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	<title>Arquivos Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>XXI Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema: Para Vigo me voy</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 19 Apr 2026 11:11:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Cacá Diegues é um dos grandes nomes do cinema brasileiro e sua filmografia contém obras geniais, como Bye Bye Brasil, Ganga Zumba e Xica da Silva. O cineasta merece todo tipo de homenagem, mas para um artista tão talentoso e criativo, faltou inventividade ao longa de Karen Harley e Lírio Ferreira, que seguiu com um modelo entrevista + imagens de arquivo. Aqui, o grande incômodo é a estrutura repetitiva, na qual se vê trechos dos filmes de Cacá, entrevistas recentes [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Cacá Diegues é um dos grandes nomes do cinema brasileiro e sua filmografia contém obras geniais, como <em>Bye Bye Brasil</em>, <em>Ganga Zumba</em> e <em>Xica da Silva</em>.</p>
<p style="font-weight: 400;">O cineasta merece todo tipo de homenagem, mas para um artista tão talentoso e criativo, faltou inventividade ao longa de Karen Harley e Lírio Ferreira, que seguiu com um modelo entrevista + imagens de arquivo.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Aqui, o grande incômodo é a estrutura repetitiva, na qual se vê trechos dos filmes de Cacá, entrevistas recentes e antigas, sempre criando essa sensação de circular, que entedia pela previsibilidade estrutural</span><span style="font-weight: 400;">.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">A forma como a montagem é feita pela extensa equipe de editores é interessante em si, mas na quarta ou quinta vez que as estratégias de corte são usadas, o espectador pode começar a olhar no relógio.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Ainda que seja uma sessão cansativa, a edição emociona, principalmente aqueles que apreciam a filmografia de Diegues. A interlocução entre opinião politica e as vivências de Cacá, juntamente com sequências memoráveis que ele dirigiu é um fio condutor intenso, sobretudo antes da lógica narrativa se reiterada</span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;"> A fragilidade física do artista, combinada com a admiração que todos que cercam Diegues têm por ele também é um elemento sagaz da equipe. Fica resolvido no documentário que faces distintas do realizador serão convocadas para o ecrã: do forte e “treteiro” até o mais sensível e fragilizado pela idade.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">É necessário ressaltar, no entanto, que o doc flerta apenas na exploração dessa profundidade. A produção é uma ode ao diretor, mas que dá uma sensação de receio em mexer demais com uma figura como essa. O mesmo pode ser dito sobre as questões discursivas tratadas durante a projeção.</span></p>
<p>A plateia se depara com flertes sobre debates sociais, que acabam ficando rasos e rápidos. Pela intensidade do que Cacá foi, é e representa, um investigação maior de sua luta seria justo e coerente com o longa.</p>
<p>Desta maneira, <em>Para Vigo me Voy</em> é uma atitude bonita, de um cinema que respeita e valoriza sua história. Apesar de precisar de mais coesão e menos repetições, o título vale, sobretudo, pela contemplação de uma filmografia com muitos materiais geniais e essenciais para a história da arte.</p>
<p><br style="font-weight: 400;" /><strong>Direção</strong>: Karen Harley e Lírio Ferreira</p>
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		<title>XXI Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema: Deyse Ex machina</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Apr 2026 16:59:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>É impressionante como se confunde muito ter um brainstorming promissor com uma boa ideia de filme. Deyse ex machina é um abarrotado de idéias, mal filmadas, que se salva apenas por um único fator: a atriz protagonista. O que a equipe do curta-metragem de Jasmelino de Paiva quer contar? A história gira em torno de Deyse, que decide parar de fumar, no dia de seu aniversário de 55 anos. E é isso. Nada mais. O único conflito explorado é a [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>É impressionante como se confunde muito ter um brainstorming promissor com uma boa ideia de filme.</p>
<p style="font-weight: 400;">Deyse ex machina é um abarrotado de idéias, mal filmadas, que se salva apenas por um único fator: a atriz protagonista.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">O que a equipe do curta-metragem de Jasmelino de Paiva quer contar? A história gira em torno de Deyse, que decide parar de fumar, no dia de seu aniversário de 55 anos. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">E é isso. Nada mais. O único conflito explorado é a vontade de fumar de Deyse. </span><span style="font-weight: 400;">Apesar de alguns elementos sobre a vida dela serem jogados na trama, eles não são desenvolvidos.</span></p>
<p>Não existe aqui uma construção de narrativa coesa e concreta, apesar da obra se apresentar dentro de uma lógica cinematográfica tradicional.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">As vivências, os conflitos e o cotidiano da personagem principal são trazidos, ou melhor, comentados brevemente, sem trazer reflexão ou investigação. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Um exemplo é a questão do filho de Deyse, que parece um problema, mas ao final da exibição, não fica nítida a razão de sua angustia pela ausência do menino. Ele aparece faceiro e risonho apenas.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Na verdade, Deyse passa o curta inteiro de um lado para o outro, porém ela não tem um propósito definido e não sofre nenhuma transformação.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, olhando para toda essa lógica ,a produção poderia ofertar um prazer sensorial estético. O cinema tem dessas! </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">No entanto, visualmente o filme também incomoda. O constante uso de câmera na mão tira o ritmo das cenas. </span>Se não existe equilíbrio visual e de velocidade, não há um resultado rítmico apropriado.</p>
<p style="font-weight: 400;">Na maioria das vezes, é necessário parar, criar um respiro, e situar o público sobre a história que se quer contar.</p>
<p style="font-weight: 400;">Além disso, o uso da luz parece equivocado. <span style="font-weight: 400;">Além da iluminação estar quase sempre direcionada para o lugar de menor atenção, ela não cria sentido junto com os enquadramentos.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;"> Um exemplo, é a cena em que Deyse conversa em uma mercearia. Atrás das atrizes centrais para a sequência, tudo está estourado. Já elas, ficam no escuro.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Durante toda a sessão resta essa impressão de que a equipe fez tudo de forma muito amadora, que falta zelo narrativo e apuro estético. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Mas, a exibição não é um pesadelo dantesco, porque Diva Gonçalves aparece para criar o mínimo de sentido dramatúrgico para sua personagem.</span></p>
<p style="font-weight: 400;">Com consciência de como se posicionar para câmera, Diva consegue criar retenção e deslocamento coesos, mesmo com a ausência de steadicam, que faz a imagem não para de se mexer.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Enquanto a intérprete dirige ou caminha, a sua respiração é trabalhada de tal forma que sua voz sai com organicidade.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">A plateia consegue vislumbrar quem Deyse é, porque Diva traz elementos da personalidade desta figura de forma vibrante. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Um exemplo é quando ela encontra seu amigo Pão de Mel. A cadência da fala se transforma, enquanto o rapaz vai dialogando com ela.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Ao mesmo tempo que Diva imprime tensão, ela convoca vulnerabilidade ao seu papel, ao mesclar titubear com tons graves na fala. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Assim, a atriz revela um conhecimento de criação de personagens e entrega um bom resultado. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Ainda que <em>Deyse ex machina</em> não siga o mesmo caminho que o de Diva, a projeção pode ser proveitosa para alguns. </span>Talvez, atrizes e atores iniciantes possam olhar para este título como um material de estudo.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Porque, a verdade do audiovisual é que nem sempre as melhores condições de trabalho serão entregues, diversas vezes as equipes possuem ideias inexequíveis, porém a entrega do elenco tem que ser profunda e completa. E Diva mostra aqui como é que se faz!</span></p>
