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	<title>Arquivos Elle Fanning - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Elle Fanning - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Dica do Dia: Mulheres do Século 20 (Netflix)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Mar 2020 13:51:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A partir de suas memórias, o diretor e roteirista Mike Mills (o mesmo de Toda Forma de Amor, longa que rendeu o Oscar de melhor ator coadjuvante a Christopher Plummer em 2012) concebeu Mulheres do Século 20, longa que narra a jornada de um adolescente californiano criado por uma mãe solteira na década de 1970 e que ainda é influenciado por duas outras mulheres na sua caminhada para a vida adulta, uma fotógrafa mergulhada na cultura punk e uma jovem da sua idade que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A partir de suas memórias, o diretor e roteirista Mike Mills (o mesmo de <em>Toda Forma de Amor</em>, longa que rendeu o Oscar de melhor ator coadjuvante a Christopher Plummer em 2012) concebeu <em><strong>Mulheres do Século 20</strong>, </em>longa que narra a jornada de um adolescente californiano criado por uma mãe solteira na década de 1970 e que ainda é influenciado por duas outras mulheres na sua caminhada para a vida adulta, uma fotógrafa mergulhada na cultura<em> punk </em>e uma jovem da sua idade que escapa esporadicamente da família opressora para conversar com o menino escondida em um dos quartos da sua casa. O longa que recebeu uma indicação ao Oscar de 2017 como melhor roteiro original (e deveria ter recebido mais indicações!) já está disponível no catálogo da Netflix desde o início do ano.</p>
<p>Dorothea, a mãe do adolescente em questão de <strong><em>Mulheres do Século 20</em></strong>, é interpretada por Annette Bening em mais uma interpretação memorável da sua carreira, esquecida na seleção de atrizes da época do Oscar que consagrou Emma Stone pelo seu desempenho em <em>La La Land</em>. Ao narrar a influência dessas três mulheres pertencentes a três distintas gerações na vida do protagonista em uma época de revolução de costumes, os anos de 1970, Mills nos traz um contexto histórico de transformações e afirmação do feminismo, mas também uma outra percepção que se configurava na sociedade a respeito da criação dos homens.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12580" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/03/566867.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Mulheres do Século 20" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/03/566867.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/03/566867.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/03/566867.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O filme é pontual ao colocar essas questões permeando a dinâmica entre os personagens e os conflitos do seu protagonista com sua mãe Dorothea, uma mulher com ideias ainda cristalizadas do passado, com um certo conservadorismo a respeito do feminino, mas que inconscientemente acaba semeando a revolução que as outras duas personagens femininas da história empreendem, as igualmente impecáveis Greta Gerwig (a fotógrafa Abbie) e Elle Fanning (a adolescente Julie, <em>crush </em>do rapaz).</p>
<p>Ao longo de <em><strong>Mulheres do Século 20</strong> </em>alguns pontos de tensão são abordados como o desprendimento gradual na discussão franca sobre temas que até então era tabus para o feminino. O filme acaba dimensionando esse ponto de virada na década de 1970 que trouxe como consequência o gradual amadurecimento do feminismo nos anos seguintes e também uma outra percepção sobre o masculino com a geração de rapazes filhos de mães solteiras que viria nas décadas seguintes quebrar estigmas associados ao homem como a resistência a qualquer demonstração pública de afeto e a alienação a respeito da sexualidade feminina. Mills faz tudo isso com muita leveza arrancando dos seus atores boas interpretações em um roteiro inteligente e sensível.