<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivos FICG - Coisa de Cinéfilo</title>
	<atom:link href="https://coisadecinefilo.com.br/tag/ficg/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://coisadecinefilo.com.br/tag/ficg/</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Thu, 04 Jul 2024 23:05:06 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	

<image>
	<url>https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/02/cropped-favicon3-5-32x32.png</url>
	<title>Arquivos FICG - Coisa de Cinéfilo</title>
	<link>https://coisadecinefilo.com.br/tag/ficg/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>39º Festival Internacional de Cinema de Guadalajara: Tipos de Gentileza</title>
		<link>https://coisadecinefilo.com.br/39o-festival-internacional-de-cinema-de-guadalajara-tipos-de-gentileza/</link>
					<comments>https://coisadecinefilo.com.br/39o-festival-internacional-de-cinema-de-guadalajara-tipos-de-gentileza/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Jul 2024 23:05:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Festivais]]></category>
		<category><![CDATA[39 FICG]]></category>
		<category><![CDATA[39º Festival Internacional de Cinema de Guadalajara]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Emma Stone]]></category>
		<category><![CDATA[Festival]]></category>
		<category><![CDATA[FICG]]></category>
		<category><![CDATA[Guadalajara]]></category>
		<category><![CDATA[Hong Chau]]></category>
		<category><![CDATA[Hunter Schafer]]></category>
		<category><![CDATA[Jesse Plemons]]></category>
		<category><![CDATA[Joe Alwyn]]></category>
		<category><![CDATA[Mamoudou Athie]]></category>
		<category><![CDATA[Margaret Qualley]]></category>
		<category><![CDATA[Tipos de Gentileza]]></category>
		<category><![CDATA[Williem Dafoe]]></category>
		<category><![CDATA[Yorgos Lanthimos]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://coisadecinefilo.com.br/?p=18376</guid>

					<description><![CDATA[<p>Há quem ame Yorgos Lanthimos. Há quem não o suporte. Intenso, provocativo e inventivo, o cineasta grego é um dos nomes pontuais do cinema hollywoodiano contemporâneo. Com uma produção vasta, que ocupa festivais e premiações globais, bem como as salas de bilheteria (Pobres Criaturas, por exemplo, custou $35 milhões e faturou $10 milhões), suas produções mais conhecidas são certamente renomadas, indo de Dente Canino (2009), passando por O Lagosta (2015) e A Favorita (2018), até Pobre Criaturas (2023), seu cinema [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/39o-festival-internacional-de-cinema-de-guadalajara-tipos-de-gentileza/">39º Festival Internacional de Cinema de Guadalajara: Tipos de Gentileza</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Há quem ame Yorgos Lanthimos. Há quem não o suporte. Intenso, provocativo e inventivo, o cineasta grego é um dos nomes pontuais do cinema hollywoodiano contemporâneo. Com uma produção vasta, que ocupa festivais e premiações globais, bem como as salas de bilheteria (Pobres Criaturas, por exemplo, custou $35 milhões e faturou $10 milhões), suas produções mais conhecidas são certamente renomadas, indo de <em>Dente Canino</em> (2009), passando por <em>O Lagosta</em> (2015) e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-favorita/"><em>A Favorita</em></a> (2018), até <em>Pobre Criaturas</em> (2023), seu cinema é marcado pelo o uso da grande angular, da exploração de trocas repentinas de enquadramento, luz e temperatura, bem como pelo amor para com as histórias peculiares e extracotidianas.</p>
<p>Gostando ou não de Lanthimos, é impossível dizer que suas obras passam despercebidas. É por este motivo que uma expecatativa foi criada em torno de seu novo longa-metragem: <strong><em>Tipos de Gentileza</em></strong>. No entanto, aparentemente confuso com sua própria estética e seu grande desejo de transformar roteiros em imagens, talvez tenha faltado ao diretor se perguntar se não seria um bom momento para tirar umas férias, respirar e criar apenas quando estivesse refrescado e respirado. Isto porque tanto em sua direção, quanto em seu roteiro &#8211; escrito ao lado de Efthimis Filippou -, falta respiro, seja criativo ou técnico.</p>
<p>Contando três histórias distintas, mas repetindo o mesmo elenco em todas elas, as três tramas carecem de progressão e uma própria noção do que quer ser contado. Por esta razão, as personagens se tornam planas, bem como as suas motivações soam como esvaziadas. Falta tempo de tela, e de reflexão dos próprios autores da produção, sobre gênesis das figuras dramáticas e as relações que elas estabelecem entre si. Desta maneira, toda a concepção visual elaborada por Yorgos, ainda que estimulante em termos estéticos, não ganha a força que geralmente possui, justamente porque a decupagem não está à serviço da história.</p>