<p><strong>Direção</strong>: Jasmelino de Paiva</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Diva Gonçalves, Juliana Sena, Nilton Resende</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="Deyse Ex Machina (trailer)" width="1170" height="658" src="https://www.youtube.com/embed/HRpFpE-N-Yc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>XXI Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema: Dolores</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Apr 2026 12:17:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Algumas vezes, ao contemplar um filme, uma pergunta pode pairar no: por que patavinas essa pessoa quis contar essa história? Dolores convoca esse questionamento, por toda a sua confusão narrativa. Neste sentido, o maior incômodo durante a projeção é a ausência de espaço para o desenvolvimento da protagonista Dolores (Carla Ribas). No aparente desejo de complexificar a trama, o roteiro, Maria Clara Escobar (Desterro) e Marcelo Gomes (Paloma) — também diretores do longa-metragem — se perdem. Além de Dolores, o [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="font-weight: 400;">Algumas vezes, ao contemplar um filme, uma pergunta pode pairar no: por que patavinas essa pessoa quis contar essa história? <em>Dolores</em> convoca esse questionamento, por toda a sua confusão narrativa.</p>
<p>Neste sentido, o maior incômodo durante a projeção é a ausência de espaço para o desenvolvimento da protagonista Dolores (Carla Ribas). No aparente desejo de complexificar a trama, o roteiro, Maria Clara Escobar (<em>Desterro</em>) e Marcelo Gomes (<em>Paloma</em>) — também diretores do longa-metragem — se perdem.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Além de Dolores, o público acompanha a filha e a neta dela. Os  enredos são apresentados de maneira intercalada. A jornada da heroína, Dolores, é interrompida para trazer dados das coadjuvantes, que não enriquecem tanto assim a premissa.</span></p>
<p>A figura dramática central quer ser rica e acredita que tudo na sua vida vai mudar, após o seu aniversário de 66 anos. É isso que é a obra. Mas, o plot não consegue caminhar, porque, ao invés de investigar bem essa papel principal, Escobar e Gomes decidem colocar tanta coisa extra, que não contam o mínimo de gênesis de personagem.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Qual a motivação de Dolores? Quem é essa mulher com esse vício que a domina tanto? Quais emoções perpassam a sua mente e alma quando se trata da sua filha? E da sua neta? Obviamente, essas questões poderiam ser outras também. O único pedido da plateia é que exista a chance de conhecer a figura de destaque de uma obra.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Porque através dela é que quem assiste se conecta com um dado produto audiovisual. Dentro desta lógica dramatúrgica, o problema não é inserir um romance de uma personagem bem coadjuvante, é essa escolha desviar o caminho da construção de dramaturgia de Dolores e nem ao menos ser feito de um jeito costurado com os outros fatos dramáticos.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Todavia, ainda que a base seja fraca, o elenco segura a produção nas costas. Ribas contém dentro do seu próprio jeito de atuar uma suavidade que soa como perigosa. A intérprete é daquelas que consegue dizer textos absurdos, intensos e/ou fortes com uma modulação delicada da voz.</span></p>
<p>Aqui essa característica é um ganho por conta da ambição não raciocinada de Dolores. A atriz emite uma certeza quase delirante ao proferir as suas falas. Combinado a essa estratégia de Ribas, existe a estilística de Naruna Costa (Duda).</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Ela é quem equilibra a placidade presente no tom de Dolores. Todavia, Naruna e Carla não são monocórdicas. O que a dupla faz é criar energias opostas entre mãe e filha, que geram embates com movimentações e tonalidades vocais distintas. Esse caminho torna as sequências mais interessantes de acompanhar, porque, entre retenção e explosão, surpresas são criadas.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Assim, o marasmo e a volta em círculos do roteiro são um pouco dissolvidos por conta desse jogo cênico de Naruna e Carla. Além disso, a presença de Gilda Nomacce (<em>Enterre seus mortos</em>) e a participação de Zezé Motta (<em>Xica da Silva</em>) também dinamizam os arcos dramáticos truncados das personagens.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">A partir de todo esse contexto, também vale ressaltar a qualidade técnica da caracterização. Tanto em termos de temperatura como de textura, figurino e maquiagem transmitem elementos das personagens que muitas vezes parecem faltar ao roteiro.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Em uma dada sequência, por exemplo, vemos Dolores com um sutiã meigo e simples. Como ela costura lingeries, esse é um dado importante para a sua personalidade, porque dentro do que ela faz, ela escolheu aquela peça, que é delicada, mas com muitos detalhes.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Em alguns instantes, como na abertura do longa, a iluminação ajuda na construção desta sensação do que Dolores vive. Todavia, a luz incomoda em diversos momentos. Para além desta estética “gelatinesca”, com cores vermelhas e verdes intensas, na maioria das sequências a luz está chapada.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Sem camadas até nas imagens, Dolores tem uma boa intenção em contar a história de uma mulher mais velha, que resiste e continua a sonhar. Contudo, sem profundidade narrativa e com uma técnica mediana, a sessão é um tanto angustiante, por não conseguir conectar o espectador com a obra.</span></p>
<p>Direção: Maria Clara Escobar e Marcelo Gomes</p>
<p>Elenco: Carla Ribas, Naruna Costa, Gilda Nomacce</p>
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		<title>XXI Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema: Xica da Silva</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Apr 2026 01:48:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Xica da Silva é um espetáculo visual e narrativo, no qual um encontro entre um diretor como Cacá Diegues (Bye Bye Brasil) e uma atriz como Zezé Motta (Doutor Gama) resulta em instantes cênicos memoráveis.  Ainda que gere desconforto em diversos momentos da sessão, o longa-metragem de Diegues possui sequências que beiram a genialidade. A começar pela construção de Zezé, que é pautada por modulações vocais, que destacam os momentos que a sua personagem está vivendo. Os distintos tons revelam [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="font-weight: 400;"><em>Xica da Silva</em> é um espetáculo visual e narrativo, no qual um encontro entre um diretor como Cacá Diegues (<em>Bye Bye Brasil</em>) e uma atriz como Zezé Motta (<em>Doutor Gama</em>) resulta em instantes cênicos memoráveis.  Ainda que gere desconforto em diversos momentos da sessão, o longa-metragem de Diegues possui sequências que beiram a genialidade.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">A começar pela construção de Zezé, que é pautada por modulações vocais, que destacam os momentos que a sua personagem está vivendo. </span><span style="font-weight: 400;">Os distintos tons revelam os sentimentos de Xica e o que ela pretende fazer. </span>Esse elemento potencializa a sensação de proximidade com a personagem.</p>