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Mike Mills</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Annette Bening, Greta Gerwig, Elle Fanning, Lucas Jade Zumann, Billy Crudup, Thea Gill, Waleed Zuaiter</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/EVL3AYkDqQg" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Espírito Jovem</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Jun 2019 16:20:28 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O mundo dos artistas musicais é um elemento constante em produções cinematográficas. A curiosidade sobre a rotina, bastidores e caminho para o sucesso rende roteiros interessantes e diferenciados. Podemos dar como exemplo o próprio Nasce Uma Estrela, Rocketman, Vox Lux &#8211; O Preço da Fama, dentre tantos outros. Em Espírito Jovem, a ideia é explorar o universos de concursos musicais juvenis e as motivações para participar desses eventos. Na trama, com a ajuda de um mentor inusitado, Violet (Elle Fanning) [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O mundo dos artistas musicais é um elemento constante em produções cinematográficas. A curiosidade sobre a rotina, bastidores e caminho para o sucesso rende roteiros interessantes e diferenciados. Podemos dar como exemplo o próprio <em>Nasce Uma Estrela</em>, <em>Rocketman</em>, <em>Vox Lux &#8211; O Preço da Fama</em>, dentre tantos outros. Em <em><strong>Espírito Jovem</strong></em>, a ideia é explorar o universos de concursos musicais juvenis e as motivações para participar desses eventos.</p>
<p>Na trama, com a ajuda de um mentor inusitado, Violet (Elle Fanning) entra para uma competição de música que, além do seu talento, vai testar sua integridade e ambição. Além disso, ela vai ter que lidar com sua mãe instável e as memórias afetivas de seu passado.</p>
<p>Uma história comum deve ter um diferencial ao ser contada, senão vira apenas mais uma na multidão. Infelizmente, essa não tem um apelo maior para o público. Violet é uma menina apática e sem encanto que possui uma linda voz, ainda que pouco treinada. Ela tem o desejo de participar do concurso que se chama Espírito Jovem e, assim, ficar famosa. Por trás deste sonho, ela deseja ficar visível para que seu pai, que foi embora sem dar notícias, a veja e entre em contato.</p>
<p>As motivações para Violet participar do concurso são reais, mas pouco aprofundadas. A sensação que fica para o espectador é que o filme passeia o tempo inteiro pela superfície, sem aprofundar os personagens e suas histórias. Falta mais tempo de tela para desenvolver melhor o roteiro. No entanto, dado a orientação de direção, temo que mais tempo não fosse resolver o problema.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-10741" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/1766545.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/1766545.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/1766545.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/1766545.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Max Minghella, conhecido pelo papel em <em>The Handmaid&#8217;s Tale</em>, estreia na direção de maneira não tão positiva. Mesmo com as ótimas atuações de Elle Fanning (<em>O Estranho que Nós Amamos</em>) e Zlatko Buric (<em>2012</em>), não conseguimos nos conectar com os personagens. Esteticamente, o filme é realmente muito bom. O cuidado com as cenas, a mixagem de cores e sons, torna a experiência muito mais sensorial.</p>
<p>A última cena que é o ápice do concurso é realmente visceral. Ainda assim, não consegue salvar o marasmo do restante do roteiro. Em dado momento, ele tenta estabelecer essa dualidade da fama e a ambição como um possível ponto de mudança da protagonista. No entanto, faz uso de caricaturas excessivas, que tornam as cenas muito fora da normalidade do roteiro.</p>
<p>A alegoria de coadjuvantes é tão sem aprofundamento quanto o roteiro como um todo. Até mesmo Vlad, que faz uma tentativa de tecer mais informações sobre seu passado, é relegado ao esterótipo de bêbado que um dia foi incrível mas desistiu no meio do caminho. Nenhuma explicação é dada quanto a isso e o espectador fica realmente sem esse desfecho.</p>
<p><em><strong>Espírito Jovem</strong></em> é um filme com potencial mas que tem medo de arriscar, ficando apenas na superfície. A falta de aprofundamento, seja na história ou nos personagens, é o que torna ele medíocre e pouco memorável. Uma pena!</p>
<p><strong>Direção:</strong> Max Minghella<br />
