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	<title>Arquivos Festival Internacional Coisa de Cinema - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>XVII Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema: Como Respirar Fora D’água</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Dec 2021 19:13:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Entre pressões, violências e tensões, Janaína (Raphaella Rosa) procura resistir, em seus mergulhos internos e literais. Como Respirar Fora D’água traz esta protagonista, que é apresentada com bastante multiplicidade de características em sua personalidade, em pouco tempo de projeção. É possível notar, imediatamente, que ela é uma jovem tímida, porém bastante focada. As camadas para o motivo de seu estado de retração vão sendo postas e é possível compreender mais de seu mundo e vivências a cada minuto de exibição. Logo [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Entre pressões, violências e tensões, Janaína (Raphaella Rosa) procura resistir, em seus mergulhos internos e literais. <strong><em>Como Respirar Fora D’água</em></strong> traz esta protagonista, que é apresentada com bastante multiplicidade de características em sua personalidade, em pouco tempo de projeção. É possível notar, imediatamente, que ela é uma jovem tímida, porém bastante focada. As camadas para o motivo de seu estado de retração vão sendo postas e é possível compreender mais de seu mundo e vivências a cada minuto de exibição.</p>
<p>Logo depois do treino, Janaína é agredida em uma típica intervenção policial racista, algo que, infelizmente, é uma realidade recorrente no Brasil. A situação é revoltante e forte, mas a decupagem revela um cuidado das diretoras, não apenas em ir mostrando gradativamente o estrago físico e psicológico causado pelo PM, como também na escolha de não revelar na tela, imageticamente, o que de fato aconteceu. Desta maneira, há um tom de denúncia, sem que isso exponha a figura de uma menina negra, como se é feito diversas vezes no audiovisual.</p>
<p>Além disso, Janaína ganha contornos complexos, quando outros fatores de sua vida são explorados, como a sua relação com seu pai – que um policial militar e possui diversas tensões com ela –, com a sua namorada, seu cotidiano de nadadora, questões raciais e de performatividade de gênero. Assim, a construção desta personagem principal é um dos pontos altos da obra.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14858" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/como_respirar_fora_agua.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/como_respirar_fora_agua.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/como_respirar_fora_agua-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/como_respirar_fora_agua-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/como_respirar_fora_agua-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Existem questões da atuação de Raphaella Rosa, como o fato de que, em alguns momentos, ela carrega no tom e o texto soa um tanto artificial. Todavia, no geral, Raphaella apresenta uma consciência dos sentimentos de sua personagem, trabalhando o texto com pausas e intenções que captam a empatia do espectador. Algo que pode ter interferido na organicidade de sua fala são alguns diálogos um pouco didáticos.</p>
<p>Contudo, aqui, este didatismo não é necessariamente negativo. Certas coisas precisam ser evocadas de forma mais óbvia, como uma afirmação nítida, que não cause nenhuma dúvida. Este fator, na verdade, acontece com o curta inteiro. Ele possui inconstâncias qualitativas, cambaleando entre a sutileza e a obviedade, indo em direção de uma constância rítmica e, de repente, ficando truncado e se perdendo em algumas partes de seu próprio enredo.</p>
<p>O <em>plot</em> inicial afeta as personagens, mas ele vai se dissolvendo e a sua força se perde ainda mais quando o desfecho é abrupto, sem que os acontecimentos sejam amarrados. Falta um tempo de desenvolvimento dentro das relações de <strong><em>Como Respirar Fora D’água</em></strong>. Este é um filme que sabe explorar os sentimentos internos de sua protagonista, porém que falha nesta externalização das emoções dela e de como Janaína seguirá dentro do mundo diante de todo o cerco que se formou ao seu redor. O resultado geral é na média, por assim dizer. Mas, a produção poderia crescer caso as suas próprias premissas fossem trabalhadas amplamente.