<p style="font-weight: 400;">Além disso, Zezé revela uma destreza na composição física do seu papel, porque cada retenção e movimento parece calculado.  <span style="font-weight: 400;">Ao mesmo tempo, a intérprete imprime organicidade porque faz destes gestos de Xica um complemento para a narrativa.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Na realidade, um dos maiores méritos de Zezé Motta aqui é conseguir aliviar a visão racista e misógina desta adaptação homônima do livro de  João Felício dos Santos. </span><span style="font-weight: 400;">Há uma dignidade inserida em Xica, que vem da perspectiva de Zezé.</span><span style="font-weight: 400;"> Em relação aos incômodos (muitas vezes amortecidos pela presença e trabalho de Motta), é preciso pensar sobre o momento no qual o longa foi feito.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Em diversas entrevistas, Cacá Diegues deixa nítido como a indústria do audiovisual tinha interesse ínfimo em retratar narrativas negras. </span><span style="font-weight: 400;">Desta forma, o que é possível de observar na produção é o retrato de uma mulher que existiu e virou uma lenda, sob a perspectiva de um diretor talentoso, mas um homem branco, que tinha interesse em trazer para a telona mais histórias da comunidade negra, vide sua filmografia.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Então, existem méritos e deméritos no longa e cabe o espectador ter discernimento para criticar e saber apreciar o que existe de revolucionário ali. Contar a história de Xica da Silva, dando-lhe protagonismo e criticando os brancos europeus tem um quê de satisfatório.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Talvez, todavia, o desfecho da sessão pudesse ser de triunfo para a protagonista? No entanto, também cabe observar dois elementos certeiros da direção de Diegues, que amortecem certos impactos da narrativa. O primeiro é o apuro estético do cineasta. A composição de enquadramento e luz engrandecem a trama.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Ao lado do diretor de fotografia José Medeiros (<em>Jubiabá</em>), os quadros recebem uma iluminação que, não apenas apresenta o estágio do enredo e a situação de sua heroína (apresentação do problema, enlace, clímax etc.), como entrega qual a perspectiva de Xica sobre cada momento.</span></p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-20567" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/04/IMG_6430.jpeg" alt="" width="588" height="390" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/04/IMG_6430.jpeg 588w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/04/IMG_6430-360x240.jpeg 360w" sizes="(max-width: 588px) 100vw, 588px" /></p>
<p>Um exemplo é a sequência na qual a moça faz o seu jogo de sedução com o Comendador João Fernandes (Walmor Chagas). De onde a luz incide? Das janelas, ao fundo. Xica fala uma coisa com o corpo e outra com o texto verbal. Inclusive, toda a encenação deste instante narrativo é uma aula de direção.</p>
<p>Para além da iluminação, tem-se a marcação de cena, que coloca todos os brancos “figurões” da cidade à margem. Em um plano geral, Xica desliza pelo espaço, apropriando-se dele, tomando-o como seu, a partir desta conexão com João. Essa é uma parte importante da sessão, porque ilustra o segundo ponto sobre o olhar de Cacá.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Apesar de contar com seu male gaze branco, existe um respeito nesse gaze. (É, essa é uma das coisas mais difíceis que esta que vos fala precisou explicar, porém foi isso mesmo que foi dito). Ele procura reverenciar essa figura dramática com sua câmera.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Uma forma de observar esse cuidado de Diegues é justamente em sua decupagem. </span>Os quadros de nudez de Xica, geralmente, são mais longos, mais abertos e com movimentos de câmera. Além disso, os gestos e deslocamentos parecem meticulosamente coreografados. Apesar de existir uma grande sensualidade e exuberância em Xica, aqui há uma artificialidade orgânica, que contribui para uma interpretação mais estética do que sexual.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Algo que eleva essa potencialidade é o trabalho da equipe de arte. Os tons e as texturas imprimem essa dicotomia que habita a personalidade de Xica. Entre jóias e badulaques, ela não deixa de ser guerreira e estratégica nunca. Essas características estão nas tonalidades e formatos dos objetos.</span></p>
<p>O amarelo e o branco são destaque nas peças de Xica, enquanto o verde e o azul a cercam nos locais que ela está presente. A abundância e a paz que ela deseja está sempre em perigo, seja na melancolia ou na desesperança, que são elementos opostos à sua personalidade. São nesses símbolos que a complexidade dela é formada e a construção de sentido complexificada.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Desta maneira, <em>Xica da Silva</em> é um filme difícil de se julgar. Apesar de conter questões que não podem ser deixadas de lado em debates, a obra impressiona pelo seu apuro técnico, na direção, na atuação de Zezé Motta e no trabalho de todo o elenco, que aumenta ainda mais a qualidade das cenas.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;"> Por fim, o longa ainda tem a música tema, que é inserida nos momentos de glória de Xica. O desfecho poderia ser mais justo com a trajetória da personagem, porém é impossível que esse seja um título que não desperte emoções profundas em quem o assiste com atenção.</span></p>
<p><br style="font-weight: 400;" /><strong>Direção</strong>: Cacá Diegues</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Zezé Motta, Walmor Chagas, Stepan Nercessian</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="Xica da Silva - Trailer" width="1170" height="878" src="https://www.youtube.com/embed/wTrlXi-2ncc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>XXI Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema: Morte e Vida Madalena</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Mar 2026 00:42:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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		<category><![CDATA[Guto Parente]]></category>
		<category><![CDATA[Morte e Vida Madalena]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Construção de personagem, trama redonda e elaborada, timing cômico, elenco coeso, criatividade, decupagem à serviço da narrativa, Morte e Vida Madalena é bom longa-metragem. Se não contasse com algumas pequenas barrigas, a produção teria ainda mais êxito. O que acontece aqui é que alguns conflitos e situações são esticados, tornando-se prolixos dentro da história, o que, consequentemente, cansa o espectador. Mas, a verdade é que esses instantes são poucos e não fazem do longa uma obra ruim. Na realidade, Vida [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="font-weight: 400;">Construção de personagem, trama redonda e elaborada, timing cômico, elenco coeso, criatividade, decupagem à serviço da narrativa, Morte e Vida Madalena é bom longa-metragem. Se não contasse com algumas pequenas barrigas, a produção teria ainda mais êxito.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">O que acontece aqui é que alguns conflitos e situações são esticados, tornando-se prolixos dentro da história, o que, consequentemente, cansa o espectador. Mas, a verdade é que esses instantes são poucos e não fazem do longa uma obra ruim.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Na realidade, <em>Vida e Morte Madalena</em> é entretenimento de excelência, porque consegue realizar uma boa comédia no seu sentido mais primevo da história das artes.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Ou seja, mesclando crítica social, com aprofundamento das relações humanas, o público cria uma noção de intimidade com as personagens e distanciamento pelo ridículo que elas convocam, ampliando o estado reflexivo.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">A junção do debate sobre os desafios de se gravar um filme, de ser uma mulher contemporânea, lidar com homens criados por um sistema que os deixa mimados e incapazes de serem funcionais em sua totalidade e sobreviver ao sistema capitalista está lá na narrativa, de forma inteligente, porque é direto/gritante, porém também sutil ou através de alegorias</span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Além disso, é importante que o cinema sempre reforce para o público geral como fazer audiovisual não é fácil. Há todo esse caos normalizado, que artistas precisam lidar enquanto criam suas obras, com toda a pressão para pagar as contas, fazer um bom trabalho e ainda ter que lidar com todas as idiossincrasias de seus colegas de set.