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	<title>Arquivos Grace de Monaco - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Grace de Monaco - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Nicole Kidman: Uma carreira em 10 atos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Jun 2017 19:23:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Especiais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nesta terça-feira (20), Nicole Kidman está completando 50 anos. No auge da sua maturidade profissional, Kidman segue colhendo os louros da sua poderosa interpretação na minissérie da HBO Big Little Lies e esteve recentemente nos cinemas com Lion: Uma Jornada para Casa, longa que lhe rendeu mais uma indicação ao Oscar. A jornada da australiana, no entanto, não começou agora, claro. Na ativa desde os anos de 1980, Kidman coleciona glórias e derrotas em uma carreira cheia de altos e baixos que a atriz [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Nesta terça-feira (20), Nicole Kidman está completando 50 anos. No auge da sua maturidade profissional, Kidman segue colhendo os louros da sua poderosa interpretação na minissérie da HBO <em>Big Little Lies </em>e esteve recentemente nos cinemas com <em>Lion: Uma Jornada para Casa</em>, longa que lhe rendeu mais uma indicação ao Oscar. A jornada da australiana, no entanto, não começou agora, claro. Na ativa desde os anos de 1980, Kidman coleciona glórias e derrotas em uma carreira cheia de altos e baixos que a atriz administra com igual graciosidade e talento através de escolhas ousadas que desafiam os padrões hollywoodianos até hoje. Aproveitando a ocasião, fizemos um retrospecto da carreira de Nicole em 10 atos que justificam nosso amor por essa diva australiana que por tantos anos nos encanta com suas atuações.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7813" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/06/1980.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p><strong>Ato um: </strong>A carreira na Austrália</p>
<p style="text-align: left;">Quando começou a trabalhar na Austrália, Nicole Kidman tinha por volta dos seus 15 anos de idade. Alta, sardenta e ostentando cachos ruivos que lhe renderam apelidos nada carinhosos nos tempos de escola, Nicole teve seus primeiros passos na televisão australiana com o filme <em>Skin Deep </em>e conseguiu ser apadrinhada por gente graúda, como o diretor George Miller (<em>Mad Max</em>), que começou a escalar a atriz para muitas de suas produções. A ótima relação com Miller rendeu a Nicole duas atuações até hoje celebradas na Austrália: as minisséries <em>Vietnam </em>(1987) e <em>Bangkok Hilton</em> (1989)<i>, </i>produções da Kennedy Miller, produtora do cineasta. Pela primeira, Kidman conseguiu o prêmio de melhor atriz pelo Australian Film Institute na categoria minissérie interpretando uma jovem ativista anti-guerra que se comove com a situação de australianos envolvidos no conflito do Vietnã( 2:55):</p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/Hd1yTu_Gqa4" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7814" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/06/1989.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p><strong>Ato dois: </strong>A chegada em Hollywood</p>
<p>Kidman estrelou uma dúzia de filmes australianos que contribuíram para a construção do seu estrelato local, como <em>Bush Christmas</em>, <em>Bicicletas Voadoras</em>, <em>Archer: O Corcel Lendário </em>e <em>A Dança das Sombras</em>. Porém, não demoraria muito para Hollywood perceber a atriz. A oportunidade veio em 1989 com <em>Terror a Bordo</em>, <em>thriller </em>dirigido pelo australiano Phillip Noyce. No longa, Kidman e Sam Neill interpretam um casal que decidem passar um tempo isolado em alto mar para esquecer uma tragédia familiar e acaba dando de cara com um estranho que teve um problema com seu barco. Diferente das produções australianas anteriormente protagonizadas por Nicole, <em>Terror a Bordo </em>teve um alcance mundial e foi distribuído pela Warner. Assim como <em>Vietnam </em>e <em>Bangkok Hilton</em>, o filme era produzido por George Miller e parecia formatado para catapultar a carreira de Nicole. Ao repercutir nas bilheterias e ter uma ótima aceitação da crítica, Nicole passou a ser chamada para testes em grandes produções hollywoodianas como <em>Ghost: Do Outro Lado da Vida</em>. Sua estreia em Hollywood, no entanto, foi numa participação em <em>Dias de Trovão</em>,<em> </em>de Tony Scott, onde a atriz interpretou uma médica que envolvida amorosamente com o piloto de corridas vivido pelo astro Tom Cruise, com quem se casaria e protagonizaria também <em>Um Sonho Distante</em>, aventura romântica sobre a corrida do ouro nos EUA conduzida por Ron Howard, em 1992.</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7815" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/06/1995.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p><strong>Ato três:</strong> Voos solo</p>
<p>Se desvencilhar do título &#8220;Sra. Tom Cruise&#8221; foi difícil para a atriz. Sua carreira em Hollywood não parecia trazer nem vestígios dos seus primeiros anos na Austrália. Mesmo tendo sido indicada ao Globo de Ouro de melhor atriz coadjuvante pelo longa <em>Billy Bathgate: O Mundo aos seus Pés </em>em 1992, nenhum dos trabalhos de Nicole que seguiram <em>Dias de Trovão </em>pareciam expressivos, como atestam o dramalhão <em>Minha Vida </em>e o suspense <em>Malícia</em>, ambos de 1993. Mesmo <em>Um Sonho Distante</em>, que teve uma relativa repercussão, parecia ser sufocado pelo interesse público na vida íntima de Kidman e seu marido.</p>
<p>As coisas começaram a mudar a partir de 1995. Nicole saiu um pouco da sombra de Cruise e protagonizou dois dos filmes mais emblemáticos de sua carreira. No verão americano, ela esteve em <em>Batman Eternamente</em> interpretando a psiquiatra Dra. Chase Meridian, interesse amoroso do icônico herói da DC Comics. O filme de Joel Schumacher foi uma das dez maiores bilheterias daquele ano e bateu o recorde de melhor abertura de um filme marcado antes por <em>Jurassic Park </em>em 1993. Era o <em>hit </em>que Kidman precisava. Por sua vez, ainda em 1995, a atriz esteve em Cannes com a comédia de humor negro <em>Um Sonho sem Limites</em> do cineasta Gus Van Sant na qual interpretou a ambiciosa repórter de TV Suzanne Stone Maretto, uma interpretação que lhe valeu elogios, prêmios como o Globo de Ouro de melhor atriz em comédia ou musical e o Critic&#8217;s Choice Awards de melhor atriz e rumores de uma primeira indicação ao Oscar, que, para a decepção de muitos, não ocorreu.</p>
<p>O longa marcou a estreia dos jovens Joaquin Phoenix e Casey Affleck e acaba de ser lançado pela primeira vez em DVD no Brasil pela distribuidora Obras-Primas. Entre as cenas mais memoráveis da atriz no longa está um monólogo de abertura que nos dá pistas da natureza doentia da personagem e da sua obsessão pela fama a qualquer preço:</p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/DC88UajiTnM" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7816" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/06/7d34c803e054cf01fe0beb0d473b7a04-Copia.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p><strong>Ato quatro: </strong>Kubrick, Um mentor</p>
<p>Após <em>Um Sonho sem Limites</em>, muitos esperavam que Kidman tomasse as rédeas da sua carreira. Em 1996, a australiana protagonizou enfim um longa da sua amiga Jane Campion, o drama de época <em>Retratos de uma Mulher</em>, baseado no romance homônimo de Henry James, e obteve elogios por sua atuação ao lado de John Malkovich como uma jovem que se vê enredada em uma relação abusiva com um mau caráter. Ao filme de Campion, seguiram títulos mais comerciais como <em>O Pacificador</em> e <em>Da Magia à Sedução</em>, nos quais Nicole dividia a tela com George Clooney e Sandra Bullock, respectivamente. Contudo, parecia que Nicole abria mão de certos projetos para se dedicar mesmo ao seu casamento a à criação dos dois filhos que adotara com Cruise, Isabella e Connor.</p>
