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	<title>Arquivos François Ozon - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos François Ozon - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Quando Chega o Outono</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Apr 2025 19:56:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Quando Chega o Outono é um filme no qual François Ozon coloca sob suspeita a boa fé dos seus personagens principais. Há anos, Michelle Giraud vive longe de Paris em uma casa de campo no interior da França. A relação entre ela e a filha Valérie não é das melhores e isso fica evidente para o espectador quando a moça está de passagem pela casa de Michelle com o filho e acaba sofrendo uma intoxicação pelos cogumelos servidos pela protagonista [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Quando Chega o Outono</em></strong> é um filme no qual François Ozon coloca sob suspeita a boa fé dos seus personagens principais. Há anos, Michelle Giraud vive longe de Paris em uma casa de campo no interior da França. A relação entre ela e a filha Valérie não é das melhores e isso fica evidente para o espectador quando a moça está de passagem pela casa de Michelle com o filho e acaba sofrendo uma intoxicação pelos cogumelos servidos pela protagonista durante um almoço. Desde então, a relação entre mãe e filha que já não era boa fica ainda pior.</p>
<p>Paralelamente à conturbada relação com a única filha, Michelle tem uma certa afeição por Vincent, um rapaz, filho da sua melhor amiga. Vincent não tem bons precedentes e é visto com desconfiança por muitos, inclusive por Valérie, em razão de ter cumprido uma pena na prisão. Apesar de tudo, o rapaz consegue refazer sua vida e abrir um bar graças a ajuda de Michelle. Em retribuição a todo esse suporte dado pela amiga da mãe, Vincent tenta intermediar a relação entre Michelle e a filha Valérie, mas as coisas acabam tomando um rumo inesperado.</p>
<p><strong><em>Quando Chega o Outono</em></strong> é um filme no qual  François Ozon faz questão de deixar lacunas na sua trama. É difícil para o espectador ter um juízo definitivo sobre as intenções dos seus personagens principais. A vida pregressa de Michelle e Vincent acaba sendo inserida no roteiro de Ozon para o cineasta provocar o público e seus personagens, sinalizando como nossos preconceitos são capazes de preencher lacunas narrativas quando não temos certezas sobre as coisas. Assim, em <strong><em>Quando Chega o Outono</em></strong>, Ozon é capaz de construir duas histórias diametralmente opostas: de um lado, uma trama de conspirações e assassinatos dissimulados e, do outro, a possibilidade da tragédia engendrada pelo mero acaso, evidenciando como é difícil reconstruir uma imagem diante de decisões do passado que maculam reputações.</p>
<p>Aparentemente, o cineasta François Ozon acaba não deixando muito claras suas respostas ao final de <strong><em>Quando Chega o Outono</em></strong>. O mistério em torno de uma morte que mobiliza parte considerável das ações do filme leva o espectador a elaborar o tempo todo uma trama na qual Michelle é responsável por um ato vil com a ajuda de Vincent. Ozon leva o espectador a essa confabulação e o passado desses personagens é determinante para que o cineasta consiga esse efeito, provocando o juízo do público: até que ponto estamos imunes aos nossos preconceitos na presunção que fazemos de histórias que sequer conhecemos a fundo? Nesse sentido, não existe zona cinzenta nas lacunas que preenchemos na narrativa, ou os protagonistas (Michelle e Vincent) são figuras maquiavélicas ou são vítimas do acaso, quando no final das contas eles podem muito bem ser um pouco de ambos.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-19319" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-3-1.png" alt="Quando Chega o Outono" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-3-1.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-3-1-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-3-1-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O ponto-chave da dualidade intencional com a qual Ozon desenvolve seus personagens em <strong><em>Quando Chega o Outono </em></strong>é esse esforço deliberado do cineasta de dar a todos eles o benefício da dúvida ao invés de uma sentença definitiva. No final das contas, o novo projeto do cineasta é sobre a dúvida e como, fora a nossa própria vivência, não temos total domínio do que existe por trás dos mistérios em torno das situações que nos são apresentadas.</p>
