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	<title>Arquivos FNC - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>52º Festival du Nouveau Cinéma de Montréal: Mars Express</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Oct 2023 22:58:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>É curioso observar como Jérémie Périn, em sua primeira direção de longa-metragem, cria planos inteligentes ao ponto de enganchar o público velozmente.  Em um mundo distópico, no qual humanos, robôs e humanos-robôs coexistem,  o espectador consegue se sentir inserido no universo tão rico de informação presente nesta animação, porque, juntamente com a fotografia e a arte, existe na concepção técnica da direção de Mars Express um cuidado em compor quadros que revelam diversas informações sobre aquele universo. Isto porque não [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>É curioso observar como Jérémie Périn, em sua primeira direção de longa-metragem, cria planos inteligentes ao ponto de enganchar o público velozmente.  Em um mundo distópico, no qual humanos, robôs e humanos-robôs coexistem,  o espectador consegue se sentir inserido no universo tão rico de informação presente nesta animação, porque, juntamente com a fotografia e a arte, existe na concepção técnica da direção de <strong><em>Mars Express</em></strong> um cuidado em compor quadros que revelam diversas informações sobre aquele universo.</p>
<p>Isto porque não existe aqui uma necessidade de se valer de diálogos para explicar o que é existe dentro desta realidade ficcional e o que a compõe. Assim, é observável a existência de diversos tipos de máquinas e figuras robóticas, e que algumas parecem humanas, outras animalescas, outras são exatamente o que se conhece sobre robôs. Talvez, o mais interessante neste contexto seja que quando as pessoas morrem, elas podem continuar existindo, através de um corpo cyborg, com consciência humanística, uma espécie de duplicata.</p>
<p>Esta última parte é um tanto mais complicada, porém é gradativamente explicada dentro do enredo e este é um dos maiores ganhos do longa. Apesar de sua rede complexa de criações, com uma quantidade extensa de personagens, conflitos, subplots, sequências de ação e tensão, o roteiro se mantém coeso na maior parte da sessão, sem que a estrutura central se perca para dar explicações ou para dar conta do desenlace da trama e das subtramas.</p>
<p>Esta é uma característica relevante de ser ressaltada porque, muitas vezes, quando uma produção é tão ambiciosa, ela tende a se perder em si mesma. Aqui não existem lacunas para o que é importante para a narrativa. Existe uma abertura de espaço, porém, para rumos interpretativos múltiplos em sua plateia.</p>
<p>Neste sentido, Périn, que escreve ao lado de Laurent Sarfati, entrega um bom resultado geral. De todo modo, é preciso apontar que a riqueza presente em <strong><em>Mars Express</em></strong> faz com que um lamento possa surgir depois de assisti-lo. Com tantas personagens fortes e um ambiente criativo criado, a obra merecia uma duração maior, sendo que seu formato funcionaria mais apropriadamente caso a mesma fosse uma série.</p>
<p>É bem comum que, atualmente, exista a todo momento uma ausência de compreensão de qual é o melhor formato para cada história (longas que poderiam ser curtas, seriados que poderiam ser curtas, longas que deveriam ser minisseries etc). Este fator não compromete o resultado final, porém há aqui uma sensação de desperdício.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17438" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/mars_express_c_everybody_on_deck_2_cut_web.jpg" alt="Mars Express" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/mars_express_c_everybody_on_deck_2_cut_web.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/mars_express_c_everybody_on_deck_2_cut_web-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/mars_express_c_everybody_on_deck_2_cut_web-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/mars_express_c_everybody_on_deck_2_cut_web-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A trajetória de Carlos Rivera (Daniel Njo Lobé), por exemplo, renderia um outro filme &#8211; suas camadas deveriam, inclusive, ter sido mais exploradas. A parceria dele com a protagonista Aline Ruby (Léa Drucker) geraria bons casos serializados, com investigações de &#8220;Monster of the week&#8221;.</p>
<p>A dinâmica entre os dois é rica, por contar com subtextos, que imprimem marcas do passado de ambos, como o alcoolismo de Aline ou a agressividade de Carlos. O tom dado ao texto por Léa e Daniel fomentam esta ligação entre estes colegas de trabalho, que deixam a impressão de que já resolveram muitos crimes juntos, de forma não tão convencional e que não são fãs de regras.</p>
<p>Neste sentido, há o ponto mais relevante para a execução da animação ser quase completamente satisfatória. Há muita coragem por aqui! Apesar de toda a riqueza da construção de atmosfera e de trazer personagens carismáticos, com profundidade, esta ficção científica não tem medo de se desfazer de tudo que ela mesma fez com que seu público se apagasse.</p>
<p>Não há, como em tantas produção, receio em dispensar personagens, espaços, instituições, certezas. Ninguém está seguro e, além da dosagem de velocidade inteligente, que confere um ritmo equilibrado para o longa, a suspensão mora na dúvida da sobrevivência do status colocado no início da projeção e de todos que fazem parte dele.</p>
<p>Se não fosse a queda qualitativa, no início do terceiro ato, quando algumas situações se tornam repetitivas, postergando desnecessariamente o final do filme, que há pouco tempo para convocar o seu desfecho e que toda uma riqueza de trabalho para criar aquele universo é deixado de lado pelas próprias limitações de um longa-metragem, <em><strong>Mars Express</strong></em> seria perfeito.</p>
<p>Seja por seu trabalho de iluminação, que aumenta o sentido das ações e eleva o que se sabe sobre as personagens, pela mise-en-scène, que prioriza ambientar o espectador e um roteiro que quase nunca deixa a tensão se esvair, este projeto revela um futuro promissor para Périn e sua equipe.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Jérémie Périn</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Léa Drucker, Daniel Njo Lobé, Marie Bouvet</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
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