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	<title>Arquivos Ewen Bremner - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: T2 Trainspotting</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Mar 2017 23:18:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Nem que se dedicasse ao extremo, o diretor Danny Boyle conseguiria em <i>T2 Trainspotting </i>um resultado semelhante ao do filme cuja história dá prosseguimento, <i>Trainspotting: Sem Limites</i>, de 1996. O impacto cultural daquele longa de vinte anos atrás não é resgatado por esta continuação, afinal o Boyle de hoje (vencedor do Oscar por <i>Quem quer ser um Milionário? </i>e requisitado pela indústria) não é o mesmo diretor <i>indie</i> da década de 1990, nem o cinema é o mesmo daquela época, fazendo com que o que fora apresentado como arrojado tempos atrás em <i>Trainspotting </i>seja considerado repetição atualmente. Com uma trama baseada no livro homônimo de Irvine Welsh, o filme de 1996<i> </i>contava a história de um grupo de rapazes de Edimburgo na Escócia viciados em heroína, construindo uma jornada de recuperação de um deles, Renton, papel de Ewan McGregor. O filme é cultuado até hoje por conseguir captar o espírito de uma geração e dimensionar para as telas o vício pelas drogas, com imagens lisérgicas e montagem &#8220;nervosa&#8221; que acompanhava uma câmera igualmente inquieta.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Tentando explorar o consumo do sexo (prostituição, pornôs na internet etc.) como a compulsão dos nossos tempos, <i>T2 Trainspotting </i>até deixa a desejar nesse quesito, já que usa isso apenas como pano de fundo para o seu interesse primeiro, seus personagens. Baseado em <i>Pornô, </i>também de Irvine Welsh, o esforço de dimensionar sensorialmente um vício cede lugar para a narrativa desse grupo de agora quarentões tentando ajustar mágoas e dívidas do passado. Acontece que, ainda que explore pouco esse universo do comércio sexual que o cerca, sendo bastante tímido nesse departamento, a continuação dirigida por Danny Boyle não deixa de ser menos interessante por demonstrar um engajado movimento de levar seus personagens a lugares nunca antes visitados, oferecendo um ponto de vista amadurecido sobre suas vidas, escolhas, relações, um mergulho profundo e consciente que talvez a juventude de vinte anos atrás não poderia proporcionar</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Em <i>T2 Trainspotting</i> acompanhamos Renton retornando a Edimburgo com a vida refeita e livre das drogas. Após os eventos do primeiro filme, os demais rapazes não tiveram o mesmo destino, lidando com atividades clandestinas, passando por dificuldades para superar o vício e cheios de problemas familiares. Na medida que Renton retorna ao convívio social com seus amigos, ele revela o verdadeiro motivo da sua volta.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter wp-image-7512 size-thumbnail" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/03/t2-jb-01780-edit-610x343.jpg" alt="" width="610" height="343" /></p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Em seus aspectos formais, <i>T2 Trainspotting </i>resgata a abordagem do longa de 1996, abusando de uma montagem acelerada e de diversificadas propostas de câmera. Enquanto lá isso tudo surgia como um experimentalismo de Boyle, que bebia da proposição de um cinema inclinado para a estética clipeira, aqui esses artifícios surgem como uma forma de demarcar o território para que o espectador reconheça aquele <i>modus operandi </i>de contar uma história nos moldes <i>Trainspotting</i>, algo que, inclusive já foi exaustivamente apropriado. Como já destacado, <i>T2 Trainspotting </i>cresce aos olhos do espectador pelo olhar que tem para seus personagens e sua história vinte anos depois, uma perspectiva que retoma o passado para avançar na sua reflexão a respeito de novas preocupações, entre elas a paternidade e o legado que esses personagens deixarão para os seus filhos.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p> No lugar de uma continuação que resgata tramas e sujeitos por mero fetiche nostálgico, o longa tem como mérito trazer os mesmos personagens de antes porém com uma perspectiva diferente de si, algo que acaba justificando a existência da sequência não apenas por um ponto de vista mercadológico ou pelo apelo afetivo  que o primeiro longa tem com seus fãs. Em <i>Trainspotting</i> e ao longo da própria carreira de Danny Boyle, o que antes era anarquia estética e narrativa, hoje é cosmetizado pelo próprio cineasta, foi banalizado por um incontável número de filmes que o sucedeu e é usado aqui como assinatura. Diferente do longa de 1996, <i>T2 Trainspotting </i>não afirma seu brilho pelo arrojo formal, mas pela sua narrativa, demonstrando uma compreensão mais madura de Boyle para aqueles personagens que ajudou a dar forma vinte anos atrás com os icônicos desempenhos de Ewan McGregor, Ewen Bremner, Robert Carlyle e Jonny Lee Miller (ainda ótimos), uma mudança de prioridade válida, pertinente e bem aplicada pelo cineasta.</p>
<p><strong>Assista ao trailer do filme:</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/pFHOzN3Yk1M" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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