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	<title>Arquivos Isabella Rossellini - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Isabella Rossellini - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: La Chimera</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Apr 2024 21:21:08 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="separator" data-original-attrs="{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}">
<p><em><strong>La Chimera</strong></em> é ambientado na década de 1980 e traz a história de Arthur, um arqueólogo inglês que retorna à zona rural da Toscana depois de passar um tempo em detenção. O personagem principal volta ao local tentando se recuperar moralmente do episódio e também superar um evento traumático envolvendo a namorada. Em meio a tantas atribulações pessoais, Arthur retoma perigosas atividades que exercia no passado e que lhe levaram para a cadeia, ele volta a atuar como caçador de relíquias, violando túmulos para vender esses artefatos no mercado ilegal.</p>
<p>O personagem principal do longa da italiana Alice Rohrwacher (de As Maravilhas) é o ator inglês Josh O&#8217;Connor, em ascensão desde que interpretou em 2019 o então príncipe Charles na série The Crown &#8211;  em breve, ele também deverá ser visto no drama Rivais, com Zendaya. Além de O&#8217;Connor, cabe destacar em <em><strong>La Chimera</strong></em> a presença da veterana Isabella Rossellini e da brasileira Carol Duarte (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-vida-invisivel/"><em>A Vida Invisível</em></a>), ambas com papéis de considerável destaque nessa história.</p>
<p>O título <em><strong>La Chimera</strong></em> nos remete à figura mitológica composta por membros de diversos animais, mas também à ideia de utopia ou de fabulação, fantasia. No longa, o personagem de O&#8217;Connor é um sujeito à deriva, realizando atividades que outrora faziam parte da sua vida, mas que hoje já não fazem mais sentido. Ele segue na pilhagem arqueológica em um mix de comodismo e de incerteza sobre os rumos que deve tomar na vida de agora adiante, prosseguindo no automático em funções do passado na esperança de recuperar algum resquício daquilo que tem saudade. Por inércia ou incapacidade de definir quais serão os rumos da sua vida, ele cede às requisições de terceiros pelos seus serviços e segue na clandestinidade, violando túmulos e roubando peças históricas valiosíssimas. O longa narra a jornada desse personagem tentando escapar da sua vocação, encurralado pela própria passividade e por um contexto histórico que parece frisar a decadência de uma civilização.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17988" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image-7.png" alt="La Chimera" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image-7.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image-7-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image-7-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Alice Rohrwacher traz muita personalidade para sua direção, ainda que a originalidade na condução dessa história, por vezes, a transforme em um filme autoindulgente, ensimesmado no seu incessante exercício de estilo. Em alguns momentos, a originalidade das ideias da diretora são bem-vindas, em outros, nem tanto, dificulta a comunicação com o público. Entre os momentos positivos, podemos citar as passagens em que eventos e traços da personalidade de alguns personagens são descritos por canções de trovadores, fazendo <em><strong>La Chimera</strong></em> flertar com o gênero musical. Há também um ótimo momento em que a gangue liderada por Arthur é perseguida por policiais e toda a operação funciona como uma ação de uma comédia de filme mudo do início do século passado. No entanto, na maioria das vezes os esforços da realizadora travam a relação do público com a obra e impede o acesso do espectador à humanidade que parece pulsar nos seus personagens.</p>
