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	<title>Arquivos Emmanuel Carrère - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica Entre dois mundos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Jul 2025 19:18:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Apostando na investigação das relações humanas, diante de conflitos sociais, Entre dois mundos é efetivo em denunciar o sistema opressor da classe trabalhadora francesa, mesmo que não saia da esfera de apontar uma falha, sem observar a questão com mais cuidado. Focando na realidade de mulheres que são funcionárias na área de limpeza, através de planos mais longos do diretor Emmanuel Carrère (Amor Suspeito) e na elaboração de construção de atmosfera, o espectador cria uma empatia e se sente mais [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Apostando na investigação das relações humanas, diante de conflitos sociais, <em>Entre dois mundos</em> é efetivo em denunciar o sistema opressor da classe trabalhadora francesa, mesmo que não saia da esfera de apontar uma falha, sem observar a questão com mais cuidado. Focando na realidade de mulheres que são funcionárias na área de limpeza, através de planos mais longos do diretor Emmanuel Carrère (<em>Amor Suspeito</em>) e na elaboração de construção de atmosfera, o espectador cria uma empatia e se sente mais próximo das personagens.</p>
<p>Apesar do desfecho do longa-metragem ser abrupto, a maior parte da projeção consegue equilibrar a dinâmica entre técnica, discurso e conexão emocional com a obra. A trama gira em torno da escritora Marianne Winckler (Juliette Binoche), que se infiltra em empresas voltadas para serviços gerais, com intuito de vivenciar na pele o que passam estas funcionárias. As lutas para se manter na França, o cenário precário oferecido pelos empregadores e as humilhações experienciadas pelo grupo são os temas centrais do filme.</p>
<p>Para tratar do assunto, o roteiro de Carrère, ao lado de Hélène Devynk e Florence Aubenas, decide explorar a amizade de Marianne com suas colegas. Por um lado, esta escolha eleva a criação de empatia do público com a história. Por outro, o tema central fica apenas como pano de fundo. Ainda assi, a profundidade das facetas de Marianne ganham destaque quando é possível observar como uma nova personalidade dela vai surgindo durante a projeção.</p>
<p>Este fator provoca o entendimento de como o ambiente no qual se vive pode transformar o sujeito, fazendo emergir novas características nele &#8211; como instinto de sobrevivência e resignação, aqui. Essa outra Marianne, que surge após a sua inserção neste mercado de trabalho, é elaborada lentamente. A partir de cada nova informação adquirida por ela, um detalhe de sua expressão facial, respiração ou pausas são acrescentados e tudo sutilmente. A única questão incômoda, neste sentido, é ver todo esse cuidado de Juliette com seu papel ruir, de repente.</p>
<p>A finalização do filme não peca apenas por interromper o fluxo do debate, sem concluir a linha de raciocínio convocada pela premissa, mas também pela imediata virada de Marianne. Entre uma sequência e outra, a personagem parece um alguém completamente distinto e nenhum traço do que fora apresentado anteriormente é impresso por Binoche neste final da produção.</p>
<p>Desta maneira, a plateia pode se frustrar por não acompanhar essa transição de Marianne, da sua vida nova para o retorno para a antiga, principalmente porque no meio do plot, a morte do pai dela entra em voga e não afeta o enredo em nada, muito menos seu relacionamento com um rapaz, que é truncado e não acrescenta no desenvolvimento dela ou da trama. É por isso que fica uma sensação, ao final da sessão, de que existe algumas pontas soltas no longa.</p>
<p>Os roteiristas parecem que pensavam em algo, mas iam abandonando algumas ideias no caminho. Devido a este fato, a reflexão acaba ficando superficial. Contudo, de toda maneira, os elementos visuais são redondos. Há um estabelecimento interessante do azul como temperatura que permeia a maior parte das tonalidades de luz, locais, objetos de cena, enfim, do que vem da Arte e da Fotografia. Esse tom evoca uma melancolia que perpassa as emoções de t0das as figuras dramáticas da história.</p>
<p>Essa cor, juntamente com o creme e o avermelhado, que também estão presentes, confere um pouco mais de sentido para o ecrã. Existe muito texto no não dito, no texto não falado. Nesse aspecto que as cores e luzes fomentam o que não é elaborado pela narrativa de forma direta. Obviamente, o debate não precisa ser totalmente verbal &#8211; apesar de aqui faltar a verbalização em ordem de trazer amarração. Muitos nós são somente trazidos, sem maiores desenvolvimentos.</p>
<p>Por estes motivos que <em>Entre dois mundos</em> tem um resultado geral na média. Há muito entregue em suas visualidades, quase sensoriais, um elenco coeso e uma protagonista carismática. Ao mesmo tempo, todo esse rico universo é desperdiçado por uma ausência de condução mais firme, que pudesse entregar uma material mais potente.</p>
<p><strong>Direção</strong>: Emmanuel Carrère</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Juliette Binoche, Louise Pociecka, Steve Papagiannis</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
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