dedicada exclusivamente ao rock. Apelidada de &#8220;Maldita&#8221; pelos seus fãs, logo a Fluminense FM se transforma em um fenômeno nacional e é abraçada por uma geração de jovens que acompanhava os últimos anos da ditadura e o princípio da redemocratização do país.</p>
<p>É a história da Fluminense FM, a &#8220;Maldita&#8221;, que o longa <em><strong>Aumenta que é Rock&#8217;n Roll</strong></em> quer contar, adotando a perspectiva do seu criador, Luiz Antonio Mello, interpretado por Johnny Massaro. Sob a direção de Tomás Portella, da série Impuros e da comédia Qualquer Gato Vira-Lata, e o roteiro de L.G. Bayão, de A Porta ao Lado e O Doutrinador, o filme consegue contextualizar o cenário cultural da época e dimensionar a importância da rádio para o cenário artístico e político, como porta-voz de uma geração, ainda que se perca ocasionalmente no enlace amoroso do seu protagonista com a locutora Alice, interpretada por Marina Provenzzano.</p>
<p><em><strong>Aumenta que é Rock&#8217;n Roll</strong></em> sabe captar o lado bem-humorado dessa história incorporando em sua estrutura narrativa crônicas da biografia da &#8220;Maldita&#8221;, como o episódio do concurso das camisetas que envolvia formigas ou do dia em que o equipamento da rádio quebrou e captou conversas íntimas da sua equipe ou ainda o envolvimento da rádio na primeira edição do Rock in Rio. É muito divertido acompanhar esse tipo de história que dá uma outra dimensão do sucesso de uma rádio que chegou a ocupar o segundo lugar na audiência das emissoras cariocas, uma perspectiva nada glamurosa dessa história que capta sobretudo o espírito da juventude de uma época.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18051" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image-9.png" alt="Aumenta que é Rock'n Roll" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image-9.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image-9-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image-9-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O filme também ganha bastante por ter Johnny Massaro na pele de Luiz Antonio Mello. O ator consegue carregar a veia apaixonada, romântica e idealizadora do personagem pelo projeto da &#8220;Maldita&#8221;, mas também o aguçado senso de responsabilidade e profissionalismo do jornalista na condução daquela rádio. O longa de Tomás Portella só perde pontos com o espectador quando deixa de lado o  bem-humorado registro histórico para dar atenção ao romance envolvendo Luiz Antonio Mello e a locutora Alice, trazendo para <em><strong>Aumenta que é Rock&#8217;n Roll</strong></em> um tom novelesco próximo de uma temporada da Malhação para capturar audiências mais jovens, algo que aqui é completamente dispensável dadas as pretensões do filme.</p>
<p><em><strong>Aumenta que é Rock&#8217;n Roll</strong></em> acerta ao narrar de maneira leve a trajetória da Fluminense FM. É um filme mais exitoso quando entende que o potencial dessa história está nos elementos que envolvem o entorno da rádio, sobretudo o retrato que faz da juventude brasileira dos anos de 1980. O longa infelizmente perde tempo com frivolidades que em nada acrescentam aos pontos fortes da obra, mas, ainda assim, as qualidades prevalecem e  o filme deixa uma impressão bem positiva nas plateias ao final da sessão.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Tomás Portella</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Johnny Massaro, George Sauma, João Vitor Silva</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/RUh73O-I8Ik?si=i5Lh6DUOPa3BFK9_" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Os Primeiros Soldados</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Jul 2022 18:48:13 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Rodrigo de Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A história de Os Primeiros Soldados já foi contada algumas vezes no cinema, mas o longa de Rodrigo de Oliveira (As Horas Vulgares) consegue suprir algumas faltas desses relatos com muita sensibilidade. O longa narra a jornada de um trio de personagens LGBTQIA+ enfrentando a escalada dos casos de AIDS na comunidade durante a década de 1980. Temos em Os Primeiros Soldados, a representação das primeiras vítimas do vírus no Brasil: Suzano (Johnny Massaro), um jovem de classe média estudante [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A história de <em><strong>Os Primeiros Soldados</strong></em> já foi contada algumas vezes no cinema, mas o longa de Rodrigo de Oliveira (As Horas Vulgares) consegue suprir algumas faltas desses relatos com muita sensibilidade. O longa narra a jornada de um trio de personagens LGBTQIA+ enfrentando a escalada dos casos de AIDS na comunidade durante a década de 1980.</p>
