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	<title>Arquivos Irene Ravache - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Irene Ravache - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>29º Cine PE: Os enforcados</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 Jun 2025 12:02:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em uma mistura de premissas shakespeareanas, Fernando Coimbra (O Lobo atrás da Porta) utiliza suas referências para falar de amor, corrupção e traição. Em uma trama cheia de jogo de poder, a obra é corajosa ao abordar uma violência crua, principalmente em termos imagéticos. O sangue, a pancadaria, a agressão gráfica também fazem parte da narrativa e são utilizados como propulsores para a afirmação do argumento de que o ser humano é capaz de tudo pelo dinheiro. Ok, não há [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Em uma mistura de premissas shakespeareanas, Fernando Coimbra (<em>O Lobo atrás da Porta</em>) utiliza suas referências para falar de amor, corrupção e traição. Em uma trama cheia de jogo de poder, a obra é corajosa ao abordar uma violência crua, principalmente em termos imagéticos.</p>
<p>O sangue, a pancadaria, a agressão gráfica também fazem parte da narrativa e são utilizados como propulsores para a afirmação do argumento de que o ser humano é capaz de tudo pelo dinheiro.</p>
<p>Ok, não há nada de muito novo nisso, mas aqui essa ganancia é bem explorada, pelo menos, na maior parte do tempo e de elementos. No entanto, alguns signos usados são tão óbvios, que a qualidade do roteiro se esvai um pouco na visualidade do longa.</p>
<p>A insistência do verde e do vermelho cria uma símbolo um tanto óbvio: o dinheiro e o sangue vão mover a trama. As tonalidades estão nos figurinos, nas paredes e nos objetos de cena. Isso é reiterar o que já está presente nas ações práticas do roteiro.</p>
<p>Talvez, se a utilização destes tons fosse mais sutil, a estratégia funcionasse melhor e as temperaturas fossem mais uma sugestão do que qualquer coisa. Neste sentido de obviedades, até a metade da projeção, a história é bastante previsível.</p>
<p>Bom, pelo menos para quem leu ou viu <em>Hamlet</em>, <em>Macbeth</em> ou qualquer uma das principais tragédia de Shakespeare. Está tudo ali, o irmão que mata o outro irmão, os assassinatos pelo poder, o banquete com os corpos dos filhos etc.</p>
<p>A única distinção do dramaturgo europeu para o roteirista brasileiro é que aqui se fala de corrupção no Brasil e os malandros da mafia do jogo do bicho. No entanto, o que faz a obra crescer e elevar sua qualidade é a segunda metade da exibição.</p>
<p>Com todos os elementos das relações entre as personagens estabelecidos — o casal central, a mãe da protagonista, o melhor amigo do antagonista etc. —, o espectador ganha as ferramentas para embarcar no estabelecimento de tensão.</p>
<p>Apesar do início ser óbvio, ele consegue criar uma imersão importante para que o restante da sessão funcione. Isto porque o enredo coloca quem assiste para acompanhar detalhes da vida íntima de Regina (Leandra Leal) e Valério (Irandhir Santos).</p>
<p>Assim, a proximidade e a cumplicidade com a dupla fica estabelecida e , até um dado momento da sessão, protegida por essa espécie de cumplicidade construída por Coimbra, entre consumidor e obra.</p>
<p>Mas, são as reviravoltas da história o ponto alto do longa, porque elas são impactantes e a encenação brinca com a elaboração de suspensão. Coimbra usa a movimentação do elenco e a câmera parada para aumentar a atmosfera de medo, tensão e violência.</p>
<p>Ao lado da mise-en-scène, o longa também possui um desenho de som que fomenta todas estas emoções. Um exemplo é a sequência do primeiro assassinato. Leal está enquadrada e se mexe pelo espaço.</p>
<p>O público segue a sua perspectiva e escuta apenas os ruídos do crime. Esse tipo de escolha da equipe de <em><strong>Os enforcados</strong></em> revela uma consciência de como o sonoro pode impactar muito mais do que mostrar graficamente algo, sobretudo quando combinado com a imagem correta.</p>
<p>Quando quem assiste observa a angustia de Regina (Leal),  a elaboração sobre o processo do ato de violência é imaginado por cada receptor, a partir de suas referências do que é o mais violento. Essa estratégia pode elevar a potencialidade do discurso de um produto audiovisual.</p>
<p>Dentro desta lógica de potencialidades bem exploradas, é preciso destacar o trabalho de Leandra Leal. Ainda que todo elenco esteja coeso e com construções que mostram a consciência de todos sobre contracena, é Leal que mais impressiona.</p>
<p>Através de um trabalho de corpo que mescla um relaxamento ativo com um rosto cheio de tensões, há uma complexidade grande em Regina. E estas camadas estão na interpretação de Leal e no roteiro também.</p>
<p>Regina é fútil, porém nem sempre. Regina é mau caráter, porém nem sempre. Não é inteligente o tempo inteiro, nem burra o tempo inteiro. Ela é uma rede de complexidades, na qual todos ao seu redor, que a subestimam, vão cair.</p>
<p>Desta forma, <strong><em>Os enforcados</em></strong> é, majoritariamente, um bom filme, mas com alguns elementos negativos, que reduzem um pouco de sua qualidade. No entanto, é uma obra que vale a pena de assistir.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><em>Direção</em></strong>: Fernando Coimbra</p>
