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	<title>Arquivos Documentário - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Documentário - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Bruxas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Mendes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Dec 2024 18:37:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um longo, doloroso e intrincado relato pessoal. Assim pode ser definido, em curtos termos, o documentário Bruxas, escrito e dirigido por Elizabeth Sankey. Produzida pelo streaming Mubi, a obra mostra a representação das bruxas no cinema e no imaginário ocidental, e expõe como a história daquelas mulheres se conectam com traumáticas experiências de depressão, ansiedade e psicose pós-parto enfrentadas por Sankey e outras mulheres do Reino Unido contemporâneo. Além do caráter instrutivo, ressaltado nas detalhadas exposições das experiências das mulheres [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Um longo, doloroso e intrincado relato pessoal. Assim pode ser definido, em curtos termos, o documentário <strong>Bruxas</strong>, escrito e dirigido por <strong>Elizabeth Sankey</strong>. Produzida pelo streaming Mubi, a obra mostra a representação das bruxas no cinema e no imaginário ocidental, e expõe como a história daquelas mulheres se conectam com traumáticas experiências de depressão, ansiedade e psicose pós-parto enfrentadas por Sankey e outras mulheres do Reino Unido contemporâneo.</p>
<p>Além do caráter instrutivo, ressaltado nas detalhadas exposições das experiências das mulheres e nas falas de médicas e psiquiatras, <strong>Bruxas</strong>, talvez até sem intenção, faz uma pequena ode ao cinema. Por meio da colagem de cenas de filmes como <strong>A</strong> <em><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-bruxa/"><strong>Bruxa</strong></a> (2015), <strong>O Bebê de Rosemary</strong> (1968), <strong>As Bruxas de Eastwick</strong> (1987), <strong>Possessão</strong> (1981), </em>entre outros, a narrativa mostra que imagens gráficas de horror funcionam como relevantes elementos alegóricos para diferentes infortúnios que acontecem no mundo real. Embora as metáforas no universo do terror estejam longe de serem novidades, a exposição das referências no documentário é feita com primor e se conectam com naturalidade aos tristes relatos das mulheres sobre seus problemas após a gestação. Assim, graças à inventiva montagem, <strong>Bruxas</strong> confere importância e maturidade às obras destacadas.</p>
<p>Obviamente é sandice acreditar que a arte tem poderes terapêuticos que conduzem espectadores, através de experiências imersivas, à plenitude ou ajudam na cura como auxiliares de medicamentos convencionais da medicina. Não, não são os livros e filmes que nos conduzirão à zona de plenitude. E é claro que Sankey não caiu na armadilha de atribuir ao universo artístico esta perspectiva ingênua e na história, as psiquiatras são responsáveis pelas investigações das ocorrências e longos tratamentos. De todo modo, não é exagero pontuar que foi graças ao profundo interesse pela história das bruxas e a curiosidade por aquelas mulheres, representadas como feiticeiras malignas de feições aterradores ou como garotas rebeldes e <em>outsiders</em> na sétima arte, que a artista racionalizou a intimidade feminina na segunda década do século XXI.</p>
<p>Ao longo do século XVI, milhares de mulheres foram queimadas por desobediências diversas. Eram consideradas bruxas aquelas tidas como emocionalmente instáveis que causavam assombro em contexto civilizacional marcado por desenvolvimento científico precário, forte opressão de gênero e apego ao sobrenatural. Além das “histéricas”, mulheres que faziam uso medicinal de ervas e as independentes também recebiam a alcunha desta figura que ficou cravada no imaginário infantil como uma idosa de roupa preta que voava na vassoura e por vezes preparava receitas com feitiços em um caldeirão.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18989" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image.png" alt="Bruxas" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Certamente muitas daquelas consideradas “endemoniadas”, que assustavam as comunidades europeias no transcorrer da idade moderna, sofriam de depressão pós-parto. Se em tempos remotos o zelo com figuras femininas era inexistente, até hoje o debate sobre saúde mental sofre entraves por uma série de estigmas ainda fincados do papel das mães na sociedade. Em determinada passagem do documentário, por exemplo, Sankey afirma que uma boa mãe é imaculada e “nunca fica estressada”. É percetível compreender o quão pavoroso é observar-se sem estes valores socialmente carimbados em mulheres que acabaram de ter um filho.</p>
<p>Eficiente em estabelecer vínculo a respeito das reflexões da saúde mental de mulheres em tempos e contextos culturais tão distantes, o documentário também acerta na direção de arte. Ainda que não sejam amedontradores, os quartos em que Sankey e as entrevistadas relatam seus traumas, evocam os seus desconfortos e instabilidades emocionais, graças à pontual variação entre claro e escuro da iluminação e aos objetos cênicos escolhidos.</p>
<p>Por fim, <strong>Bruxas</strong> tematiza a importância de conexões. No tempo das fogueiras, também eram perseguidas as mulheres responsáveis por cuidados. Parteiras e vizinhas acolhedoras eram ameaças a ordem vigente. Hoje, há temor em expor desejos sombrios, medos de rejeição e de punição, ainda que não seja no fogo.</p>
<p>A arte pode até não ser a cura, mas é uma chave importante para reflexão e autoconhecimento. Sankey sabe disso.</p>
<p><strong>Direção</strong>, <strong>roteiro e edição</strong>: Elizabeth Sankey</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p>[youtube https://www.youtube.com/watch?v=_qwx5350Bj8?si=qyGSx_2LBdqVNkmL]</p>
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		<title>Crítica: Othelo, O Grande</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Sep 2024 23:41:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema Nacional]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um dos primeiros registros exibidos pelo documentário Othelo, O Grande traz Sebastião Bernardes de Souza Prata, o Grande Otelo, respondendo a uma pergunta que lhe foi dirigida sobre sua relação com a política. O artista sintetiza que sua relação com o tópico fica restrita a sua habilidade de fazer rir. Provocação ou não de Grande Otelo, a verdade é que, ao longo do filme de Lucas H. Rossi, o público terá contato com uma das figuras mais emblemáticas da nossa cultura que [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Um dos primeiros registros exibidos pelo documentário <strong><em>Othelo, O Grande</em></strong> traz Sebastião Bernardes de Souza Prata, o Grande Otelo, respondendo a uma pergunta que lhe foi dirigida sobre sua relação com a política. O artista sintetiza que sua relação com o tópico fica restrita a sua habilidade de fazer rir. Provocação ou não de Grande Otelo, a verdade é que, ao longo do filme de Lucas H. Rossi, o público terá contato com uma das figuras mais emblemáticas da nossa cultura que durante toda a sua vida, intencionalmente ou não, desestabilizou muitas estruturas problemáticas do nosso país ao se fazer presente de maneira tão enérgica e carismática no teatro, na TV, na música e no cinema.</p>