<p>Temos em <em><strong>Os Primeiros Soldados</strong></em>, a representação das primeiras vítimas do vírus no Brasil: Suzano (Johnny Massaro), um jovem de classe média estudante de Biologia em férias no país depois de se mudar para a França; Rose (Renata Carvalho), uma travesti que canta na noite em uma boate LGBTQIA+, mas aspira a carreira de atriz, vivendo nos palcos personagens como a Blanche de Uma Rua chamada Pecado; e Humberto (Victor Camilo), um rapaz do interior expulso de casa depois de &#8220;sair do armário&#8221;. <strong><em>Os Primeiros Soldados</em></strong> é ambientado na passagem de 1982 para 1983, quando Suzano, Rose e Humberto descobriram que portavam HIV e se afastaram da sociedade para viver uma espécie de isolamento.</p>
<p>É claro que o longa de Rodrigo de Oliveira não afasta o drama da história desses três personagens. Suzano, Rose e Humberto apresentam dores e cicatrizes por serem portadores do HIV, mas também por toda a rejeição social à comunidade LGBTQIA+. Nesse sentido, o filme conta uma história que emociona, mas que procura, acima de tudo, diluir o peso desse drama, substituindo o protagonismo do sofrimento pelo tom quase que inspiracional da sua narrativa. Acima das dores, o que se vê na tela são histórias de luta que representam a trajetória da própria comunidade LGBTQIA+. A construção do orgulho é traçada na tela pelo filme e um dos momentos de maior força do longa sintetiza isso, quando Rose interpreta &#8220;Guerreiro Menino&#8221; de Gonzaguinha em sua última apresentação na boate.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15684" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Copy-of-Soldados-Clara-Choveaux-Maura-and-Johnny-Massaro-Suzano-Photo-Felipe-Amarelo-Pique-Bandeira-Produouo.jpg" alt="Os Primeiros Soldados" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Copy-of-Soldados-Clara-Choveaux-Maura-and-Johnny-Massaro-Suzano-Photo-Felipe-Amarelo-Pique-Bandeira-Produouo.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Copy-of-Soldados-Clara-Choveaux-Maura-and-Johnny-Massaro-Suzano-Photo-Felipe-Amarelo-Pique-Bandeira-Produouo-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Copy-of-Soldados-Clara-Choveaux-Maura-and-Johnny-Massaro-Suzano-Photo-Felipe-Amarelo-Pique-Bandeira-Produouo-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Copy-of-Soldados-Clara-Choveaux-Maura-and-Johnny-Massaro-Suzano-Photo-Felipe-Amarelo-Pique-Bandeira-Produouo-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Precisamos considerar que o brilho do longa de Oliveira demora a dar as caras. A apresentação de Suzano, Rose e Humberto para o espectador se estende mais que o necessário porque o viço do trabalho do diretor com seus atores está mesmo no isolamento dos personagens. O trio passa a registrar seus sintomas e buscar alternativas para sobreviverem nas atuais condições com vídeos caseiros. A jornada inclui, por exemplo, a experimentação de medicamentos que, na época, ninguém sabia bem a eficácia. Aqui, Oliveira traz sequências de improviso, humor e emoção orgânica na interação de Johnny Massaro, Renata Carvalho e Victor Camilo, destacando a ótima sintonia do grupo, um ambiente de cooperativismo e descontração. Esses momentos também evidenciam cenas de muita força como o monólogo emocionante e cheio de verdades interpretado por Renata Carvalho, um desempenho sublime no longa.</p>
<p><em><strong>Os Primeiros Soldados</strong></em> encontra um importante equilíbrio entre dimensionar para o espectador a realidade de um momento histórico, mas também procura preencher esse relato com força e reverência a um orgulho LGBTQIA+ construído com muita luta. É um filme que deixa para trás os registros frios historicistas ou o pessimismo lacrimejante, sem falar na equivocada abordagem sensacionalista e preconceituosa, todos costumeiramente usados para reconstituir o disparo dos primeiros casos de AIDS entre LGBTQIA+ no Brasil. <strong><em>Os Primeiros Soldados</em></strong> humaniza, emociona e inspira como poucas obras que abordaram um momento tão delicado na história da comunidade.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Rodrigo de Oliveira</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Johnny Massaro, Vitor Camilo, Renata Carvalho</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/BIXLpoXZ4DQ" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: O Filme da Minha Vida</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Jul 2017 16:59:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Bruna Linzmeyer]]></category>
		<category><![CDATA[Johnny Massaro]]></category>
		<category><![CDATA[O Filme da Minha Vida]]></category>
		<category><![CDATA[Selton Mello]]></category>