<p><strong><em>Elenco</em></strong>: Leandra Leal, Irandhir Santos, Irene Ravache</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><iframe title="Os Enforcados | Trailer Oficial" width="1170" height="658" src="https://www.youtube.com/embed/0FAUiuDM6m8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>Crítica: O Clube das Mulheres de Negócio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Dec 2024 18:26:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Anna Muylaert]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Filme]]></category>
		<category><![CDATA[Irene Ravache]]></category>
		<category><![CDATA[Luis Miranda]]></category>
		<category><![CDATA[O Clube das Mulheres de Negócio]]></category>
		<category><![CDATA[Rafael Vitti]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em O Clube das Mulheres de Negócio, Anna Muylaert dirige uma sátira sobre um grupo de mulheres poderosas que se reúne ocasionalmente em um resort construído para isso. Nesse encontro específico, um jovem jornalista e um fotógrafo querem realizar uma matéria com algumas das sócias dessa organização, mas as coisas fogem do controle e uma ameaça externa põe em risco a vida de todos que estão nesse local. O Clube das Mulheres de Negócio funciona como um comentário ácido sobre o [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Em <em><strong>O Clube das Mulheres de Negócio</strong></em>, Anna Muylaert dirige uma sátira sobre um grupo de mulheres poderosas que se reúne ocasionalmente em um resort construído para isso. Nesse encontro específico, um jovem jornalista e um fotógrafo querem realizar uma matéria com algumas das sócias dessa organização, mas as coisas fogem do controle e uma ameaça externa põe em risco a vida de todos que estão nesse local.</p>
<p><em><strong>O Clube das Mulheres de Negócio</strong></em> funciona como um comentário ácido sobre o patriarcado no qual Muylaert inverte os papéis e coloca as personagens femininas como detentoras do poder oprimindo os homens da história. Todas as mulheres da trama são extremamente ricas, vinculadas a áreas como o agronegócio, a indústria de armas, a religião e a política. Em suas relações com o sexo oposto, elas objetificam os homens silenciando esses personagens ou mesmo realizando assédio moral e sexual. A representação masculina da comédia fica por conta sdos atores Rafael Vitti e Luís Miranda, especialmente o primeiro, o jovem herdeiro de uma das ricas da história que escolhe romanticamente uma profissão distante do seu círculo social e é alvo de abordagens inconvenientes pela sua bela aparência.</p>
<p>À primeira vista, a troca de papéis sugerida por Muylaert parece um fator original da história, mas, no fundo, <em><strong>O Clube das Mulheres de Negócio</strong></em> tem uma ideia que só aparenta ser singular. No desenvolvimento, o comentário do longa sobre a lógica de opressão do patriarcado não sai da superfície, apoiando-se no estranhamento primário do público com situações como a &#8220;rainha do gado&#8221; interpretada por Grace Gianoukas escancaradamente assediando o &#8220;foca&#8221; vivido por Rafael Vitti e, posteriormente, este personagem assimilando os efeitos psicológicos desta terrível e traumática experiência.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18984" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-1-5.png" alt="O Clube das Mulheres de Negócio" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-1-5.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-1-5-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-1-5-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Com a sátira de <em><strong>O Clube das Mulheres de Negócio</strong></em>, Anna Muylaert sinaliza como o patriarcado tem mais relação com as estruturas de poder do que com o gênero. O gênero é mais uma questão de quem historicamente consegue ter mais acesso às instâncias de poder. Assim, as mulheres do longa são capazes de cometer os mesmos atos que vemos muitos homens realizarem na realidade fora da tela porque encontram uma realidade que as privilegia. De certa forma, é um ponto de vista didático para quem nega o tópico como um problema social que merece atenção (especialmente homens), mas fica o desejo de que a realidade alternativa criada pela cineasta fosse um pouco além do óbvio.</p>
<p>Há ótimos momentos para o seu talentoso elenco, com três destaques específicos: Grace Gianoukas como a inescrupulosa dona de cabeças de gado Yolanda, conduzindo uma das cenas de maior impacto do filme; Cristina Pereira tem bons diálogos como a presidente do clube Cesárea; e Katiuscia Canoro está completamente delusional como a fêmea alfa armamentista Zarife.</p>
<p>Para um filme que flerta com a subversão de lógicas e com o absurdo das situações, <em><strong>O Clube das Mulheres de Negócio</strong></em> é extremamente contido. Até mesmo o humor é algo que o projeto encontra dificuldade para manejar e isso espanta por falarmos de um filme que flerta desde o primeiro instante com a crítica social e com a construção de uma realidade hipotética. Assim, além de outras faltas, o longa perde a chance de explorar o timing cômico de um elenco com grande experiência no gênero, completando assim o rol de oportunidades perdidas por esta história.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Anna Muylaert</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Rafael Vitti, Luis Miranda, Irene Ravache</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/WDhgFWd9p3Y?si=bjpD3ygyi5nCjNuM" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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