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	<title>Arquivos Edgar Alberto Deluque Jacome - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Edgar Alberto Deluque Jacome - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: A Filha do Pescador</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Aug 2024 21:13:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em sua estreia nas funções de diretor e roteirista de longas de ficção, o colombiano Edgar Alberto Deluque Jacome apresenta sinais de uma promissora carreira em A Filha do Pescador, co-produção Colômbia e Brasil. O drama conta a história de um pescador surpreendido pelo retorno de uma filha transexual. Samuel perdeu contato com Priscila desde ela saiu de casa com a mãe antes do seu processo de mudança. Com pouquíssimos elementos à sua disposição, um único cenário e um grupo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Em sua estreia nas funções de diretor e roteirista de longas de ficção, o colombiano Edgar Alberto Deluque Jacome apresenta sinais de uma promissora carreira em <strong><em>A Filha do Pescador</em></strong>, co-produção Colômbia e Brasil. O drama conta a história de um pescador surpreendido pelo retorno de uma filha transexual. Samuel perdeu contato com Priscila desde ela saiu de casa com a mãe antes do seu processo de mudança.</p>
<p>Com pouquíssimos elementos à sua disposição, um único cenário e um grupo reduzido de personagens, Jacome constrói uma trama que viabiliza o desenvolvimento das relações entre seus protagonistas e seus arcos isoladamente. A situação que o diretor e roteirista impõe aos seus personagens principais é manejada de forma eficiente: Samuel e Priscila convivem forçadamente naquela aldeia de pescadores. Pai e filha são submetidos a um isolamento social com aquilo que mais lhes desestabilizam. O pescador lide cotidianamente com o seu preconceito e sua filha revive a violência de ser rejeitada por quem ela é.</p>
<p>Apesar da alta carga dramática presente no roteiro de <strong><em>A Filha do Pescador</em></strong>, Jacome entrega para o público um desfecho no qual algumas arestas desse complicado imbróglio familiar são aparadas e a solução passa longe da pecha de histórias LGBTQIAPN+ com encerramentos trágicos. <em>A Filha do Pescador</em> busca um &#8220;final feliz&#8221; sem esquecer que o contexto social dos personagens, obrigatoriamente, faz o filme passar longe de uma visão romantizada e fantasiosa do mundo, sobretudo no que tange a realidade de pessoas trans de estratos populacionais marginalizados na América Latina.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18501" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-1-4.png" alt="A Filha do Pescador" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-1-4.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-1-4-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-1-4-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><strong><em>A Filha do Pescador</em></strong> também é marcado pelas ótimas atuações da sua dupla de protagonistas. Nathalia Rincón modula de forma acertada as reações de Priscila a um contexto transfóbico, sempre presente em cena com uma expressão corporal que sinaliza o acuamento da personagem diante do ambiente hostil que a cerca. No extremo, encontramos Roamir Pineda interpretando Samuel como um homem simples e virtuoso, mas rude, que tem dificuldade para se expressar. Em Samuel, o preconceito é seu ponto mais limitante e Pineda consegue compô-lo de forma sensível, especialmente nos momentos em que o personagem não tem um diálogo sequer, requerendo do ator a condução complexa de um turbilhão de emoções que toma conta de um homem que está sempre reprimindo seus sentimentos. Juntos, Nathalia Rincón e Roamir Pineda desenvolvem muito bem os pontos de colisão entre esses dois personagens, sendo certeiros no desfecho de suas jornadas com uma conciliação conduzida com muita sensibilidade por ambos.</p>
<p><strong><em>A Filha do Pescador</em></strong> apresenta algo que muitas vezes falta em algumas produções brasileiras recentes, extremamente bem intencionadas, mas executadas com algumas carências aqui e ali: a junção entre a urgência de responder às demandas sociais do seu tempo com a composição de um ótimo roteiro que compreenda a importância de um bom desenvolvimento dramatúrgico. O filme de Edgar Alberto Deluque Jacome faz o espectador refletir sobre uma transfobia estruturada em uma masculinidade nociva ao engajá-lo no drama palpável de pai e filha, personagens construídos na tela como figuras humanas com arcos que envolvem o espectador com suas histórias e estabelecem vínculos afetivos com quem está do lado de cá da tela.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Edgar Alberto Deluque Jacome</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Modesto Lacen, Henry Barrios, Jesús Romero</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
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