		<category><![CDATA[Vincent Cassel]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há no DNA de O Filme da Minha Vida, mais recente empreitada de Selton Mello como diretor e roteirista, ecos de um certo cinema italiano que busca dar conta da jornada de amadurecimento do seu protagonista atravessado ora pelo ato de realização cinematográfica, como é o caso dos devaneios de Guido Anselmi, personagem de Marcello Mastroianni em 8 1/2 de Federico Fellini, ora pela recepção, como ocorre com Totó, protagonista de Cinema Paradiso, de Giuseppe Tornatore. Com o cinema de Tornatore, podemos afirmar que O [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Há no DNA de <i>O Filme da Minha Vida</i>, mais recente empreitada de Selton Mello como diretor e roteirista, ecos de um certo cinema italiano que busca dar conta da jornada de amadurecimento do seu protagonista atravessado ora pelo ato de realização cinematográfica, como é o caso dos devaneios de Guido Anselmi, personagem de Marcello Mastroianni em <i>8 1/2</i> de Federico Fellini, ora pela recepção, como ocorre com Totó, protagonista de <i>Cinema Paradiso</i>, de Giuseppe Tornatore. Com o cinema de Tornatore, podemos afirmar que <i>O Filme da Minha Vida </i>guarda semelhanças ainda mais próximas já que o realizador italiano já demonstrou ter preferência por narrar ritos de passagem mais de uma vez nas telonas, em <i>Cinema Paradiso</i>, mas também em <i>Malena</i>, trazendo a jornada do seu protagonista para o contexto de uma cidadezinha do interior e todos os fatores que isso envolve. É com tais filiações que Selton Mello entrega <i>O Filme da Minha Vida</i>, um longa que está longe de corresponder ao escopo alcançado pelo seu trabalho anterior, <i>O Palhaço</i>, mas que cumpre a sua função e entrega algumas das mais belas imagens concebidas com o auxílio do sempre competente diretor de fotografia Walter Carvalho.</p>
<p>No caso de <i>O Filme da Minha Vida</i>, baseado no romance de Antonio Skármeta (também autor de <i>O Carteiro e o Poeta</i>), <i>Um Pai de Filme</i>, o cinema passa a ser objeto de constante referência da narrativa na medida em que Tony, um jovem professor de língua francesa do interior do Rio Grande do Sul, se forma para a vida adulta tendo a telona como objeto de contemplação e não como ofício. Por influência de seu pai, que certa feita lhe conta sua compreensão sobre a vida a partir daquilo que considera como o mais fascinante de uma narrativa cinematográfica, o protagonista do longa consegue realizar a passagem para a vida adulta e expurgar certas mágoas do passado, ainda que na maior parte da projeção essa figura paterna seja uma completa ausência.</p>
</div>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Em <i>O Filme da Minha Vida</i>, Johnny Massaro vive esse personagem principal, um jovem filho de uma brasileira com um francês que sai do interior do sul do país para estudar na capital durante a década de 1960. Quando retorna para sua cidade natal descobre que seu pai simplesmente desaparecera sem dar satisfação para a sua família. Em meio à dúvida amorosa pelas irmãs Petra e Luna e os primeiros passos como professor de uma turma de pré-adolescentes, Tony começa a sentir falta da presença do pai nesse princípio da vida adulta. Mesmo encontrando apoio em um amigo da família, não há um só momento da vida de Tony que ele não se pergunte sobre o paradeiro do pai e as razões que fizeram com que ele sumisse sem deixar vestígios.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Diferente dos longas anteriores de Mello como realizador, <i>Feliz Natal </i>e, possivelmente, seu título mais popular, <i>O Palhaço</i>, há um outro tom e objetivo em <i>O Filme da Minha Vida. </i>Ainda assim, também podemos compreendê-lo como o resultado natural de um diretor que tem procurado uma coerência em sua filmografia com a manutenção de uma assinatura seja pelas temáticas que o perseguem seja pelo formato da história que narra. Há uma preocupação em <i>O Filme da Minha Vida </i>com um olhar para um núcleo familiar e com a memória, assim como havia em <i>Feliz Natal, </i>apesar do último ter um tom<i> </i>mais dramático. Em contrapartida, há, evidentemente, uma preocupação com um percurso traçado por um jovem personagem masculino, compreendendo sua própria identidade em formação ou amadurecimento ao longo da narrativa, em um olhar da câmera e uma direção que alterna doçura, melancolia e uma certa ingenuidade, como ocorria em <i>O Palhaço</i>.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Assim como Benjamin questionava se seguiria sua vida como palhaço, mirando a trajetória do seu pai vivido por Paulo José, em <i>O Filme da Minha Vida</i>,<i> </i>Tony lança questões sobre si próprio à sombra da ausência do pai interpretado por Vincent Cassel, como se a todo momento se perguntasse: &#8220;O que ele diria ou faria no meu lugar?&#8221;.  Nesse sentido, é curioso perceber como Mello tem desenhado sua carreira como diretor fascinado por temas e disposto a investir em olhares que demonstram constâncias e personalidade, mas também possibilidades de variação que levam o espectador a novas histórias e lugares sem perder de vista o conforto com o reconhecimento da sua assinatura como autor.</p>