<p>Se a direção de Rohrwacher oscila em alguns momentos, o mesmo não pode ser dito dos esforços do seu elenco principal. Josh O&#8217;Connor tem um ótimo momento como Arthur, construindo-o como um trapaceiro angustiado. Já Carol Duarte tem bastante destaque no longa como Itália, uma jovem brasileira que vive na casa da ex-sogra de Arthur (Rossellini), escondendo suas duas filhas. Em dado momento a jovem desenvolve uma relação especial com o antropólogo e a dinâmica que Duarte e O&#8217;Connor estabelece para o encontro entre seus personagens é bem singular.  É nesses detalhes que a gente percebe como o trabalho atores do filme funciona como um chamamento para que Rohrwacher se concentre naquilo que de fato interessa em <em><strong>La Chimera</strong></em>, o seu fator humano. Infelizmente, vários desses chamamentos são ignorados e o longa se desencontra na própria personalidade que a realizadora procura imprimir a sua história.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Alice Rohrwacher</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Josh O&#8217;Connor, Carol Duarte, Isabella Rossellini, Vincenzo Nemolato, Alba Rohrwacher</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/DG0M8vJgltw?si=4cGHwA6ncYnMK5y9" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Joy &#8211; O Nome do Sucesso</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Jan 2016 23:21:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Bradley Cooper]]></category>
		<category><![CDATA[David O. Russell]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_4401" aria-describedby="caption-attachment-4401" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-4401 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/01/hoy2-1024x475-620x319.jpg" alt="hoy2-1024x475" width="620" height="319" /><figcaption id="caption-attachment-4401" class="wp-caption-text">Família disfuncional: Como é tradicional dos filmes de David O.Russell núcleo familiar de Joy é um dos enfoques do realizador</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>Quando começou sua carreira nos anos de 1990 com filmes como <i>Procurando Encrenca </i>ou <i>Três Reis</i>, David O. Russell não dava sinais do tipo de diretor que se tornaria com títulos como <i>O Vencedor</i>, <i>O Lado bom da Vida </i>e <i>Trapaça</i>, longas que lhe renderam três indicações quase que consecutivas ao Oscar de melhor filme e melhor diretor. Naquela época, O. Russell tratava-se &#8220;apenas&#8221; de uma promessa do circuito <i>indie </i>que começava a cair nas graças da crítica e chamar a atenção da mídia especializada pelo seu temperamento forte e por suas constantes discussões com seus atores nos sets dos seus longas, como aquela que protagonizou com George Clooney em <i>Três Reis </i>e a mais famosa com Lily Tomlin em <i>Huckabees &#8211; A Vida é uma Comédia</i>. Desde que começou a seguir um certo tipo de fórmula que tem agradado os votantes do Oscar, os filmes do O. Russell parecem não ser mais os mesmos, mas também adquiriram uma estranha constância nas suas estruturas e apresentações de narrativas e personagens. O mais novo título dessa safra do realizador, <i>Joy &#8211; O Nome do Sucesso</i>, contudo, parece não ter agradado tanto a Academia quanto os filmes anteriores do diretor, tanto que dele apenas a sua protagonista mereceu uma indicação ao prêmio. A exclusão é merecida, mas não podemos deixar de mencionar que <i>Joy &#8211; O Nome do Sucesso </i>apresenta na sua estrutura e abordagem narrativa riscos muito maiores que os títulos anteriores do diretor.</p>
<figure id="attachment_4403" aria-describedby="caption-attachment-4403" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-4403 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/01/joy-02-620x298.jpg" alt="joy-02" width="620" height="298" /><figcaption id="caption-attachment-4403" class="wp-caption-text">Parceiros habituais: Em seu novo longa, O.Russell volta a trabalhar com antigos colaboradores como Jennifer Lawrence, Bradley Cooper e Robert DeNiro</figcaption></figure>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>&nbsp;</p>
<p>No longa, Jennifer Lawrence, que ganhou o Oscar de melhor atriz com <i>O Lado bom da Vida</i>, dirigido por O. Russell, e também esteve em <i>Trapaça</i>, interpreta Joy, uma jovem mãe de dois filhos divorciada que assume a responsabilidade de dar suporte para a sua grande e complicada família, mas que encontra-se em uma fase da vida na qual faz um balanço a respeito daquilo que ela esperava ser quando se tornasse adulta e a mulher que ela é de fato. Em meio a essa crise pessoal, Joy inventa um utensílio de limpeza doméstica que pode tirar ela e a sua família de alguns problemas financeiros, tornando-se o nome central de um negócio que viria a ser extremamente lucrativo no futuro.