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">A escolha de Guto Parente em inserir um universo realista/naturalista das filmagens de Madalena versus a trama intergalática que a protagonista grava aumenta a potencialidade dessa reflexão sobre o que está sendo mostrado na tela. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Porque há, de um lado, um estranhamento quando a textura da imagem muda ou quando os figurinos do filme dentro do filme levam a plateia para uma distopia fantástica que parece fazer mais sentido que a realidade. Todos os absurdos da vida de Madalena são muito maiores do que esse do mundo fantástico que ela filma.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Curiosamente, pode-se criar aqui um paralelo para outros mundos, pessoais e da sociedade, no qual a distopia mais insana não será tão dantesca quanto o cotidiano sistemático do pagar boletos e do não importa se você ama cinema ou não, a vida e a morte estão acontecendo.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Neste sentido, é necessário destacar o brilhantismo de Noá Bonoba ao construir sua Madalena. Entre perplexidade diante do que ocorre com ela e costume em ser o esteio da vida de todos que a cercam, Madalena apresenta uma certeza titubeante e é nisso que a atuação de Bonoba se mostra genial.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Noá faz isso nas pausas verbais e corporais, em seus olhos que circulam pelo espaço, como se ela buscasse uma resposta no infinito e lembrasse que está tudo dentro dela. A intérprete também profere as palavras dos diálogos do roteiro com uma consciência de construção de papel que se vê pouco nos palcos ou no ecrã.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">A dinâmica entre aceleração, lentidão e retenção é a chave para retratar essa mulher exausta, porém criativa, feita por Bonoba. E ela não deixa essa dança cênica ficar apenas para si.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Noá leva tudo isso para a contracena desta maneira também. E quando seus colegas estão com ela todos entram nesta mesma sintonia. </span><span style="font-weight: 400;">Assim, a “brincadeira” de relacionar com o espaço, e entre si, funciona. Um exemplo forte disso é quando Madalena descobre que o pai de Natasha (Nataly Rocha), assistente de direção do filme dentro do filme e uma das melhores amigas da protagonista, faleceu, e quase todos do set a abraçam. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">As temporalidades de locomoção e de fala fluem entre velozes e prolongadas, e que vão se extendendo até viraram conforto para Madalena, o que também acaba criando quase uma impressão sensorial no público.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Dentro desta lógica, o trabalho de Parente fomenta essas impressões. </span><span style="font-weight: 400;">É curioso observar como a seleção dos enquadramentos e movimentos dos atores aumenta a fluidez do enredo. A equipe do filme dentro do filme aparece mais em planos gerais, com gestos mais contidos e de ações mais cotidianas. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Madalena é vista de perto, com efeitos de câmera que a cercam, que se aproximam e se afastam. Ela está constantemente em análise e a escolha de investigar esta mulher com calma e pluralidade de ângulos e movimentos ampliam essa intimidade com a história.</span></p>
<p>Essa lógica faz com que seja nítido durante a exibição quem comada a trama e qual é o foco da produção.  Apesar de em alguns momentos, como o da greve, esses recursos ficarem repetitivos, na maior parte da sessão eles funcionam.</p>
<p>Assim, <em>Morte e Vida Madalena</em> é um bom título do cinema brasileiro. Com criação de proximidade com o enredo e suas figuras dramáticas, o longa diverte e angústia na medida.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Além do mais, é sempre bom ver Marcus Curvelo, mesmo que como coadjuvante, fazendo o seu clown de sempre, que basta aparecer na tela para que gargalhadas ecoem na sala de cinema. </span></p>
<p><br style="font-weight: 400;" /><strong>Direção</strong>: Guto Parente</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Noá Bonoba, Nataly Rocha, Marcus Curvelo</p>
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		<title>XXI Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema: A vida de cada um</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Mar 2026 20:05:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>É impressionante como um realizador que foi diretor de fotografia de obras como Árido Movie (2005) e Dona Flor e seus dois maridos (1976) possa estar no comando de um longa-metragem como A vida de cada um. Falta cinema aqui, em sua mais básica concepção. É por isso que para falar deste filme é necessário pedir licença à cara leitora*, para uma pequena digressão. O que seria a arte cinematográfica se não uma mistura de linguagem e discurso? A técnica [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">É impressionante como um realizador que foi diretor de fotografia de obras como <em>Árido Movie</em> (2005) e <em>Dona Flor e seus dois marido</em>s (1976) possa estar no comando de um longa-metragem como <em>A vida de cada um</em>. Falta cinema aqui, em sua mais básica concepção. É por isso que para falar deste filme é necessário pedir licença à cara leitora*, para uma pequena digressão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que seria a arte cinematográfica se não uma mistura de linguagem e discurso? A técnica audiovisual possui lógicas. É necessário que o público enxergue uma história através de imagem e um som pensados. Existem regras para que tal objetivo seja alcançado, regras essas que podem ser quebradas, caso a prática seja estratégica, lógica e esteja à serviço da narrativa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aí, então, tem-se ele, o discurso. Este é imprescindível para qualquer produto midiático que se preze. Ele precisa ser coerente, amarrado e, obviamente, necessita estar embebido do progresso das ideias. Mentalidades ofensivas, visões estapafúrdias e preconceituosas de indivíduos e comunidades são inquestionavelmente dispensáveis e, muitas delas, podem ser até crime (racismo, transfobia, msoginia etc.).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A ofensa em <em>A Vida de cada um</em> não chega a ser violenta ao ponto de ser criminosa, ainda bem, mas ele é um exercício doloroso para as vistas e os ouvidos. Veja bem, leitora* que ainda não desistiu deste texto, a primeira coisa que se nota quando a projeção se inicia é que a saturação está baixa e o contraste alto. </span><span style="font-weight: 400;">Este fator  incomoda, porque ou a luz não foi pensada para aquela setagem ou a equipe queria criar uma sensação de penumbra, que não funciona, porque fica difícil enxergar o que está acontecendo em cena. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa também passa uma impressão de baixo valor de produção, justamente por essa escolha de tonalidades. Além disso, inserir essa opacidade e tom sombrio antes de que exista uma relação estabelecida entre produto e público faz com que pareça um efeito pelo efeito, uma vontade de criar tensão, que não foi elaborada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É importante refletir que encontrar uma exibição com imagem lavada e sem personalidade é frustrante, mas o exagero disso também é incômodo, sobretudo quando ferramentas técnicas não são usadas de forma coesa com a narrativa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, tá, se esse fosse todo o problema de <em>A vida de cada um</em> essa crítica seria mais enxuta, porém esse só é o começo de um exercício escrito sobre esta produção, pelo assombro, de fato, que acometeu esta crítica de cinema, enquanto a assistia. </span><span style="font-weight: 400;">Dois pontos cruciais, repito: cruciais, do audiovisual são jogados ao léu aqui. Decupagem e montagem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todavia, é um tanto árduo afirmar com exatidão qual foi o maior erro neste contexto. O que é possível dizer é que os quadros e movimentos de câmera, salvo em raras sequências, não ajudam na criação de universo ficcional ou a traduzir as emoções das personagens. </span><span