<p data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7976" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/07/20170606-o-filme-da-minha-vida-b.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Em suas decisões narrativas e plásticas, o longa é marcado por sinais de uma história que quer nos remeter à memória. A fotografia composta pelo veterano Walter Carvalho nos guia através de um amarelado de imagem desgastada para vestígios de um passado mirado por seu jovem protagonista. Tony está sempre às voltas com as lembranças em preto e branco captadas pela lente da máquina  fotográfica de  Luna (Bruna Linzmeyer), assiste ao filme <i>Rio Vermelho </i>de 1948, dirigido por Howard Hawks, por influência de Paco (Selton Mello), melhor amigo do seu pai, cresce ouvindo transmissões de rádio numa época em que a TV começava a chegar na casa dos vizinhos&#8230; Em <i>O Filme da Minha Vida</i>, é como se Mello trouxesse em imagens e nos vestígios da direção e arte e da sua própria história elementos que sublinhassem  o fato de termos um protagonista que mira suas lembranças com saudade e num esforço de construir-se no presente para um futuro.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">É também interessante notar no longa o trabalho de Mello com seus atores, não apenas na maneira como a câmera do diretor registra alguns de seus momentos chaves, mas no traço e no <i>timing </i>específico de comédia de alguns personagens, com suas investidas no humor sequenciadas por longos vazios e exercícios de reflexão sobre a existência que esses momentos de maneira insuspeita acabam suscitando. Isso ocorre em momentos momentos localizados do filme como acontecia em <i>O Palhaço</i>, por exemplo, desde uma passagem na qual Paco tira lições sobre a vida ao observar um grupo de porcos, até questões que ficam no ar quando Tony interage com Augusto, irmão de Luna (Linzmeyer) e um de seus alunos.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Em diversos momentos, Mello reserva longos <i>close ups </i>nos rostos de seus atores, chamando a atenção para àquele no qual testemunhamos a reação do personagem de Johnny Massaro àquilo que vê na tela em <i>Rio Vermelho.</i> Aliás, é preciso destacar o trabalho preciso e sensível do ator que de fato consegue delinear toda a jornada de amadurecimento de Tony, que vemos inseguro e tímido no início do longa e se transforma num sujeito mais extrovertido e confortável na própria pele conforme a narrativa avança. Por fim, é interessante notar como Mello trabalha com seu elenco infantil em momentos breves nesse longa. Encabeçado pela revelação João Prates, que vive o curioso Augusto, o grupo de meninos alunos de Tony faz com que a presença da ingenuidade infantil encontre eco na própria imaturidade do protagonista do filme, que, curiosamente, por seu posto na escola, acaba inspirando em alguns uma posição de referência masculina.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Como sublinha o personagem de Vincent Cassel ao seu filho no início e final de <i>O Filme da Minha Vida</i>, o mais bonito na jornada de Tony e no próprio longa é o entremeio, ou seja, o processo de mutação ao qual estamos sujeito como homens e mulheres em nossa vida e que passa inevitavelmente por inquietações provocadas pela imaturidade. Esse rito faz com que o sujeito que iniciou uma determinada história não seja o mesmo que a encerra. <i>O Filme da Minha Vida </i>é um longa sobre mudanças e as circunstâncias das mesmas, mas também uma narrativa sobre a autodescoberta de um rapaz conciliando-se com as dúvidas que tinha sobre o caráter de seu pai em um relato afetivo que bebe de tantas outras histórias que já tiveram a ficção como mediadora desses processos.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Tony, protagonista desse filme, entende a si e, de certa forma, o<i> </i>próprio cinema como a captura de um entre tantos processos de transformação que estamos sujeitos na vida, essa narrativa sem fim. O longa de Mello também é um relato sobre como é bonito olhar para trás e perceber essas transformações, sobretudo como não vemos as situações e pessoas como antes. <i>O Filme da Minha Vida </i>encerra sua história na tela percebendo as falhas dos seus personagens, que nem por isso deixam de ser admirados pelo seu diretor justamente porque são humanos e seguem sujeitos a transformações. Talvez esta seja a beleza do filme e do olhar de Mello para o mesmo.</p>
<p data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><strong>Assista ao trailer do filme:</strong></p>
<p style="text-align: center;" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/TDVegL5nfYs" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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