<p>O espectador aqui acompanha somente trajetórias focadas em efeitos e não em investigação. E o que tudo isso quer dizer? A ficção, antes de mais nada, em sua maioria, é sobre humanos, ainda que com metáforas e outros recursos que possam ser utilizados. Se não há uma profundidade no enredo e nas personagens, o imagético se esvazia. Mesmo que possam haver trabalhos artísticos que tenham apenas esta função (e isto é raro), sobretudo no cinema e, mais ainda, no cinema de Lanthimos, é preciso imbricar técnica e discurso. No longa, ainda que ele busque lançar um olhar sob as facetas mais sombrias, irônicas, hipócritas, egoístas e perversas da sociedade, a multiplicidade destas personalidades não são inseridas nelas.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18427" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-1.png" alt="Tipos de Gentileza" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-1.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-1-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-1-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>De certa maneira, quando são postas no ecrã situações extremas de violência verbal e física, esse lado da humanidade emerge. No entanto, para inserir três curtas e chamar eles de longa, seria preciso criar uma unidade entre elas e que as mesmas fossem redondas, bastando-se em termos narrativos. A primeira necessidade se cumpre, pois em termos de argumentação e identidade visual, <strong><em>Tipos de Gentileza</em></strong> se completa em si. Já a segunda parte não acontece, porque são produtos inacabados que Yorgos oferta para o público. A sensação ao final da sessão é um vazio que se alastra.</p>
<p>Se personagens dependentes emocionalmente, que se submetem à condiçõe humilhantes, porque precisam da aprovação de alguém &#8211; de uma seita, do chefe, da esposa etc. -, o relacionamento do opressor com o oprimido tem que ser retratado em cena. O jogo de mise-en-scène, dos diálogos e textos não verbais devem marcar esta estratégia, porém para além dos rompantes e das reviravoltas. Falta uma jornada nestes cenários disruptivos, uma Bella Baxter, que descobre o mundo, um David, que quer curar seu coração partido para se encaixar no planeta, uma Abigail, que quer vencer na vida, porque a pobreza lhe convoca desconforto.</p>
<p>Falta Yorgos dentro do próprio Yorgos. Falta a mágica de ver personagens desabrocharem, falharem, tramarem, mas com um objetivo certeiro, que se desenha no ecrã, tal qual uma pintura, criada ao vivo para o comprador. Ainda que Hollywood exija de seus supostos gênios uma produtividade incessante e que Lanthimos seja portador de um dom para instaurar e/ou subverter lógicas do cinema dos Estados Unidos, com toda a sua mente estrangeira, o esgotamento alcança até o mais talentoso artista. Por isso que <strong><em>Tipos de Gentileza</em></strong> é um exercício árduo de espectatorialidade.</p>
<p>A plateia não tem tempo hábil de se conectar com nada que está sendo colocado em cada sequência do filme. Sem digerir uma peripécia mal contada, logo é exposto para a próxima e para a próxima aventura tola, que poderia sim ser um acontecimento cinemaográfico, caso fosse não um, mas três filmes, pensados, estudados, calmamente desenvolvidos. Uma pena&#8230;sobretudo para Jesse Plemons que esbanja talento em cada aparição apresentada, sendo o único a criar papéis realmente distintos entre si.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Yorgos Lanthimos</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Jesse Plemons, Emma Stone, Williem Dafoe, Margaret Qualley, Hong Chau, Joe Alwyn, Mamoudou Athie, Hunter Schafer</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/iO_w4L662ac?si=c8zf4jteEgDk_ngL" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/39o-festival-internacional-de-cinema-de-guadalajara-tipos-de-gentileza/">39º Festival Internacional de Cinema de Guadalajara: Tipos de Gentileza</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://coisadecinefilo.com.br/39o-festival-internacional-de-cinema-de-guadalajara-tipos-de-gentileza/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>39º Festival Internacional de Cinema de Guadalajara: Tratado de Invisibilidad</title>
		<link>https://coisadecinefilo.com.br/39o-festival-internacional-de-cinema-de-guadalajara-tratado-de-invisibilidad/</link>
					<comments>https://coisadecinefilo.com.br/39o-festival-internacional-de-cinema-de-guadalajara-tratado-de-invisibilidad/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Jun 2024 22:54:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Festivais]]></category>
		<category><![CDATA[39º Festival Internacional de Cinema de Guadalajara]]></category>