<p>Tudo mudaria quando o casal decidiu participar de um projeto do cultuado cineasta Stanley Kubrick, <em>De Olhos bem Fechados. </em>Inspirado no romance <em>Traumnovelle</em> de Arthur Schnitzler, o longa contava a história de um homem que após uma discussão com sua esposa empreendia uma jornada de descoberta sexual em Nova York. Dois anos intensos de convivência com Kubrick nos sets de <em>De Olhos bem Fechados </em>renderam a Nicole uma relação muito próxima com o cineasta e sua família. Até hoje, Kidman repercute as palavras e conselhos de Kubrick dados na ocasião das filmagens do drama, &#8220;Proteja seu talento, invista nele, escolha os autores&#8221;, relembra a atriz. Essas ideias acabaram influenciando de fato aquilo que Nicole Kidman buscou para si em sua carreira e traz consigo uma relação de devoção e entrega da atriz com seus diretores que se repete em outros projetos.</p>
<p><em>De Olhos bem Fechados </em>foi o último trabalho de Stanley Kubrick nos cinemas. Em 1999, quando saiu  para divulgar o filme, Nicole não conseguia esconder a emoção ao falar do amigo Kubrick (5:38):</p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/rjmFQfQH2QM" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7817" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/06/2001.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p><strong>Ato cinco: </strong>Kidmania</p>
<p>2001 foi um ano tumultuado na vida da atriz. Na vida pessoal, Kidman estava passando pelo divórcio e por toda sorte de exposição advinda dele. Porém, no primeiro ano do século XXI, a atriz desabrochou aos olhares do mundo. Em Cannes, Nicole apresentava <em>Moulin Rouge</em>, renascimento dos musicais conduzido pelo australiano Baz Luhrmann ambientado na virada do século XX (mais pertinente e simbólico que isso, impossível!) protagonizado por uma cortesã da famosa casa de shows parisiense e um aspirante a escritor interpretado por Ewan McGregor. <em>Moulin Rouge </em>trazia em sua trilha uma compilação de <em>hits </em>popularizados nas versões de Nirvana, David Bowie, Madonna e Elton John interpretados pelo elenco do filme. Inegavelmente, <em>Moulin Rouge </em>é o trabalho que imortaliza Nicole Kidman nas telas e nada pode ser mais emblemático sobre o ícone que surgia aos nossos olhos do que a entrada de sua Satine no Moulin Rouge cantando &#8220;Diamonds are a girl&#8217;s best friend&#8221;:</p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/a1REfTIc5po" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Como se não bastasse o sucesso de <em>Moulin Rouge</em>, Kidman ainda lançaria em 2001 o suspense <em>Os Outros</em>, de Alejandro Amenábar. No filme, Nicole interpreta uma mulher à espera do retorno do seu marido da guerra enquanto cuida dos seus dois filhos doentes. Tal qual <em>Moulin Rouge</em>, <em>Os Outros </em>caiu nas graças do público e da crítica. Nicole estava em todas as capas de revista e manchetes de jornais como o nome de Hollywood em 2001, acenando a chegada de sua primeira indicação ao Oscar de melhor atriz com <em>Moulin Rouge</em>. Na época, ficou notória a sua primeira grande entrevista para o apresentador David Letterman no <em>Late Show </em>no qual Nicole teve sim que falar do divórcio, mas também abordava o ótimo momento da sua carreira e como o público estava acolhendo-a:</p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/iFJvzlm8adQ" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7818" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/06/2003.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p><strong>Ato seis:</strong> O Oscar</p>
<p>Dividindo a tela com Meryl Streep e Julianne Moore, Nicole Kidman conseguiu o Oscar de melhor atriz pelo filme <em>As Horas</em>, do diretor inglês Stephen Saldry, interpretando a escritora Virginia Woolf. Baseado no romance homônimo de Michael Cunningham, o longa intercala um dia na vida de três mulheres atravessadas pelo romance <em>Sra. Dalloway</em>: a escritora do livro Virginia Woolf (Nicole), única personagem que de fato existiu fora da ficção; a dona de casa Laura Brown (Moore); a editora de livros Clarissa Vaughn (Streep). O longa até hoje é bastante cultuado, sobretudo na comunidade LGBT, e não só rendeu 9 indicações ao Oscar, como também um prêmio de melhor atriz coletivo para suas  três protagonistas no Festival de Berlim. Sozinha, Nicole levou o prêmio de melhor atriz em drama no Globo de Ouro (o terceiro da sua carreira) e de melhor atriz no Bafta.</p>
<p>No Oscar, Kidman enfrentou a concorrência de Renée Zellweger (<em>Chicago</em>), Julianne Moore (<em>Longe do Paraíso</em>), Salma Hayek (<em>Frida</em>) e Diane Lane (<em>Infidelidade</em>). Para viver Virginia, Nicole sofreu uma drástica transformação física, o que incluia uma prótese de nariz para ficar mais próxima da aparência da escritora. A transformação gerou inclusive uma piada do ator Denzel Washington que entregou o prêmio da Academia para a atriz. Na ocasião, os EUA invadia o Afeganistão pós-11 de setembro e a cerimônia foi marcada por alguns discursos de cunho político (Michael Moore ganhou o prêmio de melhor documentário por <em>Fahrenheit</em> 9/11)<em>.</em> Nicole fez um desses discursos e falava sobre a importância da arte em tempos sombrios como aquele que o mundo vivia:</p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/D0FWFQpnZ54" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7837" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/06/article-2580156-1C43661400000578-384_634x450.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p><strong>Ato sete:</strong> S<em>tar quality</em> nos seus próprios termos</p>
<p>Com<strong>  </strong>Hollywood a seus pés e um Oscar em suas mãos, Kidman poderia trilhar os caminhos das suas colegas e ficar satisfeita com mega contratos para produções de grande orçamento ou aspirar ser a nova &#8220;queridinha da América&#8221; em comédias românticas. Pós-Oscar, contudo, Kidman se comprometeu com <em>Reencarnação </em>de Jonathan Glazer, um drama difícil e só redescoberto pela cinefilia anos depois de seu lançamento. Nele a australiana interpretava uma viúva que acreditava piamente que um garoto de 10 anos era a reencarnação do seu falecido marido. Movida pelo mesmo desejo de procurar os &#8220;autores&#8221;, um ano antes, após o sucesso de <em>Os Outros </em>e <em>Moulin Rouge</em>, Kidman foi para a Europa filmar <em>Dogville</em> de Lars von Trier, drama sobre uma mulher explorada por uma comunidade rural no interior dos EUA filmado em um galpão com um cenário formado apenas por marcações de giz no chão.</p>
<p>Nicole, contudo, nunca deixou de buscar produções mais populares como a adaptação cinematográfica da série de TV <em>A Feiticeira</em>, filmes que exploravam seu <em>status </em>de diva das telas como <em>Cold Mountain</em>,  <em>Austrália </em>e <em>Nine</em> ou aceitar cachês milionários como os US$ 17 milhões por <em>Invasores. </em>Porém, a atriz alternava essas escolhas com trabalhos de cineastas cultuados ou que haviam acabado de ser descobertos pela crítica como <em>A Pele</em>, por exemplo, cinebiografia da fotógrafa Diane Arbus conduzida Steven Shainberg, diretor de <em>Secretária</em>.</p>
<p>Assim, Kidman firmava algo que já se desenhava em 1995, quando ofereceu ao público <em>Batman Eternamente</em>, mas também <em>Um Sonho sem Limites. </em>Isso<em> </em>se repetia em seu momento pós-Oscar. No ano de 2007, Nicole esteve nos cinemas com o <em>blockbuster </em><em>A Bússola de Ouro (foto), </em>mas também no <em>indie </em><em>Margot e o Casamento</em>, de Noah Baumbach, ao lado de Jennifer Jason Leigh e Jack Black.</p>
