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	<title>Arquivos DC - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos DC - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Coringa &#8211; Delírio a Dois</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Oct 2024 14:00:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Acredito que um projeto audiovisual deva justificar sua existência, no sentido de garantir o seu propósito para com o público, especialmente quando se é um longa-metragem de indústria. Essa justificativa não precisa ser nada filosófica ou profunda, um filme pode simplesmente se justificar pelo propósito da diversão, do entretenimento. O que é difícil de engolir é um projeto que só existe por dinheiro e/ou hype. Tendo isso em mente, Coringa: Delírio a Dois é um ótimo exemplo do que Hollywood ama [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Acredito que um projeto audiovisual deva justificar sua existência, no sentido de garantir o seu propósito para com o público, especialmente quando se é um longa-metragem de indústria. Essa justificativa não precisa ser nada filosófica ou profunda, um filme pode simplesmente se justificar pelo propósito da diversão, do entretenimento. O que é difícil de engolir é um projeto que só existe por dinheiro e/ou <em>hype</em>. Tendo isso em mente, <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em> é um ótimo exemplo do que Hollywood ama produzir: enlatados sem sentido ou propósito para arrecadar mais alguns milhões de dólares.</p>
<p>O filme é, do início ao fim, um desperdício de tempo e esforço criativo dos envolvidos. E, para agravar ainda mais a situação, a continuação ainda desmerece toda a força dialética do seu antecessor. É claro que a experiência do cinema é algo individual e de momento e essa insatisfação descrita pode parecer pessoal, mas vai além disso. <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em> soa como uma explicação que ninguém pediu sobre o longa de 2019. A narrativa, que estreia nesta quinta-feira (3) nos cinemas brasileiros, apenas surfa na onda do sucesso que o primeiro projeto teve e vive com ajuda de aparelhos durante seus 138 minutos.</p>
<p>Nem mesmo a atuação oscarizada de Joaquin Phoenix (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-coringa/"><em>Coringa</em></a>, de 2019) ou a presença magnética de Lady Gaga (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-casa-gucci/"><em>Casa Gucci</em></a>, de 2021) em cena como a Lee Quinzel são capazes de salvar esse navio afundando. Não há nada que sustente <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em> e o justifique. A fotografia comandada por Lawrence Sher (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-adao-negro/"><em>Adão Negro</em></a>, de 2022) e a arte, por Mark Friedberg (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-baleia/"><em>A Baleia</em></a>, de 2022), são outros pontos altos na produção que também não conseguem sustentar um roteiro sofrível. Não existe um ponto da produção que não seja afetado por esse texto sem fôlego e força.</p>
<p>O retorno da co-escrita entre Scott Silver e Todd Phillips não teve os mesmos frutos que no longa de 2019. Dessa vez eles se perderam em sua própria história, numa missão suicida de fazer da sequência uma grande explicação para suas escolhas brilhantes do primeiro filme. Na época do lançamento do filme sobre o icônico vilão do Batman, muito se falou sobre os perigos da &#8216;mensagem&#8217; do filme de Todd. Até mesmo a polícia ficou de prontidão em alguns cinemas com medo do projeto gerar reações extremas do público &#8211; coisa que não aconteceu. E parece que <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em> veio como uma resposta a isso<em><strong>.</strong></em></p>
<p>A sensação que fica ao final da sessão é que a continuação é um pedido de desculpas para todos que criticaram a suposta &#8216;mensagem&#8217; de <strong><em>Coringa (2019)</em></strong>. O texto nada mais é do que um mastigar do primeiro filme, com o claro objetivo de justificar cada uma das escolhas feitas para o antecessor, tornando <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em> uma carta aberta que não deixa dúvidas sobre suas intenções. O que havia de narrativamente incendiário no primeiro longa se perde. O que teve de novidade ficou para trás. E o que resta ao público é uma enfadonha história que questiona a inteligência do espectador e que vive pelas migalhas do que foi <strong><em>Coringa</em></strong>.</p>