		<category><![CDATA[39º Festival Internacional de Guadalajara]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Festival]]></category>
		<category><![CDATA[FICG]]></category>
		<category><![CDATA[Filme]]></category>
		<category><![CDATA[Luciana Kaplan]]></category>
		<category><![CDATA[Tratado de Invisibilidad]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://coisadecinefilo.com.br/?p=18394</guid>

					<description><![CDATA[<p>Existem muitas camadas inseridas em Tratado de Invisibilidad, documentário de Luciana Kaplan. Neste longa-metragem é possível encontrar algo raro no cinema, que é o equilíbrio perfeito entre qualidade discursiva e técnica. É comum que documentaristas foquem demasiadamente em seus temas e se valham, unicamente, de boas personagens e histórias. Todavia, a criatividade e as ferramentas cinematográficas são deixadas de lado. Algumas vezes, cineastas se inspiram e convocam recursos plurais do audiovisual, mas não elaboram a investigação de uma trama e [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/39o-festival-internacional-de-cinema-de-guadalajara-tratado-de-invisibilidad/">39º Festival Internacional de Cinema de Guadalajara: Tratado de Invisibilidad</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Existem muitas camadas inseridas em </span><i><span style="font-weight: 400;"><strong>Tratado de Invisibilidad</strong>,</span></i><span style="font-weight: 400;"> documentário de Luciana Kaplan. Neste longa-metragem é possível encontrar algo raro no cinema, que é o equilíbrio perfeito entre qualidade discursiva e técnica. É comum que documentaristas foquem demasiadamente em seus temas e se valham, unicamente, de boas personagens e histórias. Todavia, a criatividade e as ferramentas cinematográficas são deixadas de lado. Algumas vezes, cineastas se inspiram e convocam recursos plurais do audiovisual, mas não elaboram a investigação de uma trama e do que está sendo contado em sua obra. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste sentido, Kaplan revela a força de seu trabalho, emprestando um olhar poético para uma realidade dura das profissionais de limpeza no México. A humanidade é posta em cena e o público se depara com a possibilidade de proporcionar uma escuta atenta para aquelas que são constantemente invisibilizadas. Visualmente, há a criação de um paralelo imagético, que põe estas mulheres centralizadas, em planos mais fechados, nos momentos de entrevistas. Já quando o espectador acompanha as suas rotinas de labor, elas são vistas no canto da tela, em quadros mais abertos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao mesmo tempo, o desenho e a mixagem de som – feitas por Lena Esquenazi e Antonio Porem Pires, respectivamente – fomentam a instalação da atmosfera do filme, através de um jogo sonoro diegético e extradiegético. Os ruídos da cidade, do serviço de limpeza, da ventania que carrega o lixo, junta-se à música original de Alejandro Castaños e às sonoridades suaves, que combinam com esta argumentação do doc de que, de um lado, há a sociedade, que exclui estas profissionais, negando-lhes direitos básicos de trabalho, que não as olha no olho, não as agradecem, sequer lhes cumprimentam, por algo tão necessário, árduo e fundamental para todos, que é a limpeza – dos metrôs, aeroportos, cinemas, da rua, de todo e qualquer lugar público.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É assim que a equipe do longa imprime esse cuidado com suas personagens, progressivamente. Quanto mais a trama avança, mais estas mulheres são protegidas pelo discurso da obra. Discurso esse que deflagra o descaso do governo do México para com estas funcionárias e de todo um sistema corrupto, pérfido e irresponsável de empresas terceirizadas. É neste local de poder que reside a verdadeira sujeira do país. Quanto mais o público as acompanha limpando, mais pensamentos como esse são formados. As mulheres limpam e organizam sem parar, enquanto aqueles que as ferem e agem de forma dolosa, sujam. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E é na junção de elementos visuais com sonoros, que as reflexões e impactos são trazidos em <strong><em>Tratado de Invisibilidad</em></strong>. Contudo, sempre nesta dinâmica de busca por um equilíbrio entre os dois, mesmo que haja força em ambos. Os relatos mais intensos são misturados com instantes de observação destas mulheres e musicalmente são postas melodias lentas, suaves e melancólicas. Um exemplo significativo é quando a plateia escuta a trajetória de Aurora. A senhora conta sobre agressões verbais, enquanto realiza a limpeza da cidade. Paralelo a isso, é possível ver como as pessoas ao seu redor ignoram a sua presença e ela precisa gritar “licença”, para que abram espaço, enquanto Aurora carrega uma sacola de lixo pesada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para ampliar a sensação de dor e desespero da situação, a produção investe em utilizar fotografias, com uma granulação alta e alguns borrões. Esta estratégia pode ser traduzida na ideia de uma distorção do real que, muitas vezes, é mais absurda do que a fantasia. Diversas pessoas cercam Aurora, porém ela parece sozinha, desprotegida e desrespeitada, como se fosse intocável, por conta de sua profissão. Estas imagens e as seleções estéticas mostram uma profundidade da compreensão de Kaplan e sua equipe no que estão contando, de fato.