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	<title>Arquivos Daniel Nolasco - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Daniel Nolasco - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>14º Olhar de Cinema: Apenas Coisas boas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 28 Jun 2025 16:24:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O novo filme de Daniel Nolasco (O cavalo de Pedro) segue a mesma linha de sempre das produções do roteirista e diretor. No entanto, aqui, há uma questão um tanto séria. Isto porque a obra parece dois longas-metragens em um, sendo que a primeira parte é excelente e a segunda não. Como de costumeiro, os encaminhamentos da trama “Nolasqueira” são como em fanfiction com foco em smuts. Neste sentido, pensando na dinâmica “fanfiqueira”, há aqui uma situação periclitante e intensa, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O novo filme de Daniel Nolasco (<em>O cavalo de Pedro</em>) segue a mesma linha de sempre das produções do roteirista e diretor. No entanto, aqui, há uma questão um tanto séria. Isto porque a obra parece dois longas-metragens em um, sendo que a primeira parte é excelente e a segunda não.</p>
<p>Como de costumeiro, os encaminhamentos da trama “Nolasqueira” são como em <em>fanfiction</em> com foco em smuts. Neste sentido, pensando na dinâmica “fanfiqueira”, há aqui uma situação periclitante e intensa, que une dois rapazes: Antônio (Lucas Drummond/Fernando Libonati) e Marcelo (Liev Carlos).</p>
<p>Nesta atmosfera, há muita exploração de masculinidades, numa espécie de tentativa de revelar toda a pluralidade do que é ser homem. Nolasco vai além do que é posto como másculo e masculino na normatividade, olhando para as possibilidades de composições dessas mentes e corpos, oprimidas por um ideal de “macho”.</p>
<p>Isso não se dá somente porque ele está falando sobre um casal gay, mas sim o como ele trata sobre esse universo. No começo da projeção, a história se passa em 1984, em um Brasil agro. Antônio precisa lidar com o preconceito de seu pai, que acaba levando a sua vida para uma tragédia irreversível.</p>
<p>E é aí que está a chave do sucesso desta primeira etapa. Há uma criação de imersão na realidade desse casal. Com uma decupagem que deixa que o espectador consuma a produção em planos longos e contemplativos — seja de sexo, romance ou paisagens —, o público mergulha nesse rio, que banha esse amor e anuncia a perda dele também.</p>
<p>Assim, a câmera investiga essa realidade de Marcelo e Antônio. Juntamente com a planificação, as temperaturas usadas na iluminação, cenários e figurinos revelam a paixão entre os dois, mas de uma maneira onírica, que põe a dupla em uma situação de um amor inocente.</p>
<p>O roteiro de Nolasco fomenta essa sensação ingenuidade, pelo menos nesta fase que o amor juvenil de Antônio e Marcelo é retratado. Há aqui uma elaboração de discurso sobre a masculinidade tóxica e a homofobia dentro do Centro-Oeste. A partir desta temática, há progressão dramática, há uma trama amarrada e toda uma estética visual que contribui para a construção de sentido sobre aquele mundo ficcional.</p>
<p>Quando o público se conecta com a história e sente que houve uma conclusão bem redonda na obra, a segunda parte do longa chega e a qualidade da produção começa a cair. O romance vira thriller e o roteiro parece querer enganar a plateia.</p>
<p>Existe nesta parte 2 uma dimensão de reinvenção de fatos e o que era trágico imediato, torna-se um trágico prolongado. Sem revelar exatamente o que está acontecendo, um clima de mistério se instaura, porém sem nunca se justificar. Assim, o discurso dos atos seguintes ao primeiro soa como em oposição ao que acabou de ser impresso na tela como argumento.</p>