<p>A dúvida põe um holofote no direito que Ozon dá a seus personagens de serem humanos, capazes de virtudes, mas também de faltas graves. É fascinante como ele sinaliza isso desde o princípio com o sermão do padre sobre Maria Madalena na Igreja. Michelle pode ter de fato sido uma péssima mãe no passado e sua filha pode ter razões para odiá-la ou talvez ela está apenas sendo preconceituosa com a mãe, inserindo Valérie também no território da dubiedade. Vincent pode ser um sujeito violento e dissimulado, mas também um rapaz que está buscando uma segunda oportunidade fora da cadeia. A relação entre Michelle e Vincent pode esconder vínculos soturnos ou eles podem ter empatia um pelo outro, a ponto de Michelle até ser omissa e fechar os olhos para algumas ações do rapaz. Nada é muito óbvio na resolução do emaranhado de mistérios de <strong><em>Quando Chega o Outono</em></strong> e toda sentença parece precipitada porque assim acaba sendo a vida até que tenhamos uma prova cabal da culpabilidade de algo e isso François Ozon não entrega no seu roteiro, tirando do cineasta e do público essa posição plena de onisciência.</p>
<p>As possibilidades de interpretação são inúmeras e é impressionante como Ozon costura esse roteiro para que ele consiga permanecer em uma zona de completa nebulosidade. O filme também consegue um bom resultado nesse sentido porque o elenco consegue conferir a esses personagens essa dubiedade nos perfis psicológicos traçados. Nesse quesito, o trabalho de Hélène Vincent merece destaque na construção da protagonista Michelle, encarada pelo público como uma assassina dissimulada ou como uma mulher buscando a todo custo fazer as pazes com o passado e falhando nesse intento por conta de tragédias que tomam conta da sua vida.</p>
<p>Em <strong><em>Quando Chega o Outono</em></strong>, François Ozon encarrega o público da resolução do mistério de sua trama, uma função que, no modelo clássico (e, por vezes, preguiçoso e excessivamente didático) seria da detetive vivida aqui pela atriz Sophie Guillemin. Como nos seus melhores filmes e de forma potencializada, François Ozon destaca a importância da postura ativa do espectador cinematográfico, colocando o debate como ponto fundamental para fazer a experiência espectatorial de <em>Quando Chega o Outono</em> extremamente estimulante e satisfatória.</p>
<p><strong>Direção:</strong> François Ozon</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Hélène Vincent, Josiane Balasko, Ludivine Sagnier</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/UmtgV0zrYXM?si=qxKqO2EjoD-VgiFQ" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: O Crime é Meu</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Jul 2023 22:30:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O Crime é Meu é mais um longa do ótimo diretor François Ozon, responsável por excelentes obras como Dentro da Casa (2013), Jovem e Bela (2013) e Graças a Deus (2019). Baseado na peça Mon Crime, de Georges Berr e Louis Verneuil, o filme é uma dramédia que conta a história da jovem Madeleine (Nadia Tereszkiewicz, Babysitter), uma pobre atriz dos anos 1930 que foi acusada pelo assassinato de um produtor famoso. Ao invés de tentar sair da situação e [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>O Crime é Meu</em> </strong>é mais um longa do ótimo diretor François Ozon, responsável por excelentes obras como <em>Dentro da Casa</em> (2013), <em>Jovem e Bela</em> (2013) e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-gracas-a-deus-festival-varilux-de-cinema-frances/"><em>Graças a Deus</em></a> (2019). Baseado na peça <em>Mon Crime</em>, de Georges Berr e Louis Verneuil, o filme é uma dramédia que conta a história da jovem Madeleine (Nadia Tereszkiewicz, <em>Babysitter</em>), uma pobre atriz dos anos 1930 que foi acusada pelo assassinato de um produtor famoso. Ao invés de tentar sair da situação e provar que não teve participação, ela resolve assumir a culpa e acaba se dando muito bem com isso.</p>
<p>A parceria feminina que ela estabelece com a advogada e melhor amiga Pauline (Rebecca Marder, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-encontros/"><em>Encontros</em></a>) a leva à absolvição do caso. A partir daí, sua vida muda completamente. Ela sai do ostracismo para a fama em pouquíssimo tempo e começa a se aproveitar da circunstância para finalmente mudar sua realidade. O problema é que a verdade ameaça bater na porta a todo momento, colocando em perigo essa nova vida de deleite que ela começou a experimentar.</p>
