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	<title>Arquivos Humberto Carrão - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Humberto Carrão - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Ainda Estou Aqui</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 Nov 2024 14:35:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ainda Estou Aqui está nos cinemas brasileiros levando multidões para as salas, especialmente depois de todo o hype em cima do filme, por conta das redes sociais e a torcida para que Fernanda Torres seja indicada ao Oscar de Melhor Atriz do próximo ano. Mas será que o filme vale todo esse alvoroço? Não vou aqui criar qualquer tipo de mistério, pois SIM, Ainda Estou Aqui merece toda a atenção que vem recebendo. E não sou eu, mera crítica de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Ainda Estou Aqui</strong> </em>está nos cinemas brasileiros levando multidões para as salas, especialmente depois de todo o hype em cima do filme, por conta das redes sociais e a torcida para que Fernanda Torres seja indicada ao Oscar de Melhor Atriz do próximo ano. Mas será que o filme vale todo esse alvoroço?</p>
<p>Não vou aqui criar qualquer tipo de mistério, pois SIM, <em><strong>Ainda Estou Aqui</strong> </em> merece toda a atenção que vem recebendo. E não sou eu, mera crítica de cinema, que vou te convencer disso. É o próprio filme, desde as primeiras cenas, até a sua conclusão. No Rio de Janeiro dos anos 1970, uma família grande composta por casal e cinco filhos vive normalmente suas vidas, na beira da praia. A dinâmica de normalidade se inverte completamente quando o patriarca, Rubens, é levado por homens que se dizem do governo brasileiro. O longa se passa justamente na ditadura militar.</p>
<p>Desde o início do filme, logo quando falamos da data e o roteiro especifica a situação da ditadura, sabemos os caminhos tortuosos que a história vai levar. E estou falando isso mesmo para o espectador mais desconectado da história de <em><strong>Ainda Estou Aqui</strong></em>, que talvez nem tenha assistido ao trailer. A sensação de que algo vai dar errado é constante desde a primeira cena, mas o filme não tem pressa em chegar nesta parte. E que bom que isso acontece.</p>
<p>Nos conectar com a família Paiva é o que torna o filme tão mais intenso e verdadeiro. À medida que o diretor Walter Salles vai nos apresentando cada personagem, traçando as suas individualidades, ganhamos apreço por todos e sabemos o quanto isso será doloroso lá na frente. E é isso que faz toda a diferença quando falamos de nos conectar com a história, entender seus pormenores e defender todos eles.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18957" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-6.png" alt="Ainda Estou Aqui" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-6.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-6-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-6-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Eunice (Fernanda Torres) é uma mãe de família determinada e participativa. Ainda que seja dona da casa, ela não se restringe a isso. Tem uma relação de parceria com o marido e um romance presente, mesmo após quase 20 anos de casada. Rubens (Selton Mello) é aquele clássico pai dos anos 1970. Fuma, bebe, tem barrigão, é acolhedor, dedicado à família e ao trabalho. Ele é engenheiro e está sempre com projetos em cima da mesa do escritório.</p>
<p>Quando o fatídico dia acontece, o desespero familiar já nos engloba como parte. Rubens é levado pelos homens que se dizem militares e Eunice tem que lidar com o medo da ausência do marido e a tentativa de trazer certa normalidade dentro da casa, especialmente para os filhos menores. O bolo na garganta da personagem se transfere para nós e te afirmo que ele perdura até a última cena. É como se a gente estivesse o tempo todo segurando uma emoção que nos foi proibida de sentir.</p>
