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	<title>Arquivos Fairplay - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Fairplay - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>27º Festival Regard: Fairplay</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Apr 2023 19:33:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os limites da degradação humana são explorados em Fairplay, que não tem medo de ousar e propor imagens angustiantes. Olhando para a ambição que extrapola os horizontes da dignidade e para o desejo intenso de pertencimento dentro da sociedade, a obra deixa um gosto amargo, que se alastra durante a sessão. Seja no jogo do uso das temperaturas (azulado para melancolia e rejeição, alaranjada para juventude inconsequente etc.), aqui há uma consciência de como provocar sensações na plateia através de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Os limites da degradação humana são explorados em <em><strong>Fairplay</strong></em>, que não tem medo de ousar e propor imagens angustiantes. Olhando para a ambição que extrapola os horizontes da dignidade e para o desejo intenso de pertencimento dentro da sociedade, a obra deixa um gosto amargo, que se alastra durante a sessão. Seja no jogo do uso das temperaturas (azulado para melancolia e rejeição, alaranjada para juventude inconsequente etc.), aqui há uma consciência de como provocar sensações na plateia através de recursos imagéticos.</p>
<p>Além disso, o desenho de som é concebido para fomentar estas emoções passadas na tela. Ruídos e silêncios falam mais daquelas personagens, que transbordam desespero. Há uma progressão desta atmosfera de insanidade, espalhadas pelos três distintos enredos das figuras centrais da produção. Nestas histórias individuais, toda a aflição da tensão, que aumenta a cada minuto, é elevada também por recursos de montagem.</p>
<p>Um exemplo é da utilização de cortes descontínuos, que imprimem o crescimento do risco e perda da lucidez destas personagens de forma temporal. Assim, <strong><em>Fairplay</em> </strong>consegue demonstrar cada passagem desta extrapolação de comportamento. Neste sentido, os recursos técnicos aqui usados são positivos porque eles estão à serviço da narrativa e conseguem transmitir as personalidades de suas personagens em poucos tempo de projeção.</p>
<p>Há um sufocamento impresso no ecrã e o diretor Zoel Aeschbacher está ciente disto. Talvez, até demais, pois, em alguns momentos da exibição, ele parece não dimensionar os momentos de respiro necessários. Por esta razão, ainda que o curta consiga desenhar bem o que quer passar com a sua história e crie camadas elaboradas de suas figuras centrais sem precisar criar diálogos falados extensos ou expositivos, a angústia poderia ser mais dissipada, criando um revelo maior.</p>
<p>Porque, a partir da metade da exibição, todo o frenesi cansa quem está assistindo. Um momento mais sutil faria com que o curta possuísse mais ritmo. A força também está nas pausas e recuadas, porque nesta produção tudo parece estar destacado demais. Todavia, ainda assim, <strong><em>Fairplay</em> </strong>agrada por trazer uma pauta que será sempre relevante para a arte, que são as linhas tênues que os seres humanos estão dispostos a ultrapassar para cumprir algum objetivo, mesmo que este seja estapafúrdio.</p>
<p>Juntamente com a temática, o fato de que o filme sabe utilizar a técnica a favor de seu discurso, através de uma direção que dialoga com a montagem para expor as emoções de todas as suas personagens, faz a sua qualidade geral crescer. Ele seria melhor se dosasse a sua lógica frenética? É provável que sim, mas, talvez, a extrapolação da intensidade também funcione como um recurso qualitativo da obra e esta seja a sua grande beleza.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Zoel Aeschbacher</p>
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