<p>Porque Antônio e Marcelo se perdem na trama. O ato derradeiro deles desaparece dentro desta ideia mais sacal do amor e de como ele sempre irá sumir com o tempo. Neste momento da história, somente a figura de Helga (Renata Carvalho) salva a produção do caos que ela se torna — uma excelente atriz, que consegue salvar diversas sequências e deixá-las mais orgânicas.<br />
As outras atuações são sofríveis e o texto soa artificial. De fanfic bem escrita — daquelas que viram livros —, quem assiste passa acompanhar uma fic desconexa. A exploração visual dos corpos masculinos, na obra de Nolasco, vem para essa elaboração de imaginário, vem como um desejo que explode na tela e conecta o receptor pela vibração sensual e sexual das imagens.</p>
<p>Está tudo conectado, geralmente. Contudo, à medida que a exibição avança, esses sentidos vão se esvaziando. Daniel Nolasco é bom diretor, ok. Então, é um esvaziamento bem encenado, com uma bela fotografia de Larry Machado (<em>Vento Seco</em>) e uma montagem afiada de Will Domingos (<em>Fogaréu</em>).</p>
<p>É o trabalho dos três que, com uma unicidade imagética, que cria essa atmosfera de suspensão. Todavia, quando se olha para o texto e para os acontecimentos do enredo, tudo parece frágil. Antônio é o oposto do que era e nem uma vírgula do que ele foi surge no ecrã.</p>
<p>É exatamente como se o público visse um outro filme, no qual algumas semelhanças estão ali, porém a base de tudo desaparece. Ficam apenas os nomes das personagens e a casa da fazenda. Mas, todo aquele ambiente bucólico, com tons azulados e magentas suaves e todo romance somem.</p>
<p>Essa ruptura de identidade poderia funcionar se a segunda obra, dentro da grande obra principal, fosse boa. Mas, sem coesão entre cenas, sem a ligação do estético com a narrativa — por não estar à serviço dela e parecer somente querer criar efeitos —, por ter atores mais fracos e falas caricatas, isso não ocorre.</p>
<p>De toda maneira, <em><strong>Apenas coisas boas</strong></em> tem uma visualidade potente, uma criatividade e um tesão transbordante, que faz o cinema inteiro ficar em silêncio. Só de Nolasco entregar uma sessão sem pessoas conversando e mexendo no celular, esse longa-metragem já vale e muito!!!</p>
<p><em><strong>Direção</strong></em>: Daniel Nolasco</p>
<p><em><strong>Elenco</strong></em>: Lucas Drummond, Liev Carlos, Guilherme Théo</p>
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		<item>
		<title>Festival Olhar de Cinema anuncia vencedores da sua 14ª edição</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Jun 2025 02:57:14 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na noite da quarta-feira, 18, o Festival Olhar de Cinema informou os vencedores do seu 14º ano. A cerimônia ocorreu no Museu Oscar Niemeyer e contou com troféus nas categorias curtas e longas-metragens brasileiros e internacionais. Além disso, prêmios para filmes paranaense também foram entregues. Dentre os destaques da noite estiveram Cais, de Safira Moreira, e Apenas Coisas Boas, de Daniel Nolasco. Confira a lista completa dos ganhadores aqui: Premiados &#8211; 14º Olhar de Cinema COMPETITIVA BRASILEIRA &#124; LONGA Prêmio [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Na noite da quarta-feira, 18, o Festival Olhar de Cinema informou os vencedores do seu 14º ano. A cerimônia ocorreu no Museu Oscar Niemeyer e contou com troféus nas categorias curtas e longas-metragens brasileiros e internacionais. Além disso, prêmios para filmes paranaense também foram entregues. Dentre os destaques da noite estiveram <em>Cais</em>, de Safira Moreira, e <em>Apenas Coisas Boas</em>, de Daniel Nolasco. Confira a lista completa dos ganhadores <strong>aqui</strong>:</p>