</span></p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18405" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image-3-4.png" alt="Tratado de Invisibilidad" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image-3-4.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image-3-4-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image-3-4-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse zelo também é colocado quando são escolhidas atrizes para falar o relato de Claudia, funcionária do metrô, que se encontra em estado completo de vulnerabilidade. Com uma rotina de assédios de todos os tipos e um trabalho insalubre, a mesma teme ser punida pela empresa terceirizada, contratada pelo governo para atuar no serviço de limpeza dos metrôs. Ainda que sejam intérpretes, as suas vozes permanecem no tom de todas as outras entrevistadas, bem como a decupagem é semelhante. Este também é um ponto alto dentro das escolhas do documentário, porque reafirma o estado de consciência do processo criativo da direção e do roteiro do filme.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse olhar apurado para o humano, para os contextos sociais e políticos do mundo e para o cinema é profundo em <strong><em>Tratado de Invisibilidad</em></strong> esta perspectiva complexa de estruturas – sejam elas da sociedade ou do audiovisual – também se apresentam na trama, que vai enredando em que assiste nas vidas destas mulheres e nos dramas que elas vivem diariamente. No início da projeção, por exemplo, observa-se uma sala de cinema sendo limpa. Há ali uma dose de ironia, porque, provavelmente, o espaço que está exibindo o doc passou por esse processo, antes da sessão começar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao mesmo tempo, é como se aquela ação fosse ritualística, uma higienização material sendo posta em prática, para que o mental do público acompanhe aquele ato. A leveza ainda está presente nas primeiras sequências. No entanto, a cada conversa com uma entrevistada, e em seus retornos para o centro do enredo, o peso cresce e a argumentação central fica cada vez mais intensa. Há um clímax exposto, que é o momento no qual as manifestações contra a opressão e falta cumprimento das leis da empresa terceirizada de limpeza do metrô é vista. Em seguida, uma finalização da lógica discursiva inserida no filme conecta todas as histórias colocadas em cena. Assim, é perceptível a noção de roteiro de cinema que Luciana Kaplan possui. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é fácil encontrar documentários com esta compreensão de escrita cinematográfica documental, mas aqui, nesta produção, este é um dos pontos qualitativos mais altos. São por estes motivos que o longa-metragem é uma grande realização para o cinema mexicano – quiçá mundial. Além de toda a sua técnica apurada, o seu tema é urgente e necessário. Amarrando a lógica de que arte pode (e deve) denunciar, porém não esquecendo que é um produto artístico, Luciana Kaplan emociona, impacta e cria um importante documento para se contar a história contemporânea das trabalhadoras de limpeza de seu país.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, Kaplan conta com um riquíssimo time de personagens em <strong><em>Tratado de Invisibilidad</em></strong>, que serão listadas aqui, para tentar, de alguma maneira, encerrar este texto inspirada nas ações do próprio filme analisado, e reduzir um pouco da invisibilidade delas (e dele):</span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Teresa Salinas Ortega</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Elena Ordoñez Mendez</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Aurea Salgado</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Gregoria Martínez</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Laura Espinoza</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Rosalba Ramírez</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Martha Aurora Domínguez</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Juan Carlos Díaz Arias</span></li>
</ul>
<p><strong>Direção:</strong> Luciana Kaplan</p>
<div class="entry-content-wrap clearfix">
