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	<title>Arquivos Florianópolis Audiovisual Mercosul - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Florianópolis Audiovisual Mercosul - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>28º FAM: Movimentos Migratórios</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Oct 2024 13:39:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em uma narrativa, aparentemente, simples, Rogério Cathalá convida o espectador de Movimentos Migratórios a mergulhar em camadas da complexidade humana e da própria natureza como um todo. Através de planos um tanto mais longos (para o que se tem feito na contemporaneidade), é possível analisar as emoções do protagonista da trama. Com um tempo de tela maior para o rosto de Pedro (Arturo Campos Begazo), fica compreensível quais são as suas impressões e reações em relação ao mundo. A mudança [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Em uma narrativa, aparentemente, simples, Rogério Cathalá convida o espectador de <em><strong>Movimentos Migratórios </strong></em>a mergulhar em camadas da complexidade humana e da própria natureza como um todo. Através de planos um tanto mais longos (para o que se tem feito na contemporaneidade), é possível analisar as emoções do protagonista da trama. Com um tempo de tela maior para o rosto de Pedro (Arturo Campos Begazo), fica compreensível quais são as suas impressões e reações em relação ao mundo.</p>
<p>A mudança de angulação, rimando com a progressão do conflito central, amplia a construção de sentido do que está acontecendo dentro da trajetória de Pedro. Assim, a busca do rapaz estrangeiro, que tenta se encaixar nesse ambiente novo, e a jornada para salvar o pássaro que cai em sua laje, são semelhantes. É a tentativa de viver, neste fluxo migratório, que pode machucar e colocar alguém (ou uma andorinha) em seu limite.</p>
<p>Neste sentido, Cathalá insere o público na perspectiva de Pedro, com estratégias além da extesão dos quadros com seu protagonista. Ao redor do jovem, todas as outras personagens são arquetípicas (a veterinária, o funcionário do emprego etc.). A partir de uma espécie de neutralização das figuras que cercam Pedro, o olhar para ele se potencializa. Para ele e para a andorinha.</p>
<p>Assim, a dulpa cria um pacto silencioso de afeto, que transborda na tela e contamina a plateia, que se emociona com a dinâmica da relação e dos símbolos entre os dois. A ideia de sair do preto e branco para as cores, algo que tem sido recorrete no cinema, desde 2023, é funcional aqui, de fato. A noção de melancolia e solidão, que se transforma em resiliência e libertação, é transmitida com essa escolha da equipe de <em><strong>Movimentos Migratórios</strong></em>.</p>
<p>Além disso, o talento e força cênica de Arturo fomentam ainda mais a ligação de quem assiste com a trama. É triste pensar que Begazo partiu tão cedo &#8211; como informa uma cartela ao final da projeção. Os seus movimentos e gestos contidos pela mise-en-scène mesclam técnica com espontaneidade. Há muito do olhar de Arturo em Pedro e é notável este fato devido a maneira como o intérprete utiliza a pausa e a mudança da direção dos seus olhares.</p>
<p>São pontos que se sobressaem porque são usos cotidianos do corpo, porém que funcionam no contexto do curta-metragem de Cathalá, porque trazem um tanto de realismo ao cenário proposto, que tem um tom quase de poesia no texto e que tem atuações mais extracotidianas do restante do elenco. Desta maneira, <em><strong>Movimentos Migratórios</strong></em> é quase um exemplar neorealista.</p>
<p>O urbano soteropolitano, misturado com as atuações um pouco mais exageradas dos coadjuvantes e serena do ator principal, com uma trama que fala sobre a dureza de não ser nativo e a suavidade das pequenas relações do humano com a natureza convocam um cenário repleto de profundidade. Esta é uma obra que investiga a sociedade, com um olhar particular e sonhador, mas com consciência da dureza da vida também.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Rogério Cathalá</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Arturo Campos Begazo, Bertrand Duarte, Cibele Mariana</p>
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		<title>28º FAM: A Última Primavera</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Oct 2024 13:32:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Alguns filmes parecem existir apenas para nos irritar. Diante do narcisismo humano, tomamos aquelas imagens e sons na tela como uma ofensa pessoal. Ao mesmo tempo, para além dos gostos individuais, se é sabido que o cinema cumpre uma função social, independentemente de seu gênero, estilo, país, equipe etc. Em A Última Primavera o espectador se depara com um afronte ao corpo e mente dos idosos. É tão inacreditável que em 2024 exista um curta-metragem que reproduz uma imagem ultrapassada [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Alguns filmes parecem existir apenas para nos irritar. Diante do narcisismo humano, tomamos aquelas imagens e sons na tela como uma ofensa pessoal. Ao mesmo tempo, para além dos gostos individuais, se é sabido que o cinema cumpre uma função social, independentemente de seu gênero, estilo, país, equipe etc. Em <strong><em>A Última Primavera</em></strong> o espectador se depara com um afronte ao corpo e mente dos idosos. É tão inacreditável que em 2024 exista um curta-metragem que reproduz uma imagem ultrapassada de pessoas mais velhas. Para começar, existe a composição física dos corpos do elenco.</p>