<p>Uma matéria recente do Buzz Feed aborda essa política traçada por Kidman em sua carreira e mostra como ao mesmo tempo em que esse caminho parece um &#8220;mundo ideal&#8221; na concepção de uma trajetória profissional, trouxe percalços para Nicole. Ao trafegar pelas duas frentes, a atriz parecia não conseguir ser uma figura pública popular o suficiente tal qual contemporâneas como Cameron Diaz ou Julia Roberts e também sofrer um certo desdém do circuito independente que a via como uma estrela intocável de Hollywood. <a href="https://www.buzzfeed.com/annehelenpetersen/quantas-vezes-mais-nicole-kidman-vai-precisar-prov?utm_term=.xxkm855g3#.iedGOvvqm">Leia a matéria completa aqui.</a></p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7820" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/06/2010.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p><strong>Ato oito: </strong>Blossom Films</p>
<p>Aos 40, Kidman passava por uma escassez de projetos típica de toda atriz em sua faixa etária. Se preparando para a maturidade, a australiana fez o que muitos atores costumam fazer, abriu a sua própria produtora de cinema. Junto com o sócio Peer Sari, Nicole fundou a Blossom Films para que, entre outras coisas, pudesse levar à frente projetos nos quais desejasse atuar. O primeiro deles foi o drama de baixo orçamento (US$ 5 milhões) <em>Reencontrando a Felicidade</em>, adaptação cinematográfica da peça <em>A Toca do Coelho </em>da David Lindsay-Abaire que havia rendido um Tony de melhor atriz para Cynthia Nixon. O projeto fora roteirizado pelo próprio dramaturgo e contava a história de um casal lidando com a recente morte do único filho.</p>
<p>Inicialmente, o filme seria dirigido por Sam Raimi, da primeira trilogia <em>Homem-Aranha</em>, mas a atriz acabou oferecendo a condução para John Cameron Mitchell, do cultuado musical <em>indie </em><em>Hedwig</em>. O longa estreou no Festival de Toronto em 2010 com muitos elogios para a interpretação de Nicole e acabou lhe rendendo muitas indicações naquela temporada de prêmios do cinema. A cereja no bolo foi a terceira indicação ao Oscar na carreira da atriz. Durante as entrevistas no tapete vermelho, Kidman enfatizava como aquela indicação tinha um &#8220;sabor&#8221; especial pois se tratava de um projeto que partiu da sua iniciativa:</p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/dVkOpYYvs0U" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Durante um tempo, Kidman esteve com <em>A Garota Dinamarquesa </em>em suas mãos e interpretaria o papel que acabou sendo vivido pelo ator Eddie Redmayne nos cinemas, a transsexual Lili Elbe. Ela atuaria ao lado de Charlize Theron e seria dirigida por Tomas Alfredson (<em>Deixe Ela Entrar</em>). A Blossom Films teve que ceder os direitos do longa pela dificuldade de financiar o projeto. A segunda produção da Blossom Films foi <em>Desafiando a Arte</em>, um longa dirigido e protagonizado por Jason Bateman, que também contava com Nicole em seu elenco. O filme teve uma ótima aceitação da crítica, mas enfrentou dificuldades no mercado exibidor, tendo sido visto por pouquíssima gente. No Brasil, chegou diretamente em DVD. Vale a pena ser assistido, inclusive, l<a href="http://coisadecinefilo.com.br/dvdblu-ray-desafiando-a-arte/">eia nossa crítica sobre o longa aqui.</a></p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7838" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/06/450749894.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p><strong>Ato nove: </strong>Administrando o fracasso</p>
<p>Em 2012, apesar de dividir críticos com o polêmico <em>Obsessão </em>de Lee Daniels, Nicole Kidman foi elogiada em Cannes e recebeu indicações ao Globo de Ouro e ao SAG pelo papel da ninfomaníaca (&#8220;Barbie californiana&#8221;, segundo um crítico do The Guardian) que vivia um triângulo amoroso com Zac Efron e John Cusack. Naquele mesmo ano, Kidman era indicada aos mesmos prêmios e recebia sua primeira indicação ao Emmy pelo telefilme da HBO <em>Hemingway e Gelhorn</em>, que contava o relacionamento tumultuado entre o escritor Ernest Hemingway (interpretado por Clive Owen) e a correspondente de guerra Martha Gelhorn. Um ano depois, a atriz estrelou <em>Segredos de Sangue</em>, primeiro e único filme nos EUA do sul-coreano Park Chan-wook (<em>Oldboy</em>). O filme buscava inspirações em <em>A Sombra de uma Dúvida </em>de Hitchcock e Nicole interpretava uma viúva cuja relação com a filha adolescente era tumultuada a partir da chegada do tio da jovem.</p>
<p>Kidman seguia apostando na diversidade e nos riscos de seus papéis e projetos. Para se ter uma ideia, a australiana saiu dos sets de <em>Obsessão </em>e <em>Segredos de Sangue, </em>onde viveu personagens sombrios em produções conduzidas por diretores com personalidades muito fortes, para entrar no universo sofisticado da realeza de Mônaco interpretando Grace Kelly na biografia <em>Grace de Mônaco</em>, longa do francês Olivier Dahan (<em>Piaf: Um Hino ao Amor</em>). O filme foi ridicularizado no Festival de Cannes em 2014, saindo de lá como a pior abertura da história do festival, foi rejeitado pela família real de Mônaco e protagonizou machetes com direito a trocas de ofensas entre o roteirista Arash Amel, o diretor Olivier Dahan e o produtor Harvey Weinstein a respeito da responsabilidade pelo resultado final. Com o profissionalismo que lhe é peculiar, Kidman promoveu o projeto o quanto pôde. Prova disso é que em 2016, após ter sido lançado diretamente para a TV pela Lifetime, a atriz foi indicada ao SAG e seguiu falando com naturalidade sobre a sua Grace Kelly e os problemas que envolveram o contexto de recepção da biografia:</p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/-d6U_pfw5hI" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7822" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/06/91b55b2c-025f-11e7-87c7-5947ba54d240.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p><strong>Ato 10: </strong>Renascença?</p>
<p>Ao final do episódio <em>You Get</em> What<em> You Need </em>de <em>Big Little Lies</em>, o <em>Twitter </em>foi tomado por inúmeros <em>posts </em>que se mostravam surpresos e impressionados com o alcance da interpretação de Nicole Kidman como Celeste Wright, advogada que abdica da carreira pelo casamento. Nicole é uma das pontas centrais de <em>Big Little Lies</em>, minissérie dirigida por Jean-Marc Vallée (<em>Livre </em>e <em>Clube de Compras Dallas</em>) e escrita pelo lendário David E. Kelley <em>(Ally</em> <em>McBeal</em>)<em>.</em> Para a atriz, que há anos não fazia um trabalho tão intenso para a TV, a experiência foi nova, sobretudo por acompanhar a repercussão semana-a-semana dos episódios da série nos lugares onde ia e nas redes sociais. Kidman repercutira a experiência no programa da apresentadora Ellen DeGeneres:</p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/IsZRgiQQi9c" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Meses antes, Kidman havia recebido sua terceira indicação ao Oscar pelo filme <em>Lion: Uma Jornada para Casa</em>, de Garth Davis, a primeira da sua carreira como atriz coadjuvante. Um pouco mais adiante no tempo, em abril, o Festival de Cannes anuncia a sua seleção de títulos a serem exibidos e na lista nada menos do que quatro projetos com o nome de Nicole no elenco: <em>O Estranho que Nós Amamos</em>, de Sofia Coppola; <em>The Killing of a Sacred Deer, </em>de Yorgos Lanthimos (<em>O Lagosta</em>); a segunda temporada da série <em>Top of the Lake</em>, de Jane Campion; e <em>How to talk to girls at Parties, </em>de John Cameron Mitchell. Em cada um deles, Nicole vive um papel diferente: a diretora de uma casa para garotas durante os tempos de guerra civil nos EUA, a esposa de um médico, uma feminista e uma punk. Nos quatro, Kidman recebeu muitos elogios por suas performances e saiu do festival com um prêmio comemorativo pela 80ª edição do evento. Na coletiva de <em>The Killing of a Sacred Deer</em><em>, </em>Nicole tentou dimensionar para os jornalistas essa fase tão produtiva:</p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/ZEdyz1TZDdg" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Estaríamos vivendo o que muitos têm chamado de renascença da carreira de Nicole Kidman ou sua redescoberta pelo grande público.  