<p>Tudo torna-se muito irônico nesta história e o diretor faz excelente uso destes artifícios para criar um cenário bem caricato da França daquela década. Com toques importantes e assertivos de humor, o filme passeia pela borda sem pecar pelo excesso, o que o levaria a se tornar mais uma comédia sem grandes argumentos.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-16902" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/4183937.jpg" alt="O Crime é Meu" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/4183937.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/4183937-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/4183937-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/4183937-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A dualidade do que é certo ou errado, mentira ou verdade, faz com que o espectador vá se envolvendo com a trama a todo momento e se divertindo com suas protagonistas cativantes. Afinal, se a sociedade machista oprime tanto a mulher, é realmente maravilhoso vê-las tirando proveito de qualquer circunstância que se apresente.</p>
<p>Temos ainda a participação impagável de Isabelle Huppert (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-sra-harris-vai-a-paris/"><em>Sra. Harris vai a Paris</em></a>) que interpreta a atriz famosa do passado que foi esquecida e quer tirar uma casquinha deste sucesso que o crime permitiu. As suas multifacetas sempre rendem personagens interessantíssimos.</p>
<p><em><strong>O Crime é Meu</strong></em> é uma obra divertida que traz, com leveza, diversas pautas femininas que são importantes ainda nos dias de hoje (e o serão por um bom tempo ainda). Ozon faz escolhas inteligentes do uso de flashback que só acrescentam a trama. A ambientação, fotografia e figurinos são impecáveis, compondo ainda mais a história do roteiro como um todo. Ainda que tenham alguns percalços no caminho, o resultado do filme é bastante positivo.</p>
<p><strong>Direção:</strong> François Ozon</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Nadia Tereszkiewicz, Rebecca Marder, Isabelle Huppert, Dany Boon, Fabrice Luchini, André Dussollier, Édouard Sulpice, Félix Lefebvre</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/aLpEoNpohAw" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Está Tudo Bem</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Jun 2022 21:29:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em Está tudo bem, François Ozon (Graças a Deus) aposta no drama familiar para contar a história de duas irmãs que se veem diante do inevitável, a despedida da figura paterna que está prestes a morrer. Emmanuèle (Sophie Marceau) e Pascale (Géraldine Pilhas) são surpreendidas por um AVC de André (André Dussollier) e sua internação reverbera em uma série de outros problemas de saúde. Diante do quadro, o patriarca pede a Emmanuèle que proceda a eutanásia. É nesse momento que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Em <em><strong>Está tudo bem</strong></em>, François Ozon (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-gracas-a-deus-festival-varilux-de-cinema-frances/"><em>Graças a Deus</em></a>) aposta no drama familiar para contar a história de duas irmãs que se veem diante do inevitável, a despedida da figura paterna que está prestes a morrer. Emmanuèle (Sophie Marceau) e Pascale (Géraldine Pilhas) são surpreendidas por um AVC de André (André Dussollier) e sua internação reverbera em uma série de outros problemas de saúde. Diante do quadro, o patriarca pede a Emmanuèle que proceda a eutanásia. É nesse momento que a personagem se vê em uma encruzilhada, traçando todo um inventário da tumultuada relação com o pai.</p>
<p>O longa de Ozon aposta naquilo que não está na tela para tecer a psicologia de personagens que aparentemente não têm muito conflito a resolver. Na verdade, <strong><em>Está tudo bem</em> </strong>acompanha mais um processo de amadurecimento de resoluções do passado do que propriamente uma jornada convencional de superação de obstáculos. O diretor e roteirista examina toda a trajetória que leva Emmanuèle ao ponto em que se encontra no filme. Nesse sentido, Ozon traz uma história sobre o tempo e como ele é capaz de contornar desavenças e mágoas, fazendo &#8220;ficar tudo bem&#8221; a despeito dos problemas que a vida inevitavelmente coloca na nossa frente.</p>
<p>Apesar de amar André, Emmanuèle sempre teve uma relação complicada com o pai, marcada pela separação nada amistosa dele com sua mãe, participação de Charlotte Rampling, e pelo bullying que praticava com a garota por conta da sua aparência e dos seus hábitos alimentares. Em dado momento do filme, Emmanuèle confessa ter passado por situações em que desejou a morte do pai. No entanto, apesar das turbulências do passado, o que se vê na maturidade da personagem é uma forte cumplicidade e afeto com esse homem. Talvez por esta resiliência de Emmanuèle, André se sinta mais confortável em pedir a ela que prepare a sua morte.