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	<title>Arquivos John Carney - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos John Carney - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Flora e Filho &#8211; Música em Família</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Nov 2023 19:23:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Responsável por filmes como Apenas uma Vez, Mesmo se nada der certo e Sing Street, o irlandês John Carney sabe como aliar suas tramas à música. Seus filmes são sempre obras singelas, que conseguem proporcionar conforto e &#8220;aquecer o coração&#8221; do espectador, tornando a experiência de assisti-los e de conviver com seus personagens afetivamente recompensadora. Flora e Filho &#8211; Música em Família não seria diferente. O mais recente trabalho de Carney traz como protagonista uma jovem que se torna mãe [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Responsável por filmes como Apenas uma Vez, Mesmo se nada der certo e Sing Street, o irlandês John Carney sabe como aliar suas tramas à música. Seus filmes são sempre obras singelas, que conseguem proporcionar conforto e &#8220;aquecer o coração&#8221; do espectador, tornando a experiência de assisti-los e de conviver com seus personagens afetivamente recompensadora. <em><strong>Flora e Filho &#8211; Música em Família</strong></em> não seria diferente.</p>
<p>O mais recente trabalho de Carney traz como protagonista uma jovem que se torna mãe muito cedo na vida aos 17 anos. Apesar de compartilhar a guarda do filho com o pai e ter com ele uma relação amistosa, todo o trabalho duro fica sob a responsabilidade dela. Flora deixou para trás uma série de sonhos e expectativas da juventude, atendendo a demandas mecânicas da sobrevivência (trabalhar, cuidar da casa, dar suporte ao filho Max etc.). As coisas mudam quando a personagem passa a ter aulas online via vídeo-chamada com um professor de violão dos EUA, uma experiência que lhe dá uma injeção de ânimo.</p>
<p>Em <em><strong>Flora e Filho</strong></em>, Carney fala de uma juventude cujas perspectivas foram castradas pela responsabilidade que tiveram que arcar muito cedo. A relação entre Flora e o filho Max é bem interessante. A dinâmica entre os personagens é mais próxima daquela que se estabelece na maioria das vezes entre irmãos e não são típicas daquelas que percebemos entre mães e filhos: eles se implicam o tempo todo e exibem até mesmo uma aspereza no tratamento, que, nesse caso, jamais pode ser sinônimo de falta de afeto. A questão é que a maternidade em Flora e Filho está longe de corresponder a visões romantizadas sobre o tema, a protagonista ama o filho, é evidente, mas o garoto não deixa de ser uma espécie de atestado dos pontos mais problemáticos da sua vida, uma lembrança de que talvez algo não tenha dado muito certo no meio do caminho.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17520" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Flora_and_Son_Photo_0102.jpg.photo_modal_show_home_large.jpg" alt="Flora e Filho - Música em Família" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Flora_and_Son_Photo_0102.jpg.photo_modal_show_home_large.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Flora_and_Son_Photo_0102.jpg.photo_modal_show_home_large-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Flora_and_Son_Photo_0102.jpg.photo_modal_show_home_large-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Flora_and_Son_Photo_0102.jpg.photo_modal_show_home_large-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A música surge na vida de Flora e, por tabela, do seu filho, como uma espécie de restaurador de elos, recobrando uma humanidade e esperança sempre ameaçadas de se dissolver pelas provas de resistência diárias da vida. É muito sensível a maneira como Carney insere a música em suas tramas e aqui não seria diferente. A expressão artística em <em><strong>Flora e Filho</strong></em> resgata os seus personagens não para oferecer qualquer jornada de fama e sucesso na indústria do entretenimento, mas no significado elementar da arte em nossas vidas: ela é elemento de socialização, de humanização, agregador e até um recurso para nos reconectarmos conosco. No caso de Flora e Max, a música fortalece laços de afeto sempre testados, mas nunca rompidos.</p>
<p>A sensibilidade de Carney para tratar esse tema já torna <strong><em>Flora e Filho</em></strong> um filme que merece a atenção do espectador. O diretor conduz tudo de maneira extremamente delicada, sem apelar para o dramalhão fácil, mas construindo personagens carismáticos e admiráveis através de atores que conseguem sustentar esse aproach do diretor, da protagonista Eve Hewson ao menino Orén Kinlan, passando ainda por Jack Reynor que interpreta o ex de Flora e pai da Max até Joseph Gordon-Levitt que vive o professor de música.</p>
<p><strong>Direção:</strong> John Carney</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Eve Hewson, Joseph Gordon-Levitt, Orén Kinlan</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/YWMZU_d1GQI" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Mesmo se nada der certo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Sep 2014 23:39:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[John Carney]]></category>
		<category><![CDATA[Keira Knightley]]></category>