<p><em><strong>Premiados &#8211; 14º Olhar de Cinema</strong></em></p>
<div class="title-mostra-premiado">COMPETITIVA BRASILEIRA | LONGA</div>
<div class="tipo-mostra-premiado">Prêmio Olhar de Melhor Filme</div>
<div class="title-filme-premiados">CAIS, de Safira Moreira</div>
<div></div>
<div>
<div class="tipo-mostra-premiado">Melhor Roteiro</div>
<div class="title-filme-premiados">APENAS COISAS BOAS &#8211; DANIEL NOLASCO,</div>
<div class="diretor-mostra-premiado">direção: Daniel Nolasco</div>
<div></div>
</div>
<div>
<div class="tipo-mostra-premiado">Melhor Direção</div>
<div class="title-filme-premiados">EXPLODE SÃO PAULO, GIL &#8211; MARIA CLARA ESCOBAR, direção: Maria Clara Escobar</div>
<div></div>
</div>
<div>
<div>
<div class="tipo-mostra-premiado">Melhor Atuação</div>
<div class="title-filme-premiados">EXPLODE SÃO PAULO, GIL &#8211; GILDEANE LEONINA, direção: Maria Clara Escobar</div>
<div></div>
</div>
<div>
<div class="tipo-mostra-premiado">Melhor Direção de Fotografia</div>
<div class="title-filme-premiados">AURORA &#8211; WILSSA ESSER E CAMILA FREITAS, direção: João Vieira Torres</div>
</div>
<div></div>
<div class="tipo-mostra-premiado">Melhor Direção de Arte</div>
<div class="title-filme-premiados">APENAS COISAS BOAS &#8211; MARCUS TAKATSUKA, direção: Daniel Nolasco</div>
</div>
<div></div>
<div>
<div class="tipo-mostra-premiado">Melhor Som</div>
<div class="title-filme-premiados">APENAS COISAS BOAS &#8211; GUILE MARTINS, JESSE MARMO, NAJA SODRÉ, DANIEL NOLASCO, direção: Daniel Nolasco</div>
</div>
<div></div>
<div>
<div class="tipo-mostra-premiado">Melhor Montagem</div>
<div class="title-filme-premiados">A VOZ DE DEUS &#8211; YURI AMARAL, direção: Miguel Antunes Ramos</div>
</div>
<div></div>
<div>
<div class="title-mostra-premiado">COMPETITIVA BRASILEIRA | CURTA</div>
<div class="tipo-mostra-premiado">Prêmio Olhar de Melhor Filme</div>
<div class="title-filme-premiados">FRONTERIZA, de Rosa Caldeira e Nay Mendl</div>
</div>
<div></div>
<div>
<div class="tipo-mostra-premiado">Prêmio Especial do Júri (pelo elenco)</div>
<div class="title-filme-premiados">AMERICANA, direção: Agarb Braga</div>
<div class="diretor-mostra-premiado"></div>
</div>
<div>
<div class="title-mostra-premiado">NOVOS OLHARES</div>
<div class="tipo-mostra-premiado">Prêmio Olhar de Melhor Filme</div>
<div class="title-filme-premiados">VOZ ZOV VZO, de Yhuri Cruz</div>
</div>
<div></div>
<div>
<div class="title-mostra-premiado">COMPETITIVA INTERNACIONAL | LONGA</div>
<div class="tipo-mostra-premiado">Prêmio Olhar de Melhor Filme</div>
<div class="title-filme-premiados">A ÁRVORE DA AUTENTICIDADE, de Sammy Baloji</div>
</div>
<div></div>
<div>
<div class="tipo-mostra-premiado">Prêmio Especial do Júri</div>
<div class="title-filme-premiados">ARIEL, direção: Lois Patiño</div>
</div>
<div></div>
<div>
<div class="title-mostra-premiado">COMPETITIVA INTERNACIONAL | CURTA</div>
<div class="tipo-mostra-premiado">Prêmio Olhar de Melhor Filme</div>
<div class="title-filme-premiados">CONSEGUIMOS FAZER UM FILME, de Tota Alves</div>
</div>
<div></div>
<div>
<div class="tipo-mostra-premiado">Menção Honrosa</div>
<div class="title-filme-premiados">O REINADO DE ANTOINE, direção: José Luis Jiménez Gómez</div>
</div>
<div>
<div class="tipo-mostra-premiado"></div>
</div>
<div>
<div class="title-mostra-premiado">PRÊMIO DO PÚBLICO</div>
<div></div>
<div class="tipo-mostra-premiado">Melhor longa-metragem</div>
<div class="title-filme-premiados">CAIS, direção: Safira Moreira</div>
</div>
<div></div>
<div>
<div class="tipo-mostra-premiado">Melhor curta-metragem</div>
<div class="title-filme-premiados">GIRASSÓIS, de Jessica Linhares e Miguel Chaves</div>
</div>
<div></div>
<div>
<div class="title-mostra-premiado">PRÊMIO DA CRÍTICA ABRACCINE</div>