<p>Desafiando o racismo brasileiro, Grande Otelo se tornou um dos nossos artistas mais importantes do século passado, atravessando eras e gêneros narrativos que só destacaram o seu talento. Através do seu documentário, Lucas H. Rossi dimensiona muito bem essa importância com trechos de entrevistas do artista nas quais Grande Otelo procura elaborar em palavras o seu legado artístico e também o significado do seu sucesso na percepção do público, sobretudo o que isso representava para a presença de pessoas pretas no audiovisual brasileiro. O filme de Rossi então tem uma linha narrativa definida pela montagem desses depoimentos e faz isso de forma muito competente, construindo a trajetória de Grande Otelo por meio de esforços da linguagem cinematográfica auxiliados pelas próprias palavras do seu biografado.</p>
<p><strong><em>Othelo, O Grande </em></strong>contempla diversos momentos da carreira do artista. Na seara privada, o filme aborda sua infância em Uberlândia, quando foi entregue por sua mãe a uma outra família para receber a educação que ela não poderia proporcionar, até mesmo assuntos delicados como a morte da sua primeira esposa e do seu primeiro filho, algo tratado com uma reticências eloquentes pelo artista e pelo próprio documentário. No âmbito do itinerário das contribuições artísticas de Grande Otelo, o documentário é ainda mais feliz ao contemplar diversas fases da sua carreira: a participação na Companhia Negra de Revista e sua relação com Abadias do Nascimento na concepção de um teatro só de negros no Brasil, sua popularidade nas chanchadas e a estereotipação dos seus personagens nesses filmes e o seu renascimento artístico nas mãos de cineastas como Joaquim Pedro de Andrade (Macunaíma) e Werner Herzog (Fitzcarraldo), além da sua entrada na televisão em Escolinha do Professor Raimundo.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18733" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/09/grandeothelo.jpg" alt="Othelo, O Grande" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/09/grandeothelo.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/09/grandeothelo-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/09/grandeothelo-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Todos os momentos da trajetória de Grande Otelo são calibrados pelas reflexões do artista sobre o racismo nem sempre velado que sua presença nas telas gerou. Estabelecendo um paralelo recente, <strong><em>Othelo, O Grande</em></strong> tem forte relação com o documentário Diálogos com Ruth de Souza, na medida em que este também contemplava reflexão semelhante feita por outra artista brasileira de grande importância, entendendo como ambos conseguiram alcançar espaços e terem projeções inimagináveis para um negro no Brasil, com as oportunidades que eram dadas a suas carreiras em seus respectivos contextos. Em sua época, tanto Grande Otelo quanto Ruth de Souza realizaram verdadeiras subversões em uma estrutura produtiva ainda racista.</p>
<p><strong><em>Othelo, O Grande</em></strong> dimensiona o legado de Grande Otelo para futuras gerações, proporcionando uma consistente revisão na história do audiovisual brasileiro pela perspectiva racial. Nesse sentido, como uma boa biografia, o filme de Lucas H. Rossi é competente na reconstrução da trajetória profissional e pessoal do seu protagonista, mas quer ser mais do que uma mera trivia audiovisual. <em>Othelo, O Grande</em> é também um documento histórico profundamente comprometido com uma leitura sobre o passado de um país, de uma manifestação cultural e como tudo isso pode ser processado no presente.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Lucas H. Rossi</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Grande Otelo, Paulo José, Zezé Motta</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/ycLcyWuhhDE?si=WNxJfVa9WOrbrGhw" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Diálogos com Ruth de Souza</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Jun 2024 17:13:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Lançado em 2022 no circuito de festivais, Diálogos com Ruth de Souza chega para um público mais amplo através do catálogo da Netflix após uma breve passagem pelos cinemas brasileiros em maio de 2024, quase cinco anos depois do falecimento da artista. A reverência do filme da cineasta Juliana Vicente a toda a história de Ruth de Souza é mais do que justa. Ruth de Souza é uma das maiores atrizes brasileiras que já existiu, além de ser uma referência muito forte [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Lançado em 2022 no circuito de festivais, <em><strong>Diálogos com Ruth de Souza</strong></em> chega para um público mais amplo através do catálogo da Netflix após uma breve passagem pelos cinemas brasileiros em maio de 2024, quase cinco anos depois do falecimento da artista. A reverência do filme da cineasta Juliana Vicente a toda a história de Ruth de Souza é mais do que justa. Ruth de Souza é uma das maiores atrizes brasileiras que já existiu, além de ser uma referência muito forte para toda a comunidade de artistas pretos do nosso país. O filme fortalece a importância de Ruth, que, infelizmente, como muitos artistas pretos em nosso país, teve sua relevância e pioneirismo silenciados por uma historiografia racista da nossa cultura.</p>
<p>A partir de visitas constantes que fez à casa de Ruth de Souza para entrevistá-la, Juliana Vicente retoma os momentos mais importantes da trajetória da artista, tornando <em><strong>Diálogos com Ruth de Souza</strong></em> um filme importante como documento histórico da trajetória da sua protagonista, mas também do nosso audiovisual, afinal a biografia da atriz se entrelaça com a própria história do cinema e da televisão brasileira. Intercalando os depoimentos da atriz com imagens do seu arquivo pessoal, seus filmes e algumas dramatizações simbólicas da trajetória da protagonista, o documentário tece um importante relato que frisa o pioneirismo de Ruth de Souza em diversas frentes. Estamos diante de uma artista revolucionária que muitas vezes não tinha pretensão de ser, mas que acabou sendo por sua força representativa e pelas conquistas que conseguiu ao longo da carreira, desafiando preconceitos do público e dos seus colegas de trabalho. Por tudo isso, a história de Ruth de Souza é marcada pelo talento e pela resiliência, enfatiza o filme.</p>