Essa &#8220;renascença&#8221; não chega a ser uma surpresa para quem a acompanha há anos. Talvez a proporção que tenha assumido seja surpreendente, mas Nicole conseguiu isso fazendo exatamente as escolhas corajosas que sempre fez ao longo de sua trajetória, ou seja, sendo coerente com seu &#8220;modo Nicole Kidman de administrar o estrelato&#8221;.  É, contudo, uma fase emblemática pois coincide com a chegada dos seus 50 anos, uma fase que costuma ser vista como uma etapa crítica na trajetória de qualquer atriz, afinal, Hollywood segue machista e o cinema americano é um lugar nada amistoso para mulheres na casa dos 50 anos. Ao receber um prêmio da revista Glamour, no entanto, Nicole dá o seu recado, ela está só começando!</p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/uUrBDnZOv_s" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Confira também o especial que fizemos ano passado <a href="http://coisadecinefilo.com.br/nicole-kidman-10-filmes-com-a-atriz/">clicando aqui.</a></p>
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		<title>Estreias da semana: 29 de outubro a 04 de novembro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Oct 2015 15:07:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Estreias]]></category>
		<category><![CDATA[Grace de Monaco]]></category>
		<category><![CDATA[O Último Caçador de Bruxas]]></category>
		<category><![CDATA[Os 33]]></category>
		<category><![CDATA[Straight Outta Compton - A História do N.W.A.]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Três histórias baseadas em eventos reais chegam às salas de cinema de todo o país. Em Os 33, Antonio Banderas e Rodrigo Santoro, ao lado de Juliette Binoche, trazem para o público o resgate dos mineiros que foram soterrados no Chile em 2010. O polêmico e inúmeras vezes adiado no Brasil Grace de Mônaco traz a vencedora do Oscar Nicole Kidman na pele do ícone hollywoodiano Grace Kelly no momento em que ela se transformou na princesa de Mônaco. Já Straight Outta Compton &#8211; [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Três histórias baseadas em eventos reais chegam às salas de cinema de todo o país. Em <strong><em>Os 33</em></strong>, Antonio Banderas e Rodrigo Santoro, ao lado de Juliette Binoche, trazem para o público o resgate dos mineiros que foram soterrados no Chile em 2010. O polêmico e inúmeras vezes adiado no Brasil <strong><em>Grace de Mônaco </em></strong>traz a vencedora do Oscar Nicole Kidman na pele do ícone hollywoodiano Grace Kelly no momento em que ela se transformou na princesa de Mônaco. Já <em><strong>Straight Outta Compton &#8211; A História do N.W.A. </strong></em>conta a origem do movimento gangsta rap nos EUA. Encerrando os destaques com uma fantasia, Vin Diesel caça bruxas em <strong><em>O Último Caçador de Bruxas</em></strong>. Confira detalhes das estreias abaixo:</p>
<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/10/banderas.jpg"><img decoding="async" class="aligncenter size-medium wp-image-3892" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/10/banderas-620x319.jpg" alt="banderas" width="620" height="319" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Os 33</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Dir.:</strong> Patricia Riggen</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Elenco:</strong> Antonio Banderas, Rodrigo Santoro, Juliette Binoche</p>
<p>Baseado no resgate de 33 mineiros soterrados no Chile em 2010, o filme narra os fatos a partir de duas perspectivas paralelas: a dos mineiros liderados por Mário Sepúlveda, vivido por Antonio Banderas; e do Ministro de Energia Laurence Golborne, papel do brasileiro Rodrigo Santoro.</p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/PQLyth7_9js" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/10/cena-de-grace-de-monaco-1445977424061_956x500.jpg"><img decoding="async" class="aligncenter size-medium wp-image-3893" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/10/cena-de-grace-de-monaco-1445977424061_956x500-620x324.jpg" alt="cena-de-grace-de-monaco-1445977424061_956x500" width="620" height="324" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Grace de Mônaco</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Dir.: </strong>Olivier Dahan</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Elenco:</strong> Nicole Kidman, Tim Roth, Paz Vega, Frank Langella</p>
<p>O longa traz o período de adaptação do ícone de Hollywood Grace Kelly no principado de Mônaco a partir do momento em que ela abandona a carreira de atriz para se tornar princesa e assumir uma série de obrigações. Em meio a esta transição, Kelly recebeu uma oferta tentadora para estrelar mais um filme de Alfred Hitchcock e Mônaco vive uma crise política em suas relações diplomáticas com o governo francês. Já temos uma crítica para o filme no site, <a href="http://coisadecinefilo.com.br/critica-grace-de-monaco/">clique aqui</a> para ler.</p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/EHBsK43uEVs" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/10/hunkvfrjsaspuueuo9oty7yuzx728wlp2xduu5wkmrr8fuivgdxiklb70vv2ezwq.jpg"><img decoding="async" class="aligncenter size-medium wp-image-3894" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/10/hunkvfrjsaspuueuo9oty7yuzx728wlp2xduu5wkmrr8fuivgdxiklb70vv2ezwq-620x346.jpg" alt="hunkvfrjsaspuueuo9oty7yuzx728wlp2xduu5wkmrr8fuivgdxiklb70vv2ezwq" width="620" height="346" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Straight Outta Compton &#8211; A História do N.W.A.</strong></p>
<p style="text-align: center;"><b>Dir.: </b>F. Gary Gray</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Elenco:</strong> O&#8217;Shea Jackson Jr., Corey Hawkins, Jason Mitchell</p>
<p>Ambientado na década de 1980, o filme conta a história por trás do surgimento do movimento N.W.A. (Niggaz Wit Attitudes)  que fez explodir o gangsta rap na música americana, através de músicas que relatavam vivências pessoais dos artistas e atuavam como uma postura rebelde contra o sistema. O filme foi um verdadeiro fenômeno de bilheteria nos EUA, figurando na primeira posição por semanas seguidas.</p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/Ax5jPdnU79E" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/10/witch-hunter.jpg"><img decoding="async" class="aligncenter size-medium wp-image-3895" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/10/witch-hunter-620x324.jpg" alt="witch-hunter" width="620" height="324" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><strong>O Último Caçador de Bruxas</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Dir.:</strong> Breck Eisner</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Elenco:</strong> Vin Diesel, Elijah Wood, Rose Leslie</p>
<p style="text-align: left;">Um caçador de bruxas amaldiçoado com a vida eterna  tem que caçar uma das maiores feiticeiras ao lado de uma jovem aprendiz da magia. O objetivo dos dois é impedir que o clã formado por esta poderosa bruxa espalhe uma praga ameaçadora na humanidade.</p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/2z22iwnfEU0" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Grace de Mônaco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Oct 2015 23:50:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Arash Amel]]></category>