style="font-weight: 400;">Os pontos de corte são escolhidos da pior maneira possível. E o que isso quer dizer, professora? Quer dizer que a plateia perde a noção de continuidade da cena, não apenas de temporalidades, porém do que está efetivamente acontecendo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E quando essas situações constrangedoras de edição ocorrem, não pense você, cara leitora*, que aparece no ecrã algo disruptivo, que elabora um sentido plural e profundo. </span><span style="font-weight: 400;"> Não, é erro mesmo, de você olhar para tela e perceber que algo está estranho. Essa percepção pode chegar também porque os eixos são invertidos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um dado momento, no qual a protagonista conversa sobre um esquema com seu paquera, a troca de eixos fica insuportável e já não se sabe o que se passando de fato, se o tempo vai passar, se algo vai acontecer, ou se o troca-troca de lado é apenas uma fatídica escolha. </span><span style="font-weight: 400;">Nesse sentido, as mudanças de época são desconfortáveis também, porque não são feitas de forma fluida e coesa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As informações de passado e presente não aparecem de maneira a entregar pistas da vida da personagem principal. Esse quebra-cabeça deveria ser para compreende as motivações dela e o que supostamente ocorreu com sua mãe. Não, na realidade, nem mesmo quando as situações se passam na mesma linha temporal existe uma coerência. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez, a intenção fosse não subestimar o espectador e isso é louvável, mas faltou criar sentido conexo. O pai de Flávia  vai fugir, vai morrer, vai matar, vai se vingar, vai o quê? Flávia (Bianca Comparato, <em>Irmã Dulce</em>) vai vender cocaína, já vendeu, não vai mais vender, mas vai sim vender, só que agora vai ser vereadora, porém vai vender cocaína, não, pera, não vai mais não, porque…é, porque…</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ninguém sabe exatamente qual o motivo de enfiarem tantas ações amontoadas no roteiro, de Salles com  Leo Garcia, que não desenvolvem as figuras dramáticas e nem a trama. Mas, para não abusar do espaço digital que abriga esta critica, caminhemos para o desfecho deste material observando o quanto o discurso de <em>A vida de cada um</em> é problemático. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de fazer um esforço hercúleo para ser progressista, quem assiste observa aqui uma visão branca e elitizada do tráfico de drogas e da favela. Longe desta que vos escreve palpitar sobre a vida pregressa de Salles e Garcia, mas a história aqui parece refletir quem eles são. Assim, a impressão que a obra passa é de que ela foi escrita por pessoas que não conhecem o ambiente retratado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> A sensação é de que <em>Tropa de Elite</em> encontrou <em>Cidade de Deus</em>, eles ficaram confusos e não souberam o que fazer, porque os diálogos são permeados de gírias e palavrões e ninguém saber o que está dizendo ou fazendo, mas estão ali no morro, com policiais corruptos, brigas por boca e&#8230;? Quem são essas pessoas? Ninguém sabe. </span><span style="font-weight: 400;">Essas discussões de certo renderiam longas conversas, mas vamos fazer um exercício socrático e deixar nesta crítica perguntas que podem iluminar o pensamento sobre qual é a razão do longa de Salles convocar tanta angústia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como são representadas as personagens negras? Qual o objetivo da produção ao passar o bastão do homem branco corrupto para a mulher branca corrupta, pensando no sentido de avaliação sobre o patriarcado em relação às mulheres? </span><span style="font-weight: 400;">Por que todos os arquétipos de quem nasceu e sobe o morro são negativos? Cadê as mulheres moradoras do morro? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ou, ainda, </span><span style="font-weight: 400;">não há saída para quem mora em comunidade? Por que não há nenhuma representação aprofundada dos sentimentos das figuras dramáticas que estão na tela, a não ser a do pai da “mocinha”? Por que em 2026 lançaram um filme de brancos sobre brancos que sobem o morro? Por que fizeram isso e ainda fizeram mal e porcamente?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">São muitas perguntas, mas para não dizer que 110 minutos foram surrupiados da plateia, é importante enaltecer a construção de papel feita por Bianca Comparato. Ela é uma excelente intérprete em tudo que faz, mas aqui ela merece uns pontos a mais, por tudo que está ao seu redor. A</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">inda que a direção de elenco não tenha visto os buracos enormes e as quedas de dinâmica de contracena, Comparato sustenta a sua Flávia. </span>A artista imprime uma mistura de carisma e odiosidade para Flávia, que, de certa maneira, prende a atenção de quem acompanha o enredo. Assim, A vida de cada um é ruim, mas, é melhor assistir a filme ruim nacional do que estrangeiro, ok?</p>
<p>Além do mais, em tempos de red pills e jogo do tigre, é melhor ver o esforço de Salles para denunciar mazelas da sociedade do que ver qualquer coisa de pessoas contemporâneas que são realmente ofensivas no sentido criminoso da palavra.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>*leitore/leitor</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Direção: Murilo Salles</p>
<p>Elenco: Bianca Comparato, Caco Ciocler, Drico Alves</p>
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		<title>XX Panorama Internacional Coisa de Cinema: O Mediador</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Apr 2025 15:03:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Quem conhece &#8211; e gosta &#8211; o trabalho de Marcus Curvelo (Mamata, Joderismo, Eu, empresa, etc.), vai gargalhar desde o primeiro plano de O Mediador. Mas, é aquela risada nervosa, que vem junto com um nó na garganta. Curvelo tem essa capacidade de apostar em estéticas simples para dizer coisas complexas e profundas. E funciona. Em seu curta-metragem novo é exatamente assim que acontece. O artista faz um documentário híbrido, que traz imagens dos brasileiros que clamavam por um golpe [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="font-weight: 400;">Quem conhece &#8211; e gosta &#8211; o trabalho de Marcus Curvelo (<em>Mamata</em>, <em>Joderismo</em>, <em>Eu, empresa</em>, etc.), vai gargalhar desde o primeiro plano de <em><strong>O Mediador</strong></em>. Mas, é aquela risada nervosa, que vem junto com um nó na garganta. Curvelo tem essa capacidade de apostar em estéticas simples para dizer coisas complexas e profundas. E funciona.</p>
<p>Em seu curta-metragem novo é exatamente assim que acontece. O artista faz um documentário híbrido, que traz imagens dos brasileiros que clamavam por um golpe de Estado, após as eleições de 2022. Ao mesmo tempo, temos as reflexões políticas e sociais de Marcus, em um estúdio e em caminhadas pelas ruas de Salvador.</p>
<p>Sem muita firula na técnica, porém com uma decupagem consciente, o que impacta aqui são os questionamentos sobre a contemporaneidade. Curvelo é inteligente e corajoso e faz um jogo com a cultura do cancelamento em seu texto.</p>
<p>Ele já se desculpa por todos os caminhos discursivos que escolhe, inclusive, reconhecendo privilégios e tensionando a própria importância da sua obra. Em uma só tacada, em uma sessão de quinze minutos, o realizador esgarça todo o imediatismo, a futilidade e o esvaziamento de pautas da sociedade contemporânea.</p>
<p>A montagem do curta ajuda nesta composição de ideias associativas. Como na sequência que Curvelo diz não ser de esquerda e, logo depois, o público vê ele “fazendo o L”, todo de vermelho e com boné do MST. Desta maneira, o espectador não é subestimado em <em><strong>O Mediador</strong></em>.</p>
<p>Há um convite na produção a reconhecer as camadas dos argumentos postos na narrativa. Para quem não conhece a ironia de Curvelo &#8211; e não é obrigada a saber, porque cada obra tem que falar por si &#8211; talvez, seja, de fato, complexo saber que há tanto sarcasmo assim por ali.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Até porque, inserido neste tom jocoso, existe uma interpretação que pode levar para uma leitura de que há uma angústia e uma culpa também em toda a sua brincadeira e olhar para o outro.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Porque o autor também se implica e se coloca junto a quem assiste, durante a projeção, para pensar no que é aquele produto que ele tem em mãos. </span>É neste sentido também que o filme tem camadas de complexidade.</p>