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15606" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Esta-Tudo-Bem-2.jpeg" alt="Está Tudo Bem" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Esta-Tudo-Bem-2.jpeg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Esta-Tudo-Bem-2-360x240.jpeg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Esta-Tudo-Bem-2-610x407.jpeg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Esta-Tudo-Bem-2-720x480.jpeg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Sophie Marceau tem um ótimo desempenho nesse drama de Ozon interpretando uma mulher que na maior parte do tempo consegue conter bastante sua reatividade aos eventos. É interessante como Emmanuèle se relaciona intimamente com a violência, seja ela verbal ou física. Socialmente, Emmanuèle é uma mulher muito polida, aparentando sempre muita calma e controle, mas na intimidade, por exemplo, é capaz de se mostrar fã do cinema gore e tem seus momentos de choro rasgado no banheiro. Marceau consegue exibir na tela as nuances dessa personagem que represa medos e raivas, adquirindo &#8220;frieza&#8221; para solucionar questões delicadas. É um desempenho discreto, muito bem executado pela atriz na tela.</p>
<p>Com uma produtividade invejável, Ozon entrega um filme que aparenta simplicidade, mas se mostra denso nas relações interpessoais que traça para seus personagens. Distante da utopia na construção das relações entre pais e filhos, <em><strong>Está tudo bem</strong></em> fala como muitas vezes nesses laços familiares as tensões são mais frequentes do que o cenário fantasioso do &#8220;amor incondicional&#8221; e harmonioso. Em dado ponto, Emmanuèle confessa que teria adorado ter seu pai como amigo, no entanto, a paternidade não trouxe esta situação para a relação deles. Nesse sentido, <em><strong>Está tudo bem</strong></em> fala como as relações familiares acabam sendo atravessadas não apenas por afeto, mas por responsabilidades, conflitos de interesse e pontos de vista distintos sobre o modo de conduzir a vida. As tensões, rupturas e sentimentos negativos são naturais no seio familiar e o mais libertador é quando compreendemos isso, superamos certas desavenças e fazemos as pazes conosco e com os outros.</p>
<p><strong>Direção:</strong> François Ozon</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Sophie Marceau, André Dussollier, Géraldine Pailhas</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/OX30TUuu1nc" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Graças a Deus &#8211; Festival Varilux de Cinema Francês</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Jun 2019 15:36:11 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Bernard Verley]]></category>
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		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Denis Ménochet]]></category>
		<category><![CDATA[Éric Caravaca]]></category>
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		<category><![CDATA[François Chattot]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>François Ozon é um cineasta que mantém uma certa regularidade em sua carreira. Não é um diretor como Woody Allen, por exemplo, capaz de realizar ótimos longas e outros nem tão bons assim. Ozon não chega a comprometer sua filmografia com desastres, realizando obras que ficam no mínimo na média em seus resultados. Graças a Deus é mais um ótimo trabalho do realizador, dessa vez comprometido com a investigação da pedofilia na Igreja Católica. Vencedor do grande prêmio do júri [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>François Ozon é um cineasta que mantém uma certa regularidade em sua carreira. Não é um diretor como Woody Allen, por exemplo, capaz de realizar ótimos longas e outros nem tão bons assim. Ozon não chega a comprometer sua filmografia com desastres, realizando obras que ficam no mínimo na média em seus resultados. <em><strong>Graças a Deus</strong> </em>é mais um ótimo trabalho do realizador, dessa vez comprometido com a investigação da pedofilia na Igreja Católica.</p>
<p>Vencedor do grande prêmio do júri no último Festival de Berlim, <strong><em>Graças a Deus</em> </strong>se baseia em eventos reais para narrar as acusações de pedofilia dirigidas a um padre que coordenou um grupo de escoteiros da Igreja Católica na década de 1980 e início dos anos 1990. O filme consegue explorar em minúcias os casos a partir de três perfis diferentes de vítimas, um homem que se mantém católico quando adulto e que inicia a onda de queixas na alta cúpula da instituição, outro que é ateu e que acaba se tornando o líder de uma organização de suporte às vítimas e outro que teve consequências mais severas dos diversos abusos e estupros cometidos pelo sacerdote.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-10737" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/4686491.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/4686491.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/4686491.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/4686491.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Além de explorar as reverberações do trauma nas vítimas a partir dos casos, o longa aborda a repercussão dos casos na vida dos pais dos envolvidos (que são acometidos pela culpa ou negação) e também as questões políticas na administração interna das acusações pela Igreja. Nesse sentido, o roteiro de Ozon é extremamente competente nas bifurcações da sua história e na extensão do seu tratamento, sendo pertinente também na construção psicológica dos seus três personagens centrais e suas diferentes formas de lidar com as sequelas do trauma.</p>