		<category><![CDATA[Festival de Cannes]]></category>
		<category><![CDATA[Frank Langella]]></category>
		<category><![CDATA[Grace de Monaco]]></category>
		<category><![CDATA[Grace Kelly]]></category>
		<category><![CDATA[Harvey Weinstein]]></category>
		<category><![CDATA[Nicole Kidman]]></category>
		<category><![CDATA[Olivier Dahan]]></category>
		<category><![CDATA[Parker Posey]]></category>
		<category><![CDATA[Paz Vega]]></category>
		<category><![CDATA[Tim Roth]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Grace de Mônaco será o tipo de filme que sempre trará lembranças amargas para os envolvidos, mas que será difícil de esquecer por um bom tempo. É o tipo de projeto que fica para a história do cinema não pelo seu resultado final, mas pelos inúmeros problemas de bastidor que trouxe à tona. Escolhido para abrir as atividades do Festival de Cannes de 2014, Grace de Mônaco chegava aos cinemas no calor da febre por cinebiografias de estrelas de Hollywood [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_3884" aria-describedby="caption-attachment-3884" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/10/grace-de-monaco-cannes-2014-4.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-3884 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/10/grace-of-monaco-11-620x365.jpg" alt="grace-of-monaco-11" width="620" height="365" /></a><figcaption id="caption-attachment-3884" class="wp-caption-text">Dor de cabeça: Bastidores de Grace de Mônaco foram problemáticos do início ao fim</figcaption></figure>
<p class="separator">
<p class="separator"><i>Grace de Mônaco </i>será o tipo de filme que sempre trará lembranças amargas para os envolvidos, mas que será difícil de esquecer por um bom tempo. É o tipo de projeto que fica para a história do cinema não pelo seu resultado final, mas pelos inúmeros problemas de bastidor que trouxe à tona. Escolhido para abrir as atividades do Festival de Cannes de 2014, <i>Grace de Mônaco </i>chegava aos cinemas no calor da febre por cinebiografias de estrelas de Hollywood e realezas europeias contando parte da trajetória de Grace Kelly, um ícone que reunia em sua imagem esses dois fascinantes universos para o grande público. Teríamos um outro ícone por trás desta história, a atriz Nicole Kidman dando vida a sua protagonista, além dela, o diretor Olivier Dahan, que a despeito do fracasso de <i>Minha Canção de Amor </i>tinha sido bem-sucedido no retrato de Edith Piaf em <i>Piaf &#8211; Um Hino ao Amor</i>, e a distribuição norte-americana de um verdadeiro Midas, o produtor Harvey Weinstein, conhecido por realizar campanhas muito eficientes dos seus filmes para o Oscar e que comprou os direitos do projeto antes mesmo de vê-lo completamente realizado. <i>Grace de Mônaco </i>tinha como proposta contar o período em que Grace Kelly, após largar sua carreira em Hollywood, se viu tentada a retornar ao cinema mas decidiu permanecer ao lado do marido, o príncipe Rainier, e enfrentar as dificuldades da sua nova vida como princesa de Mônaco.</p>
<p class="separator">Antes de chegar a Cannes, os primeiros atritos de <i>backstage </i>em <i>Grace de Mônaco </i>chegaram ao público. Filmado em 2013, o filme sofreu uma grande pressão de Harvey Weinstein que desejava que Olivier Dahan terminasse a sua montagem no final daquele mesmo ano para que o filme pudesse ter chances nas premiações do início de 2014. Dahan não conseguiu terminar o seu trabalho a tempo e Weinstein anunciou o lançamento do longa para o primeiro semestre de 2014, um pesadelo para qualquer título que tenha pretensões de angariar indicações a prêmios como o Oscar ou o Globo de Ouro (poucos títulos de começo do ano são lembrados pela Academia cujo processo de votação começa somente no final do segundo semestre). Começaram a surgir nos veículos especializados informações que indicavam que Dahan e Weinstein discordavam sobre a versão final de <i>Grace de Mônaco</i> a ponto do diretor afirmar que existiriam duas versões do filme, a dele, distribuída na Europa, e a do produtor, a versão norte-americana que o realizador não reconheceria.</p>
<figure id="attachment_3883" aria-describedby="caption-attachment-3883" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/10/grace-de-monaco-cannes-2014-4.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-3883 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/10/grace-de-monaco-cannes-2014-4-620x349.jpg" alt="grace-de-monaco-cannes-2014-4" width="620" height="349" /></a><figcaption id="caption-attachment-3883" class="wp-caption-text">Trajetória paradoxal: Filme foi considerado a pior abertura do Festival de Cannes. Nos EUA, foi direto para a TV e acabou sendo indicado ao Emmy de melhor filme ou minissérie.</figcaption></figure>
<p class="separator">
<p class="separator">Abrindo o Festival de Cannes, o longa acabou gerando críticas que o consideravam como uma das aberturas mais infelizes da história do evento. Além disso, os Grimaldi reprovaram a maneira como o longa retratava o relacionamento de Grace Kelly e Rainier, considerando as tensões do casamento fantasiosas e até ofensivas. Acontece que os problemas não pararam na riviera francesa&#8230; Após a exibição do filme no festival, o roteirista Arash Amel se manifestou em seu twitter pessoal e disse não reconhecer na versão de Olivier Dahan o seu roteiro, o que foi muito estranho já que desde o início da produção de <i>Grace de Mônaco</i> ele relatava ao público no mesmo perfil o quanto estava animado com o andamento do projeto.</p>
<p class="separator">A estreia de <i>Grace de Mônaco </i>nos EUA ficou indefinida, o filme era arrastado demais para ser inserido na temporada de <i>blockbusters </i>de verão, tampouco parecia ser um candidato ao Oscar, ficando Harvey Weinstein com a difícil missão de encontrar uma data para fazer o <i>debut </i>do seu elefante branco. A solução encontrada pelo produtor foi negociar a sua exibição no canal de TV Lifetime (Sim! De abertura do festival de cinema de maior visibilidade do mundo, o longa foi para uma emissora conhecida por produzir telefilmes biográficos de gosto extremamente duvidoso). Assim, <i>Grace de Mônaco </i>estreou em maio de 2015 nos EUA, diretamente na TV, com uma versão redusidíssima de uma hora e dez minutos de duração. Durante a exibição, o roteirista Arash Amel comentou cada cena em seu twitter pessoal em posts irônicos que só foram gentis com os atores e Harvey Weinstein. Amel declarou coisas do tipo: &#8220;Eu escrevi uma biografia no estilo Peter Morgan (<i>A Rainha</i>) que se transformou em um melodrama de Douglas Sirk&#8221; ou &#8220;Em suma, &#8216;Grace of Monaco&#8217; foi como ir ao Vietnã. Eu sobrevivi a isso, mas nunca esquecerei&#8221;. O imbróglio parou por ai? Não. Quando todos pensaram que o assunto havia morrido (sim, porque <i>Grace de Mônaco </i>virou uma espécie de zumbi da indústria cinematográfica dos últimos anos), eis que o Emmy, popular premiação da televisão norte-americana, indica o longa na categoria melhor minissérie ou filme de TV, encerrando sua carreira (???) com um paradoxo.</p>
<figure id="attachment_3885" aria-describedby="caption-attachment-3885" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/10/grace-of-monaco-img01.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-3885 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/10/grace-of-monaco-img01-620x343.jpg" alt="grace-of-monaco-img01" width="620" height="343" /></a><figcaption id="caption-attachment-3885" class="wp-caption-text">Ficção e realidade: Longa abre determinadas licenças poéticas na biografia de Grace Kelly, algumas até são exageradas. A ida de Hitchcock a Mônaco é uma dessas licenças. O diretor teria entrado em contato com Kelly através de um breve telefonema.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>O filme</strong></p>