<strong>Elenco:</strong> Elle Fanning, Zlatko Buric, Rebecca Hall, Archie Madekwe, Millie Brady, Jordan Stephens, Agnieszka Grochowska, Clara Rugaard, Richard Leeming</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/tAFcsdsAlVc" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: O Estranho que Nós Amamos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Aug 2017 11:56:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Definir O Estranho que Nós Amamos como um remake talvez não seja a forma adequada de carimbar o mais recente filme da diretora e roteirista Sofia Coppola, conhecida por longas com tanta personalidade quanto Encontros e Desencontros e Maria Antonieta. A principal razão para isso é porque antes de suceder o longa homônimo de Don Siegel de 1971, O Estranho que Nós Amamos, que venceu o prêmio de melhor direção no Festival de Cannes de 2017, antecede o romance homônimo do autor Thomas Cullinan. Culturalmente, definir esse fluxo [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">
<p>Definir <i>O Estranho que Nós Amamos </i>como um <i>remake </i>talvez não seja a forma adequada de carimbar o mais recente filme da diretora e roteirista Sofia Coppola, conhecida por longas com tanta personalidade quanto <i>Encontros e Desencontros </i>e <i>Maria Antonieta</i>. A principal razão para isso é porque antes de suceder o longa homônimo de Don Siegel de 1971, <i>O Estranho que Nós Amamos</i>, que venceu o prêmio de melhor direção no Festival de Cannes de 2017, antecede o romance homônimo do autor Thomas Cullinan. Culturalmente, definir esse fluxo de interpretações e origens da obra é importante porque o campo cinematográfico costuma olhar para <i>remakes </i>com uma certa aversão, muitas vezes injustificada tendo em vista que em outras áreas a prática de reinterpretar histórias nunca é recepcionada com tamanho desdém antes mesmo da experiência de fruição como ocorre no cinema. Assim, esse <i>O Estranho que Nós Amamos </i>é uma interpretação da cineasta Sofia Coppola a um material pré-existente que justifica tal enfrentamento porque de fato a realizadora conseguiu imprimir o seu olhar e sublinhar a sua lente para os eventos narrados nesse filme.</p>
</div>
<div class="" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">
<p>No longa, Nicole Kidman (de <i>Lion: Uma Jornada para Casa</i>) interpreta Martha Farnsworth, a diretora de um internato para garotas que com a ajuda da jovem professora Edwina, vivida por Kirsten Dunst (de <i>Estrelas Além do Tempo</i>), tenta dar um rumo para a vida das suas protegidas nos EUA pós-Guerra Civil. A dinâmica desse grupo de mulheres é mexida com a chegada de John McBurney, um soldado irlandês à serviço do exército americano que está gravemente ferido, papel de Colin Farrell (de <i>O Lagosta</i>). Enquanto procuram cuidar dos ferimentos de McBurney, Martha e suas garotas tentam encontrar uma forma de lidar com o destino do &#8220;hóspede&#8221; quando já estiver curado. Como forma de sobreviver e evitar retornar ao exército, no entanto, McBurney passa a perceber como sua presença mobiliza as mulheres do internato e o quanto que isso pode ser vantajoso. O jogo de sedução estimulado por McBurney, no entanto, começa a sair do seu controle e as coisas tomam um outro rumo.</p>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>O grande acerto de Sofia Coppola em sua versão de <i>O Estranho que Nós Amamos </i>é entender que sua trama é muito mais uma história sobre o instinto de proteção desse grupo de mulheres do que um romance sobre a disputa feminina pelo coração de um homem. No filme de Don Siegel, existia esse mote defendido por Sofia, mas, subitamente, a trama passa a ser um veículo para Clint Eastwood e o diretor, fascinado pelo <i>star power </i>de seu astro, de repente vê dissolver em seus dedos a oportunidade de acolher e humanizar os atos de Martha, Edwina e as garotas do internato. No lugar dos <i>closes </i>para os beijos de Eastwood nos seios da atriz Jo Ann Harris e do tratamento de sua personagem como uma ninfeta sedutora, temos a Alicia de Elle Fanning (de <i>Demônio de Neon</i>), uma jovem em fase de transição, entediada com a vida bucólica do internato e aspirando por tudo que pode esperá-la fora daquele lugar, como num típico filme de Sofia Coppola. São decisões discretas como esta, que culminam num simbólico plano de encerramento para o filme, que evidenciam como Coppola entende que o ponto nevrálgico dessa história está nelas e não nele.