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	<title>Arquivos João de Deus - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: João de Deus &#8211; O Silêncio é uma Prece</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 May 2018 16:13:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Candé Salles]]></category>
		<category><![CDATA[Cissa Guimarães]]></category>
		<category><![CDATA[João de Deus]]></category>
		<category><![CDATA[João de Deus - O Silêncio é Uma Prece]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Abadiânia, Casa de Dom Inácio de Loyola, interior de Goiás. O documentário João de Deus: O Silêncio é uma Prece começa apresentando seu protagonista e um dos mais conhecidos &#8220;filhos&#8221; da região, o médium João Teixeira, popularizado pelo nome João de Deus, que ganhou fama em todo o mundo por suas cirurgias espirituais realizadas na casa Dom Inácio de Loyola. Com mais de cinquenta anos em atividade, o médium traz consigo uma legião de devotos e tem seu trabalho reconhecido internacionalmente por [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Abadiânia, Casa de Dom Inácio de Loyola, interior de Goiás. O documentário <i><b>João de Deus: O Silêncio é uma Prece </b></i>começa apresentando seu protagonista e um dos mais conhecidos &#8220;filhos&#8221; da região, o médium João Teixeira, popularizado pelo nome João de Deus, que ganhou fama em todo o mundo por suas cirurgias espirituais realizadas na casa Dom Inácio de Loyola. Com mais de cinquenta anos em atividade, o médium traz consigo uma legião de devotos e tem seu trabalho reconhecido internacionalmente por figuras como a apresentadora norte-americana Oprah Winfrey, que já dedicou uma matéria do seu programa para apresentá-lo aos americanos, e a artista Marina Abramovic, que aparece brevemente no documentário. É uma pena que um personagem tão curioso acabe sendo objeto de um filme tão &#8220;chapa branca&#8221; que, no lugar de ajudar a ressaltar suas virtudes, fazendo um retrato multidimensional do biografado, acaba construindo uma narrativa cheia de omissões e artificialismos na forma que em nada engrandecem sua figura central.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Antes de ir mais adiante nas nossas considerações sobre <i>João de Deus: O Silêncio é uma Prece</i>, deixo claro que o intuito do texto não é questionar o legado de João Teixeira e a fé daqueles que creem na sua figura. Esse não é o objetivo do texto que, como crítica cinematográfica, irá se ater a maneira como a narrativa sobre João de Deus é costurada no documentário de Candé Salles (de <i>Para Sempre teu Caio F.</i>). O objeto de nossas preocupações não é João de Deus, suas ações e aqueles que creem no seu legado, mas o filme no qual ele está inserido.</p>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Assim, do ponto de vista formal, a sensação que <i>João de Deus: O Silêncio é uma Prece </i>passa o tempo inteiro para o espectador é a de um vídeo institucional encomendado por uma assessoria de comunicação, com respostas prontas para as naturais questões que surgem ao longo da narração e pré-concepções sempre positivas sobre o seu protagonista. Em momento algum as ações de João Teixeira são dimensionadas com o mínimo de complexidade a fim de problematizá-lo enquanto personagem. E quando menciono a urgência da sua problematização, nada tem a ver com um enfrentamento inquisidor sobre a sua figura, mas uma abordagem que dê conta da construção desse protagonista como um homem complexo, repleto de virtudes e defeitos.  Tudo no documentário é entregue como verdade incontestável e não há contraditório que promova um interesse naquilo que está sendo mostrado a fim de que o espectador tire suas próprias conclusões e construa por si só um inventário daquilo que foi visto.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-8969" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2018/05/Joao.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>O filme tem a narração de Cissa Guimarães, cujas palavras não acrescentam muito àquilo que é contado imageticamente e via depoimento dos envolvidos, mas está ali apenas para engrandecer o seu protagonista e endossar a elevação da espiritualidade na crença nele. Tecnicamente, o documentário ainda explora recursos pouco inventivos ou sutis como os feixes de luz branca entre os eventos narrados e os caracteres para apresentar os entrevistados pelo filme ao público. Seguindo uma estrutura convencional que oscila entre depoimentos, registros pela câmera do diretor Candé Salles acompanhando o dia a dia do protagonista do filme e imagens de arquivo,  a maioria das &#8220;falas&#8221; de terceiros que surgem no filme são de devotos de João e quando não são, acabam soando como dizeres marcados pela ausência de espontaneidade, como é o caso do médico que opera João Teixeira em dado momento (não que o que ele diga soe como mentira, mas parece uma fala decorada para ser dita diante da câmera).</p>
<p>Há uma sensação dominante de que tudo o que é posto no documentário e da forma como é apresentado surge como indício do filme não desejar dar conta da complexidade de temas que envolve o seu protagonista de maneira adulta, ou seja, complexa o suficiente para construi-lo como uma figura rica o suficiente para despertar o interesse do espectador que não tenha (ou deseje ter) o menor vínculo  com os atos de João de Deus, a começar talvez pelo tema mais espinhoso que o filme convoca, a fé. <i>João de Deus </i>parece temer a espontaneidade típica da descoberta do documentarista quando vai a campo. Quando Salles visita e acompanha João Teixeira parece que todos os movimentos já estão previstos.</p>
<p>Ao menos não podemos acusar o documentário de desonestidade. Ainda que ele não deixe claro em palavras que tipo de filme quer fazer, desde o primeiro instante o espectador mais sensível a esse tipo de material vai compreender que não assistirá um discurso necessariamente &#8220;neutro&#8221; e um realizador interessado em conhecer o personagem principal do seu filme com o desenrolar da narrativa e sem pré-concepções sobre ele. Não apresentando nenhum cuidado em camuflar a sensação de que tudo é produzido com o intuito de enaltecer o seu protagonista, ao menos <i>João de Deus: O Silêncio é uma Prece </i>é honesto com o seu espectador, não simulando ser aquilo que não é, ou seja, um filme isento e com propósitos autorais. O documentário tem sim um ponto de vista e para fazer com que o mesmo venha à tona omite informações e não esmiúça temas passíveis de controvérsia. Portanto, se o espectador estiver à procura de um filme endossado pela casa de Dom Inácio de Loyola, <i>João de Deus: O Silêncio é uma Prece </i>serve a tais propósitos. No entanto, quem desejar algo mais profundo sobre o assunto (e é por esse parâmetro que estamos avaliando o título em questão e nunca o seu personagem já que não temos esse direito), certamente não será contemplado pelo documentário.</p>
<p><strong>Assista ao trailer:</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/xrbA68Fu2sw" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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