<div class="entry-content body-color clearfix link-color-wrap ">
<div class="entry-content-wrap clearfix">
<div class="entry-content body-color clearfix link-color-wrap ">
<div class="entry-content-wrap clearfix">
<div class="entry-content body-color clearfix link-color-wrap ">
<p>Acesse nossas notícias de <strong>Festivais </strong><a href="https://coisadecinefilo.com.br/tag/festival/"><em><strong>clicando aqui</strong></em></a>!</p>
</div>
</div>
</div>
</div>
</div>
</div>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/39o-festival-internacional-de-cinema-de-guadalajara-tratado-de-invisibilidad/">39º Festival Internacional de Cinema de Guadalajara: Tratado de Invisibilidad</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://coisadecinefilo.com.br/39o-festival-internacional-de-cinema-de-guadalajara-tratado-de-invisibilidad/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>39º Festival Internacional de Cinema de Guadalajara: Después</title>
		<link>https://coisadecinefilo.com.br/39o-festival-internacional-de-cinema-de-guadalajara-despues/</link>
					<comments>https://coisadecinefilo.com.br/39o-festival-internacional-de-cinema-de-guadalajara-despues/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Jun 2024 20:36:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Festivais]]></category>
		<category><![CDATA[39º Festival Internacional de Guadalajara]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Darío Rocas]]></category>
		<category><![CDATA[Después]]></category>
		<category><![CDATA[FICG]]></category>
		<category><![CDATA[Filme]]></category>
		<category><![CDATA[Guadalajara]]></category>
		<category><![CDATA[Ludwika Paleta]]></category>
		<category><![CDATA[Nicolás Haza]]></category>
		<category><![CDATA[Sofía Córdova-Gómez]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://coisadecinefilo.com.br/?p=18340</guid>

					<description><![CDATA[<p>O luto não é uma experiência linear, tampouco algo que se supera. Neste sentido, a premissa estética e discursiva de Después faz sentido e é bem-vinda. Dirigido por Sofía Gómez-Córdova, o longa-metragem traz a relação de uma mãe, Carmem (Ludwika Paleta), com seu filho, Jorge (Nicolás Haza), e a sua perda com a morte prematura dele. A temporalidade para revelar o passado de Carmem, a relação que a mesma estabeleceu com o marido e seu amor pelo filho é de [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/39o-festival-internacional-de-cinema-de-guadalajara-despues/">39º Festival Internacional de Cinema de Guadalajara: Después</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O luto não é uma experiência linear, tampouco algo que se supera. Neste sentido, a premissa estética e discursiva de <strong><em>Después</em> </strong>faz sentido e é bem-vinda. Dirigido por Sofía Gómez-Córdova, o longa-metragem traz a relação de uma mãe, Carmem (Ludwika Paleta), com seu filho, Jorge (Nicolás Haza), e a sua perda com a morte prematura dele.</p>
<p>A temporalidade para revelar o passado de Carmem, a relação que a mesma estabeleceu com o marido e seu amor pelo filho é de idas e vindas. A ideia em si não é maléfica, porém a execução é dolorosa. Primeiramente, através da direção, fotografia e música incidental, o espectador já saberá, nos primeiros segundos da exibição, que Jorge não sobreviverá.</p>
<p>Caso a maneira como sua partida fosse feita, esse dado seria suavizado. No entanto, novamente, escolhas técnicas imprimem um desejo de surpresa pelo acontecimento. Mas, não há impacto, porque todos os signos do luto materno já estavam postos, tanto imageticamente quanto nos diálogos.</p>
<p>Jorge é posto como fofo e dedicado à mãe de forma demasiada. Nas recordações de sua infância, músicas melancólicas invadem o extra-diegético e a temperatura sépia clara fomenta ainda mais a construção da perda. Nesta lógica, ainda é possível notar a ausência de uma elaboração da própria trama.</p>
<p>As idas e vindas diluem qualquer espaço para progressão. Dificilmente, o público se apega as personagens, seus conflitos, ligações e emoções. Há uma tonalidade monocórdica vinda do sonoro e visual, que deixam com que a tristeza não invada o ecrã e seu enredo, tornando-se entediante.</p>
<p>O que a plateia recebe são clipes, com insertes e frases de efeito, que não alcançam o resultado esperado &#8211; como na sequência que Carmem descobre que Jorge se afogou e precisa dizer o policial informações crucias e dolorosas, como o ano que ele nasceu, mostrando que ele faleceu jovem.</p>
<p>Contudo, é necessário frisar o esforço profundo de Ludwika Paleta para criar um papel sólido e preenchido de camadas em <strong><em>Después</em></strong>. Sendo uma atriz que foca em nas nuances de gestos e expressões faciais &#8211; a intérprete veio da televisão e funciona nesta dinâmica de elaborar emoções através dos olhos e micro movimentos.</p>