<div class="tipo-mostra-premiado">Melhor longa-metragem</div>
<div class="title-filme-premiados">CAIS, de Safira Moreira</div>
</div>
<div></div>
<div>
<div class="title-filme-premiados">ONTEM LEMBREI DE MINHA MÃE, de Leandro Afonso</div>
</div>
<div></div>
<div>
<div class="title-mostra-premiado">PRÊMIO AVEC-PR</div>
<div></div>
<div class="tipo-mostra-premiado">Melhor filme da mostra Mirara Paranaense</div>
<div class="title-filme-premiados">INTERIOR, DIA, de Luciano Carneiro e Paulo Abrão</div>
</div>
<div></div>
<div>
<div class="tipo-mostra-premiado">Menção Honrosa</div>
<div class="title-filme-premiados">ENTRE SINAIS E MARÉS, de João Gabriel Ferreira e João Gabriel Kowalski</div>
</div>
<div></div>
<div>
<div class="title-mostra-premiado">PRÊMIO CANAL BRASIL</div>
<div class="tipo-mostra-premiado"></div>
<div class="title-filme-premiados">GIRASSÓIS, de Jessica Linhares e Miguel Chaves</div>
</div>
<div>
<div class="title-mostra-premiado">PRÊMIO CARDUME CURTAS</div>
<div class="tipo-mostra-premiado">Prêmio Aquisição com exclusividade</div>
<div class="title-filme-premiados">SECO, de Stefano Volp</div>
</div>
<div></div>
<div>
<div class="title-filme-premiados">AMERICANA, de Agarb Braga</div>
</div>
<div>
<div class="title-filme-premiados">MAIRA PORONGYTA – O AVISO DO CÉU, de Kujãesage Kaiabi</div>
</div>
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			</item>
		<item>
		<title>XIX Panorama Internacional Coisa de Cinema: O Cavalo de Pedro</title>
		<link>https://coisadecinefilo.com.br/xix-panorama-internacional-coisa-de-cinema-o-cavalo-de-pedro/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 Mar 2024 23:37:13 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A criatividade é um poder forte no cinema, sobretudo quando uma premissa inventiva está sob a égide de um roteirista e/ou realizador talentoso. Daniel Nolasco, que assina ambas as funções em seu O Cavalo de Pedro, se encaixa perfeitamente nesse caso citado. Convocando o recurso do mockumentary (documentário falso), o público acompanha uma sessão repleta das explosões de seu estilo pulsante, que mistura crítica social, tesão e humor.  É bem verdade que esta é uma versão mais leve de Nolasco, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">A criatividade é um poder forte no cinema, sobretudo quando uma premissa inventiva está sob a égide de um roteirista e/ou realizador talentoso. Daniel Nolasco, que assina ambas as funções em seu <strong><em>O Cavalo de Pedro</em></strong>, se encaixa perfeitamente nesse caso citado. Convocando o recurso do mockumentary (documentário falso), o público acompanha uma sessão repleta das explosões de seu estilo pulsante, que mistura crítica social, tesão e humor. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É bem verdade que esta é uma versão mais leve de Nolasco, em termos de carga dramática. Aqui, este é um acerto. O espectador não sabe em nenhum momento da exibição quais serão os limites do real e do imaginário das vivências de D. Pedro I no Brasil ultrapassados, atropelados, esgarçados, ridicularizados, tensionados e explicitados na trama deste curta-metragem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para se valer da linguagem que deseja imprimir, há uma escolha cuidadosa do tempo de cada plano, como na sequência do sexo na bandeira do Brasil Imperial. Os corpos de homens desnudos ou os beijos homoafetivos permanecem no ecrã longamente. Há um quê de resistência e de provocação do questionamento do que é este &#8220;ser masculino&#8221;, do que é essa suposta “macheza”, celebrada por uma sociedade tola e tóxica? Sim.