<p><em><strong>Diálogos com Ruth de Souza</strong></em> contempla diversos momentos emblemáticos e algumas passagens pouco exploradas da vida de Ruth de Souza e também da história de artistas pretos no país. O longa aborda, por exemplo, o Teatro Experimental Negro, um movimento revolucionário nos palcos que deu visibilidade para muitos artistas negros no país e também condições para que eles tivesse uma vida digna com emprego e educação que não tiveram por outras vias. A história do Teatro Experimental Negro contada no documentário também enfatiza o lugar de Ruth de Souza, uma mulher preta, como uma das principais mentoras do projeto, algo que desafiava disputas internas de poder com seus colegas homens.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18300" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image-1-5.png" alt="Diálogos com Ruth de Souza" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image-1-5.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image-1-5-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image-1-5-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Além do Teatro Experimental Negro, <em><strong>Diálogos com Ruth de Souza</strong></em> aborda a passagem de Ruth de Souza por Nova York para estudar teatro com uma bolsa do instituto Rockefeller; a repercussão de Sinhá Moça de Tom Payne e Oswaldo Sampaio, filme que por dois votos quase rendia à atriz um prêmio no Festival de Veneza depois de disputar a preferência com lendas do cinema internacional como Katharine Hepburn e Lilli Palmer; a repercussão ruidosa de A Cabana do Pai Tomás na TV brasileira em 1969, entre outros momentos relevantes na história da artista.</p>
<p>A série de entrevistas com Juliana Vicente se dá enquanto Ruth de Souza se preparava para o desfile da escola de samba Santa Cruz que a homenageou em seu enredo de 2019, ano do seu falecimento. Em meio aos preparativos, uma das principais reflexões que Juliana Vicente extrai da atriz é sua percepção sobre o racismo que sofreu ao longo da carreira pela estereotipação de papéis ou pelas dificuldades que enfrentava, algo não vivenciado por suas colegas brancas. Em algumas passagens, Ruth de Souza aborda falas e atitudes de suas colegas de trabalho brancas testemunhadas no cotidiano dos bastidores da TV e do cinema e o mais interessante do registro é a forma como a atriz lidou com isso nos seus últimos anos, à luz de um momento muito mais empoderador para artistas pretos do que o seu. Ruth de Souza fala sobre o assunto com muita sabedoria e leveza, há força política, mas não há ressentimentos, apenas consciência da resiliência que teve para enfrentar tudo aquilo e, consequentemente, do valor da sua trajetória.</p>
<p>Inventivo e poético, <em><strong>Diálogos com Ruth de Souza</strong></em> encontra equilíbrio entre a homenagem afetuosa a um ícone  aos olhos da sua realizadora e a acuracidade do registro histórico. O documentário encontra espaço para o lirismo através das suas dramatizações, resgata imagens preciosas da história das nossas artes audiovisuais no esforço de preservar a memória e reverencia uma das artistas mais importantes do nosso país com seus últimos registros em vida.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Juliana Vicente</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Ruth de Souza</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/5vm_Di4PL7Q?si=KTLxANEbR1tfy2GF" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Incompatível Com a Vida (Mubi)</title>
		<link>https://coisadecinefilo.com.br/critica-incompativel-com-a-vida-mubi/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Feb 2024 18:52:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Documentário]]></category>
		<category><![CDATA[Filme]]></category>
		<category><![CDATA[Incompatível Com a Vida]]></category>
		<category><![CDATA[Mubi]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Incompatível Com a Vida. Somente ao imaginar como deve ser a sensação de escutar esta frase de uma médica em uma consulta, arrepios passam pelo corpo. Eu não sou mãe, ainda não tive filhos, mas há algo no filme da diretora Eliza Capai que mexe em algo profundo em mim. Talvez, seja a velha questão do quão as mulheres são preparadas consciente e inconscientemente para o fato de que a maternidade passará por suas vidas.  Possuindo ou não filhos, somos [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;"><em><strong>Incompatível Com a Vida</strong></em>. Somente ao imaginar como deve ser a sensação de escutar esta frase de uma médica em uma consulta, arrepios passam pelo corpo. Eu não sou mãe, ainda não tive filhos, mas há algo no filme da diretora Eliza Capai que mexe em algo profundo em mim. Talvez, seja a velha questão do quão as mulheres são preparadas consciente e inconscientemente para o fato de que a maternidade passará por suas vidas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Possuindo ou não filhos, somos levadas a crer que ocupamos a posição de cuidar. Ou talvez seja mais do que isso? Porque é complexo explicar as sensações que perpassam o corpo e a mente durante a exibição deste documentário, vencedor do prêmio principal no </span><i><span style="font-weight: 400;">Festival é tudo verdade</span></i><span style="font-weight: 400;">. E tudo começa de uma forma quase mística e premonitória. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Eliza começou a filmar seu processo de gravidez desde o princípio. Era pandemia, governo Bolsonaro. Então, logo nas sequências iniciais já dá para sentir aquele gosto agridoce e o prenúncio de algo angustiante que virá. Este estabelecimento de atmosfera é bem conduzido, pois com pouco tempo de tela, através de ruídos e de um breve diálogo entre Eliza e o pai do seu neném. Neste sentido, há aqui algo que eleva a potencialidade narrativa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Existe a chance de processamos as informações sobre o que são as gestações com má formação do feto junto com Capai e com outros casais que ela escolheu escutar. Os relatos são intensos e a montagem de <em><strong>Incompatível Com a Vida </strong></em>é precisa, pungente, direta. As conexões das vozes das mulheres e homens que tiveram o sonho de serem pais interrompido são mescladas com a própria dor de Eliza, que passa pelo mesmo luto e o transforma em arte. Algumas cenas são impactantes e gráficas demais, porém eu acredito que ela tem uma licença em sua obra maior do que qualquer outra possível. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Eliza precisa expurgar o quanto der todo o sofrimento de si. Eliza parece querer ajudar também, de alguma forma, seus entrevistados. Nesta lógica, nos tornamos uma espécie de rede de apoio, que escuta todo aquele arsenal corrosivo de frustração, de escolhas cruéis que são dadas para os pais, de desesperança. Ainda que o peso seja grande demais e sufoque quem assiste, não tem como ser diferente neste longa, infelizmente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em qualquer outra obra, esta que vos escreve diria que faltam respiros na produção, mas o assunto são fetos que jamais se tornarão presença naquelas famílias (ainda que o amor por eles exista e persista, dentro dessa incompatibilidade com a vida). Nesta turbulência dilacerante, é notável o zelo com as imagens, mostrando o talento de Capai como diretora, que escolhe apresentar o enredo indo além do chamado “cabeça flutuantes”. </span></p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17710" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image-2-1.png" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image-2-1.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image-2-1-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image-2-1-610x407.png 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image-2-1-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sim, existem os momentos de entrevista, mas também de performance de Eliza e de instantes de imagem contemplativa, de silêncios ou ruídos, que completam a junção de significados imagéticos e simbólicos. Por isso,</span> <strong><em>Incompatível Com a Vida</em></strong> <span style="font-weight: 400;">é uma experiência forte, porém que também conta com uma técnica consciente. Há uma seleção equilibrada de personagens, uma decupagem que contribui ainda mais para a força dos relatos, uma edição que costura todas as histórias narradas como se fossem todas uma só, mas sem retirar a personalidade de cada uma. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estes são os pontos de maior qualidade, mas, para além disso, também existem dois pontos técnicos que chamam a atenção. Tanto o desenho de som quanto a fotografia também são bem executadas. Os sons compõem as cenas na tela, as falas e expressões faciais dos entrevistados. São nos detalhes sonoros que os elementos da vida são recordados e isso eleva a melancolia por aqueles bebês que se foram. Em termos de fotografia, a iluminação é acertada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Primeiramente, é possível perceber, durante os depoimentos que os mesmos são filmados, pois a luz emite certa profundidade de câmera, escapando do “chapado”, que geralmente aparece em docs com entrevista, bem como nas performances de Elzia, que há uma trabalho solar, afastando a sombra, que seria o mais óbvio para relatar a ausência de vida. Neste sentido, Capai e sua equipe são inteligentes e emitem uma mensagem crucial para a argumentação da produção. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Este é um documentário sobre a vida, mesmo que os bebês sejam ditos incompatíveis com ela. Há luz, há força na voz dos pais, que contam sobre seus sentimentos, existem as janelas abertas, nas quais o vento balança as cortinas, mesmo que seja em um momento de introspecção e lágrimas. Nesta lógica, somente no momento do clímax da sessão é que esta luminosidade se esvai e vemos o feto nas mãos de Capai. Assim, enquanto filme, esta é uma obra que vale a pena de ser conferida. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, a única recomendação, para finalizar esta crítica, é que o público o assista em dia bom, porque <em><strong>Incompatível Com a Vida</strong></em> reverbera por dias no coração e na mente da plateia. É uma dose de dor “porradeira”, sobretudo para aquelas pessoas que podem gestar a vida em seus corpos. Vejam, mas com este cuidado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Direção:</strong> Eliza Capai</span></p>
<p><strong>Assista ao trailer</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/FZ1Kb-JEYlM?si=_6yqFy6UCh4p-Tkd" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Sly</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Nov 2023 22:38:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Netflix]]></category>
		<category><![CDATA[Arnold Schwarzenegger]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Documentário]]></category>
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		<category><![CDATA[Sylvester Stallone]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Disponível na Netflix, o documentário Sly é uma produção original do serviço de streaming e narra parte da trajetória de Sylvester Stallone na indústria do entretenimento. A produção é uma forma de Stallone celebrar os 50 anos da sua carreira como ator, roteirista, diretor e produtor cinematográfico. Assim, Sly assume durante boa parte da sua narrativa o tom celebratório em torno do legado de Stallone, utilizando a própria narração do astro como fio condutor. Meses atrás, a própria Netflix estreou [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Disponível na Netflix, o documentário <em><strong>Sly</strong> </em>é uma produção original do serviço de streaming e narra parte da trajetória de Sylvester Stallone na indústria do entretenimento. A produção é uma forma de Stallone celebrar os 50 anos da sua carreira como ator, roteirista, diretor e produtor cinematográfico. Assim, <em>Sly</em> assume durante boa parte da sua narrativa o tom celebratório em torno do legado de Stallone, utilizando a própria narração do astro como fio condutor.</p>
<p>Meses atrás, a própria Netflix estreou em seu catálogo um projeto semelhante com o rival de Stallone, Arnold Schwarzenegger. Em muitos pontos, Arnold se beneficia do formato escolhido pelo documentário de Schwarzenegger, uma série documentário. Assim, a narrativa se dividiu em três episódios com temáticas bem delineadas que obedeceram a ordem cronológica dos eventos na trajetória do biografado: sua juventude e o início da carreira como fisiculturista, a ascensão em Hollywood e a trajetória de Arnold na política.</p>
<p><em><strong>Sly</strong></em>, por sua vez, vai por um outro caminho. O documentário condensa toda a narrativa em um filme com cerca de uma hora e quarenta minutos de duração, tentando dar conta de um personagem que está na indústria desde a década de 1970. Claro que parte da vida de Stallone fica de fora, então os realizadores tentam fazer aqui uma síntese daquilo que talvez seja mais significativo e o que ganha relevância é a tão alardeada semelhança entre as trajetórias de Rocky Balboa, personagem que Stallone criou nas telas a partir de 1976, vencendo dois Oscars (filme e roteiro original), e a trajetória do próprio artista. Dessa forma, a vida de Rocky e Sly se embaralham no documentário e o primeiro serve para dimensionarmos a personalidade obstinada do segundo, um personagem da vida real.</p>
<p>Com Rocky como &#8220;farol&#8221;, <em><strong>Sly </strong></em>constrói Stallone como esse sujeito que em diversas fases da sua carreira foi desacreditado por Hollywood, conseguindo sobreviver em uma indústria cruel ao mostrar que era melhor do que muitos pensavam. O mais curioso é a forma como cada capítulo da história de Rocky Balboa preenche um momento de renascimento de Stallone na indústria, ou seja, como a franquia proporcionou ao artista um processo de avaliação constante da sua própria trajetória e exposição dos seus medos, expectativas, frustrações e desejos para a plateia por diversas gerações que acompanharam as histórias do mais famoso boxeador do cinema.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17466" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/2509653.jpg" alt="Sly" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/2509653.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/2509653-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/2509653-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/2509653-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><em><strong>Sly</strong> </em>é um filme celebratório do legado de Sylvester Stallone e a presença constante do ator na tela refletindo sobre erros e acertos desde o episódio em que narra como os problemas de saúde legados pelos exagerados esforços físicos em Os Mercenários evidenciou sua dificuldade em lidar com o tempo ou seu arrependimento pela ausência na criação dos filhos revela um personagem disposto a dimensionar sua psicologia da maneira mais honesta possível para o público. <em>Sly</em> é um exercício de auto-celebração do ator, mas está longe de ser uma narrativa puramente narcisista.</p>