<figure id="attachment_18771" aria-describedby="caption-attachment-18771" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-18771" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Coringa-Loucura-a-Dois-1-750x500.jpg" alt="Coringa - Loucura a Dois (2024)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Coringa-Loucura-a-Dois-1-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Coringa-Loucura-a-Dois-1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Coringa-Loucura-a-Dois-1-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Coringa-Loucura-a-Dois-1-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Coringa-Loucura-a-Dois-1.jpg 1011w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-18771" class="wp-caption-text">Joaquin Phoenix em cena de &#8216;Coringa &#8211; Loucura a Dois (2024)&#8217;</figcaption></figure>
<p>Ironicamente, o que mais preocupava o público de uma forma geral era o enquadramento que Phillips daria às cenas musicais em <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em>. Muito se especulou, criticou e questionou essa escolha, mas ela é uma das melhores feitas no novo filme. Diria até que é um dos poucos (se não o único) acerto de novidade trazida para o novo projeto. A música sempre foi um elenco presente no primeiro filme, que sempre esteve associado aos momentos de maior delírio do personagem-título. Tendo isso claro, é possível entender a progressão que é feita na sequência com a expansão desse elenco que já era vital.</p>
<p>Em <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em>, a música se torna um elemento mais presente e vivo em cena. Além disso, a música demarca esse outro sentimento do personagem principal: o amor por sua parceira do crime. Ainda que no plano da imaginação, as cenas musicais entram como uma forma de visualização do que se passa na mente perturbada do personagem de Phoenix. Dos momentos astairianos aos lalalandianos, as cenas musicais do roteiro prestam uma homenagem a esse tipo de cinema hollywoodiano, ao mesmo tempo que criam um artifício narrativo interessantíssimo.</p>
<p>Para além de uma homenagem ao gênero cinematográfico, as cenas musicais também dizem respeito ao que se passa na mente de Arthur Fleck. Do amor aos delírios de grandeza até chegar no medo da traição. Esse trânsito imaginativo composto pelas músicas consegue materializar um vislumbre do que havia de criativo e interesse no primeiro filme. Ele é capaz de compor uma complexidade em um roteiro tediosamente didático e verborrágico. Talvez, o último flash de esperança criativa em <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em> esteja nessas cenas, que foram vastamente criticadas durante a produção do filme.</p>
<p>Para tristeza de muitos, a sequência será uma decepção. Desde seu lançamento no Festival de Veneza que o longa divide opiniões entre a crítica e deve seguir por esse caminho. Ainda assim, o fôlego desse filme não deve alcançar o do seu antecessor. O longa será uma surpresa para muitos. Surpreenderá com as cenas musicais fazendo sentido e sendo um respiro na mediocridade que rodeia o filme e, da mesma forma, surpreenderá por ser uma decepção tamanha por outros motivos que não essa escolha estética das músicas. A vida útil de <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em> parece ter prazo de validade &#8211; e ele não deve estar longe de vencer.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Todd Phillips</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Joaquin Phoenix, Lady Gaga, Brendan Gleeson, Catherine Keener e Zazie Beetz</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/exeVIM3j3y0?si=61zbjjjSpi96XN9V" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Adão Negro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Oct 2022 11:40:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Após a pandemia de covid-19 ter interferido em diversas produções da DC Films dos últimos anos, Adão Negro chega com pré estreias nos cinemas brasileiros nesta quarta-feira (20) com o objetivo de ser um recomeço para o Universo Estendido da DC. Além dos atrasos causados pelo coronavírus, questões institucionais da Warner Bros. Pictures vêm interferindo no processo criativo e na unidade dos filmes do DCEU. No entanto, o novo longa-metragem inspirado nas hqs da DC parece colocar o universo de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Após a pandemia de covid-19 ter interferido em diversas produções da DC Films dos últimos anos, <em><strong>Adão Negro</strong></em> chega com pré estreias nos cinemas brasileiros nesta quarta-feira (20) com o objetivo de ser um recomeço para o Universo Estendido da DC. Além dos atrasos causados pelo coronavírus, questões institucionais da Warner Bros. Pictures vêm interferindo no processo criativo e na unidade dos filmes do DCEU. No entanto, o novo longa-metragem inspirado nas hqs da DC parece colocar o universo de volta nos trilhos.</p>