</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-8021" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/08/q5_Xo56Wk6abqg.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Como era de se esperar, o filme de Sofia é muito mais monocórdico do que o tratamento de Siegel, por exemplo, e isso se transforma no ganho, mas também no principal cadafalso dessa versão de <i>O Estranho que Nós Amamos</i>. Por um lado, o filme ganha uma atmosfera bucólica ressaltada pela belíssima e, na maior parte do tempo, natural fotografia de Phillipe Le Sourd, que valoriza as sombras, além da iluminação do sol e das velas nos cômodos do internato. A discrição do cinema de Coppola, ainda valoriza no longa aquilo que está além do texto e que pode ser revelado numa troca de olhares entre os personagens, por exemplo. Coppola evita transformar McBurney num conquistador inveterado como fizera Siegel com Eastwood, mas o compreende como um homem comum que subitamente se dá conta de um poder que acredita ter por conseguir alguma atenção das mulheres do internato de Martha, julgando  que pode manipulá-las com isso, e é interessante perceber como sua natureza mesquinha &#8211; antes, tida como dócil por algumas personagens &#8211; vem à tona quando se dá conta de que não consegue isso e julga ter sido vítima de uma punição (e Colin consegue compreender muito bem esse homem). Ao mesmo tempo, Coppola dá uma objetividade às ações de Martha em substituição ao reforço da frustração sexual feito por Siegel em 1971. A personagem interpretada aqui por Nicole Kidman tem seus desejos por aquele homem, mas age impulsionada sobretudo por um dever ético e profissional que assumiu desde que passou a dirigir àquela casa, proteger suas internas.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Há perdas em <i>O Estranho que Nós Amamos </i>e é possível que elas estejam na maneira como Coppola administra sua tensão.<i> </i><i>N</i>o entanto, mesmo esta falta pode ser interpretadas a seu favor. Se Don Siegel conseguia tornar seu filme um <i>thriller </i>acessível a todas as plateias. O olhar quieto e estilizado de Coppola não consegue captar a tensão que o clímax da história claramente exige. A suavidade da diretora, no entanto, não chega a comprometer o filme, mas evidencia a dificuldade da realizadora em administrar as demandas daquele que talvez seja o seu trabalho mais narrativo e atrelado a demandas formais de gêneros bem específicas. Contudo, cabe destacar, não deixa de ser a maneira como a realizadora administra tais marcas e como realizadora com a personalidade que tem está mais do que no direito de não criar tais raízes formais.</p>
<p>A discrição e suavidade do cinema de Sofia acompanha o tratamento dos seus personagens e o desempenho dos seus atores. Há uma relativa falta de <i>background </i>em suas trajetórias, mas isso não representa uma<i> </i>carência capaz de inviabilizar, por exemplo, a compreensão de algumas de suas motivações. A falta de <i>background </i>explícito sublinha o ótimo desempenho dos seus atores, que trabalham não apenas com suas falas, mas suas reações aos acontecimentos da cena e às provocações dos seus parceiros de trabalho. Esse mistério beneficia, por exemplo, a performance  Kirsten Dunst, que se sobressai ao lidar com a vulnerabilidade e inexperiência de Edwina, ou de Nicole Kidman, que, ao contrário da professora de Dunst, consegue administrar seus sentimentos e ser enérgica e pragmática quando precisa.</p>