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Júlia Fávero e Victoria Negreiros</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Raphaella Rosa, Dárcio de Oliveira</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/jQ2vpvb8xfM" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>XVI Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema: Vil, Má</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Mar 2021 22:15:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Continuando a sua tradição de trazer documentários focados em uma única personagem central – como em Lembro mais dos Corvos e Rosa Azul de Novalis – , Gustavo Vinagre agora conta a história de Edivina Ribeiro, também chamada de Wilma Azevedo, seu pseudônimo, em Vil, Má. Jornalista e escritora, Edivina ficou conhecida por suas publicações de histórias eróticas, vinculadas desde os anos 1970. Com 74 anos, na época em que o filme foi rodado (2014), ela conta um pouco de [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Continuando a sua tradição de trazer documentários focados em uma única personagem central – como em Lembro mais dos Corvos e Rosa Azul de Novalis – , Gustavo Vinagre agora conta a história de Edivina Ribeiro, também chamada de Wilma Azevedo, seu pseudônimo, em <em><strong>Vil, Má</strong></em>. Jornalista e escritora, Edivina ficou conhecida por suas publicações de histórias eróticas, vinculadas desde os anos 1970. Com 74 anos, na época em que o filme foi rodado (2014), ela conta um pouco de sua trajetória, tanto sobre sua vida pessoal como profissional.</p>
<p>Em uma mescla entre realidade e ficção, Vinagre nos convida a olhar para essa mulher, para seus dramas, polêmicas, fortalezas e fragilidades. De maneira um tanto simples, as memórias de Edivina/Wilma se tornam palpáveis para o espectador. Os recursos evocados podem não ser tão inventivos, como se é esperado do realizador, mas eficazes, no geral. A figura central da obra é vista, majoritariamente, sentada, em uma cadeira pomposa, em um ambiente com elementos dourados e parede rosa. Esta estratégia de ser enxuto em sua forma funciona até certo ponto. Há, aqui, uma garantia de imersão com a trama, pois o foco fica sendo inteiramente dela.</p>
<p>Dentro da sua fala, Edivina/Wilma conta relatos tão pesados em uma voz tão tranquila, que, de fato, os quadros parados e fixos nela, são quase uma apresentação de falta de escapatória do que está sendo contado. Sem fugas para outros elementos, não há alívios, em boa parte da projeção. Neste sentido, há um contraponto observado nisto. As informações, em toda sua intensidade, podem tornar a exibição cansativa e até repetitiva. A falta de respiro dilui a força em alguns momentos, como quando o longa traz uma espécie de reset e pontos específicos do enredo são convocados outra vez. Neste retorno, a reiteração acrescenta menos à <em><strong>Vil, Má</strong></em> do que colabora.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-13832" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/03/2651941.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Vil, Má" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/03/2651941.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/03/2651941.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/03/2651941.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/03/2651941.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Há uma sensação de ausência de certeza sobre as motivações das escolhas, ainda que estas sejam conscientes. É curioso observar como o fator que marca a produção é tanto o seu elemento de maior qualidade, quanto de maior incomodo. O foco em Edivina/Wilma, o tempo de tela com o olhar voltado para ela, as idas e vindas da narrativa, prendem a atenção e a fazem escapar. No entanto, neste contexto, ainda exista uma busca para imprimir uma complexidade ali. Isto se dá a partir da presença da atriz Juliane Elting, como Wanda.</p>
<p>Elting vem para ler trechos dos contos de Wilma. Ela chega também para cumprir um papel de pessoa comandada por Wilma, em alguns trechos. Esta participação contribui para deixar transparecer mais amplamente traços da personalidade de Edivina/Wilma. Os comandos dados por ela para Elting – e até mesmo para a direção – fomentam a construção do imaginário desta mulher, do que ela foi e nunca deixou de ser. Além disso, é o que traz o mínimo de relaxamento para a projeção, em seus 90 minutos.</p>
<p>No geral, pode-se dizer que <strong><em>Vil, Má</em></strong> merece ser visto. Valendo-se da força de sua protagonista, ele captura o desejo de quem assiste de acompanhar o desenvolvimento do que está sendo mostrado. Ainda que apresente quedas e pouca engenhosidade, descobrir mais sobre Edivina Ribeiro e procurar desvendar onde está a fantasia e a realidade na obra cativam e encantam o público.</p>
<p><strong>Diretor</strong>: Gustavo Vinagre</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Edivina Ribeiro, Juliane Elting</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/iizBKmKfV-g" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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