<p>Os depoimentos de Stallone quando são intercalados por falas de críticos, do rival de tela Arnold Schwarzenegger e até do diretor Quentin Tarantino revelam também um filme disposto a tratar a trajetória do ator como objeto de pesquisa e reflexão crítica. Nesse sentido, o documentário vai além do óbvio, frisar a importância do astro no cinema de ação dos anos 1980.</p>
<p>Com tais esforços, mesmo que omisso em determinados capítulos da vida do biografado, <em><strong>Sly</strong> </em>busca dimensionar a figura do seu protagonista como autor cinematográfico. Antes de ser um astro, Stallone é um roteirista, produtor, diretor e ator com uma assinatura própria em seu legado criativo. Com Rocky, por exemplo, &#8211; e <em>Sly</em> é muito bom ao frisar isso &#8211; Stallone conseguiu dar vazão a inquietações pessoais, aproximou o público das suas ideias e construiu de forma coerente a trajetória de um personagem tão emblemático em uma série cinematográfica tematicamente coesa, tornando-se um espelho pelo qual muitos conseguiram se inspirar.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Thom Zimny</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger, Quentin Tarantino</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/_FMulgkArnw" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Um Filme de Cinema</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Oct 2023 00:05:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Bela Tarr]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Documentário]]></category>
		<category><![CDATA[Filme]]></category>
		<category><![CDATA[Gus Van Sant]]></category>
		<category><![CDATA[Júlio Bressane]]></category>
		<category><![CDATA[Walter Carvalho]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O tema da aula é o hábito/ necessidade humana de contar histórias e a professora sugere que a turma faça um trabalho em equipe contemplando o tópico em diversos formatos. É nesse momento que Bebel sugere realizar um filme com seus amigos de classe. Com a ajuda do pai cineasta, a menina começa a pensar nos caminhos de sua narrativa, envolvendo-se de fato com a realização cinematográfica. Quem sabe esse será os primeiros passos da cineasta Bebel. Com essa premissa, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O tema da aula é o hábito/ necessidade humana de contar histórias e a professora sugere que a turma faça um trabalho em equipe contemplando o tópico em diversos formatos. É nesse momento que Bebel sugere realizar um filme com seus amigos de classe. Com a ajuda do pai cineasta, a menina começa a pensar nos caminhos de sua narrativa, envolvendo-se de fato com a realização cinematográfica. Quem sabe esse será os primeiros passos da cineasta Bebel.</p>
<p>Com essa premissa, o diretor Thiago B. Mendonça concebe<em><strong> Um Filme de Cinema</strong></em>, longa abertamente inspirado na sua convivência com as filhas Bebel e Isadora, ambas presentes no elenco do longa (Bebel é a intérprete da protagonista que leva o seu nome). Assim, <em>Um Filme de Cinema</em> é um longa sobre a crise criativa de um cineasta, absorto pela rotina e pelos choques de realidade do dia-a-dia da vida adulta, mas também um filme sobre o olhar infantil para o mundo e como ele está próximo da gênese do &#8220;fazer cinematográfico&#8221;. A resposta para a desilusão do cineasta com o mundo e, consequentemente, o esgotamento de suas referências e inspirações para concretizar a magia de uma narrativa cinematográfica está no resgate da ludicidade do olhar desprovido de &#8220;bagagem&#8221; de uma criança.</p>
<p>O argumento que sustenta a &#8220;tese&#8221; do filme de Thiago B. Mendonça, que o tempo inteiro embaralha realidade e ficção em seu exercício puro de metalinguagem, demonstra ter fundamento e é executado pelo cineasta com muita dedicação, empenhando-se sempre com a originalidade. A teoria de Mendonça procede e demonstra potencial para construir uma história bem interessante sobre o ofício do diretor.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17280" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/um-filme-de-cinema-01.jpg" alt="Um Filme de Cinema" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/um-filme-de-cinema-01.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/um-filme-de-cinema-01-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/um-filme-de-cinema-01-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/um-filme-de-cinema-01-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O grande ponto de disfunção de<strong><em> Um Filme de Cinema</em></strong>, no entanto, é a dificuldade que ele tem de deixar claro para quem especificamente o projeto é direcionado. Diante dessa indecisão, o resultado é um filme que pode não conseguir se comunicar com muita gente. Se de um lado <em>Um Filme de Cinema</em> parece um projeto voltado para crianças, demonstrando até interesse em formar jovens cinéfilos com sua forma criativa e didática de esclarecer pontos sobre a história do cinema e a linguagem cinematográfica, tendo uma protagonista infantil como sua grande narradora, por outro, é uma obra que apresenta um viés existencialista de reflexão sobre o &#8220;gênio criativo&#8221; que parece mais voltado para adultos, especificamente aqueles que de alguma forma tem o audiovisual como profissão.</p>
<p>No fim das contas, <em><strong>Um Filme de Cinema</strong></em> acaba revelando-se um filme bem intencionado, mas cheio de ruídos de comunicação, não vivenciando em sua plenitude nenhuma das suas chaves de diálogo com o público. Entre o desejo de valorizar o público infantil e o ímpeto de explorar suas próprias angústias, o diretor não consegue encontrar um público-alvo.</p>
<p>É possível que nesse espectro de incertezas o projeto acabe surpreendendo e tendo uma relação bem mais harmoniosa com o espectador que nosso prognóstico, afinal, o público é de fato uma &#8220;caixinha de surpresas&#8221;. No entanto, essa desarmonia do projeto inevitavelmente nos faz pensar em seus potenciais problemas de recepção e, nesse sentido, não ter muita certeza do receptor da sua narrativa é uma das maiores &#8220;pedras no sapato&#8221; que qualquer filme pode encontrar em sua trajetória.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Walter Carvalho</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Bela Tarr, Júlio Bressane, Gus Van Sant</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/HZ5Dxgqcd1s" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Nardjes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 Sep 2023 16:46:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[Karim Aïnouz]]></category>
		<category><![CDATA[Nardjes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em Nardjes, Karim Aïnouz explicita o momento presente da Argélia pelos olhos da jovem ativista Nardjes A. enquanto ela participa de uma massiva manifestação contra o governo atual do país. A situação retratada pelo cineasta e narrada por sua protagonista é de grande decepção pelas promessas descumpridas pós-independência por figuras que replicaram as lógicas opressoras dos colonizadores franceses do país. Com isso, Aïnouz e sua protagonista Nardjes dimensionam em imagens e palavras, respectivamente, os ciclos da história do país e [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em <strong><em>Nardjes</em></strong>, Karim Aïnouz explicita o momento presente da Argélia pelos olhos da jovem ativista Nardjes A. enquanto ela participa de uma massiva manifestação contra o governo atual do país. A situação retratada pelo cineasta e narrada por sua protagonista é de grande decepção pelas promessas descumpridas pós-independência por figuras que replicaram as lógicas opressoras dos colonizadores franceses do país. Com isso, Aïnouz e sua protagonista Nardjes dimensionam em imagens e palavras, respectivamente, os ciclos da história do país e lançam expectativas sobre o futuro, sejam elas incertas ou esperançosas.</p>