<p>A produção se passa em uma casa de repouso e, nela, todos os idosos contam com questões de locomoção e/ou saúde mental. Desta maneira, o público enfreta quinze minutos de indivíduos 60+ com muita debilidade, quase sem noção alguma de tempo e espaço, com gestuais que lembram fisicalizações de vovôs e vovós dos piores teatros infatis amadores do país. Este elemento é curioso porque a obra parece justamente querer criticar o abandono das famílias e o esquecimento da sociedade de que os mais velhos ainda fazem parte da coletividade.</p>
<p>No entanto, para realizar tal intento, toda a equipe reforça, justamente, estes estereótipos, que distanciam a velhice da humanidade e retiram o poder de agenciamento de idosos. As direções de arte e fotografia reforçam essa melancolia monocórdica, que abandona qualquer camada para além do já reiterado desde os primeiros minutos de projeção. Os tons são pasteis e luz é chapada, quase todo tempo &#8211; só não o é na última sequência, que é uma virada interessante, porém pouco explorada.</p>
<p>Em aspectos sonoros, a música reforça o que está sendo exibido na tela. É a tristeza da velhice que o curta quer, a todo momento, ressaltar. O desenho de som e a direção geral são bem relizados, é preciso dizer. É nesse ponto que o público pode até se comover e se interessar pela história. A câmera está majoritariamente parada, os objetos de cena preenchem o ambiente de forma sufocante, com pequenos sons, que ecoam e elevam a sensação de solidão. Mas, a partir deste cenário, o que é <strong><em>A Última Primavera</em></strong> afinal?</p>
<p>Ela foi abandonada, porém quem assiste não sabe quem ela é, nem em texto falado, nem em imagens. Neste conjuto de inserções razas, Rosa e seus companheiros de lar são apenas aquilo que o mundo quer esbravejar &#8211; e que essa que vos escreve se recusa a acreditar -, todo tempo, em cada produto midiático, café da manhã, passeio etc.: a velhice é abandono, doença e fraqueza. Este título pode servir de exemplo para tudo o que é necessário ser refeito de imaginário sobre idosos.</p>
<p>Este ano, Josh Margolin lança o seu longa-metragem Thelma, com June Squibb no papel principal. Sugiro que quem está lendo este texto veja o filme. Lá sim é possível encontrar personagens profundas, desenvolvimento de narrativa e com uma ideia similar ao curta de Michelly Hadassa, mas sem explorar somente um mesmo tom. Claro, este é só um exemplo. Contudo, o que esta crítica de <strong><em>A Última Primavera</em></strong>, já um tanto prolixa e passional demais, deseja tratar é que preciso, é urgente, que se vejam as partes minoritárias da sociedade com olhares mais plurais.</p>
<p>Quem sobreviver a este planeta colapsado, completará suas mais longíquas primaveras e pode apostar que nenhuma destes indivíduos gostará de se ver de maneira planificada e tão repetida por seus familiares. É importante falar de tudo na velhice, inclusive sobre amor, sexualidade, diversão, recomeços e tantas outros enredos possíveis.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Michelly Hadassa</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Nenê Borges, Edilberto Brito, Cris Fabi</p>
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		<title>28º FAM: Festa Para Duas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Sep 2024 23:26:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Existem alguns elementos bem sagazes em Festa Para Duas. Um deles é como o título vai, progressivamente, fazendo sentido para o público. Para realizar tal intento, o curta-metragem aposta nas relações entre as personagens principais. Neta e avó se acolhem e vão deixando claro em seus diálogos como, na realidade, a importância real da história não é a festa e sim a parceira entre a dupla central. Neste sentido, os diálogos não ficam expositivos, ainda que muitos detalhes do passado [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Existem alguns elementos bem sagazes em <em><strong>Festa Para Duas</strong></em>. Um deles é como o título vai, progressivamente, fazendo sentido para o público. Para realizar tal intento, o curta-metragem aposta nas relações entre as personagens principais. Neta e avó se acolhem e vão deixando claro em seus diálogos como, na realidade, a importância real da história não é a festa e sim a parceira entre a dupla central.</p>