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todavia é mais do que isso o cinema de Nolasco (além de também sempre o ser). Ele é fervor apaixonado, com doses certeiras de escárnio. O tiro no opressor homofóbico é um exemplo de como o cineasta sabe transitar entre o cômico e o trágico para entregar seu discurso. Neste sentido, a montagem de Luciano Carneiro (<em>Peixe Abissal</em>) fomenta essa conexão entre o histórico e o inventado, o libertário e o opressor, o engraçado e o doloroso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os cortes de Carneiro entregam o que parece já vir do roteiro de Daniel Nolasco. Há uma espécie de desejo aqui – e desejo é uma palavra boa para falar de qualquer coisa desta obra – em imprimir no ecrã construções múltiplas de sentido, que podem afetar quem assiste de maneiras distintas, a partir do próprio repertório de cada um. Ainda que a recepção seja exatamente isso, em <strong><em>O Cavalo de Pedro</em></strong> isto se faz ainda mais presente.</span></p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17876" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image-10.png" alt="O Cavalo de Pedro" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image-10.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image-10-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image-10-610x407.png 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image-10-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Existe um filme que se apresenta com um discurso geral, que vai alcançar a plateia em um sentido mais amplo. Contudo, há também a sensação de que cada indivíduo que sentar na poltrona do cinema ou na cadeira de casa, irá se apagar, se atentar e fruir aquelas imagens diferentemente. Para esta que vos escreve, a força do tesão homoafetivo move ideias, paixões, alucinações, fantasias, vontades.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esta conexão carnal homoafetiva seria, assim, este impulsionar eterno de uma humanidade que soa, tantas vezes, seca de desejo – olha a palavra aqui de novo! Mas, para além das emoções exclusivas, existe a solidez do curta, que traz esse invólucro de temas, que podem soar distantes para quem está do lado de fora da projeção e tão ligadas para quem acompanha o enredo deste filme.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, estar presente plenamente, pensar os lugares do homem e da humanidade na história e na contemporaneidade, a partir de beijos gays, longos quadros de corpos masculinos se tocando e despertando prazer um no outro, é o cinema de Nolasco, é um cinema necessário – como tantos outros. O tesão sem dúvida, em todas as suas possibilidades, move o cinema, move a arte, a política, move o mundo!</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Só alguns detalhes escapam a <strong><em>O Cavalo de Pedro</em></strong>. Infelizmente, algumas atuações não dão conta da proposta da produção. Além disso, a iluminação de certas sequências, principalmente nas internas, deixa a desejar, com sombreamentos que não revelam as expressões das personagens em sua totalidade. A exibição não fica menos prazerosa por estes motivos, porém a imersão poderia ser mais intensa, caso todos os aspectos fossem apresentados coqualidade unificada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Direção:</strong> Daniel Nolasco</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Elenco:</strong> Guilherme Theo, Harry Lins, Conrado Helt</span></p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/4Adb8780wnY?si=PbPi1oNOf8pkMO8D" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/xix-panorama-internacional-coisa-de-cinema-o-cavalo-de-pedro/">XIX Panorama Internacional Coisa de Cinema: O Cavalo de Pedro</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
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