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	<title>Arquivos James Cameron - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos James Cameron - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Titanic</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Feb 2023 16:49:49 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: 400;">Uma das histórias mais famosas do cinema hollywoodiano, <strong><em>Titanic</em> </strong>está de volta aos cinemas, em 4K e 3D, por conta da comemoração dos 25 anos de sua estreia original. Mas, o que pode ser dito, em 2023, sobre uma produção que bateu tantos recordes &#8211; como na sua vitória de 11 Oscar ou em seu terceiro lugar como maior bilheteria de todos os tempos, após o seu relançamento? Talvez, a melhor alternativa seja dar alguns passos para trás e tentar olhar para o longa-metragem sob uma perspectiva “comum”, não pensando nele tanto como um hit.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todavia, é preciso salientar neste texto que esta crítica que vos escreve chegou a número 90 de vezes assistidas. Sim, é uma fã que está escrevendo aqui! No entanto, a recepção de uma produção sempre pode mudar com o tempo e com as novas experiências, que são sempre adquiridas. Um exemplo que ilustra esta redescoberta, após quase 100 sessões do mesmo título, é a sensação de que os protagonistas são muito jovens, enquanto os outros que o cercam são mais velhos, mas cobram atitudes demasiadamente maduras deles. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aos 31 anos &#8211; e não mais aos 06 anos de idade &#8211; fica mais que compreensível todo o comportamento do casal central e como eles são postos na narrativa: tão inconsequentes, impulsivos e com uma rebeldia juvenil aflorada. Inclusive, esta é uma das mágicas do roteiro e da direção de James Cameron (<em>Exterminador do Futuro</em>). </span><span style="font-weight: 400;">A criação de empatia com o casal Rose Dewitt Bukater (Kate Winslet, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-despedida/"><em>A Despedida</em></a>) e Jack Dawson (Leonardo Di Caprio, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-nao-olhe-para-cima-netflix/"><em>Não Olhe Para Cima</em></a>) move e emociona o espectador, deixando que as mais de 3 horas de exibição ocorram de maneira fluida e veloz. </span></p>
<p>Dentro desta estratégia de fazer o que Cameron chama “colocar Romeu e Julieta dentro do navio”, há também o fato de que é possível acompanhar cada detalhe sobre a jornada do Titanic, desde a sua saída da Inglaterra, passando por toda a tragédia do naufrágio, até o resgate das vítimas. É inteligente como James consegue amarrar a trama principal com suas subtramas fictícias e, ao mesmo tempo, informa o seu público sobre os fatos ocorridos entre 10 e 14 de abril de 1912, com o máximo de veracidade.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-16451" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/02/1cd30389e36d9c40438a6793baf22da2.png" alt="Titanic" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/02/1cd30389e36d9c40438a6793baf22da2.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/02/1cd30389e36d9c40438a6793baf22da2-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/02/1cd30389e36d9c40438a6793baf22da2-610x407.png 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/02/1cd30389e36d9c40438a6793baf22da2-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>É por isso que, dentro deste universo de plots e subplots, o que mais chama a atenção é o quanto James Cameron consegue trazer sensações, contexto e subtexto sobre a jornada dos coadjuvantes, com pouco texto falado, investindo no poder da imagem e da sugestão. <span style="font-weight: 400;">Para quem assistiu <strong><em>Titanic</em> </strong>poucas vezes, talvez, certos <em>frames</em> passem despercebidos, mas a aproximação com o enredo e as vítimas deste acidente acontece porque o público já viu cenas com aquelas figuras anteriormente e criou uma espécie de conexão com elas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">São vários exemplos desta lógica de Cameron, alguns deles são: a menina Cora (Alex Owens-Sarno), que aparece no início da projeção ao lado do pai e depois na sequência da festa da terceira classe &#8211; inclusive, existem uma cena deletada, na qual o final triste da menina é contado -, o jovem Fang Lang (Van Ling), um passageiro real, que sobreviveu ficando em cima de uma porta ou Charles Joughin (Liam Tuohy), cozinheiro que sobreviveu ao ingerir uma quantidade absurda de álcool e que também é inspirado na realidade. Estas personagens ficam no consciente ou no subconsciente e a narrativa faz com que o público torça por elas e sofra por elas também.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desta forma, uma conexão com a história é estabelecida de uma maneira abrangente, fazendo com que seja criada uma imersão com o longa. Isto é, sem dúvidas, um mérito do trabalho de Cameron. O diretor, além de ter pensando nos detalhes que mesclavam a realidade com o teor ficcional dentro do seu roteiro, elaborou a sua decupagem de forma cuidadosa, pois ela está sempre à serviço da narrativa e possui este preciosismo em revelar em múltiplas camadas o contexto vivenciado dentro do navio. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao lado de seu fotógrafo Russell Carpenter (True Lies), James Cameron cria quadros  que imprimem o estado emocional das personagens e o seus pensamentos, através de questões como as temperaturas e os destaques colocados nas seleções de planos. </span>Algo que talvez soe óbvio para quem já assistiu <strong><em>Titanic</em> </strong>diversas vezes, porém que marca fortemente as três ambientações do filme &#8211; tempos “atuais” (1996), pré-naufrágio e naufrágio &#8211; são as tonalidades quentes e frias, que compõe estados de melancolia/nostalgia, vida, morte/tragédia.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-16452" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/02/titanic-portal.jpg" alt="Titanic" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/02/titanic-portal.