<p>Diferente do que poderia supor, <i>O Estranho que Nós Amamos </i>necessitava de um novo olhar e Sofia Coppola foi capaz de oferecer uma interpretação pertinente para esta história. Quieto e discreto como sua própria realizadora, e como costumam ser os títulos da sua filmografia, o filme sabe ser rico na construção da dinâmica dos seus personagens sem exaurir o processo de preenchimento de suas lacunas por parte do espectador, basta que ele esteja disposto a captar as pistas deixadas por seus ótimos atores. É do tipo que dá espaço para seu elenco amadurecer e exercitar suas compreensões sobre as camadas psicológicas das figuras que interpretam sem que precisem dizer muita coisa e que também permite ao espectador capturar as pistas do que essa história tem de fato a dizer sobre nossa sociedade e como homens e mulheres administram eticamente suas relações, obrigações e seus desejos.</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-8022" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/08/The-Beguiled-Elle-Fanning.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p><b>Entendendo o clímax </b>ou <b>a &#8220;falta de&#8221; (SPOILERS)</b></p>
<p>O ponto de virada de <i>O Estranho que nós Amamos </i>que o descola por completo da adaptação de 1971 está no terceiro ato do filme e aqui deixo o leitor à vontade para pular esse e os três parágrafos seguintes a fim de <b>evitar possíveis <i>spoilers</i></b>. Enquanto o longa de Don Siegel era muito mais devoto da tarefa de executar um gênero, o <i>thriller</i>, fazendo com que o ato da amputação do cabo McBurney pelo grupo de mulheres fosse um ato naturalmente necessário, mas também uma espécie de punição por sua &#8220;infidelidade&#8221;, Sofia restringe tal decisão a um diagnóstico racional de Martha Farnsworth e enfatiza como a percepção de que tal atitude fora tomada por vingança é uma distorção dos fatos pelo personagem masculino da história. Diferente, do filme de 1971, logo após o flagra de McBurney na cama de Alicia (Fanning), não há troca de olhares entre Martha (Kidman) e Edwina (Dunst) que explicite uma imediata ciência da primeira sobre os eventos flagrados pela segunda, ao menos não nos eventos da amputação. Bem distante da Farnsworth de 1971, a personagem de Kidman não parece norteada pela frustração de não ter sido a eleita pelo cabo, mas consegue, naquele momento e nos demais que o sucedem, distanciar-se dos acontecimentos e dos seus sentimentos por aquele homem para tratar com frieza a situação extrema de enfermidade do sujeito e o perigo que sua reação a tudo aquilo pode representar para o grupo.</p>
<p>Enquanto a Martha de 1971 age por dever da sua função, mas também pela fúria da rejeição de um homem, a Martha de Coppola tem um senso de proteção aguçado e age norteada basicamente pela percepção de que sua atitude no jantar era a mais recomendável para proteger o grupo de internas. A percepção de que tudo fora um ato de vingança não passa de uma interpretação distorcida dos eventos por McBurney, como o mesmo enfatiza quando se dá conta de que já não possui mais uma de suas pernas.  Temos então um homem que reage com ressentimento diante da percepção de que não possui tanto &#8220;controle&#8221; assim das mulheres cujo desejo despertado se orgulha tanto. Assim, enquanto Siegel enxerga a vingança como um elemento funcional para o seu <i>thriller</i>, Coppola desconstrói esse momento central de <i>O Estranho que Nós Amamos </i>para tornar a obra um filme que busca uma proposta de um olhar para as relações entre homens e mulheres.</p>
<p>Não se trata de feminismo, Coppola quer entender duas óticas sobre um mesmo fato. Claro que as mulheres, seus pontos de vista e a construção dessas personagens tem importância no filme de Don Siegel, mas fica claro no terceiro ato daquela obra que o diretor adere a perspectiva do seu McBurney de que as mulheres do internato Farnsworth agiram para puni-lo, tornando a obra uma macabra lição de moral para os homens ao colocar suas personagens femininas como algozes do sujeito interpretado por Eastwood. No longa de Coppola, fica evidente uma visão distorcida de um McBurney que não é um galanteador como Eastwood, mas um homem comum, medíocre, que se julga detentor de poder por conseguir captar a atenção das mulheres da casa. Na obra de Sofia, Martha, Edwina, Alicia e as demais lidam com desejos em relação àquele homem, claro, mas quando, sobretudo a primeira, se vêem diante do perigo de um McBurney egocentrado e transtornado pelos eventos que lhe sucederam, agem primeiramente por instinto de proteção, ainda que ele brade aos quatro cantos que todas estão agindo por um impulso de vingança. Com isso, Sofia transforma <i>O Estranho que Nós Amamos </i>numa história de sobrevivência de um grupo de mulheres que toma atitudes extremas com um homem que diante da ausência de um membro se enxerga como vítima de artimanhas femininas.</p>