<p class="separator">É claro que nenhum dessas informações sobre os bastidores de <i>Grace de Mônaco </i>devem servir como desculpa para redimi-lo em qualquer avaliação. A obra merece ser julgada pelo que se apresenta ao público e o longa é um equívoco do início ao fim sem maiores desculpas. No entanto, no caso de <i>Grace de Mônaco </i>a culpa do grande &#8220;abacaxi&#8221; recaiu no colo da sua protagonista Nicole Kidman, que injustamente recebe rotineiramente a alcunha de &#8220;produtora de bombas cinematográficas&#8221;.</p>
<p class="separator">Antes de adentrar em mais este parênteses, queria deixar claro que, a despeito de ser grande admirador do trabalho da atriz, e isso nunca escondi de ninguém, reconheço os grandes erros da sua carreira e a acredito saber reconhecê-los, entre eles bobagens como <i>Reféns </i>e <i>Esposa de Mentirinha</i>. Acontece que, em meio a enxurrada de críticas negativas a <i>Grace de Mônaco </i>, surgiram os rotineiros comentários depreciativos a aparência da atriz, que me parecem mais próximos de manifestações de um certo &#8220;espírito de porco&#8221; do que um juízo sobre a obra, afinal as plásticas de Nicole nunca a impediram de oferecer algumas das melhores interpretações da sua carreira em trabalhos recentes como <i>Reencontrando a Felicidade</i>, <i>Margot e o Casamento</i>, <i>Obsessão</i>, <i>Hemingway e Gellhorn, </i><i>Segredos de Sangue </i>e nos recentes e ainda inéditos no Brasil <i>Strangerland </i>e <i>The Family Fang</i>, sem falar no seu recente sucesso de crítica nos palcos londrinos <i>Photograph 51. </i>Em nenhum dos textos que avaliam os trabalhos que citei a aparência da atriz é usada como argumento, mas quando surge alguma &#8220;bomba&#8221; em sua carreira, pode ter certeza que o maldito botox será usado como muleta da crítica.</p>
<p class="separator">Nas palavras da própria Kidman em recente entrevista para a revista <i>Interview</i>, &#8220;Como ator, você não tem controle sobre o resultado final. [&#8230;] a gente aparece, participa do filme e depois vai embora.&#8221;. Em <i>Grace de Mônaco, </i>a performance de Kidman, que não é o ponto alto da sua carreira, é bem verdade, não é a principal responsável pelo fiasco do filme. Ainda que percebamos um evidente erro de escalação, talvez uma atriz mais nova se encaixasse melhor no papel de uma Grace Kelly por volta dos seus 30 e 40 anos, Kidman faz o melhor que pode com aquilo que lhe é dado. O grande problema de <i>Grace de Mônaco </i>está justamente no tom que Olivier Dahan e Arash Amel, que não assumem a culpa do fracasso, deram ao longa ( aproveito para reforçar que não há razão para o roteirista sair de &#8220;bonzinho&#8221; nessa história toda).</p>
<p class="separator"><i>Grace de Mônaco </i>usa como recurso narrativo um tom artificialmente melodramático que não está apenas na maneira como Olivier Dahan enquadra as situações narradas ou quando ele utiliza uma aborrecida e grandiloquente trilha sonora nos momentos de maior impacto da trama, mas também pela costura que Amel faz da sua visão particular sobre a vida de Grace Kelly, explorando com dramaticidade excessiva questões completamente banais e concebendo diálogos rasos que giram em torno de relacionamentos amorosos, família e toda sorte de especulação sobre a vida íntima dos Grimaldi. O grande problema de <i>Grace de Mônaco</i>, deixo bem claro,<i> </i>não é flertar com o melodrama, que, como qualquer gênero, é capaz de gerar obras boas ou ruins, mas utilizá-lo de maneira desastrada e com total ineficiência.</p>
<figure id="attachment_3886" aria-describedby="caption-attachment-3886" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-3886 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/10/GraceOfMonaco_800f-620x357.jpg" alt="GraceOfMonaco_800f" width="620" height="357" /><figcaption id="caption-attachment-3886" class="wp-caption-text">Responsabilidade: Culpa do fracasso de Grace de Mônaco não pode ser atribuída ao desempenho de Nicole Kidman, mas sim aos rumos da direção e do roteiro do projeto.</figcaption></figure>
<p class="separator">
<p class="separator">O filme é responsável por um desserviço a quem de fato queira conhecer a história da família real de Mônaco, já que muito pouco do que é mostrado em <i>Grace de Mônaco </i>de fato ocorreu. O que os realizadores do longa fazem é utilizar algumas informações sobre os seus biografados e carregar  um pouco na tinta nos seus dramas. Assim, diante de questões como o complicado relacionamento de Grace Kelly com o seu pai, a dificuldade de adaptação da atriz a sua vida de princesa e as tensas relações políticas entre o governo francês e Mônaco, Dahan e Amel conferem uma excessiva gravidade e fazem a sua versão fantasiosa desses fatos, preenchendo-os de elementos que não passam de especulações. Por vezes, <i>Grace de Mônaco </i>parece funcionar como uma espécie de fábrica de boatos que envolve até mesmo a caracterização de Rainier como um homem que oscila entre a insegurança e um excessivo ímpeto de controlar o espírito independente da sua esposa americana. Ao final, o que temos não é necessariamente um filme sobre parte da vida da Grace Kelly, mas de uma Grace Kelly inventada cujos dramas e motivações soam artificiais ou banais e o espectador pouco se importa com o que vê na tela, apenas espera ansiosamente por toda aquela ornamentação acabar (sim, porque se o filme tem alguma qualidade está em recursos como figurinos e direção de arte). A excessiva liberdade criativa que os realizadores tiveram com os Grimaldi (sim, porque tal qual um tablóide, <i>Grace de Mônaco </i>chega a faltar com ética em alguns momentos) não é eficiente nem mesmo para criar motivações e conflitos críveis a sua protagonista. Em nenhum momento o espectador sai com respostas sólidas a principal questão que surge ao longo do filme: Por que tanto drama? Qual a razão desses personagens estarem com os nervos à flor da pele?</p>
<p class="separator">Entre erros por todos os lados, afirmar que o longa prima por figurinos e direção de arte deslumbrantes seria oferecer migalhas a um filme cujo resultado é bem insatisfatório. Nem mesmo o desempenho de atores como Nicole Kidman (que já mencionamos parágrafos atrás), Tim Roth, Paz Vega e Parker Posey podem ser muito exaltados já que eles têm muito pouco material para trabalhar, tendo em vista que seus personagens são desenvolvidos de maneira confusa em seus propósitos e motivações. Portanto, se nem as interpretações animam, não é por culpa dos atores. Talvez Frank Langella saia levemente ileso na pele de Tucker, grande confidente de Grace Kelly no longa.</p>
<p class="separator">Em meio à guerra pública que se transformou <i>Grace de Mônaco</i>, na qual os envolvidos diretamente na obra não assumem a culpa pelo &#8220;filho&#8221; concebido, ninguém é inocente. O diretor Olivier Dahan demonstrou ser um realizador controlador e intransigente, incapaz de dar ouvidos aos seus colaboradores. O roteirista Arash Amel, que mostrou-se realizado com os caminhos da produção, pulou covardemente para fora do &#8220;barco&#8221; no momento em que ele estava afundando. Já Harvey Weinstein e sua gana por prêmios foi imprudente ao comprar os direitos de um filme, do qual não participou em seu estágio embrionário, a partir de um clipe de pouquíssimos minutos exibido em Cannes no ano de 2013. A mítica protagonista de bombas cinematográficas em série Nicole Kidman também tem sua parcela de culpa, não por ter oferecido um trabalho mal feito, mas por ainda aceitar impulsivamente fazer parte de um filme como <i>Grace de Mônaco</i>. Não que atrizes, sobretudo na sua faixa etária, tenham de fato um poder de escolha na indústria do cinema, poucas têm as cartas nas mãos como Meryl Streep &#8211; dependem muito mais daquilo que lhes é oferecido e quando você encontra uma jovem como Anne Hathaway dizendo que tem encontrado dificuldades de achar papéis interessantes na sua idade é porque as coisas andam mesmo complicadas -, mas já está na hora de Kidman dizer alguns &#8220;nãos&#8221; para alguns &#8220;abacaxis&#8221; como esse.</p>