<p style="font-weight: 400;">Porque Curvelo vai fazendo graça, vai fazendo graça, até trazer uma frase que é um soco no estômago. E esse ciclo perdura durante a exibição inteira. No entanto, essa estratégia não fica cansativa, porque um arco dramático é criado, com progressão, clímax e desenlace.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Há uma consciência, além de tudo, de roteiro em <em><strong>O Mediador</strong></em>. Por isso que essas estruturas funcionam. Assim, o curta é amarrado, cumpre o que se propõe fazer e é um título importante para a filmografia de Marcus Curvelo. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Talvez, ele peque apenas por ser irônico demais, desagradando e afastando parte da plateia. Mas, também, paciência, não é mesmo? É necessário que autores tenham seu estilo e sua voz dentro da arte e Curvelo tem! </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;"><strong>Direção:</strong> Marcus Curvelo</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;"><strong>Elenco:</strong> Marcus Curvelo</span></p>
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		<title>XX Panorama Internacional Coisa de Cinema: O Deserto de Akin</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Apr 2025 21:55:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O que temos de mais bonito e profundo em O Deserto de Akin são as construções de relações. Por mais que o novo longa-metragem de Bernard Lessa seja um tanto ingênuo e se perca em saídas fáceis, a sua sessão emociona e engaja. Isto se dá tanto pela discussão política, por discutir a importância do Programa Mais Médicos, quanto pelo estabelecimento dos relacionamentos afetivos entre as personagens. É satisfatório acompanhar a rotina de Akin (Reynier Morales), médico cubano, em sua jornada [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O que temos de mais bonito e profundo em <strong><em>O Deserto de Akin</em></strong> são as construções de relações. Por mais que o novo longa-metragem de Bernard Lessa seja um tanto ingênuo e se perca em saídas fáceis, a sua sessão emociona e engaja.</p>
<p>Isto se dá tanto pela discussão política, por discutir a importância do Programa Mais Médicos, quanto pelo estabelecimento dos relacionamentos afetivos entre as personagens. É satisfatório acompanhar a rotina de Akin (Reynier Morales), médico cubano, em sua jornada profissional no Brasil.</p>
<p>A maneira como o protagonista é construído &#8211; permeado de uma doçura tímida, mas direta e cuidadosa &#8211; eleva a conexão do espectador com a trama. A forma como o roteiro, escrito por Lessa, insere progressivamente o perigo que Bolsonaro representa também é bastante efetivo.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">O público é convocado a se apegar ao universo de Akin, ao seu deserto particular, cheio de areia que invade as casas, de romances, de amigos, de amor ao ofício da medicina e de contemplação da vida. Por isso que quando a ameaça da vitória de Bolsonaro chega, quem assiste fica arrasado junto com Akin.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Dentro deste contexto, ele acaba por ser uma personagem bastante complexa, mesmo que a princípio ele soe como confuso, aos poucos, fica nítido que na verdade é a situação que ele vive que o torna reticente. Por isso que a atuação de Morales funciona bastante aqui.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">O intérprete imprime uma aura de mistério e essa dúvida sobre o que segura Akin vai sendo desvendada: ele tem medo de se entregar e se decepcionar. Mas, aos poucos, seu corpo e seu olhar vão relaxando e o rapaz vai mergulhando neste bem estar que o Brasil e o trabalho que ele desempenha no país lhe proporcionam. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Em termos de direção, Lessa vai no seguro, com uma decupagem e uma encenação bem tradicionais. Alguns momentos pediam mais risco, mais movimento ou efeito de câmera, para fomentar as tensões e sensações que estão presentes no roteiro. Talvez, o desenho de som também decepcione um tanto. </span></p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-19363" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image-1-1.png" alt="O Deserto de Akin" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image-1-1.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image-1-1-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image-1-1-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Há uma história grandiosa sendo contada em <strong><em>O Deserto de Akin</em></strong> e a equipe parece se segurar e se valer somente do talento e da coragem do elenco, que é a parte da produção que faz decisões mais arriscadas. Um grande destaque neste sentido é Ana Flávia Cavalcanti, que se entrega profundamente ao seu papel.</p>
<p>A atriz constrói uma fisicalidade marcante para sua Érica. Assim, Cavalcanti revela uma consciência de elaboração de personagem nesse corpo estruturalmente pensado, mas que fica, ao mesmo tempo, orgânico. As intenções das falas são também importantes aqui.</p>
<p>Ana Flávia capta a dicotomia de Érica, e cria complexidade entre a suavidade da voz e o corpo imponente. No entanto, apesar do longa-metragem apresentar majoritariamente um bom resultado, a partir da sua metade, a sua qualidade começa a cair e não para de se perder até seu desfecho.</p>
<p>O triângulo amoroso, formado por Akin, Érica e Sérgio (Guga Patriota), não leva a lugar algum. Não chega a ser um ponto de tensão e nem de relaxamento dentro do enredo. Ficando no meio do caminho, essa parte da história faz com que a projeção fique um tanto arrastada.</p>
<p>Além disso, a partir da sequência do aeroporto, todas as soluções do roteiro soam como as mais fáceis possíveis. Bernard talvez estivesse com receio de trazer um encerramento triste. Mas, ainda que Akin terminasse o filme bem, era possível sim selecionar caminhos mais sólidos para finalizar o longa.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Após Akin aceitar a proposta de Érica, todas as sequências passam a sensação de que poderiam ser cortadas. Por isso, quando a projeção acaba, fica um desânimo e um cansaço. De toda maneira, ainda que a totalidade seja comprometida pelos seus encaminhamentos derradeiros, <strong><em>O Deserto de Akin</em></strong> é uma obra relevante para cinema nacional, por sua temática. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Ela também é uma produção que conta com personagens bem elaborados e que agrada na maior parte do tempo, por tornar seu universo ficcional interessante e aproximar quem assiste do protagonista e de todos que o cercam.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;"><strong>Direção:</strong> Bernard Lessa</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;"><strong>Elenco:</strong> Reynier Morales, Ana Flávia Cavalcanti, Guga Patriota</span></p>