<p>As incertezas que envolviam o Universo Estendido começam a diminuir com a manutenção de Ben Affleck (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-ultimo-duelo/"><em>O Último Duelo</em></a>, de 2021, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-bar-doce-lar-prime-video/"><em>Bar Doce Lar</em></a>, de 2022) como o Cavaleiro das Trevas e o retorno de Henry Cavill (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-missao-impossivel-efeito-fallout/"><em>Missão: Impossível &#8211; Efeito Fallout</em></a>, de 2018, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-enola-holmes-netflix/"><em>Enola Holmes</em></a>, de 2020) ao seu papel de Super Homem, confirmado pelo Dwayne &#8220;The Rock&#8221; Johnson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-velozes-e-furiosos-hobbs-shaw/"><em>Velozes e Furiosos: Hobbs &amp; Shaw</em></a>, de 2019, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-alerta-vermelho-netflix/"><em>Alerta Vermelho</em></a>, de 2021) numa premiere de <strong><em>Adão Negro</em></strong>.  Apesar do cancelamento de <em>Batgirl</em>, das polêmicas envolvendo Ezra Miller (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-liga-da-justica/"><em>Liga da Justiça</em></a>, de 2017, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-animais-fantasticos-os-segredos-de-dumbledore/"><em>Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore</em></a>, de 2022) e do lançamento do <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-liga-da-justica-snyder-cut/"><em>Snyder Cut</em></a>, o novo longa, estrelado por The Rock, traz bons ventos para o futuro do DCEU com uma narrativa redonda, divertida e com cenas de ação surpreendentes.</p>
<p>Quando a cidade de Kahndaq está sob uma ameaça moderna, Adão Negro, antes conhecido como Teth-Adam (Dwayne Johnson), é despertado após 5000 anos de sua última aparição. Enquanto tenta salvar a sua terra natal da única forma que sabe &#8211; com fúria e vingança -, a Sociedade da Justiça é convocada para intervir na forma que o suposto vilão está tentando salvar Kahndaq. O encontro não sai como o planejado e os heróis terão que encontrar uma forma de fazer com que Adão Negro entenda o seu papel no mundo e a responsabilidade de seus poderes.</p>
<figure id="attachment_15990" aria-describedby="caption-attachment-15990" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-15990" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Adao-Negro-1-750x500.jpg" alt="Adão Negro (2022)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Adao-Negro-1-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Adao-Negro-1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Adao-Negro-1-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Adao-Negro-1-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Adao-Negro-1-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Adao-Negro-1.jpg 1080w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-15990" class="wp-caption-text">Dwayne Johnson em cena de &#8220;Adão Negro&#8221; (2022)</figcaption></figure>
<p>Um dos principais acertos da produção é o roteiro. Com uma adaptação inteligente e interessante da origem do arqui-inimigo do Shazam, <strong><em>Adão Negro</em></strong> entrega uma narrativa que discute a relação entre neoimperialismo no Oriente Médio e o esvaziamento da dicotomia bem versus mal. Infelizmente a discussão social e histórica sobre as ocupações em países do oriente por nações ocidentais acaba ficando em segundo plano, mas nada que atrapalhe a história. Pelo contrário, é uma grata surpresa perceber que o subgênero esteja se preocupando cada vez mais em trazer discussões atuais e relevantes para suas tramas heroicas.</p>