<p>Eu poderia discorrer todo tipo de elogio aqui à Fernanda Torres e isso ainda não seria suficiente para expressar o que ela confere à personagem. É como se não houvesse separação de atriz e personagem. As duas são uma só, em uníssono. Todas as nuances emocionais que Eunice vive, Fernanda consegue nos transportar. O desespero pela ausência do marido, o silêncio pela proteção dos filhos, o cuidado em tentar trazer uma normalidade, ainda que a situação não tenha nada de normal. E um outro detalhe tão importante, que só sentimos ao ver <em><strong>Ainda Estou Aqui</strong></em>: além de todo o contexto, estamos falando também de uma história de amor. Um amor sincero que foi interrompido como um nada, num último beijo, sem chance de retorno. Eunice passa a vida sofrendo esse luto em silêncio.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18955" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2-3.png" alt="Ainda Estou Aqui" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2-3.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2-3-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2-3-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Gostaria de dedicar um momento também para enaltecer a caracterização e ambientação do longa que é simplesmente impecável. Ainda que eu não tenha vivido nos anos 1970, fui à sessão com minha mãe que viveu e ficou impressionada com tamanha semelhança com tudo na época. Ela falava que até as cores, o ar, a sensação. Tudo a transportava para aquela época, mostrando o quão acertado e bem estruturado foi o filme.</p>
<p>A necessidade que temos de falar mais da ditadura é urgente, porque aquilo que não é reiterado, pode ser esquecido. Um filme como <em><strong>Ainda Estou Aqui</strong> </em>nos mostra outras facetas. Ele fala sobre a tortura, sobre os direitos cerceados, mas o foco dele é em como as famílias foram individualmente afetadas. Não são apenas números que foram torturados e perderam vidas. São maridos, esposas, pais, mães, filhos, primos, tios, etc. São pessoas reais cujo sumiço afetou toda uma cadeia.</p>
<p>Então, não, não há nada de exagero no hype em cima de <em><strong>Ainda Estou Aqui</strong></em>, porque o filme nos entrega todas as intensidades que a história merece. Se será candidato ao Oscar ou até mesmo se conseguirá alguma estatueta, esse é um mero detalhe. O reconhecimento do longa, em si, já é incrível e merecido. Como Fernanda Torres sabiamente disse: &#8220;para nós, brasileiros, só a indicação já seria uma grande vitória&#8221;. E eu realmente acho que ela vai acontecer.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Walter Salles</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Fernanda Montenegro, Fernanda Torres, Selton Mello, Maeve Jinkings, Humberto Carrão, Carla Ribas, Dan Stulbach, Valentina Herszage</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/qddo7XLa3Tc?si=11RzkgjoujOxltQ7" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Paraíso Perdido</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 May 2018 08:40:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Humberto Carrão]]></category>
		<category><![CDATA[Monique Gardenberg]]></category>
		<category><![CDATA[Paraíso Perdido]]></category>
		<category><![CDATA[Seu Jorge]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Desencontros amorosos, revelações de paternidade, crimes &#8220;passionais&#8221;&#8230; Por trás da história de cada um dos personagens de Paraíso Perdido, mais recente longa de Monique Gardenberg (Benjamim e O Paí, 0) existem sentimentos exacerbados e relações permeadas pelo melodrama. Protagonizado por uma família de artistas da noite, o longa é um grande &#8220;novelão&#8221; embalado pela música brega que compõe o repertório dos seus personagens. Coerente em sua proposta e marcado por uma boa direção, o filme não tem nenhum insight ou brilho na maneira como conduz [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Desencontros amorosos, revelações de paternidade, crimes &#8220;passionais&#8221;&#8230; Por trás da história de cada um dos personagens de <i><b>Paraíso Perdido</b></i>, mais recente longa de Monique Gardenberg (<i>Benjamim </i>e <i>O Paí, 0</i>) existem sentimentos exacerbados e relações permeadas pelo melodrama. Protagonizado por uma família de artistas da noite, o longa é um grande &#8220;novelão&#8221; embalado pela música brega que compõe o repertório dos seus personagens. Coerente em sua proposta e marcado por uma boa direção, o filme não tem nenhum <i>insight </i>ou brilho na maneira como conduz a sua trama dentro do seu gênero, mas também não faz muito feio ao final da sessão com seu grupo de atores competentes e uso harmônico das canções como elemento fundamental para suas tramas.