<p>Neste sentido, os diálogos não ficam expositivos, ainda que muitos detalhes do passado sejam verbalmente convocados. A troca entre Alana (Maria Beatriz Braga) e sua avó poderia subestimar o espectador, sobretudo por ser um filme infanto-juvenil. Todavia, elas estabelecem o tom do filme juntas. As falas com dados do passado são colocados através de perguntas, enquanto as duas praticam ações físicas (movimentações).</p>
<p>Ao mesmo tempo, a instalação do conflito principal ocorre de forma brusca e sem uma gradação. A ansiedade de Alana soa artificial, o que acaba contaminando a construção de seu relacionamento com a namorada. A sequência das duas não tem organicidade. As nuances anteriormente construídas se esvaem na ausência de ritmo. Com a velocidade acelerada é difícil acreditar nos sentimentos de Alana e na preocupação de sua parceira com ela.</p>
<p>Em termos de direção, fotografia e montagem são observáveis alguns pontos. Primeiro, a decupagem apresneta poucos movimentos de câmera e os cortes são mais secos, com quadros mais rápidos, que trazem a sensação de jovialidade para tela. No entanto, as luzes chapadas e a constância dos enquadramentos médios deixam uma impressão de que o curta poderia ser mais do que está sendo apresentado. A dinâmica de Alana com sua avó funciona, pois as atrizes conduzem bem a contracena e geram uma simpatia no público, mas era preciso mais para o enredo se sustentar.</p>
<p>A história em si é simples, mas fofa. Alana vai fazer 15 anos e sua avó quer fazer uma festona, mas no mesmo dia tem um evento do fandom de Alana que ela quer sediar. O que falta para a obra é um zelo maior com o visual, técnico-formal do cinema mesmo. Fica complexo avaliar cenografia, por exemplo, por conta dos trabalhos da direção geral e de fotografia. É por isso que <em><strong>Festa Para Duas</strong></em> é divertido, porém peca por ser visualmente desinteressante e por não saber sustentar o seu próprio clímax.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Mariana Polidoro</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Maria Beatriz Braga, Vanda Ferreira, Maria Antônia de Assis</p>
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		<title>28º FAM: Black Rio! Black Power!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Sep 2024 02:20:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Dos anos 1970 aos 1980, a cidade do Rio de Janeiro contou com um movimento cultural efervescente: o Black Rio. Através do Soul, o despertar da consciência racial se espalhou por territórios cariocas, alastrando-se para todo país. É este o tema do documentário Black Rio! Black Power!, dirigido por Emílio Domingos. Em termos históricos, o longa-metragem é impecável. Através dos olhares de Dom Filó, Carlos Café, Carlos Alberto Medeiros &#8211; e de tantas outra figuras importantes para este cenário -, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Dos anos 1970 aos 1980, a cidade do Rio de Janeiro contou com um movimento cultural efervescente: o Black Rio. Através do Soul, o despertar da consciência racial se espalhou por territórios cariocas, alastrando-se para todo país. É este o tema do documentário <em><strong>Black Rio! Black Power!</strong></em>, dirigido por Emílio Domingos.</p>
<p>Em termos históricos, o longa-metragem é impecável. Através dos olhares de Dom Filó, Carlos Café, Carlos Alberto Medeiros &#8211; e de tantas outra figuras importantes para este cenário -, o público ganha uma aula sobre letramento racial e a luta do movimento negro no Rio de Janeiro.</p>
<p>Momentos sobre a ditadura militar, a criatividade para criar e manter os bailes blacks e a forma como a vontade de dançar acabou convocando também o estudo político e social são os centros das falas. Em termos discursivos, a obra consegue imprimir de maneira completa o cenário argumentativo do individual para o coletivo, com detalhes.</p>
<p>No entanto, em aspectos formais, a sua estrutura é um tanto cansativa. Tem-se aqui uma mescla de “cabecinha flutuantes” (entrevistas), com algumas imagens de arquivo. Sonoramente e visualmente, as estratégias são as mesmas durante toda a projeção. Sob som com música, fotos antigas, voz off, desce a música, entrevistado (a).</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18704" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image-3.png" alt="Black Rio! Black Power!" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image-3.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image-3-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image-3-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Caso o carisma das personagens de <em><strong>Black Rio! Black Power! </strong></em>e o que elas dizem não fosse tão forte e instigante, a sessão seria difícil de acompanhar. Ainda que seguir modelos tradicionais de doc não seja um equívoco, variar o fluxo sonoro e visual ajuda a construir respiros e tornar a experiência mais prazeirosa.</p>