<p>Em uma primeira vista, <strong><em>Nardjes</em> </strong>aparenta ser um registro &#8220;passivo&#8221; do cineasta sobre a experiência dessa ativista na manifestação da qual é participante ativa. Em um primeiro momento, a câmera de Aïnouz observa mais do que intervém de alguma forma nos eventos, ainda que esteticamente o filme procure simbologias que engrandecem plasticamente a experiência cinematográfica, como a gradual aquisição das cores da bandeira da Argélia que &#8220;pintam&#8221; um registro aéreo da multidão na manifestação logo no início do documentário.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17257" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/09/3198628.jpg" alt="Nardjes" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/09/3198628.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/09/3198628-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/09/3198628-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/09/3198628-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Aïnouz encontra as grandes temáticas da sua obra na conclusão de <strong><em>Nardjes</em> </strong>quando através da narração da própria protagonista reflete sobre as diferentes experiências de gerações argelinas com governos opressores &#8211; no caso, os pais e avós de Nardjes com os colonizadores e a protagonista com os atuais governantes da Argélia. No fim das contas, o documentário acaba contando a experiência de uma juventude em um contexto social que convoca incessantemente o espírito de luta na sua população e como tudo isso rouba anos da vida das pessoas. Ao mesmo tempo em que temos contato com o esgotamento psicológico daqueles personagens, o ativismo surge como postura inevitável para qualquer cidadão minimamente consciente de sua realidade, dimensionando como é difícil viver em países marcados por um histórico de violência a democracia.</p>
<p>Infelizmente, quando <strong><em>Nardjes</em> </strong>ganha o seu grande mote, o filme está perto do seu desfecho. A sensação é que Aïnouz fez o filme no modo &#8220;vou fazer os meus registros e ao longo dessa jornada descobrirei sobre o que esse filme é&#8221;. Nesse sentido, o filme adota a linha narrativa do seu próprio processo de realização. É uma proposta válida e há recompensas ao longo da projeção, sobretudo no desfecho, mas tem uma certa dificuldade para &#8220;mostrar a que veio&#8221;.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Karim Aïnouz</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/anT6qnNT-IQ" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Retratos Fantasmas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Aug 2023 22:48:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Documentário]]></category>
		<category><![CDATA[Filme]]></category>
		<category><![CDATA[Kleber Mendonça Filho]]></category>
		<category><![CDATA[KMF]]></category>
		<category><![CDATA[Retratos fantasmas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Passado e presente se encontram, para pensar sobre um futuro. Ou múltiplos futuros, daqueles fantasmagóricos, porque são permeados de lembranças, questionamentos, sentimentos, camadas de certezas, mescladas com dúvidas. Há o viver, o recordar e o amor por nossas trajetórias, por aqueles que nos cercam ou nos cercaram. O velho e o novo, juntos, em 1h33min de projeção. E tudo começa de dentro para fora, do particular para o plural. E talvez seja por isso que Retratos Fantasmas, novo longa-metragem de [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Passado e presente se encontram, para pensar sobre um futuro. Ou múltiplos futuros, daqueles fantasmagóricos, porque são permeados de lembranças, questionamentos, sentimentos, camadas de certezas, mescladas com dúvidas. Há o viver, o recordar e o amor por nossas trajetórias, por aqueles que nos cercam ou nos cercaram. O velho e o novo, juntos, em 1h33min de projeção. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E tudo começa de dentro para fora, do particular para o plural. E talvez seja por isso que <strong><em>Retratos Fantasmas</em></strong>, novo longa-metragem de Kleber Mendonça Filho (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-aquarius/"><em>Aquarius</em></a>), consiga alcançar tantas pessoas, de gerações diversas, de países distintos, por esta gama múltipla de mensagens, internas e externas. </span>Além disso, o documentário de KMF tem, para além de toda e qualquer técnica –  mesmo que ela aqui seja refinada e ainda chegaremos lá –, é permeado de emoção.</p>
<p>É por este motivo que este texto divaga. Geralmente, eu começo fazendo um grande resumão do que penso sobre um filme. Mania de jornalista, que ama criar um lide? Pode ser. Todavia, <em>Retratos</em> pede outra coisa. O filme clama pelo profundo, por uma investigação da alma, pela reverberação do mundo para cada vida, cada indivíduo que habita o planeta Terra. No doc de KMF, isto é feito, claro, através do amor pelo cinema. Quem é cinéfilo, com certeza irá sentir múltiplas emoções passando pelo rosto, durante a exibição.</p>
<p>Sobretudo aqueles que, assim como eu, são apaixonados pelos centros das cidades. Kleber tem razão, o centro guarda consigo algo de especial. Memória e história. Um tudo que poderia ter sido, que foi, que não já é mais, que a gente quer agarrar com toda força, mas se esvai. Agora, chega de devaneios desta crítica sensível, que já deve ter perdido metade dos leitores a este ponto. Vamos lá, vamos tentar ser mais objetiva.</p>
<p>Para começar – ou recomeçar –, eu uso um frase do próprio KMF, no início da projeção: “Pode parecer que eu estou falando de metodologias, mas eu estou falando de amor”. Note bem esta frase, porque ela norteia toda a sessão. É técnica, mas é amor.<span style="font-weight: 400;">E é através da divisão da obra em três partes, que Kleber aproxima o espectador de sua trajetória. </span><span style="font-weight: 400;">Com uma mistura de imagens de seus cotidianos, em épocas distintas, e de seus próprios filmes, iniciamos esta jornada entendendo o universo de quem está contando aquela história. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma fotografia antiga da Boa Viagem, por exemplo, o público vê uma outra Recife, apagada pelo capitalismo, pelos prédios altos, de uma cidade consumida por uma estrutura atualmente segregante. </span><span style="font-weight: 400;">Mas, é de lá que somos levados para a rua da casa de KMF. Um espaço que lhe é tão caro, que foi de sua mãe e que, agora, ele vê os filhos crescerem. </span>Com as suas filmagens, é perceptível o que Kleber deseja passar: há a vida e há o cinema. Neste sentido, montagem, trilha e direção de<em><strong> Retratos Fantasmas</strong></em> dialogam de forma coesa, para a criação de uma narrativa.</p>