<p><b>Assista ao trailer do filme: </b></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/2gZvq43GgKE" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Malévola</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Jun 2014 13:30:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Angelina Jolie]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Elle Fanning]]></category>
		<category><![CDATA[Filme]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Acredito que quando se cria uma expectativa muito grande em cima de um filme, a chance dele dar errado ou decepcionar cresce proporcionalmente. Verdade ou mentira, o fato é que Malévola entrou exatamente nesta estatística e colocou muita gente para sair triste do cinema. Em primeiro lugar é bom lembrar que esta é uma releitura da clássica história infantil eternizada pelos estúdios de desenho animado da Disney. Na animação, Malévola é uma feiticeira má que se revolta ao descobrir [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_1095" aria-describedby="caption-attachment-1095" style="width: 530px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/cenas-inéditas-de-malévola-são-reveladas-em-trailer-japonês-angelina-jolie-sobre-pop-2014-capa.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1095 size-full" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/cenas-inéditas-de-malévola-são-reveladas-em-trailer-japonês-angelina-jolie-sobre-pop-2014-capa.jpg" alt="cenas-inéditas-de-malévola-são-reveladas-em-trailer-japonês-angelina-jolie-sobre-pop-2014-capa" width="530" height="330" /></a><figcaption id="caption-attachment-1095" class="wp-caption-text">Angelina Jolie encarna perfeitamente no papel de Malévola</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>Acredito que quando se cria uma expectativa muito grande em cima de um filme, a chance dele dar errado ou decepcionar cresce proporcionalmente. Verdade ou mentira, o fato é que <em>Malévola</em> entrou exatamente nesta estatística e colocou muita gente para sair triste do cinema.</p>
<p>Em primeiro lugar é bom lembrar que esta é uma releitura da clássica história infantil eternizada pelos estúdios de desenho animado da Disney. Na animação, Malévola é uma feiticeira má que se revolta ao descobrir que não foi convidada para o batizado da princesa que nasceu e resolve se vingar da família real, jogando uma maldição na menina. Desesperados, rei e rainha pedem a ajuda de três fadas para esconder a criança pelos seus primeiros dezesseis anos, tentando desta forma preservar a bebê do feitiço. A vilã então passa anos procurando a herdeira do trono, na tentativa de concretizar a praga.</p>
<p>Acredito que seja problemático colocar uma antagonista como papel principal de uma trama. A função de uma vilã é ponderar a bondade da protagonista e tentar criar um outro lado da moeda. Uma vez que você coloca o personagem do mal no centro da trama, surge o problema. Mas infelizmente, esse é o menor dos problemas deste longa. Ele tinha a chance de ser muito bom se trabalhassem direito o lado vil da, então, protagonista. Ao contrário, eles resolvem humanizar Malévola e perdem completamente esta dosagem.</p>
<p><em>Malévola</em> começa com uma boa descrição e contextualização de como a vilã se tornou má do jeito que pretende ser. E isso é extremamente animador. Faz com que o espectador acredite que muitas perguntas deixadas pelo desenho animado sejam respondidas. No entanto, o problema começa quando o longa leva muito tempo nessa explicação. O roteiro aprofunda demais, cria cenas desnecessariamente longas e demora além da conta para entrar na parte principal e conhecida de todos, que é a Bela Adormecida.</p>
<figure id="attachment_1096" aria-describedby="caption-attachment-1096" style="width: 530px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/maleficent-elle-fanning.jpg"><img decoding="async" class="size-full wp-image-1096" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/maleficent-elle-fanning.jpg" alt="Elle Fanning também assume toda a suavidade de Aurora" width="530" height="330" /></a><figcaption id="caption-attachment-1096" class="wp-caption-text">Elle Fanning também assume toda a suavidade de Aurora</figcaption></figure>