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>David O. Russell adorar trazer como centro das suas histórias famílias disfuncionais formadas por diversos personagens, por vezes, reunidos em um mesmo ambiente. O olhar de O.Russell para esses núcleos familiares é sempre muito forte em seus filmes, foi assim em <i>O Vencedor</i>, em <i>O Lado bom da Vida </i>e isso se repete em <i>Joy &#8211; O Nome do Sucesso</i>. Porém, se em dada medida, isso era bem administrado pelo diretor nos outros dois filmes, aqui tudo fica um pouco disperso. Parece muito claro que o filme é de Jennifer Lawrence e do grande feito da sua personagem e são nos momentos em que o realizador centra sua narrativa em Joy que o longa tem os seus melhores momentos. Ao tentar suprir a demanda da apresentação dos familiares da protagonista e suas dinâmicas com ela, tudo fica um tanto quanto disperso, e a centralidade de Joy nesse núcleo disfuncional parece ser &#8220;engolida&#8221; por uma série de personagens que, se parecem interessantes ao próprio filme conferindo um certo humor à história, tem um tempo de cena escasso o suficiente para fazer com que o espectador compreenda muito pouco sobre eles. O caso mais emblemático é o da personagem de Diane Ladd, intérprete da avó de Joy, uma personagem cuja importância é sempre sublinhada pelo longa, mas cujo laço com a protagonista, factualmente, é pouco trabalhado na obra. Quanto aos demais, interpretados por atores do calibre de Robert DeNiro, Virginia Madsen e Édgar Ramirez, tem todos os seus momentos, mas na ânsia de suprir todos eles o diretor acaba não conseguindo desenvolver substancialmente nenhum. Uma pena, pois é através deles e dos seus respectivos laços com Joy que dimensionamos de fato o lugar e a importância dessa personagem nesse núcleo familiar, algo que é dito com frequência ao longo do filme, mas cuja extensão jamais é sentida pelo público.</p>
</div>
<figure id="attachment_4402" aria-describedby="caption-attachment-4402" style="width: 600px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-4402 size-full" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/01/jennifer-lawrence-channels-joy-mangano-in-joy-teaser-trailer.jpg" alt="jennifer-lawrence-channels-joy-mangano-in-joy-teaser-trailer" width="600" height="325" /><figcaption id="caption-attachment-4402" class="wp-caption-text">Estrela: Jennifer Lawrence é a grande atração do filme na pele de Joy</figcaption></figure>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>&nbsp;</p>
<p>Há ainda em <i>Joy &#8211; O Nome do Sucesso </i>o mérito de querer transformar uma história real com mensagens motivacionais e personagens inspiradoras em uma narrativa que fuja dos recursos convencionais a esse tipo de história. Portanto, nada de trilhas grandiloquentes, narrativa linear, muitos picos dramáticos&#8230; O filme de David O. Russell procura se distanciar do lugar comum, o que é particularmente muito bom e interessante. É uma pena que o diretor esgarce sua narrativa a tal ponto que em dado momento fica difícil entender exatamente onde ele quer chegar com a história de Joy. De irretocável mesmo, só a ótima interpretação de Jennifer Lawrence, que se está longe de ter um desempenho tão formidável quanto aquele que a revelou para os holofotes de Hollywood em <i>Inverno da Alma </i>em 2010, pelo menos está magnética e consegue modular com destreza todos os caminhos percorridos por sua personagem ao longo do filme.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Ao querer transformar a trajetória edificante da sua protagonista em um longa que foge da abordagem comumente conferida a narrativas baseadas em fatos reais, David O.Russell acaba transformando o seu filme em uma &#8220;faca de dois gumes&#8221;: Se por um lado é louvável que o diretor proponha um modo diferente de contar um modelo de história com propósitos e caminhos largamente conhecidos pelo grande público, por outro, o resultado não parece plenamente satisfatório, afinal, na ânsia de ser muito mais do que ele é, <i>Joy &#8211; O Nome do Sucesso </i>acaba mostrando-se como um filme de narrativa relativamente frouxa. Um pouquinho mais ousado do que o que o realizador mostrou em filmes como <i>Trapaça</i>, <i>O Lado bom da Vida </i>e <i>O Vencedor</i>, <i>Joy &#8211; O Nome do Sucesso </i>é um filme que percorreu formatos e caminhos interessantes, mas cujo resultado &#8211; que está longe do fiasco cinematográfico, diga-se de passagem &#8211; não chega a impressionar.</p>
</div>
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