<p>Porque, aqui, é necessário apontar que a estrutura de documentário usada no longa poderia não funcionar, como acontece em tantos casos. Cartela, voz off, imagens de arquivo&#8230; Muitas vezes, os realizadores se esquecem que têm um filme nas mãos e fazem um trabalho mecânico, uma colagem fria. <em>Retratos</em> é o oposto disso. Existe uma história, existe uma jornada do herói (o próprio Kleber, que talvez odiasse esta frase minha), existe clímax, tensão, reviravoltas e respiros. Existe cinema e consciência narrativa.</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há uma apropriação desse jogo entre o ficcional e o “real” – teoria do espelho não, por favor – que leva quem assiste para esta experiência sensorial, convocada pelo doc, do que foi pensado como ficção e o que é uma tentativa de ilustrar o dia a dia &#8220;comum&#8221;. </span>Os instantes de construção de ambientação do gênero terror, traço clássico da filmografia de KMF, são claustrofóbicos, seja pela narração, pela escolha da música ou pela própria vida, que é muito mais fantasmagórica do que um espírito que sai de uma televisão.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17061" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/08/0312833.jpg" alt="Retratos Fantasmas" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/08/0312833.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/08/0312833-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/08/0312833-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/08/0312833-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>É nesse uso de linguagem cinematográfica e na proximidade com a intimidade, a vida pessoal e profissional de Kleber e a sua visão sobre o mundo, que somos levados a segunda e a terceira parte da obra. <span style="font-weight: 400;">A partir daqui, o universal pode ser sentido de maneira mais plural. Em uma reconstrução histórica, sobre a cultura, a sociedade e a política recifense do século XX, é possível notar todo o assombro do que foi feito com a cidade – e com o país.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O uso e desuso dos espaços e a arte mais como um poder do que como uma habilidade são impressos na tela, nesta comparação imagética entre o que foi e o que é. Para fomentar este discurso, elementos visuais são utilizados, como a fusão e os cortes secos entre os diversos tempos mostrados no ecrã. </span>Os distintos tipos de filmagem, incluindo as passagens com câmeras analógicas, de alguma forma fazem com que a imersão se amplifique.</p>
<p>Isso ocorre porque quando nos deparamos com estes registros também nos deparamos com a nossa própria vida. Há o medo: do escuro, dos prédios abandonados, da falta de apoio a cultura, dos milicos, do sistema e da descoberta do uso do cinema para motivos torpes. Estes temores pulsam na tela, com transições de imagens que dão movimento para este sentimento de aprisionamento e ausência de controle sobre o futuro.</p>
<p>Há temor na tela e no espectador, que acompanha cinemas que fecharam e ruas abandonadas, sem investimento, sem entregar estes espaços para quem precisa de moradia, tanto, em cada imagem, que salta no ecrã. Contudo, <strong><em>Retratos Fantasmas</em></strong> tem ternura e paixão transbordantes. Planos de letreiros, de cartazes, de fotografias e obras do passado brasileiros, Tem Katia Mesel, tem Cláudio Assis, tem Seu Alexandre!</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seu Alexandre precisa de um momento somente seu nesta crítica afetuosa e emocionada. Antigo projecionista do Art Palácio, a relação dele com a projeção cinematográfica, e com o próprio Kleber, é o ápice do documentário. Progressivamente, o espectador vai conhecendo o trabalho daquele homem, suas histórias, sua tristeza ao exibir o derradeiro filme no Art e, por fim, a informação de quando ele faleceu. 2002. É tão forte a empatia e o carinho por esta personagem que eu nem precisei anotar o ano que ele partiu, 2002. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todas estas sensações e aproximações com o enredo vem deste cuidado em apresentar e costurar bem os fatos. Ainda, pode-se apontar que o desenho e a edição de som são alguns dos pontos altos da produção. As sonoridades guiam os afetos, a cada quadro, a cada mudança de voz nos offs de Kleber, nas subidas e descidas musicais, nos ruídos da cidade e nos silêncios dela. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong><em>Retratos Fantasma</em>s</strong> é uma obra sobre sentir, sobre deixar as sensações fluírem, mas sem deixar de refletir sobre o que está sendo mostrado. </span><span style="font-weight: 400;">É sobre lamentar também, as perdas das salas de cinema para shoppings, para o abandono ou, pior, para igrejas evangélicas. </span>Ou, ainda, é olhar para o filme e constatar que existem sentimentos que guardamos profundamente, somente para nós, mas que são universais, como a melancolia de olhar ao redor e somente ver farmácias, enfileiradas pelas ruas.</p>
<p>É, é melancólico, é feito de ilustrar um futuro incerto, é cinema que bate fundo, na sua estética, nos seus relatos, nos seus sons, na memória que veio e que fica, nos seus retratos fantasmas, que assombram os nossos corações, porém que acalentam pelo registro, nos blindados com sessões cheias de sorrisos e lágrimas.</p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Direção:</strong> Kleber Mendonça Filho</span></p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/MnaXiguPZVQ?si=hkEt4pNtz4O7bE1V" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Festival de Cinema de Vassouras: Rosa – A Narradora de Outros Brasis</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 01 Jul 2023 14:37:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Procurando contar a jornada de uma das maiores carnavalescas do país, a Rosa Magalhães, o documentário Rosa – A Narradora de Outros Brasis é coeso, ainda que dentro de toda uma estética tradicional. Com uma estrutura que mescla entrevistas e imagens de arquivo, o que mais instigante aqui é acompanhar os relatos da protagonista, bem como conhecer todo universo que a cercava. Dentro desta lógica, é possível compreender como funcionava todo o processo de seus desfiles.  Neste sentido de conseguir revelar [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Procurando contar a jornada de uma das maiores carnavalescas do país, a Rosa Magalhães, o documentário <strong><em>Rosa – A Narradora de Outros Brasis</em></strong> é coeso, ainda que dentro de toda uma estética tradicional. Com uma estrutura que mescla entrevistas e imagens de arquivo, o que mais instigante aqui é acompanhar os relatos da protagonista, bem como conhecer todo universo que a cercava. Dentro desta lógica, é possível compreender como funcionava todo o processo de seus desfiles. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste sentido de conseguir revelar as facetas plurais de sua personagem principal, que também era figurinista, cenógrafa e professora, o longa-metragem é bem sucedido, pois ambienta o seu público, através de depoimentos ricos de informação. Para quem é de fora do sudeste, por exemplo, a dimensão do trabalho de Rosa fica bastante palpável nas falas dos entrevistados e nas próprias filmagens de seu trabalho em tantos carnavais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todavia, é preciso salientar que, pensando na importância que a artista e educadora representa, em termos de criatividade e identidade, as escolhas técnicas e estilísticas frustram o espectador que espera mais de um doc do que as famosas “cabecinhas flutuantes”. Outros recursos de linguagem poderiam ter sido utilizados para deixar a narrativa mais dinâmica e menos cansativa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo que mantivessem um formato mais comum, elementos da tecnicidade audiovisual conseguiriam fomentar o ritmo do longa. Seja em termos de decupagem, iluminação e mise-en-scène, a equipe parece confiar no potencial da história de Rosa e somente nele, sem convocar ferramentas cinematográficas que aumentassem a capacidade da produção, elevando a qualidade de seu resultado geral. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><em><strong>Rosa – A Narradora de Outros Brasis</strong></em> é uma obra que não traz grandes defeitos, que incomodem ao ponto da conexão com o enredo ser quebrada. Existe um carisma das personagens que aproxima quem assiste de todo aquele contexto que está sendo mostrado. No entanto, uma trajetória tão forte e inventiva como a da Rosa merecia um esforço maior, uma engenhosidade expressiva, algo menos cômodo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Direção:</strong> Valmir Moratelli, Libário Nogueira</span></p>
<p>Confira nossas críticas de Festivais <a href="https://coisadecinefilo.com.br/tag/festival/" target="_blank" rel="noopener"><strong><em>clicando aqui</em></strong></a>!</p>
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		<title>28º Festival É Tudo Verdade: Beleza Silenciosa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Apr 2023 15:36:25 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Festival É tudo Verdade]]></category>
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		<category><![CDATA[Jasmín Mara López]]></category>
		<category><![CDATA[Silent beauty]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Beleza Silenciosa é uma produção que trata de um tema delicado e pesado. Todavia, diante de toda a dificuldade temática, a pauta é posta com bastante cuidado na tela. Apesar de alguns entraves qualitativos, o longa-metragem de Jasmín Mara López, procura convocar o tema central de forma direta, mas com tons poéticos em suas imagens e textos.  Neste contexto, é importante ressaltar que esta é uma história que tem como ponto de partida uma experiência pessoal da diretora, sobre o [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;"><strong><em>Beleza Silenciosa</em></strong> é uma produção que trata de um tema delicado e pesado. Todavia, diante de toda a dificuldade temática, a pauta é posta com bastante cuidado na tela. Apesar de alguns entraves qualitativos, o longa-metragem de Jasmín Mara López, procura convocar o tema central de forma direta, mas com tons poéticos em suas imagens e textos.  Neste contexto, é importante ressaltar que esta é uma história que tem como ponto de partida uma experiência pessoal da diretora, sobre o abuso sexual que ela sofreu do avô, Gilberto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, à medida que ela investiga sobre este crime, do qual foi vítima no passado, a artista vai descobrindo que aquela realidade não era somente sua. </span><span style="font-weight: 400;">A maneira como a obra revela progressivamente o que aconteceu dentro da família de Jasmín ,com momentos de reflexão da artista e das cenas nas quais ela fala sobre as relações boas que possuiu/possui com alguns de seus parentes, é o ponto alto da obra. Ainda que os fatos mais perversos e angustiantes sejam complicados de acompanhar, os instantes mais leves trazem esse equilíbrio para a sessão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sobretudo porque existem os instantes mais fortes do documentário, que são os telefonemas de Jasmín com Gilberto. O espectador escuta a ligação, enquanto lê uma legenda, com o que está sendo dito, mostrado em uma cartela preta. Esta estratégia reforça as palavras proferidas pelo abusador, que se acovarda diante do confronto, revelando a sua crueldade em se aproveitar de pessoas vulneráveis. A</span><span style="font-weight: 400;">o mesmo tempo, é notável a força da diretora e roteirista ao confrontar o seu assediador, quando ela detalha as ações dele, sendo direta e objetiva. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste sentido, é perceptível que a força da história e a sua relevância estejam mais presentes em seu conteúdo basilar, nos fatos que ele traz. </span>Já em termos de técnica cinematográfica, o filme peca e acaba deixando a sessão entediante, mostrando uma falta de consciência da equipe sobre cinema. A começar pela música, que deixa uma sensação de repetição. Há um tom monocórdico nas composições, o que pode ampliar no público a impressão de que ele está escutando o mesmo som o tempo inteiro.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-16688" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/04/5973_g.jpg" alt="Beleza Silenciosa" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/04/5973_g.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/04/5973_g-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/04/5973_g-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/04/5973_g-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Por fim, a escolha musical é ainda apelativa, remetendo a vídeos motivacionais, do início da era do Facebook, por exemplo. Mas, este artifício acaba por ter o efeito oposto. <span style="font-weight: 400;">Dificilmente o espectador irá se emocionar, justamente porque não tem distinção de tonalidades, reduzindo seu efeito. </span><span style="font-weight: 400;">No entanto, esta característica está presente para além da composição musical. Não há uma criação de progressão, de ritmo ou de noção de roteiro, direção e montagem aqui. As informações parecem colocadas sem pensar na lógica de efeitos para o espectador. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com intenções na mesma cadência, é difícil se conectar com o enredo e suas personagens, porque o enredo é posto de maneira demasiadamente linear, deixando uma ausência de gráficos de emoções, de uma noção concreta de narrativa mesmo &#8211; estabelecimento de conflito, clímax, desenlace etc. </span>Desta maneira, <strong><em>Beleza Silenciosa</em></strong> não é tanto um filme, mas sim um relato filmado.</p>
<p>Em toda a sua relevância temática e com toda a coragem da diretora, a sessão pode valer a pena para aqueles que conseguirem focar na produção. Para chegar até o final da sessão, um dica é não se concentrar na música repetitiva, que tenta ser melancólica e tocante. Centrar a atenção nos pontos positivos criado por <span style="font-weight: 400;">Jasmín Mara López, como no relacionamento dela com a parte boa da família pode ser uma saída. </span></p>
<p><strong>Direção:</strong> <span style="font-weight: 400;">Jasmín Mara López</span></p>
<p>Confira nossas críticas de Festivais <a href="https://coisadecinefilo.com.br/tag/festival/" target="_blank" rel="noopener"><strong><em>clicando aqui</em></strong></a>!</p>
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