<p>É certo que o cineasta se prolonga um pouco no seu filme e até abusa de certos expedientes, como as inúmeras mensagens trocadas entre seus personagens e os membros conciliadores da Igreja, mas em certo momento certo recurso mostra-se necessário, sobretudo para dar conta do próprio processo administrativo do caso. <strong><em>Graças a Deus</em> </strong>acaba se revelando também um filme contundente quando questiona o uso da fé de terceiros para fins escusos e a pedofilia cometida pelos padres acaba se mostrando apenas a ponta de uma cadeia de erros e vergonhas muito mais extensas para a instituição. É um longa de fôlego e que, certamente, exige o mesmo do espectador que se deparará com a banalidade com a qual a Igreja e seus representantes trata o crime, ou melhor, com a distorção da atitude criminosa em prol da sobrevivência da própria instituição e dos seus homens.</p>
<p><strong>Direção:</strong> François Ozon<br />
<strong>Elenco:</strong> Melvil Poupaud, Denis Ménochet, Éric Caravaca, François Marthouret, Bernard Verley, Josiane Balasko, Martine Erhel, Hélène Vincent, François Chattot</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/ZpCOr_mVNT4" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica Festival Varilux 2018: O Amante Duplo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 Jun 2018 23:43:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Festival Varilux de Cinema Francês]]></category>
		<category><![CDATA[François Ozon]]></category>
		<category><![CDATA[O Amante Duplo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Amante Duplo é o mais recente exemplar da carreira do cineasta François Ozon, que desta vez mergulha a fundo no terreno da psicanálise com esta livre adaptação de um romance da escritora Joyce Carol Oates. Isso acontece porque seu casal de protagonistas passa a estabelecer  um relacionamento amoroso depois de criarem intimidade como paciente e terapeuta. Quando Paul percebe que está se afeiçoando demais a Chloé, jovem que chega ao seu consultório com um severo quadro de depressão, ele se [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><i><b>O Amante Duplo</b> </i>é o mais recente exemplar da carreira do cineasta François Ozon, que desta vez mergulha a fundo no terreno da psicanálise com esta livre adaptação de um romance da escritora Joyce Carol Oates. Isso acontece porque seu casal de protagonistas passa a estabelecer  um relacionamento amoroso depois de criarem intimidade como paciente e terapeuta. Quando Paul percebe que está se afeiçoando demais a Chloé, jovem que chega ao seu consultório com um severo quadro de depressão, ele se abre para a paciente dizendo-se apaixonado e decide não mais estabelecer uma relação estritamente profissional com ela.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Realizando um <i>thriller </i>erótico que durante boa parte da projeção procura entender a natureza da relação entre paciente e psicanalista, <i>O Amante Duplo </i>tem muitos acertos, principalmente quando utiliza a relação sexual como forma de estabelecer metáforas que deem conta dos estágios desse relacionamento, como o liame que por vezes embaralha o profissional e o afetivo e os jogos de dominação que podem surgir em casos severos como os da protagonista do filme. Quando Ozon trafega por esse território o filme ganha muito.</p>
<p data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-9000" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2018/06/l-amant-double.20170526021646.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">No início do terceiro ato, no entanto, o longa anuncia a existência de um <i>plot twist. </i>Aqui a obra fica  menos afeita a metáforas e subjetivismos do que o espectador imaginava. Nesse momento, <i>O Amante Duplo </i>acaba esbarrando em convenções e se contentando com o clichê de filmes dos gêneros com os quais dialoga, como o melodrama. Aqui, Ozon perde alguns pontos e reduz o desfecho da sua história a algumas soluções cafonas até mesmo visualmente, sugerindo metáforas visuais bem mais pobres do que aquelas que predominaram durante todo o início e o desenvolvimento da trama.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Apesar de desejar um erotismo na realização das suas cenas de sexo com os atores Marine Vacth (que já trabalhou com o diretor em <i>Jovem e Bela</i>) e Jérémie Renier o filme tem zero apelo nesse sentido e todas essas sequências são marcadas por composições imagéticas extremamente frias. Não muito feliz na articulação entre esta e outras estratégias, <i>O Amante Duplo </i>acaba perdendo a oportunidade de se apresentar ao espectador como um denso e instigante mergulho no processo da psicanálise para encerrar sua trama numa investida banal em chavões de um cinema que o sabota.</p>