<p>Quanto ao quesito do bem contra o mal, esse acaba sendo o foco central do roteiro de Adam Sztykiel (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-rampage-destruicao-total/"><em>Rampage &#8211; Destruição Total</em></a>, de 2018), Rory Haines e  Sohrab Noshirvani. A escolha, apesar de ser comum a diversos filmes de super heróis, é trabalhada de uma forma criativa, graças a presença da Sociedade da Justiça. A interação entre o personagem título e os componentes da Sociedade &#8211; em especial com o Doutor Destino (Pierce Brosnan) e o Gavião Negro (Aldis Hodge) &#8211; cria uma fluidez no roteiro que conduz o espectador numa jornada intrigante. E, apesar de ser um único longa trazendo duas frentes de apresentação de personagens relevantes para as hqs e para o futuro do DCEU, <strong><em>Adão Negro</em></strong> consegue fazer isso de forma cuidadosa e equilibrada.</p>
<p>Além do elenco coeso e das apresentações do personagens serem agradáveis, as cenas de ação são outro ponto forte de <strong><em>Adão Negro</em></strong>. Apesar do uso um tanto exagerado de <em>slow-motion</em> para impactar o público, a ira do personagem de The Rock é mostrada em cada ataque dele. É importante perceber o cuidado (e a corajosa escolha de subir a faixa etária do filme) ao colocar cenas de luta e mortes mais gráficas. Ao fazer isso, a produção se mostra atenta ao cerne do seu personagem principal e decide priorizar isso, uma vez que a violência define o interior de Teth-Adam. Escolha essa que pode ter sido facilitada pela experiência de Jaume Collet-Serra (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-aguas-rasas/"><em>Águas Rasas</em></a>, de 2016, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-passageiro/"><em>O Passageiro</em></a>, de 2018) em trabalhos prévios de terror e suspense.</p>
<p><em><strong>Adão Negro</strong></em>, com sua trajetória e narrativa singular, parece ser um sinal de que ainda há esperanças para o futuro do DCEU. Para os fãs do personagem título e da DC, o longa é um presente que há muito não se via &#8211; inclusive por sua única cena pós créditos. Para os amantes do subgênero, a diversão é garantida do início ao fim, com uma história que consegue se sustentar sozinha, não tem amarras e nem se faz dependente de nenhuma produção prévia. O carisma e a influência de Dwayne Johnson conseguiram fazer com que um filme pandêmico, que passou por refilmagens, se tornasse um farol de esperança.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Jaume Collet-Serra</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Dwayne Johnson, Aldis Hodge, Noah Centineo, Sarah Shahi, Marwan Kenzari, Quintessa Swindell, Bodhi Sabongui, Viola Davis e Pierce Brosnan</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/lROrY_3PmQA" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Especial Batman: Pontos Altos e Baixos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Mar 2022 14:08:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Das HQs para seriados de TV live action, franquias cinematográficas e animações, o universo do homem morcego já foi explorado de diversas formas pelo audiovisual. Entre focar na própria trajetória de Bruce Wayne/Batman e entregar enredos de seus antagonistas ou coadjuvantes, é difícil imaginar o que ainda pode causar impacto ou quais novas perspectivas podem ser trazidas ao se trabalhar dentro destas adaptações. No entanto, Matt Reeves (Deixe-me Entrar) pegou o bastão de Tim Burton, Joel Schumacher, Christopher Nolan e [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Das HQs para seriados de TV <em>live action</em>, franquias cinematográficas e animações, o universo do homem morcego já foi explorado de diversas formas pelo audiovisual. Entre focar na própria trajetória de Bruce Wayne/Batman e entregar enredos de seus antagonistas ou coadjuvantes, é difícil imaginar o que ainda pode causar impacto ou quais novas perspectivas podem ser trazidas ao se trabalhar dentro destas adaptações.</p>
<p>No entanto, Matt Reeves (D<em>eixe-me Entrar</em>) pegou o bastão de Tim Burton, Joel Schumacher, Christopher Nolan e tantos outros e trouxe o seu olhar para este novo <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-batman/"><strong><em>Batman</em></strong></a>. Dentro desta perspectiva, é possível dizer que Reeves foi feliz em sua direção e roteiro – que escreveu ao lado de Peter Craig (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-bad-boys-para-sempre/"><em>Bad Boys para Sempre</em></a>) – e conseguiu entregar um resultado digno e equilibrado. Ainda assim, alguns elementos poderiam ter sido realizados de forma mais precisa, aumentando a qualidade da obra.</p>
