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	<title>Arquivos Daniel Porto - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica A miss</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Feb 2026 16:05:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Chega a ser ofensivo com o público, o grau de confusão e descuido de A Miss, longa-metragem de Daniel Porto (Vai que Cola). Com questões graves de roteiro, continuidade, direção e atuação, fica difícil acompanhar a sessão, que ainda conta com piadas constrangedoras. No entanto, vale ressaltar que se a pessoa está disposta a consumir uma comédia pastelão de gosto duvidoso, que seja uma comédia pastelão de gosto duvidoso brasileira! Mas, se o exercício é analisar a obra, independentemente de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Chega a ser ofensivo com o público, o grau de confusão e descuido de <em>A Miss</em>, longa-metragem de Daniel Porto (<em>Vai que Cola)</em>. Com questões graves de roteiro, continuidade, direção e atuação, fica difícil acompanhar a sessão, que ainda conta com piadas constrangedoras. No entanto, vale ressaltar que se a pessoa está disposta a consumir uma comédia pastelão de gosto duvidoso, que seja uma comédia pastelão de gosto duvidoso brasileira!</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, se o exercício é analisar a obra, independentemente de quem vos escrever apoiar o cinema nacional, é necessário falar sobre a obra, a começar por dizer o quão a história do longa é batida. A premissa da mãe desafiadora, obcecada por magreza e beleza, com um passado complicado é o mínimo, em um mar de amigo gay chaveirinho (mesmo que ele não seja, vamos chegar lá), transformação de beleza, concurso com polêmicas para que a personagem central ganhe etc. etc. etc.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, o diálogo é extremamente expositivo e reiterativo. A cada acontecimento mostrado na tela, um texto falado é posto para explicar o que acabou de ser visto. As figuras dramáticas* não apresentam camadas. Elas cumprem apenas os seus arquétipos, mas uma coisa não está conectada à outra, e personagens arquetípicas podem ter profundidade, vide diversos trabalhos que Ryan Murphy fez (<a href="https://www.bing.com/ck/a?!&amp;&amp;p=0d1696f818bcf8bd6462c32c37a28814ad598d62425a0913c75cdb23b67e61d8JmltdHM9MTc3MTg5MTIwMA&amp;ptn=3&amp;ver=2&amp;hsh=4&amp;fclid=07beedac-bad5-64e0-028a-fb8ebb1e658f&amp;psq=amercian+horror+story&amp;u=a1aHR0cHM6Ly93d3cuaW1kYi5jb20vdGl0bGUvdHQxODQ0NjI0Lw">AHS</a>, Glee, <a href="https://www.bing.com/ck/a?!&amp;&amp;p=88e7df9599890b8541d805bc370f82924126cc59ff2a29de7092ebdfd15444dfJmltdHM9MTc3MTg5MTIwMA&amp;ptn=3&amp;ver=2&amp;hsh=4&amp;fclid=07beedac-bad5-64e0-028a-fb8ebb1e658f&amp;psq=amercian+crime+story+imdb&amp;u=a1aHR0cHM6Ly93d3cuaW1kYi5jb20vdGl0bGUvdHQyNzg4NDMyLw">ACS</a> etc.). Dentro disso, a misoginia de Porto grita. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há a mãe desequilibrada, misses burras, menina que só quer estudar e por isso não quer participar de concurso de beleza, avó repressora, que deixou a mãe surtada e por aí vai. E não é só machismo não, tem representação confusa de homossexualidade masculina também! Porto não decide se o tio Atena (Alexandre Lino) tem questões de gênero ou sexualidade ou se é apenas mau caráter, fazendo o ator se comportar como uma yag afeminada, que é heterossexual, porém que não foi aceito por sua família (por ser cabelereiro ou ele fingiu depois da rejeição? Então, por que a sua família o rejeita? Ninguém explica). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, se não for para falar de questões discursivas pavorosas, é possível discorrer sobre o assombro que é a previsibilidade de cada sequência. E não é apenas no papel, no que foi escrito ali, é imageticamente também. A direção de Daniel Porto é preguiçosa, piegas e ignorante. O cineasta não sabe posicionar o elenco para revelar as emoções das personagens, insere angulações sem compreender exatamente qual a função delas para cena, não movimenta a câmera com firmeza e o foquista parece que ficou em casa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O momento no qual todas essas percepções se unem em formato de sequência é o flashback da relação de Iêda (Helga Nemetik), mãe doida, com a sua própria mãe – totalmente desnecessário, por sinal. Planos abertos em momentos de emoção a flor da pele, reações com a imagem desfocada, câmera na mão, quando nitidamente seria preciso o uso de steadicam – se for para balançar o quadro tem que ter uma intenção para a trama –, movimentos artificiais do elenco, mostrando nitidamente que aquela passagem de recordação e não é crucial para o desenvolvimento narrativo, revelam a ausência qualitativa aqui presente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aí é que é necessário destacar a dificuldade que é acompanhar esses atores em cena. C-A-D-A P-A-L-A-V-R-A É D-E-S-T-A-C-A-D-A, fazendo com que a projeção demore mais de acabar e assassinando a técnica de atuar. Colorir um texto significa nuance, saber onde pontuar as frases e o que vai ou não ser acentuado. Não dá para correr o tempo inteiro, tampouco pausar absolutamente tudo. Existe uma ginga presente na prosódia de bons profissionais do ramo, que não aparece em <em>A Miss</em>. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E é essa ausência de tato dos intérpretes que prolonga a exibição, que já é um pesadelo pelas palavras presentes no roteiro e pelo olhar retrógrado e sem refinamento da direção. Obviamente, tem-se que reconhecer o esforço de toda uma equipe em construir um trabalho tão intenso como é o de rodar um longa. Todavia, também é de bom tom ter respeito pelos consumidores e alertar quem vai assistir <em>A Miss</em> do que os espera. Porque ainda tem o fato de que a continuísta Marcela Marciano pode ter errado durante as filmagens.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por que não bater o martelo aqui e dizer que com certeza Marciano errou? Porque em um filme a continuidade é sim checada pela figura da continuísta, porém tanto o diretor geral quanto o montador podem acabar interferindo negativamente no resultado da continuidade de uma obra audiovisual. O fato é que algumas sequências pecam neste quesito, como é o caso do primeiro concurso que Alan (Pedro David) vence. Falta aqui conectar não apenas ações físicas, como as próprias emoções, frame a frame.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desta maneira, <em>A miss</em> é uma árdua experiência de espectatorialidade. Ainda que tente flertar com a comédia escrachada e até mesmo com certas dinâmicas do cômico teatral, a produção falha. Seja por não saber executar a técnica cinematográfica ou por convocar discursos antiquados, esse é um resultado triste para o cinema como um todo. No entanto, vale reafirmar que este tipo de material existe no mundo todo e se for para ver algo desta qualidade, que seja um título brazuca. Pelo menos, a plateia estará apoiando seu próprio país.</span></p>
<p><strong>P.S.</strong>: A cereja do bolo é que eles são sudestinos e falam de ir ao Nordeste como se fosse um bairro. De fato, uma tarefa hercúlea terminar esse longa!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>*</strong>Dramáticas no sentido de pertencer ao drama – na definição de Patrice Pavis – e não ao lírico ou poético. É a forma em si e não o gênero, como ficou posteriormente colocado.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Direção</strong>: Daniel Porto</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Helga Nemetik, Maitê Padilha, Pedro David</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Assista ao trailer!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><iframe title="A MISS | Trailer Oficial" width="1170" height="658" src="https://www.youtube.com/embed/mqWkqr7DW4Y?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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