<p>Sua Carmem tem na respiração e nas miradas de contracena um poder de co-criar com quem assiste uma história por cima da história original. Se o longa não sabe como dosar os elementos audiovisuais para emocionar, Paleta o sabe. Indo de encontro às seleções óbvias, ela coloca em cena um processo interno, que transborda, nas suas escolhas.</p>
<p>Paleta ainda empresta sua voz para Carmem, que é uma musicista, que desistiu da carreira para, justamente, poder prover com mais amplamente para seu filho. Mas, como se é sabido, o talento de uma atriz não pode salvar toda uma obra, mas pode fazer com que uma produção seja mais palatável.</p>
<p>É exatamente isso o que acontece em <strong><em>Después</em></strong>, um longa perdido, que serve como uma vitrine para se observar o talento de uma intérprete experiente, concisa e meticulosa. Para quem não se interessa por analisar e/ou acompanhar a jornada de atuação de uma artista, ver os primeiros 15/20 minutos do filme já é suficiente para compreendê-lo em sua totalidade.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Sofía Córdova-Gómez</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Ludwika Paleta, Nicolás Haza, Darío Rocas</p>
<div class="entry-content-wrap clearfix">
<div class="entry-content body-color clearfix link-color-wrap
 "></p>
<p>Acesse nossas notícias de Festivais <a href="https://coisadecinefilo.com.br/tag/festival/"><em><strong>clicando aqui</strong></em></a>!</p>
</div>
</div>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/39o-festival-internacional-de-cinema-de-guadalajara-despues/">39º Festival Internacional de Cinema de Guadalajara: Después</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://coisadecinefilo.com.br/39o-festival-internacional-de-cinema-de-guadalajara-despues/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Festival de Cinema de Guadalajara lança 39ª edição em junho</title>
		<link>https://coisadecinefilo.com.br/festival-de-cinema-de-guadalajara-lanca-39a-edicao-em-junho/</link>
					<comments>https://coisadecinefilo.com.br/festival-de-cinema-de-guadalajara-lanca-39a-edicao-em-junho/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Jun 2024 18:27:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Festivais]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Festival]]></category>
		<category><![CDATA[Festival de Cinema de Guadalajara]]></category>
		<category><![CDATA[Festival Internacional de Cinema de Guadalajara]]></category>
		<category><![CDATA[FICG]]></category>
		<category><![CDATA[Guadalajara]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://coisadecinefilo.com.br/?p=18220</guid>

					<description><![CDATA[<p>Um dos festivais mais importantes do México e da América Latina, o 39º Festival Internacional de Cine em Guadalajara (FICG) acontece entre os dias 07 a 15 de junho. Com exibições de curtas e longas-metragens mexicanos, da América Latina e do mundo inteiro, o FICG conta com obras de ficção — live action e animação — e documentários. Além disso, o evento conta com produções extra competitivas, incluindo projeções do grande homenageado do ano: Álex de la Iglesia. Para completar [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/festival-de-cinema-de-guadalajara-lanca-39a-edicao-em-junho/">Festival de Cinema de Guadalajara lança 39ª edição em junho</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Um dos festivais mais importantes do México e da América Latina, o 39º Festival Internacional de Cine em Guadalajara (FICG) acontece entre os dias 07 a 15 de junho. Com exibições de curtas e longas-metragens mexicanos, da América Latina e do mundo inteiro, o FICG conta com obras de ficção — live action e animação — e documentários. Além disso, o evento conta com produções extra competitivas, incluindo projeções do grande homenageado do ano: Álex de la Iglesia. Para completar a celebração, o convidado de honra da 39º ano é toda a comunidade madrilenha. O intuito é destacar l cinema de língua espanhola. Para acessar a programação completa do FICG, <a href="https://ccemx.org/evento/39-edicion-festival-internacional-de-cine-en-guadalajara/">clique aqui</a>!</p>
<p>Acesse nossas notícias de Festivais <a href="https://coisadecinefilo.com.br/tag/festival/"><em><strong>clicando aqui</strong></em></a>!</p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/festival-de-cinema-de-guadalajara-lanca-39a-edicao-em-junho/">Festival de Cinema de Guadalajara lança 39ª edição em junho</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://coisadecinefilo.com.br/festival-de-cinema-de-guadalajara-lanca-39a-edicao-em-junho/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