<p>Pensando na produção como um todo, o <strong>Coisa de Cinéfilo</strong> reuniu os pontos altos e baixos do <strong><em>Batman</em> </strong>de Reeves neste especial. Confira!</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15319" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-batman.jpg" alt="Batman" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-batman.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-batman-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-batman-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-batman-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<h5><strong>PONTOS POSITIVOS</strong></h5>
<p style="text-align: center;"><strong>Criação e Construção de personagens</strong></p>
<p>Um dos maiores ganhos do novo <em>Batman</em> é forma como as personagens são trabalhadas dentro do longa-metragem. A começar pelo próprio Batman. Há aqui uma dualidade marcante entre o super-herói e Bruce Wayne, na qual esta dicotomia é marcada de forma expressiva. Trajando as suas vestes de vigilante, Wayne é forte, imponente e calculista. Já sem a sua armadura, ele é possui uma postura quase de adolescente, com um olhar melancólico e frágil. Este mérito para a complexidade de Bruce vem tanto do roteiro quanto do trabalho de Robert Pattinson (<em>Crepúsculo</em>), que compreendem a necessidade de imprimir camadas para o herói, revelando, principalmente, de maneira imagética, menos do que nos diálogos, as vivências e traumas de Wayne. Além deste cuidado na elaboração do papel principal, os vilões e coadjuvantes também ganham um olhar especial aqui. Todos possuem, em alguma medida, um background que ganha certo tempo de tela, sem que o rumo da trama principal seja perdido. As interpretações são orgânicas e mesmo que sejam figuras embebidas de sua porção de caricatura, elas possuem fluidez na cena, com movimentações e falas que não soam artificiais. Talvez, os únicos incômodos neste sentido sejam Selina (Zoë Kravitz), que não tem tantos contornos assim, e o Charada, de Paul Dano, que carrega nas tintas em seus monólogos.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Música Original</strong></p>
<p>Conhecido por possuir uma obra marcante em filmes como <em>Os Incríveis</em>, <em>Rogue One: Uma História Star Wars</em> e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-zootopia-essa-cidade-e-o-bicho/"><em>Zootopia</em> </a>e séries como <em>Lost</em>, Michael Giacchino tem um traço bastante característico em sua obra: o equilíbrio de criar composições emblemáticas, sem retirar o foco da narrativa. Em <em>Batman</em>, ele segue neste mesmo fluxo. Há aqui um estabelecimento de atmosfera, através de suas músicas e um fomento das emoções necessárias que cada sequência precisa passar. Toda a passionalidade, melancolia e ausência de sanidade são apresentadas pelas sonoridades convocadas por Giacchino. As repetições de temas, que muitas vezes cansam o espectador em obras de super-herói, neste filme são positivas, pois elevam a potencialidade tanto em termos de ação e suspense, como dos momentos trágicos. Há uma espécie de nostalgia que ronda o que Michael compôs e isto acaba por construir um universo extra fílmico, que é esta bagagem do mundo pregresso criado por Batman, existente em múltiplas décadas, em suas tantas adaptações. Assim, existem as particularidades desta nova adaptação, mas uma personalidade musical que extrapola a obra especificamente.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Condução do ritmo</strong></p>
<p>Apesar de possuir uma queda qualitativa a partir de seu terceiro ato, a maneira como Matt Reeves conduz o ritmo de seu longa é um dos pontos mais altos de <em>Batman</em>. As ações tomam tempo para acontecerem e esta é a principal razão para que as personagens sejam tão bem construídas. Além disso, há uma imersão intensa do público com a narrativa, porque este cuidado no olhar de Reeves cria um reconhecimento que torna especiais os elementos que são trazidos na trama. São diversas camadas exploradas ali, como a relação de Bruce com o jovem garoto que perde o pai, a sua relação com Alfred (Andy Serkis) ou a profundidade dos crimes que estão acontecendo em Gotham. Em cada revelação, cada mistério desvendado, cada charada solucionada, é como se o espectador virasse a sua página da HQ, porque há uma consciência de Reeves em trabalhar as descobertas de Bruce, juntamente com as de quem assiste, o que aumenta a emoção ao acompanhar aquela aventura.</p>