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<p>Claro que a decisão de explicar tudo acaba humanizando a vilã de uma forma interessante, mostrando que ela não nasceu simplesmente ruim e que acontecimentos da vida é que endureceram seu coração. Legal, se não fosse o fato de que o motivo disso tudo foi um homem que decepcionou Malévola. Toda a personalidade e feminismo sustentados pela vilã do desenho animado, que é autossuficiente, amedrontadora e manda e desmanda na corte, cai por terra deixando ela como, literalmente, uma mal amada.</p>
<p>Aí você pensa que o filme já está suficientemente decepcionante, quando a coisa vai piorando. É de se imaginar que um longa sobre uma vilã que assume o papel principal e que tem um trailer super sombrio com uma trilha sonora macabra, tenha a protagonista como alguém movido pelo ódio e pela vingança, distribuindo terror por onde passa. Chega a ser triste pensar que no alto dos seus quase 100 minutos, Malévola é efetivamente má por três minutos, no máximo. Para se ter uma ideia, ela faz amizade com Aurora. Percebe-se, por aí, o andamento da trama.</p>
<p>Então, chegamos a outro problema. Você tem um filme protagonizado por uma vilã que não age como vilã, trazendo uma narrativa morna e sem um ápice esperado. A todo momento o espectador espera que ela vire a casaca e mostre que estava fingindo. Para tristeza geral da nação, isso não acontece, bestificando ainda mais a personagem.</p>
<figure id="attachment_1097" aria-describedby="caption-attachment-1097" style="width: 530px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/elle-fanning-maleficent.jpg"><img decoding="async" class="size-full wp-image-1097" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/elle-fanning-maleficent.jpg" alt="A história da Bela Adormecida se perde na bestificação da vilã" width="530" height="330" /></a><figcaption id="caption-attachment-1097" class="wp-caption-text">A história da Bela Adormecida se perde na bestificação da vilã</figcaption></figure>
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<p>Claro que <em>Malévola</em> não é de todo ruim. O filme em si é bom. A qualidade dos efeitos especiais é muito boa, casando perfeitamente com os atores e dando fluidez, neste sentido, ao longa. A trilha sonora também é bem escolhida. Toda a direção de fotografia acertou bastante nos cenários e a escolha de trajes para Malévola, intercalando quando ela agia para o bem ou para o mal (embora efetivamente a diferença fosse mínima), foi uma decisão acertada do pessoal do figurino.</p>
<p>No quesito atores, ótima escolha de elenco. Elle Fanning encarna lindamente no papel de Aurora, trazendo toda a inocência da personagem, beleza nata e suavidade nos gestos. Destaque muito especial para Angelina Jolie, que se adequou perfeitamente no papel da “vilã”, pontuando todas as variações de sentimentos e personalidade. De verdade, ela está idêntica à personagem do desenho animado e a maquiagem usada foi extremamente acertada. O resto do elenco também atua bem e compõe o grupo.</p>
<p>É incrível, no entanto, a capacidade de esquecimento que o enredo tem. Em muitos momentos os personagens simplesmente somem sem explicação alguma e reaparecem como se nada tivesse acontecido, cenas depois. Quando Aurora se perde na floresta e faz amizade com ninguém menos que Malévola, as três fadas que tomam conta dela não dão por sua falta hora nenhuma. O mesmo acontece com o príncipe Felipe, coitado, que surge por dois segundos e é completamente esquecido o resto do longa.</p>
<p>Lamentavelmente, nada disso consegue se sobressair por conta de um roteiro muito mal formulado e de caráter duvidoso. A maneira como a vilã foi retratada vai de encontro com toda a noção de encarnação do mal que ela propõe inicialmente, levando o espectador a um filme com enredo infantil, apesar de a proposta ser completamente diferente. É engraçado afirmar isso, mas o desenho animado traz uma antagonista de forma muito mais contundente e assustadora do que o próprio longa <em>Malévola</em>, que propôs uma releitura sob a perspectiva do mal. Uma triste decepção.</p>
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