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		<item>
		<title>Para o bem ou para o mal, os destaques do 67º Festival de Cannes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 May 2014 13:30:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Especiais]]></category>
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		<category><![CDATA[Xavier Dolan]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Com o anúncio dos vencedores, o Festival de Cannes encerrou  suas atividades no último domingo (25). O saldo das inúmeras sessões, coletivas e burburinhos de bastidores podem ser resumidos na seleção de destaques do evento que o nosso site fez. Entre filmes, interpretações e possíveis concorrentes em algumas das premiações do próximo ano (entre elas, o Oscar), há também os projetos mais conturbados e que tiveram uma recepção não tão amistosa assim no festival. Confira abaixo o que foi dito [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Com o anúncio dos vencedores, o Festival de Cannes encerrou  suas atividades no último domingo (25). O saldo das inúmeras sessões, coletivas e burburinhos de bastidores podem ser resumidos na seleção de destaques do evento que o nosso site fez. Entre filmes, interpretações e possíveis concorrentes em algumas das premiações do próximo ano (entre elas, o Oscar), há também os projetos mais conturbados e que tiveram uma recepção não tão amistosa assim no festival. Confira abaixo o que foi dito sobre o que e sobre quem em Cannes esse ano:</p>
<figure id="attachment_1020" aria-describedby="caption-attachment-1020" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/wintersleep.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1020 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/wintersleep-620x349.jpg" alt="wintersleep" width="620" height="349" /></a><figcaption id="caption-attachment-1020" class="wp-caption-text">Drama turco: Longa do diretor de &#8220;3 Macacos&#8221; leva a Palma de Ouro ao contar história sobre relacionamentos despedaçados.</figcaption></figure>
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<p><strong>O vencedor da Palma de Ouro,<em> Winter Sleep</em></strong></p>
<p>O longa turco de Nuri Bilge Ceylan (<em>3 Macacos</em>) foi o vencedor da Palma de Ouro. O filme traz a história de um ator aposentado que administra um hotel junto com sua esposa e sua irmã. Subitamente, ele decide que deixará tudo e todos para trás. Antes do anúncio de sua vitória como melhor filme pela presidente do júri do festival, a diretora Jane Campion (<em>O Piano</em>), a produção ainda recebeu o prêmio da Federação Internacional de Críticos que, em comunicado oficial, disse que o longa &#8220;surpreende e encanta com sua profunda busca pela alma humana&#8221;.</p>
<figure id="attachment_1021" aria-describedby="caption-attachment-1021" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/mommy-xavier-dolan-cannes-2014_980x571.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1021 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/mommy-xavier-dolan-cannes-2014_980x571-620x361.jpg" alt="mommy-xavier-dolan-cannes-2014_980x571" width="620" height="361" /></a><figcaption id="caption-attachment-1021" class="wp-caption-text">&#8220;Enfant terrible&#8221;: Canadense Xavier Dolan causou incomodo ao se anunciar como favorito a Palma de Ouro por &#8220;Mommy&#8221;.</figcaption></figure>
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<p><strong><em>Mommy </em>e o ego de Xavier Dolan</strong></p>
<p>Algumas bolsas de apostas davam como certa a vitória de <em>Mommy</em>, do canadense Xavier Dolan (<em>Eu matei a minha mãe</em>), no festival. O filme traz a história de uma mãe solteira e viúva que cria sozinha o seu filho, um garoto muito violento, e acaba conhecendo um vizinho misterioso que muda o rumo das suas vidas. O longa não saiu com a Palma de Ouro, mas venceu o Grande Prêmio do Júri ao lado do filme de Godard. Como sempre, o que acabou chamando a atenção dos veículos que cobriram o festival e trouxeram destaque a <em>Mommy </em>foi o comportamento do seu realizador. Xavier Dolan afirmou para alguns jornais que acreditava que receberia a Palma de Ouro por esse filme, o que foi interpretado como arrogância por muitos críticos.</p>
<figure id="attachment_1022" aria-describedby="caption-attachment-1022" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/528f55f4addcc1.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1022 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/528f55f4addcc1-620x321.jpg" alt="528f55f4addcc" width="620" height="321" /></a><figcaption id="caption-attachment-1022" class="wp-caption-text">Potenciais candidatas ao Oscar? Julianne Moore, Marion Cotillard e Hilary Swank têm interpretações elogiadas no festival.</figcaption></figure>
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<p><strong> O ano das mulheres</strong></p>
<p>Com poucas diretoras em competição pela Palma de Ouro, os espectadores  e críticos do festival foram surpreendidos com uma enxurrada de longas protagonizados por mulheres. A competição pelo prêmio de melhor atriz foi acirrada e os trabalhos de Marion Cotillard em <em>Deux jours, une nuit </em>, dos irmãos Dardenne, e de Hilary Swank em <em>The Homesman</em>, de Tommy Lee Jones, só para citar alguns, foram muito elogiados. No final das contas, a vitória foi de Julianne Moore em <em>Maps to the Stars</em>, de David Cronenberg. Provavelmente, ainda ouviremos falar muito desses desempenhos até a próxima temporada do Oscar.</p>
<figure id="attachment_1029" aria-describedby="caption-attachment-1029" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/grace-of-monaco-festival-cannes-2014-950x500.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1029 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/grace-of-monaco-festival-cannes-2014-950x500-620x326.jpg" alt="grace-of-monaco-festival-cannes-2014-950x500" width="620" height="326" /></a><figcaption id="caption-attachment-1029" class="wp-caption-text">Chumbo para todo lado: Nicole Kidman teve que lidar com a péssima repercussão da sua Grace Kelly.</figcaption></figure>
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<p><strong>Nicole Kidman exposta com<em> Grace de Monaco</em></strong></p>
<p>Uma das piores aberturas de Cannes. Uma ofensa a família Grimaldi que repudiou o projeto desde o início.  Tudo isso foi dito de <em>Grace de Monaco</em>, longa que acompanha alguns meses na vida de Grace Kelly na época em que ela abandonou Hollywood e se casou com o príncipe Rainier de Monaco. A crítica foi impiedosa com o filme do francês Olivier Dahan (<em>Piaf &#8211; Um Hino ao Amor</em>), contestando a veracidade de determinados fatos narrados e ironizando o tom de conto de fadas da trama. Nicole Kidman esteve no fogo cruzado e saiu elegante dele. A australiana está mais do que acostumada com esse tipo de reação, afinal estar exposta a críticas com projetos arriscados é uma constante em sua carreira. Em alguns casos, ela se sai bem. Em outros, como esse, não. Fica para a próxima, Nic.</p>
<figure id="attachment_1031" aria-describedby="caption-attachment-1031" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/Adieu-Au-Langage-Screens-2.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1031 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/Adieu-Au-Langage-Screens-2-620x355.jpg" alt="Adieu-Au-Langage-Screens-2" width="620" height="355" /></a><figcaption id="caption-attachment-1031" class="wp-caption-text">Selo de qualidade: Drama simples de Godard cativou seu público habitual.</figcaption></figure>
