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	<title>Arquivos Felix Van Groeningen - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Querido Menino</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Feb 2019 02:27:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Uma das propriedades do cinema é a sua capacidade de moldar um determinado assunto de acordo com a produção. A sétima arte vive uma constante fabricação de realidades infindáveis e distintas. A possibilidade de criar universos contrastantes faz do cinema uma poderosa arma. Filmes podem incentivar e manter guerras – como foi amplamente feito nas décadas de 1930 e 1970, por exemplo –, denunciar problemas sociais, explicar acontecimentos e até mesmo fazer o espectador repensar alguma temática. Esse último exemplo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Uma das propriedades do cinema é a sua capacidade de moldar um determinado assunto de acordo com a produção. A sétima arte vive uma constante fabricação de realidades infindáveis e distintas. A possibilidade de criar universos contrastantes faz do cinema uma poderosa arma. Filmes podem incentivar e manter guerras – como foi amplamente feito nas décadas de 1930 e 1970, por exemplo –, denunciar problemas sociais, explicar acontecimentos e até mesmo fazer o espectador repensar alguma temática. Esse último exemplo é um cinema cujo objetivo pode ser louvável. Preconceitos, conceitos e paradigmas são refutados através de intensas produções, onde tudo vai depender do olhar que o diretor, roteirista, produtor e/ou estúdio querem dar.</p>
<p>Tabus sociais são discutidos nas telonas a partir de obras sensíveis. Uma nova perspectiva é posta em pauta quando um produto cinematográfico consegue atingir o público em larga escala. O cinema pode dar voz aos calados, força aos esquecidos e compaixão aos marginalizados. A partir desse pensamento, a Amazon Studios decidiu comprar a ideia do projeto cujo tinha como base o livro de memórias de David Sheff e o artigo de Nic Sheff. Assim nasceu um dos projetos mais sinceros e sensíveis sobre dependentes químicos. Assim nasceu <em>Beautiful Boy</em> (título original).</p>
<p><em><strong>Querido Menino</strong></em> é uma das estreias da semana nos cinemas brasileiros. O longa-metragem traz um olhar cuidadoso sobre uma das temáticas mais tabus da atualidade: drogas. A discussão levantada pelo filme e o olhar da produção sobre o assunto fazem a diferença nessa película. A perfeição do elenco em cena é emocionante e envolvente. A direção de Felix van Groeningen é cuidadosa e só amplia a mensagem de sua nova película. O roteiro mescla momentos de dor e alegria com o objetivo de mostrar uma perspectiva que abraça o dependente e verdadeiramente tenta ajuda-lo. A partir desta quinta-feira (14), o público do Brasil tem a chance de abrir a mente e o coração para entender e ser tocado por essa história real extremamente forte.</p>
<p>O conhecido escritor e jornalista, David Scheff (Steve Carell), se vê perdido ao descobrir que seu filho mais velho, Nic (Timothée Chalamet), é viciado em metanfetamina. Com o conhecimento da situação, a família entra em crise. David passa a refletir sobre a infância do filho enquanto estuda a fundo sobre drogas e as questões da dependência. Já Nic enfrenta os diversos ciclos vividos por dependentes químicos – a abstinência, as reações biológicas pela falta da droga, a recaída, a tentativa de melhora etc. Em meio a esse turbilhão de idas e vindas entre pai e filho, eles dois e todo o restante da família precisarão achar uma forma de lutar com os seus demônios para conseguirem viver as suas vidas.</p>
<p style="text-align: center;"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-9954" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/02/2615179.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Querido Menino" width="610" height="348" /></p>
<p>Felix van Groeningen (<em>Alabama Monroe</em>, de 2012) retorna as telonas com uma jornada biográfica sensível. A sua primeira produção americana se destaca pela sutileza e atenção ao discurso sobre a dependência de drogas. <em><strong>Querido Menino</strong> </em>é uma narrativa acolhedora na qual o espectador vislumbra as dores de cada um dos envolvidos sem discriminar e excluir qualquer pessoa, principalmente o dependente. O trabalho do diretor amplifica esse olhar cuidadoso a partir de cenas cheias de emoção e beleza. As cenas são filmadas de tal forma que o público cria uma identificação imediata a partir dessa aproximação entre imagem, narrativa e realidade. Felix elaborou um diálogo perfeito entre os acontecimentos da trama e a ideia central dela, dando a película a força necessária para fazer com que o espectador reflita sobre a maneira como a sociedade maltrata o dependente e o quanto isso interfere negativamente ao processo de melhora dessa pessoa.</p>
<p>Ao lado de Luke Davies, Felix também assina o roteiro dessa peça delicada sobre afeto. Uma narrativa criada a partir de um olhar sem preconceitos e/ou julgamentos. A adaptação foi feita com base nos relatos das personagens principais da trama, o que ajudou na veracidade do texto. A escolha dos momentos emotivos é perfeita e conduz o espectador para fora da caixa predisposta socialmente sobre a temática. O público sai do lugar comum e e aproxima do sofrimento do outro. É admirável a inteligência do roteiro ao abraçar uma causa e fazer dela verdade para todos os que estão assistindo a essa narrativa. A vida dos Sheff foi cuidadosamente reconstruída para vencer o preconceito.</p>
<p>Toda a força do roteiro é transmitida pelo elenco em cena. Steve Carell está excepcional. O medo, a dor e a incerteza de sua personagem são constantes em suas cenas. A sua presença cênica engrandece a verdade da película e dá força na transmissão de sua mensagem. Timothée Chalamet mostra seu talento em sua melhor performance da carreira. Depois de <em>Call Me By Your Name</em> (2017), o jovem ator ainda consegue surpreender a crítica e o público com a sua desenvoltura como Nic Sheff. Além da mudança física para a personagem, Chalamet impressiona pela maturidade em cena que acompanha Carell. Além dos dois, a produção ainda conta com Maura Tierney e Amy Ryan as quais ajudam a compor essa família desestruturada que luta pela vida de um filho. Um conjunto de artistas perfeitamente escolhido para viver cada um desses papeis.</p>
<p><em><strong>Beautiful Boy</strong></em> encanta a todos desde a sua estreia no Festival de Toronto. A direção, o roteiro e o elenco trabalham lado a lado para compor uma atmosfera dura e sofrida que, ao mesmo tempo, consegue ser extremamente delicada e atenciosa ao assunto. A descoberta da dependência, os embates entre a família, as recaídas de Nic e todos os outros problemas da trama reforçam a sua verdade. A produção tem o máximo de cuidado em honrar a sua luta contra o preconceito e as memórias das figuras reais que estão sendo retratadas. Todos esses esforços são positivos e alcançam o seu objetivo porque, ao final da sessão, o espectador estará refletindo sobre conceitos como família, afeto e dependência química. Apesar da qualidade do filme e de suas nomeações em algumas premiações, <em><strong>Querido Menino</strong></em> ficou de fora na corrida pelo Oscar.</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/GGIJJENXQlQ" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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