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	<title>Arquivos Head to Head - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>51º TIFF: Head to head</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 10 Oct 2026 14:34:16 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="font-weight: 400;">Em sua estreia na direção de longas-metragens, a iraniana Ghasideh Golmakani demonstra um domínio em revelar seus pensamentos ideológicos, através de imagens e do argumento do roteiro.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Golmaki amplia as dimensões ficcionais ao trabalhar a metalinguagem. A primeira camada é a do filme que a protagonista, Bahar (Mehrnoosh Satar), dirige. Nele, ela faz um elenco masculino se vestir de mulher e performar atividades ditas como femininas.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">O que Bahar não conta para os intérpretes de sua obra é que ela está fazendo, na verdade, um documentário. Tudo isso, rodando no Irã, que conta com um governo opressor e ditatorial. Nesta lógica, dois longas se formam dentro de um. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Dentro de todas estas dimensões, há uma coesão narrativa que impressiona. Isto porque existe uma pluralidade de intenções internas e externas à obra. As de Bahar e as de Golmaki, que se combinam e aí que está a sacada da produção.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Ao criticar o sistema patriarcal e repressor de seu país, ela utiliza o ódio de Bahar como propulsor da trama. Ao mesmo tempo, diversos homens de perspectivas distintas são seus coadjuvantes. As concordâncias e discordâncias políticas são utilizadas no desenvolvimento destas figuras dramáticas.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Quem são esses atores? Quem é essa mulher que deseja filmar algo tão disruptivo? A personalidade de cada um, principalmente das figuras centrais, é explorada juntamente com as tensões e com o clima de progressiva suspensão.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Além disso, a cineasta se vale da mise-en-scène para fomentar seu discurso. Bahar, na maioria das vezes, está em um lado do plano e todos os homens do outro. Ou, ela está cercada por eles, posicionada um ponto específico da tela</span></p>
<p>Ainda assim o desejo dela prevalece e todas as suas vontades são perseguidas durante a história. Existe um ar de ingenuidade quando um discurso é proferido de forma aberta e direta.</p>
<p>O não dito é sempre mais elegante. No entanto, nem sempre é possível seguir a primazia da finesse, sobretudo quando falamos de povos oprimidos e reprimidos.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Quando as ordens de Bahar sobressaem ao peso contrário, do outro lado da tela, existe a mensagem sutil. Todavia, é preciso, talvez, ser mulher ou bem sensível para captar essa construção da direção geral e de fotografia.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Já os gritos de ordem e revolta, não. Eles são para quem finge que não entende de onde vem tanta dor. Nesse sentido, há um discurso amarrado com as visualidades, que prende a atenção e deixa nítida a tensão que existe dentro do próprio cinema iraniano.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Desta maneira, <em>Head to head</em> é bem sucedido ao utilizar a imagem e os diálogos para defender uma causa, mas com a linguagem cinematográfica a seu favor. Com um roteiro enxuto, direto e redondo, Ghadieh Golmakani entrega um bom resultado.</span></p>
<p><strong>Direção</strong>: Ghasideh Golmakani<br />
<strong>Elenco</strong>: Mehrnoosh Satari, Saeed Naderi, Ebrahim Azizi</p>
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