<p>De toda maneira, ver Dom Filó, e tantos ícones do movimento Black Rio, dançando e contando suas histórias empolgadamente vale cada minuto do filme. Diversos detalhes do que ocorreu nos anos 1970, que influenciam a música atual, são reveladas progressivamente, o que é um mérito do roteiro e também da montagem.</p>
<p>Quem assiste embarca em uma espécie de máquina do tempo e as vozes dos protagonistas deste tempo histórico e tão importante para eles e para o país embalam a imaginação da plateia. É curioso observar que a felicidade dos narradores contamina os ouvintes, que sentem em seu sangue o soul pulsar, de alguma maneira.</p>
<p>Entre reflexões sobre a sociedade e o racismo e a música contagiante de um período de redemocratização brasileira, <em><strong>Black Rio! Black Power!</strong></em> emociona e conscientiza, é paixão e luta em formato de longa.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Emílio Domingos</p>
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		<title>28º FAM: Los Últimos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Sep 2024 15:57:11 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Sebastián Peña Escobar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quantos anos faltam para o fim do mundo? Quem ainda senta ao lado de um amigo e passa horas elucubrando sobre o passado, o presente e o futuro? Os ecologistas Ulf e Jorge são estes senhores que parecem ser o que restou de humanidade, em um mundo apocalíptico e colapsado, em Los Últimos. Com um requinte de ironia, a dupla dialoga sobre o mundo e sacodem a plateia com suas falas conscientes. Ainda que o espectador não concorde com os [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Quantos anos faltam para o fim do mundo? Quem ainda senta ao lado de um amigo e passa horas elucubrando sobre o passado, o presente e o futuro? Os ecologistas Ulf e Jorge são estes senhores que parecem ser o que restou de humanidade, em um mundo apocalíptico e colapsado, em <em><strong>Los Últimos</strong></em>.</p>
<p>Com um requinte de ironia, a dupla dialoga sobre o mundo e sacodem a plateia com suas falas conscientes. Ainda que o espectador não concorde com os dois em algum momento, é possível compreender os discursos deles, como o universo da pesquisa lhes é caro e como Ulf e Jorge entendem sobre todas as contradições de seus trabalhos e do planeta também.</p>
<p>Neste sentido, o terceiro elemento, que seria o diretor e roteirista Sebastián Peña Escobar, passa um tanto despercebido. Apesar de estar na sessão constantemente, em sua voz off, há uma ausência de sua figura no ecrã. Esta falta pode ser traduzido pelo desejo de observar e dar voz aos seus companheiros de jornada.</p>
<p>Ao mesmo tempo, fica uma pequena sensação de que Sebastián não quis se expor tanto. Ainda assim, as suas entradas em off constroem sentido e fomentam a discussão sobre as proximidades e intimidades que os humanos têm com a Terra e todo o seu distanciamento.</p>
<p>Para realizar tal intento, há um jogo dicotômico de plano geral, com sufocamento e fechado, com expansão. Este é um filme que trata sobre contradições humanas e esse elemento está transfigurado em imagem. O seco do solo, como consequência das queimadas, recebe cortes secos, seguidos das personagens.</p>
<p>Então, cria-se uma onda de repetições visuais, que transmitem o que vivenciam as pessoas e o mundo, com escolhas sociais, políticas e econômicas, que parecem mais becos sem saídas. É bem verdade que a estrutura narrativa de reiterações é cansativa e isso se eleva quando a direção parece não saber como finalizar o seu documentário.</p>
<p>No entanto, se a plateia se apega ao cansaço da impossibilidade de escape do futuro da humanidade, o longa ganha força e se torna mais fluido. Assim, <em><strong>Los Últimos</strong></em> é uma combinação do carisma e sagacidade de Ulf e Jorge, juntamente com a decupagem de Peña e a montagem de Fernando Epstein.</p>
<p>Ainda, existe o tom de suspensão causado pelas estratégias da direção, que tornam tensas e intensas esta viagem às últimas florestas virgens do Paraguai. Mas, é para a sociedade ter medo mesmo, porque neste filme de terror que é o século XXI, quem não há de escapar em sua totalidade são as pessoas e não o planeta.</p>
<p>E é por causa desse transtorno interno em quem assiste e como o faz, que <em><strong>Los Últimos</strong></em> é uma obra potente, necessária e, em alguma medida, disruptiva. Ela não o seria em outros tempos, porém, nesta época de meias verdades, quem se encara e olha para a vida de frente já está quebrando o status quo.</p>
<p><strong>Diretor:</strong> Sebastián Peña Escobar</p>
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