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Em <i>Paraíso Perdido</i> a família de José, personagem de Erasmo Carlos, se realiza no palco da casa de shows que dá título ao filme, Paraíso Perdido. Com uma programação voltada para a música brega, todos se apresentam com performances no palco e vivem na noite as frustrações e desenlaces de histórias de amor mal resolvidas. O estopim para a trama do filme é uma noite na qual o transformista Ima é agredido na rua por <i>pitboys </i>e o policial Odair o salva, sendo contratado por José para ser segurança particular do jovem artista.</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-8954" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2018/05/Paraiso-Perdido_.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p><i>Paraíso Perdido </i>é um filme caracterizado por escolhas conscientes da diretora e roteirista que adequa gêneros como o melodrama e o musical ao cenário por onde aqueles personagens transitam. Parece mais do que natural que todas as figuras que surgem no filme pertençam àquele local e usem as canções populares sobre &#8220;dor de cotovelo&#8221; como forma de se comunicar ou expurgar seus sentimentos. Todos os personagens de <i>Paraíso Perdido</i> são marcados pela passionalidade das suas relações amorosas, por tragédias familiares do passado ou por aquelas que se anunciam em suas vidas, como se tivessem saído de um filme do espanhol Pedro Almodóvar ou dos clássicos de Douglas Sirk, onde qualquer problema de ordem sentimental mereça ser tratado em caráter de urgência .</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>É verdade que o trabalho da diretora Monique Gardenberg acaba permanecendo na zona da coerência não trazendo para <i>Paraíso Perdido </i>nenhuma inventividade na maneira como a história é construída imageticamente. Ao mesmo tempo, o filme, uma típica trama mosaico, sofre inevitavelmente com o caráter descartável de algumas figuras, como o próprio José de Erasmo Carlos que parece existir na história mais como personificação do seu universo (uma espécie de elemento identitário) do que como personagem ou a presidiária Milena de Marjorie Estiano, uma participação avulsa na trama. Todavia, atores como Julio Andrade, Hermila Guedes, Malu Galli, Humberto Carrão, Lee Taylor e a revelação Jaloo, interprete de Ima, estão muito bem em seus respectivos papéis.</p>
</div>
<p><strong>Assista ao trailer:</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/FdCEPDH8JkA" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica (XIII Panorama): O Animal Cordial</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Nov 2017 02:16:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Camila Morgado]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriela Amaral Almeida]]></category>
		<category><![CDATA[Humberto Carrão]]></category>
		<category><![CDATA[Luciana Paes]]></category>
		<category><![CDATA[Murilo Benicio]]></category>
		<category><![CDATA[O Animal Cordial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Todos os dias, Inácio, um aparentemente pacato dono de um pequeno restaurante, engole todo tipo de &#8220;sapo&#8221; durante o trabalho. As queixas dos seus funcionários de um lado, a esposa impaciente ligando a todo instante do outro, toda sorte de clientes que demandam dele um atendimento profissional&#8230; Enfim, o personagem de Murilo Benício no longa de Gabriela Amaral Almeida aparenta ser um sujeito como outro qualquer que controla seus impulsos pelas regras da boa convivência social. Eis que seu estabelecimento [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Todos os dias, Inácio, um aparentemente pacato dono de um pequeno restaurante, engole todo tipo de &#8220;sapo&#8221; durante o trabalho. As queixas dos seus funcionários de um lado, a esposa impaciente ligando a todo instante do outro, toda sorte de clientes que demandam dele um atendimento profissional&#8230; Enfim, o personagem de Murilo Benício no longa de Gabriela Amaral Almeida aparenta ser um sujeito como outro qualquer que controla seus impulsos pelas regras da boa convivência social. Eis que seu estabelecimento é invadido por um grupo de ladrões e tal ato acaba sendo o estopim para Inácio revelar sua verdadeira natureza a todos os presentes, descortinando máscaras sociais que utiliza cotidianamente. Dali em diante, o que se vê em <i>O Animal Cordial </i>é um banho de sangue num misto de influências que bebem desde Quentin Tarantino aos irmãos Joel e Ethan Coen, com a temática da violência, seus protagonistas frios e psicóticos e uma lógica de funcionamento das coisas autofágica, como num delírio ou num sonho bizarro que concretiza os desejos mais secretos dos seus personagens.