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	<title>Arquivos Jeff Rowe - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 May 2021 14:41:20 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Escrito e dirigido por Michael Rianda e Jeff Rowe, <strong><em>A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas</em> </strong>chega ao Brasil, através da distribuição da Netflix. Rianda e Rowe possuem comum a participação na equipe de roteiristas da série animada <em>Gravity Falls</em>. Para quem conhece a produção, este já é um indício em si de que o público poderia encontrar neste novo projeto uma obra que assume riscos e procura ser descolada, jovial e bastante bem humorada. Estas expectativas são, no geral, atendidas aqui. Com quase 2 horas de projeção, há no filme uma dinâmica rítmica eficaz que prende, em grande parte, o espectador no acompanhamento da narrativa, bem como diverte e cria empatia com suas personagens. A questão familiar é um gancho certeiro para causar esta aproximação.</p>
<p>Para que tal intento seja alcançado, algumas estratégias são utilizadas. Estas já aparecem nos primeiros minutos de projeção. Com efeitos visuais que lembram colagens e montagens vistas na internet, na contemporaneidade, a protagonista, Katie (Abbi Jacobson), conta e ilustra quem ela é, como sua família é um tanto disfuncional e que uma espécie de apocalipse está instalado no mundo. O fato de cada membro dos Mitchell possuir um traço característico de personalidade (como a mãe conciliadora, o pai turrão ou a filha nerd) funcionam porque evocam referências reconhecidas, seja aqueles do próprio cotidiano do consumidor ou vindos de outros produtos midiáticos –  ainda que as características sejam meio antiquadas, por serem estereótipos típicos de familiares pautados em padrões normativos da sociedade.</p>
<p>Outros elementos que funcionam são as <em>gags</em> e as tiradas inspiradas em conteúdos vistos em plataformas como <em>Youtube</em> e <em>Tiktok. </em>Elas também dão o tom geral do longa-metragem criando, assim, uma localização imediata para o público de como a personagem principal enxerga o mundo e as pessoas ao seu redor. Este fator, mostrado desde o início da exibição, é importante para cada construção e resolução dos conflitos inseridos do enredo, até o seu desfecho total. Desta maneira, a criação e a manutenção da atmosfera é um dos seus pontos altos. No entanto, vale ressaltar que esta dinâmica acaba por ser cansativa em alguns momentos. O reforço de linguagem quebra as lógicas de velocidade, podendo tornar certos trechos enfadonhos ou óbvios. Um exemplo é a sequência após a ação dentro do shopping.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14071" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/05/CON_klm410.1057_lm_v2-scaled-1.jpg" alt="A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/05/CON_klm410.1057_lm_v2-scaled-1.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/05/CON_klm410.1057_lm_v2-scaled-1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/05/CON_klm410.1057_lm_v2-scaled-1-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/05/CON_klm410.1057_lm_v2-scaled-1-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Dois fatores contribuem para este esgarçamento. O primeiro é o fato de que um ápice é atingido, seguido de uma queda significativa. Entre a ideia do novo plano, execução dele e o <em>plot twist </em>que ocorre antes do final da trama, a sensação que resta é de que o roteiro tenta enrolar quem assiste, pois o plano B já parecia o A, tornando os caminhos aqui previsíveis. O segundo fator é que, para tentar manter o que fora previamente construído, recursos semelhantes à primeira metade do longa são usados. Contudo, se havia um crescimento exponencial – e, talvez, se existissem mais respiros anteriormente o peso da progressão fosse mais controlado –, ao voltar para instantes parecidos com seu início, tudo soa bastante repetitivo.</p>
<p>No entanto, esta questão não compromete tanto o resultado geral de <em><strong>A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas</strong>,</em> porém reduz a sua potencialidade. Isto porque se a sua chave principal é o divertimento, quando o tédio se instala, o seu aparente objetivo é perdido, mesmo que por pouco tempo. Ainda assim, ainda é possível apontar outro aspecto positivo dentro de todo este contexto. As dublagens da versão original são bastante criativas e fomentam o tom da produção. Neste cenário, existem dois destaques de interpretação: Maya Rudolph, como Linda e Olivia Colman, como PAL.</p>
<p>Maya se pauta em buscar as transformações de personalidades todo o incidente causa em Linda, na perspectiva de trabalhar com múltiplos tipos de agudos, desde alegria e reconfortante até assustador e imponente. Já Olivia, se encaminha para o jogar com sarcasmo e ironia, deixando espaço para transmitir certas fragilidades de sua personagem – uma inteligência artificial de telefone, algo como a Siri, da Apple. Apostando, majoritariamente no grave, as quebras tonais, fomentam os momentos de preocupação de PAL. Por estas razões, é notável o esforço de Rianda e Rowe em entregar um projeto criativo, que busca dialogar, principalmente, com a juventude atual. Mesmo que com alguns tropeços, segurando as expectativas, esta pode ser uma sessão agradável.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Michael Rianda e Jeff Rowe</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Abbi Jacobson, Maya Rudolph, Olivia Colman, Danny McBride</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
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