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/02/titanic-portal-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/02/titanic-portal-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/02/titanic-portal-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Na verdade, estas escolhas de iluminação e cor renderiam artigos e análises profundas, mas nesta crítica cabe dizer que a composição criativa de Cameron e Carpenter é ampliada através do trabalho da equipe de arte. <span style="font-weight: 400;">O setor conta com mais de vinte integrantes e diversos chefes de departamento, mas o que importa ressaltar aqui é que as texturas, tons, colocações etc dos figurinos, dos cenários e da maquiagem fomentam os sentidos e ampliam as interpretações do público. </span><span style="font-weight: 400;">Para além dos detalhes de recomposição da época e do próprio navio, que são bastante apurados, os objetos cênicos cumprem bem os seus propósitos narrativos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um exemplo simples disto é o fato de Rose ir perdendo elementos de suas vestes, mostrando a libertação progressiva da personagem, que inicia sua jornada com chapéu, penteados bem presos, luvas, vestido apertado, com cores mais fechadas (como vinho e azul marinho).</span><span style="font-weight: 400;"> Contudo, antes do navio afundar, quando Rose decide ficar com Jack, ela está utilizando um vestido leve e de cores pastel, com os cabelos soltos. </span><span style="font-weight: 400;">São nestas particularidades que <strong><em>Titanic</em> </strong>se revela uma obra meticulosa, na qual o real se mistura com a ficção. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Através de relatos de passageiros, documentações do passado e da imaginação de James Cameron, o mundo ganhou um longa que continua fazendo sentido e engajando quem assiste. Já faz 25 anos e este segue sendo um filme impactante, o que revela sua qualidade técnica. Para alguns, não apenas o Titanic era o navio dos sonhos, como o filme sobre ele pode também o ter sido. Para esta que vos fala, ele foi, ele realmente foi…E sempre será.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Direção:</strong> James Cameron</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Elenco:</strong> Kate Winslet, Leonardo Di Caprio, Gloria Stuart, Billy Zane, Kathy Bates, Frances Fisher, Bill Paxton, Bernard Hill</span></p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/IH6_CA_ocqY" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Alita: Anjo de Combate</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Feb 2019 19:34:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Baseado no mangá de Yukito Kishiro, Alita: Anjo de Combate é um projeto gestado durante anos por James Cameron. A adaptação seria o filme do diretor após Titanic, muito antes de Avatar, e teria a atriz Jessica Alba como sua protagonista. Quase vinte anos depois, o diretor passa o projeto para as mãos de Robert Rodriguez (Sin City e Planeta Terror) e o resultado é surpreendentemente dos menos imaginativos da carreira de ambos, parecendo qualquer um desses blockbusters gestado às [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Baseado no mangá de Yukito Kishiro, <em><strong>Alita: Anjo de Combate</strong></em> é um projeto gestado durante anos por James Cameron. A adaptação seria o filme do diretor após <em>Titanic</em>, muito antes de Avatar, e teria a atriz Jessica Alba como sua protagonista. Quase vinte anos depois, o diretor passa o projeto para as mãos de Robert Rodriguez (<em>Sin City</em> e <em>Planeta Terror</em>) e o resultado é surpreendentemente dos menos imaginativos da carreira de ambos, parecendo qualquer um desses blockbusters gestado às pressas nas salas dos grandes estúdios por seus executivos.</p>
<p>O filme conta a história de uma ciborgue que ganha vida novamente pelas mãos do cientista Dr. Ido, papel de Christoph Waltz. Ela acorda num futuro pós-apocalíptico e aos poucos começa a se lembrar do seu passado como exímia guerreira, sendo notada por outros personagens da trama, que inclui outros ciborgues e Vector, vivido por Mahershala Ali, responsável por organizar Motorball, um esporte muito popular praticado numa grande arena e pelo qual Alita se envolve.</p>
<p>Há uma grande qualidade técnica em <em><strong>Alita: Anjo de Combate</strong></em> e isso ninguém pode lhe negar. Desde a maneira com que as cenas de ação são visualmente concebidas ao trabalho com as feições da atriz Rosa Salazar, cujo rosto emula os traços de um personagem de anime, tudo é muito bem executado em Alita &#8211; também, pudera, com um orçamento de quase US$ 200 milhões, James Cameron, Robert Rodriguez e companhia não fizeram mais do que cumprir uma expectativa.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-9939" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/02/alita-001.jpg" alt="Alita: Anjo de Combate" width="610" height="348" /></p>
<p>É na narrativa que o longa peca, faltando expressividade nas emoções que a história da ciborgue apenas sugere. O roteiro, como virou rotina nesses grandes projetos de blockbuster, subaproveita três grandes atores, os vencedores do Oscar Christoph Waltz (<em>Django Livre</em> e <em>Bastardos Inglórios</em>), Mahershala Ali (<em>Moonlight: Sob a Luz do Luar</em>) e Jennifer Connelly (<em>Uma Mente Brilhante</em>), relegando-os a participações inexpressivas ao longo da história. O foco dramático acaba sendo a relação de Alita com o garoto Hugo, interpretado pelo jovem Keean Johnson, um romance dos mais insossos de se ver na tela, nada é feito a favor dessa relação a ponto do público se engajar de maneira intensa com ela.</p>
<p>Não cabe nem mencionar o esforço de camuflar a adaptação do material aos padrões ocidentais no estranho jogo de concessões que o filme faz com o mangá (preservando os nomes orientais e os traços da protagonista, mas mantendo um elenco hollywoodiano). No fim das contas, é um &#8220;enlatado&#8221; dos mais baratos. Igual a tantas outras super-produções dos grandes estúdios nos últimos anos, <em><strong>Alita: Anjo de Combate</strong></em> não faz muito pelo seu material original. É possível até que possa gerar uma vontade de conhecer o mangá e o anime no público que nunca tenha contato com ambos, mas como adaptação cinematográfica, o longa de Rodriguez não consegue se sustentar como obra.</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/tfVgjW17U1E" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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