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><i>O Animal Cordial </i>é ambientado num único espaço, o restaurante de Inácio, lugar escolhido a dedo pela diretora e roteirista da história. O ambiente é catalisador de toda sorte de tensões sociais e interpessoais camufladas e norteado pela impossibilidade da situação ser diluída em outro espaço. Isso faz com que todos os personagens da história sejam inebriados por uma urgência da selvageria como forma de impor respeito e afirmar seu lugar. Do próprio Inácio que, friamente, deseja encontrar o mentor do assalto ao seu restaurante, passando por Sara, funcionária que lhe é &#8220;braço direito&#8221;, o cozinheiro Djair insatisfeito com as condições de trabalho dos seus colegas, chegando até Verônica, uma das clientes do estabelecimento que lá pelas tantas passa por um trauma testemunhado por todos. Aqui, o confinamento e um ato de violência manifestado no isolamento social da noite é o estopim para o estabelecimento de um código de conduta da &#8220;justiça pelas próprias mãos&#8221;, a terra sem lei de um faroeste cujos domínios são demarcados por um autêntico psicopata e cuja salvação parece estar nas mãos de uma personagem com danos psicológicos tão severos quanto os dele.</p>
<p data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-8405" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/11/Humberto-Carrão-1.png" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">É certo que <i>O Animal Cordial </i>é cria de uma geração de cineastas que já se utilizava de um quadro de referências que os antecedia, se revelando como um filme que possui como referências obras que em si já são repletas de citações. Como mencionei, uma típica cria de uma geração de cinéfilos do século XXI. Não há deméritos nisso, mas a trama, suas temáticas e seus aspectos formais podem passar uma sensação de <i>déjà vu</i>.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Dominam no longa o esmero com que a diretora e roteirista observa os pontos de tensão da história, cativando o interesse do espectador sobretudo quando o foco é Inácio e Sara, personagens brilhantemente bem defendidos por Murilo Benício e Luciana Paes. Benício cria em Inácio um sujeito frio, de gestos controlados, que gradualmente demonstra uma insuspeita habilidade para orquestrar os atos bárbaros que tomam conta do seu restaurante, interrogando suspeitos, mantendo-os reféns, se antecipando aos movimentos dos seus oponentes&#8230; O ator tem um desempenho propositalmente comedido ao levar seu personagem para uma zona híbrida e equilibrada de impulsos agressivos  muitas vezes contidos e gestos extremamente calculados. Ao mesmo tempo, Paes traz um dos arcos mais densos e transformadores de <i>O Animal Cordial</i>, dando conta exemplarmente das diversas camadas da sua personagem, sobretudo quando a mesma entra em processo de auto-análise. Assim como Inácio com as demandas do seu próprio restaurante, Sara entra em ponto de ebulição ao lidar com o comportamento dominador do seu chefe, passando a questionar sua submissão quando interpelada pelo colega de trabalho Djair, vivido por Irandhir Santos, que aliás, também está ótimo no filme.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Com diálogos que não necessariamente seguem uma lógica concatenada de fatos, mas que em suas &#8220;esquisitices&#8221; e uma certa dose de sinceridade exibem humor num cenário tão perturbador e sanguinolento, <i>O Animal Cordial </i>é um filme de execução acertada. Pode passar uma sensação de reiteração para muitos ao suceder exemplares que tinham referências semelhantes às suas, obras que possuem um interesse por esse lado obscuro da natureza humana, mas utilizam a ironia e o humor negro como chave de comunicação com o público, funcionando ora como um delírio cinematográfico que instiga espectador, ora como um incisivo relato sobre os meandros conturbados do comportamento humano.</p>
<p data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><strong>Assista ao trailer:</strong></p>
<p style="text-align: center;" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/Onor4LUrT1Q" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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