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<h5><strong>PONTOS BAIXOS</strong></h5>
<p style="text-align: center;"><strong>Queda qualitativa</strong></p>
<p>Apesar de apresentar um filme com um resultado total positivo, há um momento de virada na trama de <em>Batman</em> e, a partir disto, acontece uma demora para os encaminhamentos do desenlace. No início do terceiro ato, enquanto Bruce tenta descobrir quem é o “rato” e o Charada, ao mesmo tempo, pequenas gorduras atrasam o desenvolvimento do desfecho do filme, deixando o seu final um tanto cansativo. A sensação é a de que são realizadas muitas voltas até que se chegue no cerne da questão: o amadurecimento deste Batman, de Reeves, que possui um ar de rebeldia juvenil e precisa direcionar melhor as suas emoções para ser um herói mais justo e de propósitos menos egoístas. No entanto, para realizar tal intento, pequenos empecilhos são postos, mas eles são tão óbvios – como a captura do Charada ou o comício de Bella Reál (Jayme Lawson) –, que a qualidade do encerramento da obra é menor do que seu restante. Este “tomar seu tempo” que percorre a narrativa é um ganho sim, porém quando o sentido disto se esvazia, com direcionamentos ingênuos, esta característica deixa de ser boa para ficar enrolada.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Algumas escolhas da direção</strong></p>
<p>Novamente, é preciso salientar que, em termos gerais, a direção de Matt Reeves é consciente e efetiva. Os movimentos de câmera e enquadramentos são pensados de maneira pontual e seu interesse aqui parece ser o de convocar uma direção mais discreta e focar em dar destaque para a personagem central. Inclusive, para criar este homem morcego mais sensível e melancólico, que se guia mais por suas emoções do que pelo coletivo, Reeves se vale de diversos momentos de close, por exemplo. Todavia, é nesta vontade de investigar Wayne tão de perto que Matt falha em certas sequências. Este é um longa de super-herói, no final das contas, e que possui seu teor de ação, aventura e suspense. Desta maneira, quando os enquadramentos ficam tão fechados em dados instantes, o espectador acaba por ter suas sensações de emoção esvaziadas. Além disso, esta estratégia torna mais complicado de acompanhar as lutas mais amplamente, principalmente na cena da fuga de Wayne da polícia, quando o quadro fica bastante fechado, após ele pular do prédio, dificultando a fruição e causando certo estranhamento – que poderia até ser positivo, se não quebrasse o ritmo e a observação deste voo do Batman.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Mulher-gato</strong></p>
<p>A Mulher-gato é uma personagem icônica, tanto nos quadrinhos como no audiovisual, por conter uma personalidade expansiva e sempre estar no limiar entre vilã e par romântico de Bruce Wayne. A Catwoman vivida por Zoë Kravitz não é de todo mal, por assim dizer. Contudo, ainda que a construção da atriz seja bem feita – com tônus e gestos precisos e toda a consciência corporal que a personagem necessita –, a questão aqui é a repetição de padrões de figuras femininas em filmes de super-heróis. Selina tem elementos empoderados, mas a postura da personagem sempre seguiu algo semelhante ao que é mostrado neste <em>Batman</em> de Matt Reeves. Talvez, o que incomode aqui é o quanto ela é fragilizada na presença de Wayne e como o olhar dele para Selina é viciado e até moralista. Há uma sequência na qual a jovem precisa explicar para o milionário que a sua relação com um dos vilões não é sexual e ele passa a respeitá-la novamente, após a revelação. É como se esta Mulher-Gato impressa aqui fosse uma Selina cheia de idealizações. Neste sentido, o que acaba por ocorrer é quase uma confusão de quem é esta figura de verdade. A sua personalidade fica sufocada por Bruce e não há espaço para que ela possa ser desenvolvida. A Selina de Reeves vive assim a chamada “Síndrome de Trinity”, termo criado pela jornalista Tasha Robinson, que fala justamente sobre esta mulher forte que, na verdade, é uma mera <em>sidekick</em>, que não tem suas habilidades evidenciadas e acaba sendo aqui o papel mais planificado dentro da narrativa.</p>
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