<p data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><strong>Assista ao trailer:</strong></p>
<p style="text-align: center;" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/cKN_7_OqYiY" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Festival Varilux: Frantz</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Jun 2017 22:38:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Festival Varilux de Cinema Francês]]></category>
		<category><![CDATA[François Ozon]]></category>
		<category><![CDATA[Frantz]]></category>
		<category><![CDATA[Paula Beer]]></category>
		<category><![CDATA[Pierre Niney]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Não é fácil ter um olhar singular para os conflitos mundiais do século passado com tantas obras cinematográficas que já trataram do assunto (e que são tão boas). Retornando a questões que são inevitáveis sobre o contexto histórico, fazendo um recorte na Primeira Guerra Mundial, François Ozon faz de Frantz um belíssimo exemplar do alcance que os temas relativos a guerra conseguem ter e o faz indo na direção mais acertada: buscando no conflito mundial temas de compreensão universal. Em linhas gerais, Frantz é [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Não é fácil ter um olhar singular para os conflitos mundiais do século passado com tantas obras cinematográficas que já trataram do assunto (e que são tão boas). Retornando a questões que são inevitáveis sobre o contexto histórico, fazendo um recorte na Primeira Guerra Mundial, François Ozon faz de <i>Frantz </i>um belíssimo exemplar do alcance que os temas relativos a guerra conseguem ter e o faz indo na direção mais acertada: buscando no conflito mundial temas de compreensão universal.</p>
<p>Em linhas gerais, <i>Frantz </i>é um romance que conta a história de Adrien (Pierre Niney), um jovem musicista francês de passagem pela Alemanha para conhecer a família de um amigo que morreu no <i>front </i>de batalha. Lá ele acaba se afeiçoando por Anna (Paula Beer), a ex do falecido, mas uma série de questões serão colocadas no caminho dos dois.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Com sua fotografia predominantemente em preto e branco, Ozon nos oferta o cenário melancólico de dois países, França e Alemanha, se recompondo das consequências de uma guerra e se preparando para uma próxima. A ausência de cores e o clima social de luto encontram diálogo com os sentimentos dos personagens de <i>Frantz</i> no pós-guerra: Adrien vive o trauma do combatente, Anna convive com a viuvez precoce e os Hoffmeister procuram administrar a ausência do filho cujo corpo sequer conseguiram resgatar. Em momentos breves do filme, nos quais os personagens conseguem encontrar alguma brecha de felicidade, Ozon recupera as cores dando um poético e simbólico efeito para a sua narrativa em transições cromáticas.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Em meio a suas reviravoltas e tom melodramático, Ozon quer falar sobre a superação da dor. Entre todos os personagens de <i>Frantz </i>apenas um consegue se reerguer em meio a cinzas que não conseguem recompor os demais. Com seu mais recente filme, Ozon não está inclinado a oferecer um <i>happy end</i>  e nem poderia, essa não seria uma reviravolta apropriada para a sua história. Contudo, é tocante perceber como mesmo diante da melancolia no desenlace amoroso e de mentiras mantidas a fim de evitar sofrimentos ainda mais implacáveis, Ozon consegue fazer de <i>Frantz </i>uma obra sobre a esperança em meio ao luto e sobre a importância, para aqueles que ficam, de dar prosseguimento em suas vidas.</p>
<p>Obs.: O filme está em cartaz na programação do Festival Varilux de Cinema Francês que está ocorrendo em várias cidades brasileiras. Para ficar por dentro dos horários das sessões desse e de outros títulos que estão na programação do evento, <a href="http://www.variluxcinefrances.com.br/">clique aqui. </a></p>
<p><strong>Assista ao trailer do filme:</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/xNKWz-6GKXI" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;"></div>
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