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<p><strong>Mais uma vez Godard<em><br />
</em></strong></p>
<p>Novo filme do veterano da <em>Nouvelle Vague</em>, Jean-Luc-Godard, <em>Adieu au Langage </em>foi recebido com emoção pelas plateias que conferiram as sessões marcadas para a obra. No entanto, como se trata de um trabalho de Godard, fica difícil saber se o longa corresponde à exaltação ou se ela é fruto da própria trajetória do cineasta, um dos mais reverenciados em seu nicho. Em todo caso, o longa recebeu o prêmio do Júri. E Godard, que não estava presente na divulgação do projeto no festival, enviou uma mensagem a todos por vídeo anunciando o filme como &#8220;o melhor da sua carreira&#8221;. O longa conta a história de uma mulher casada que começa a se relacionar com um outro homem e vive em meio a encontros e desencontros com esse amante.</p>
<figure id="attachment_1024" aria-describedby="caption-attachment-1024" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/foxcatcher.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1024 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/foxcatcher-620x327.jpg" alt="FOXCATCHER" width="620" height="327" /></a><figcaption id="caption-attachment-1024" class="wp-caption-text">Drama esportivo: Bennett Miller consegue boa repercussão em seu terceiro filme consecutivo. Interpretação de Steve Carell é o carro-chefe de &#8220;Foxcatcher&#8221;.</figcaption></figure>
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<p><strong>Bennett Miller e <em>Foxcatcher</em></strong></p>
<p>Tido pela imprensa como o primeiro sério candidato ao próximo Oscar, <em>Foxcatcher </em>rendeu ao seu diretor Bennett Miller (<em>Capote </em>e <em>O Homem que Mudou o Jogo</em>) o prêmio de melhor diretor no festival e uma série de elogios a performance de seu trio de atores Chaning Tatum, Mark Ruffalo e Steve Carell, esse último (irreconhecível com uma prótese no nariz), pode ser favorito a ator coadjuvante em algumas premiações. O filme conta o relacionamento do atleta de luta greco romana Mark Schultz (Chaning Tatum) com seu treinador John Du Pont (Carell) e seu irmão David Schultz (Ruffalo).</p>
<figure id="attachment_1025" aria-describedby="caption-attachment-1025" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/lost_river_hendricks-sm.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1025 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/lost_river_hendricks-sm-620x328.jpg" alt="lost_river_hendricks-sm" width="620" height="328" /></a><figcaption id="caption-attachment-1025" class="wp-caption-text">Mundo estranho: &#8220;Lost River&#8221; de Ryan Gosling gerou as tradicionais vaias do festival.</figcaption></figure>
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<p><strong>As reações mistas a <em>Lost River</em>, de Ryan Gosling</strong></p>
<p>O <em>debut </em>do ator Ryan Gosling como diretor deixou impressões dúbias em Cannes. Algumas pessoas gostaram, mas houve até quem vaiasse o primeiro filme dirigido e roteirizado pelo ator, o bizarro <em>Lost River</em>. Tanto que a Warner, distribuidora que comprou os direitos do longa nos EUA antes mesmo dele ficar pronto, já teme pela sua carreira nos cinemas norte-americanos. Foi recomendado a Gosling fazer alguns cortes e o novato acatou. O filme acompanha a história de uma <em>stripper </em>(a atriz Christina Hendricks) que vai atrás do seu filho em um mundo paralelo ao que conhecemos.</p>
<figure id="attachment_1027" aria-describedby="caption-attachment-1027" style="width: 585px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/DIYS2.jpeg"><img decoding="async" class="wp-image-1027 size-full" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/DIYS2.jpeg" alt="DIYS2" width="585" height="300" /></a><figcaption id="caption-attachment-1027" class="wp-caption-text">Mais uma vez, Jessica: Romance protagonizado por Jessica Chastain coloca a atriz na linha de frente da estratégia de Harvey Weinstein para o próximo Oscar.</figcaption></figure>
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<p><strong>A comédia romântica por Jessica Chastain e James McAvoy</strong></p>
<p>Dividido em duas partes, <em>The Disappearance of Eleanor Rigby </em>traz a história da separação de um casal pela perspectiva dele (filme um) e dela (filme dois). O longa de Ned Benson esteve no último Festival de Toronto e arrancou aplausos, no Festival de Cannes então conquistou o aval definitivo da crítica para a empreitada. Tanto que, o &#8220;Midas&#8221; da temporada de premiações, Harvey Weinstein já está preparando suas armas para divulgar o projeto entre os membros da Academia de Hollywood, sobretudo pelo carro chefe da produção, a interpretação de Jessica Chastain, cada vez mais onipresente na produção cinematográfica atual. O longa foi considerado um frescor para um gênero extremamente banalizado pela indústria e subestimado pelo público, a comédia romântica.</p>
<figure id="attachment_1026" aria-describedby="caption-attachment-1026" style="width: 597px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/O-cineasta-Wim-Wenders-e-o-fotografo-Sebastiao-Salgado-em-cena-do-documentario-O-Sal-da-Terra-size-598.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1026 size-full" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/O-cineasta-Wim-Wenders-e-o-fotografo-Sebastiao-Salgado-em-cena-do-documentario-O-Sal-da-Terra-size-598.jpg" alt="O-cineasta-Wim-Wenders-e-o-fotografo-Sebastiao-Salgado-em-cena-do-documentario-O-Sal-da-Terra--size-598" width="597" height="336" /></a><figcaption id="caption-attachment-1026" class="wp-caption-text">O legado de Sebastião Salgado: Documentário co-dirigido por Wim Wenders foi um dos filmes mais comentados da mostra paralela &#8220;Un Certain Regard&#8221;.</figcaption></figure>
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<p><strong>Um brasileiro pela perspectiva de Wim Wenders</strong></p>
<p>O olhar do diretor alemão para o trabalho do fotógrafo Sebastião Salgado em <em>The Salt of the Earth</em> (ou <em>O Sal da Terra</em>) foi consagrado na mostra <em>Un Certain Regard</em>. Com  co-direção do filho de Salgado, Juliano Ribeiro Salgado, o documentário foi um dos destaques da seleção em meio a muitas ficções. A produção conseguiu ótimas críticas e deve fazer uma belíssima carreira em muitas praças de exibição mundo afora, incluindo o Brasil.</p>
<figure id="attachment_1023" aria-describedby="caption-attachment-1023" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-1023 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/Timothy-Spall-in-Mr-Turne-010-620x348.jpg" alt="Timothy Spall in Mr Turner" width="620" height="348" /><figcaption id="caption-attachment-1023" class="wp-caption-text">Biografia inglesa: &#8220;Mr. Turner&#8221; de Mike Leigh rendeu o prêmio de melhor ator a Timothy Spall.</figcaption></figure>
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<p><strong>A tradição inglesa de Mike Leigh</strong></p>
<p>Quando Mike Leigh (<em>O Segredo de Vera Drake</em>) chega em Cannes, sempre é apontado como um dos potenciais pontos altos do festival. Seu novo trabalho, a biografia <em>Mr. Turner</em>, narra a trajetória do excêntrico pintor inglês J.M.W. Turner, vivido por Timothy Spall, que, não por acaso, levou o título de melhor interpretação masculina dessa edição do evento. Além do roteiro (uma qualidade constante nos filmes de Leigh), o longa foi enaltecido por seu primor técnico. Pode fazer uma bela carreira nos EUA.</p>
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