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		<title>XX Panorama Internacional Coisa de Cinema: A Queda do Céu</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Apr 2025 20:14:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O novo documentário de Eryk Rocha (Cinema Novo) e Gabriela Carneiro da Cunha é inspirado na obra homônima do xamã Yanomami Davi Kopenawa. Em termos gerais, o longa-metragem soa como uma espécie de encantamento &#8211; ou seria uma maldição?- , uma resposta para nós brancos. Neste sentido, a produção brilha. No entanto, a sua discussão e a sua intenção não sustentam a sessão. A produção desafia o desejo de acompanhá-la, a começar pelo desenho de som do longa. Só existe [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="font-weight: 400;">O novo documentário de Eryk Rocha (<em>Cinema Novo</em>) e Gabriela Carneiro da Cunha é inspirado na obra homônima do xamã Yanomami Davi Kopenawa. Em termos gerais, o longa-metragem soa como uma espécie de encantamento &#8211; ou seria uma maldição?- , uma resposta para nós brancos. Neste sentido, a produção brilha. No entanto, a sua discussão e a sua intenção não sustentam a sessão.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">A produção desafia o desejo de acompanhá-la, a começar pelo desenho de som do longa. Só existe um instante de silêncio. De resto, os ruídos são incessantes. Por mais que seja intencional causar o impacto através desta sonoridade contínua, o efeito se esvai. Recursos repetidos no audiovisual, sem progressão ou respiros, tendem a ser cansativos.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">E é isso que ocorre aqui. A produção quer deixar o espectador desconfortável, mas essa escolha sempre é perigosa, porque o interlocutor precisa querer ouvir, querer prestar atenção. Todavia, já na metade da exibição, a atenção cai consideravelmente, por este motivo. Sobretudo porque estes sons, majoritariamente, aparecem mais como uma ambientação do que uma construção extra de sentidos.</span></p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-19333" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image-1.png" alt="A Queda do Céu" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image-1.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image-1-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image-1-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Desta forma, o barulho de trovoada, quando o xamã faz o seu monólogo, já no terceiro ato do filme, funciona e opera como instalador do clímax. Já as constantes sequências com choro de criança e conversas aleatórias ao fundo, não. E o mesmo pode ser dito do visual do longa.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Quando a decupagem foca na encenação, com a câmera fixa, enquanto as personagens falam paradas ou andam, é possível criar uma conexão com a narrativa. </span>Mas, Rocha e Cunha exageram na câmera na mão e as andanças pelas florestas deixam a projeção exaustiva. O chacoalhar recorrente da tela, desconecta o público da fruição. Além disso, no que se refere à iluminação, sequências que contam com diálogos emotivos e profundos são comprometidas porque não é possível enxergar os rostos das personagens.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">São nestes elementos que a ligação com a obra vai se esvaindo e resta a sensação de que o doc tem o dobro de tempo. Desta forma, <em>A queda do céu</em> tem um conteúdo profundo e urgente, porém que não é transmitido em toda sua grandiosidade, não faz jus ao que está sendo proferido no ecrã. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;"><strong>Direção:</strong> Gabriela Carneiro da Cunha, Eryk Rocha</span></p>
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 "></p>
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		<title>“Um refúgio da saudade”: XIX Panorama Internacional Coisa de Cinema acontece em março</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Mar 2024 00:08:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Durante a coletiva de imprensa, realizada para a divulgação dos selecionados para as mostras competitivas do Panorama Internacional Coisa de Cinema 2024, a curadora do evento Ceci Alves discursou sobre o ofício da escolha de obras para um evento como o Panorama e entre uma lista de frases belas, Ceci brindou o mundo com a sentença que encabeça esta matéria. E, de acordo com a equipe do evento, a beleza, a poesia e a arte também estão presentes nesta nova [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Durante a coletiva de imprensa, realizada para a divulgação dos selecionados para as mostras competitivas do Panorama Internacional Coisa de Cinema 2024, a curadora do evento Ceci Alves discursou sobre o ofício da escolha de obras para um evento como o Panorama e entre uma lista de frases belas, Ceci brindou o mundo com a sentença que encabeça esta matéria. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E, de acordo com a equipe do evento, a beleza, a poesia e a arte também estão presentes nesta nova edição do festival de cinema vigente mais importante para Salvador. Assim, e</span>ntre os dias 14 a 20 de março, a população soteropolitana pode escolher entre as projeções no Espaço Glauber Rocha, com ingressos de R$12 a inteira, R$6 meia ou 10 ingressos por R$55 (passaporte) e também na Sala Walter da Silveira, gratuitamente.</p>
<p>Com este cenário, neste mês, o centro da cidade ferve com sessões de cinema e diversas outras atividades. No total, o Panorama exibe 138 longas e curtas-metragens, com horários à tarde e à noite. Os números parecem grandes, mas<span style="font-weight: 400;"> foram recebidos 1355 envios de inscrições. Deste valor foram escolhidas 73 produções, integrantes das competitivas baiana, nacional e internacional. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A curadoria foi formada por Marília Hughes, Claudio Marques, Génesis Nascimento, Ceci Alves, Rafael Saraiva, Rafael Carvalho, Adolfo Gomes e João Paulo Barreto. </span><span style="font-weight: 400;">As habilidades e trabalhos de cada um deles pode ser conferida no link disponibilizado no </span><a href="https://panorama.coisadecinema.com.br/o-festival/curadoria/"><span style="font-weight: 400;">site </span></a><span style="font-weight: 400;">do projeto. </span>Além da programação dentro das salas de cinema, são ofertados dois laboratórios, chamados <em>Pan Lab</em>, sendo um destinado para roteiro e outro para montagem, com os facilitadores Aleksei Abib, Ceci Alves e Iana Cossoy Paro; em uma e Cristina Amaral, na outra, respectivamente.</p>
<p>Além disso, mais uma vez, acontece a Oficina da crítica de cinema, com o jornalista e pesquisador Rafael Carvalho. <span style="font-weight: 400;">Os participantes, além de contar com o ensino teórico e prático do ofício, podem ter a oportunidade de integrar o Júri Jovem tanto na competitiva baiana quanto na nacional. Para completar esta listagem de atrações da sua </span><span style="font-weight: 400;"> 19ª edição, o Panorama homenageia os artistas Glauber Rocha e Castro Alves. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Ambos eram românticos, eloquentes e trágicos. Castro e Glauber eram carismáticos e magnéticos, os dois gritavam as grandes causas e falavam com o coração.  Dois artistas singulares, que romperam o tempo-espaço”, comenta Cláudio Marques, idealizador e coordenador do Panorama. </span><span style="font-weight: 400;">Indo além das homenagens aos que já foram, Cláudio, celebra todes que acompanham o evento há tanto tempo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> Para ele, há uma beleza em observar diversas gerações que vão surgindo e fazendo parte do Panorama Internacional Coisa de Cinema. Além disso, o realizador salienta a importância do novo apoio do município para com a iniciativa, o que lhe foi uma grata surpresa. </span>Através do SalCine, foram investidos mais de R$30 milhões dentro do setor na capital da Bahia.</p>
<p>“De fato, a prefeitura começou a se importar com o audiovisual na cidade. Isso é uma das novidades mais interessantes. O trabalho que está sendo feito mostra que há um interesse genuíno em apoiar a área e acredito que novas coisas virão por aí”, comenta.  A afirmação de Cláudio é confirmada por Felipe Dias Rêgo, gestor de audiovisual da Secretaria de Cultura e Turismo.</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após os elogios e as palmas da plateia, Felipe declarou que a lógica sobre o desejo da prefeitura de ampliar os financiamentos para a área do cinema está correta. De acordo com o gestor, o intuito com a criação do SalCine é fortalecer a cena cinematográfica soteropolitana, contribuindo justamente para essa cadeia produtiva da cidade. </span><span style="font-weight: 400;">Felipe também relata a sua alegria em poder patrocinar o Panorama, através de uma política pública.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> Mas, ainda na lógica de agradecimento aos apoios financeiros, durante a coletiva a equipe do festival salientou a relevância do patrocínio do Instituto Flávia Abubakir, que desde a sua inauguração, há três anos, contribui para a manutenção do Espaço Glauber Rocha, incluindo o Panorama. De acordo com Marília Hughes, uma das criadoras, organizadoras e curadoras do evento, dentro deste movimento de abrir a fala para agradecer investidores, o registro maior dado pela iniciativa é o da importância de se investir em cultura, sobretudo no audiovisual. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“O festival acontece em cinemas de rua, isso faz parte da nossa luta, da nossa resistência. E somos convidados a mergulhar nessa jornada, da riqueza de sair de um filme baiano e entrar em um filme de Camarões e a gente também tem uma produção nacional riquíssima”, explica Marília. Neste sentido, ela destaca o quão intensa está a programação que, em sete dias, possui mais de 130 filmes sendo projetados no Glauber e na Walter da Silveira. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há também, de acordo com Marília, uma boa relação com os cineastas que inscrevem as suas produções e participam intensamente das atividades ofertadas pelo Panorama. </span><span style="font-weight: 400;">Lara Carvalho é um destes exemplos. A diretora e pesquisadora, que estava presente durante a coletiva, narra como sua história com o festival é antiga, iniciando em 2010. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Começando como público cativo e participando da oficina de crítica de cinema, que era facilita pelo jornalista João Carlos Sampaio, Lara conta que também trabalhou na produção do evento, seja na parte de receptivo, logística e até mesmo das ações educativas. Depois de quase dez anos na área de produção, a cineasta e comunicóloga decidiu seguir outros rumos e focar na realização de obras cinematográficas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com este foco maior na sua carreira autoral, outros processos complexos vieram, que a encaminharam a trabalhar diretamente com dores e questões pessoais. “Passei por um aborto espontâneo, que é o tema de </span><i><span style="font-weight: 400;">56 Dias</span></i><span style="font-weight: 400;">. Eu senti que precisava elaborar tudo aquilo que eu senti de alguma forma, e a escrita e o cinema são as formas que eu conheço. Um texto virou um roteiro que virou um projeto que virou um filme. E agora esse filme vai estrear num festival que é muito querido pra mim, que faz parte da minha trajetória enquanto cineasta também”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de <em>56 dias</em>, outros longas e curtas são exibidos pelo festival, para conferir todos os selecionados dentro das competitivas, leia a lista logo abaixo da matéria. Já para acessar a programação completa do Panorama, acesse: </span><a href="https://panorama.coisadecinema.com.br/programacao/"><span style="font-weight: 400;">https://panorama.coisadecinema.com.br/programacao/</span></a><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<h5><b>Competitiva Baiana</b></h5>
<p><strong>Longas</strong></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">A Matriarca &#8211; Lula Oliveira</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Café, Pépi e Limão &#8211; Adler Kibe Paz e Pedro Léo</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Cosmovisões &#8211; Marcilia Cavalcante</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Diário da Primavera &#8211; Fabíola Aquino e Juliano de Paula Santos</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Dois Sertões &#8211; Caio Resende e Fabiana Leite</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Sysyphus &#8211; George Neri</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">No Rastro do Pé de Bode &#8211; Marcelo Rabelo</span></li>
</ul>
<p><strong>Curtas</strong></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">56 dias &#8211; Lara Carvalho</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">A Faísca &#8211; Gabriela Monteiro</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Além da Cancela &#8211; Margarete Jesus</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Benção &#8211; Mamirawá e Tainã Pacheco</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Caluim &#8211; Marcos Alexandre</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Camaleoa &#8211; Eduardo Tosta</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Cobaias Habitam meu Sonho &#8211; Ramon Coutinho</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Curacanga &#8211; Mateus Di Mambro</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Desamarras &#8211; Ianca Oliveira </span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">É d’Oxum: A Força que Mora N’água &#8211; Dayane Sena</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Felipa &#8211; Ana Clara Pereira</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Kiriri 11/11 &#8211; Kian Shaikhzadeh</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Lamento às Águas &#8211; Vilma Carla Martins</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Movimentos Migratórios &#8211; Rogério Cathalá</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Mulher Vestida de Sol &#8211; Patrícia Moreira</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">O Homem que Virou Castanha &#8211; Natan Fox</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">O Tempo das Coisas &#8211; Lara Beck</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">O Tratado do Vão Combate ou A Pequena História de uma Bixinha Qualquer &#8211; Márcio Januário e Henrique Drebes </span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Por que Não Ensinaram Bixas Pretas a Amar? &#8211; Juan Rodrigues</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Sagrado Compor &#8211; Henrique Dantas e Marcelo Abreu</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Solange Não Veio Hoje &#8211; Hilda Lopes Pontes e Klaus Hastenreiter</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Sucata Esperança &#8211; Rogério Luiz Oliveira e Filipe Gama</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">TAMBA: Sinfonia do Invisível &#8211; Genilson Nery</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Todos os Olhos &#8211; Wayner Tristão</span></li>
</ul>
<h5><b>Competitiva Internacional </b></h5>
<p><strong>Longas</strong></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">A Audiência / L’Audience (Canadá) &#8211; Émilie B. Guérette e Peggy Nkunga Ndona</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Acromático / Achrome (Rússia/Alemanha/Israel) &#8211;  Maria Ignatenko</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Astracã 79 / Astrakan 79 (Portugal) &#8211; Catarina Mourão</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Júlia Não se Case / Julia no te cases (Argentina) &#8211; Pablo Levy</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Mátria / Matria (Espanha) &#8211; Álvaro Gago</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">O Espectro do Boko Haram / Le Spectre de Boko Haram (Camarões/França) &#8211; Cyrielle Raingou</span></li>
</ul>
<p><strong>Curtas</strong></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">48 Horas / 48 Hours (Irã) &#8211; Azadeh Moussavi</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">A Árvore Frutífera / The Fruit Tree (Bélgica) &#8211; Isabelle Tollenaere</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">A Passagem / The Passing (EUA) &#8211; Ivete Lucas e Patrick Bresnan</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Aqueronte (Espanha) &#8211; Manuel Muñoz Rivas</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Criando Praias Luminosas / Hacer Orillas Luminosas (Paraguai/Argentina) &#8211; Maira Ayala</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">De Volta / Back (Países Baixos) &#8211; Yazan Rabee</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Dildotectônica / Dildotectónica (Portugal) &#8211; Tomás Paula Marques]</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Nada Disso / Nada de Todo Esto (Argentina/Espanha/EUA) &#8211; Patricio Martínez e Francisco Cantón</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Os Nadadores / Los Nadadores (Costa Rica) &#8211; Charlie López</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Swan no Centro / Swan dans le Centre (França) &#8211; Iris Chassaigne</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Tria (Itália) &#8211; Giulia Grandinetti</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Yaa (Gana/França) &#8211; Amartei Armar</span></li>
</ul>
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