		<category><![CDATA[Mark Ruffalo]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_1958" aria-describedby="caption-attachment-1958" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/09/begin-again.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1958 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/09/begin-again-620x303.jpg" alt="begin-again" width="620" height="303" /></a><figcaption id="caption-attachment-1958" class="wp-caption-text">Afinidades: Personagens de Mark Ruffalo e Keira Knightley compartilham suas músicas preferidas e suas neuroses sobre os tempos de industrialização das artes.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>John Carney está se tornando uma espécie de Cameron Crowe <em>indie</em>. Popularizado com o drama <em>Apenas uma Vez</em>, vencedor do Oscar de melhor canção em 2009 com &#8220;Falling Slowly&#8221;, o realizador não esconde sua paixão pela música e entende que essa forma de expressão é a que melhor define e retira da banalidade seus personagens comumente desajustados com o seu tempo e com os imperativos do mercado fonográfico. E se em <em>Apenas uma Vez </em>tínhamos o casal de desconhecidos Glen Hansard e Markéta Irglová, em <em>Mesmo se nada der certo </em>a dupla central é representada por Keira Knightley e Mark Ruffalo, que, de uma certa forma, apresentam preocupações semelhantes àquelas vivenciadas pelos personagens de Hansard e Irglová.</p>
<p><em>Mesmo se nada der certo </em>tem início quando um produtor musical chamado Dan (Ruffalo) vive uma de suas maiores crises pessoais e profissionais. A vida do sujeito está virada do avesso, separou-se da mulher, tem uma relação distante e complicada com a filha adolescente e está cansado dos ditames da indústria da música que lhe empurram &#8220;goela abaixo&#8221; jovens artistas sem o menor talento para a coisa. No outro polo do filme encontramos Gretta (Knightley), uma jovem inglesa que é uma brilhante compositora e cantora, mas que é avessa ao estrelato. Gretta está em Nova York acompanhada do namorado, cuja carreira musical é catapultada graças ao sucesso de uma de suas canções na trilha sonora de um filme. Contudo, Gretta descobre que o rapaz lhe traiu e decide abandoná-lo. Dan e Gretta se encontram e, diante das portas fechadas das gravadoras, ele propõe a ela gravar um álbum pelas ruas da cidade, a céu aberto. A experiência será transformadora para os dois personagens na medida em que descobrem suas afinidades musicais.</p>
<figure id="attachment_1959" aria-describedby="caption-attachment-1959" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/09/beginagain_.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1959 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/09/beginagain_-620x349.jpg" alt="beginagain_" width="620" height="349" /></a><figcaption id="caption-attachment-1959" class="wp-caption-text">Gravação a céu aberto: Dan (Ruffalo) propõe a Gretta (Knightley) a gravação de um álbum em plena movimentação novaiorquina.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>Estética e narrativamente, <em>Mesmo se nada der certo </em>não traz grandes saltos, até porque não é essa a ambição do seu realizador. John Carney investe na combinação entre o visual atraente dos arranha-céus de Nova York, o charme e a competência de Keira Knightley e Mark Ruffalo e uma trilha sonora certeira. O filme pode não priorizar uma profundidade maior dos seus temas ou mesmo tratar seus personagens com uma leve superficialidade, mas não resta dúvida de que, em diversos momentos, a simplicidade do realizador e de sua história tocam fundo o espectador.</p>
<p>Dan e Gretta parecem uma versão suave do Llewyn Davis do mais recente filme dos irmãos Coen. Dois sujeitos desajustados com a ordem de prioridades daqueles que estão ao seu redor. O encontro entre esses dois personagens selam a consciência de que não estão sós, de que não entrar em conformidade com a maioria não é estranho, traz uma calma para ambos, uma perspectiva até mais tolerante para com aqueles que entram na lógica industrial de produção musical. E se por um lado temos Mark Ruffalo em sua natural boemia, do outro temos uma Keira Knightley à flor da pele, uma espécie de boneca delicada, sensível, graciosa. Em torno dessas duas figuras, temos James Corden, Catherine Keener, Hailee Steinfeld e Adam Levine, todos dando conta do recado.</p>
<figure id="attachment_1960" aria-describedby="caption-attachment-1960" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/09/o-ADAM-LEVINE-KEIRA-facebook.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1960 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/09/o-ADAM-LEVINE-KEIRA-facebook-620x310.jpg" alt="" width="620" height="310" /></a><figcaption id="caption-attachment-1960" class="wp-caption-text">Gretta (Knightley) e o ex: Adam Levine do Maroon 5 faz uma participação no filme, e não faz feio.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em todo o filme, há um sentido de urgência pelo compartilhamento. Os personagens ouvem suas canções em iPods com entradas duplas para fones. A gravação da banda é feita ao ar livre em meio a correria rotineira de uma grande cidade. John Carney parece querer dizer que a vida e a experiência artística torna-se mais rica quando compartilhada, ela adquire sentido em contato direto com a energia pulsante da vida, das pessoas. É nesse encontro que cenas banais como as que são apontadas pelo personagem do Mark Ruffalo, em determinado momento do filme, ganham vida. Agradecemos a John Carney por compartilhar essa experiência conosco.</p>
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