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	<title>Arquivos Dane DeHaan - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Dane DeHaan - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Valerian e a Cidade dos Mil Planetas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Aug 2017 21:07:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Cara Delevingne]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Clive Owen]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
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		<category><![CDATA[Estreia]]></category>
		<category><![CDATA[Ethan Hawke]]></category>
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		<category><![CDATA[Luc Benson]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O novo longa do diretor Luc Benson chegou com a promessa audaciosa de que seria um novo Quinto Elemento, um filme de 1997 que foi o maior sucesso e eu, particularmente, adoro. No entanto, não é bem assim que a banda toca. Diferente deste último filme, Valerian e a Cidade dos Mil Planetas não consegue manter o ritmo de entreter o espectador e entedia o mesmo em muitos momentos. O longa se passa no século XXVIII, onde a variedade de [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O novo longa do diretor Luc Benson chegou com a promessa audaciosa de que seria um novo <em>Quinto Elemento</em>, um filme de 1997 que foi o maior sucesso e eu, particularmente, adoro. No entanto, não é bem assim que a banda toca. Diferente deste último filme, <em>Valerian e a Cidade dos Mil Planetas</em> não consegue manter o ritmo de entreter o espectador e entedia o mesmo em muitos momentos.</p>
<p>O longa se passa no século XXVIII, onde a variedade de etnias no universo é imensa e as sociedades procuram coexistir na melhor paz possível. Valerian e Laureline são agentes do tempo que lutam pela defesa da Terra e os planetas aliados. Com o apocalipse do planeta Mül, a dupla tem que seguir para ajudar no resgate da população quase dizimada.</p>
<p>À parte da direção de fotografia formidável, que realmente caprichou nos cenários e visuais, a história que acompanha toda essa beleza não é tão interessante assim. Protagonistas sem força e nem empatia, um roteiro sem grande novidade. Falta objetivo, finalização e ritmo. É como se Benson se esforçasse para se encaixar num novo estilo de narrativa que vem sendo utilizado atualmente, mas não consegue.</p>
<p>Outro problema notável é a escolha da dupla principal. Por mais que Cara Delevingne se esforce, a sua falta de expressão é cansativa e previsível. As mesmas caras de sempre e um olhar insosso que não acrescenta em nada à personagem. Combinando com ela, temos Dane DeHaan. O ator não é lá muito conhecido, mas até que é mais expressivo que a Cara. O problema é o estilo de personagem que resolveram encaixar ele. Valerian é um cara mulherengo, sedutor e pegador, o completo oposto deste ator, que não exala nenhuma sensualidade. Ou seja, toda a sedução fica apenas no discurso de ambos.</p>
<p style="text-align: center;"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-8053" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/08/048369.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p>Aliás, o elenco conta ainda com Ethan Hawke e Clive Owen, ambos incoerentes e mal aproveitados na narrativa. O destaque mesmo vai, ao meu ver, para a cantora Rihanna, que conseguiu criar uma personagem forte e expressiva, no meio de uma narrativa fraca. Ela se destaca no papel e, embora apareça brevemente, deixa a sua marca no filme.</p>
<p>Apesar de tais pontos negativos, o filme tem seus pontos altos. A trilha sonora é coerente e muito bem escolhida, com David Bowie na playlist. O compositor Alexandre Desplat, muito bom no seu ofício, consegue criar um clima de agitação ainda melhor do que efetivamente o roteiro do filme propõe. As cenas de ação são bem orquestradas e o cenário do espaço é muito bem aproveitado, especialmente no formato 3D.</p>
<p>Embora o filme seja visualmente muito atraente, a falha de roteiro não passa despercebida. Em dado momento, o espectador fica entediado e a sensação que temos é que as quase 2h20 de filme poderiam ser reduzidas sem prejuízo. No entanto, é uma experiência que vale a pena. Apesar dos erros, os acertos devem ser relevados e não deixa de ser uma experiência interessante.</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/BtSjVcAN8Qo" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: A Cura</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Feb 2017 21:38:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[A Cura]]></category>
		<category><![CDATA[Dane DeHaan]]></category>
		<category><![CDATA[Gore Verbinski]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Dirigido por Gore Verbinski, realizador versátil de blockbusters como Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra, do terror O Chamado e da animação Rango, A Cura é um suspense psicológico feito em molduras que parecem já ter sido descartadas pelos grandes estúdios de uns anos para cá. A produção não economiza um tostão do seu orçamento para produzir um filme arrojado visualmente, primando por um trabalho irretocável da equipe de direção de arte coordenada por Eve Stewart (O Discurso [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">Dirigido por Gore Verbinski, realizador versátil de </span><i data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">blockbusters </i><span data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">como </span><i data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra</i><span data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">, do terror </span><i data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">O Chamado </i><span data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">e da animação </span><i data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">Rango</i><span data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">, </span><i data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">A Cura </i><span data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">é um suspense psicológico feito em molduras que parecem já ter sido descartadas pelos grandes estúdios de uns anos para cá. A produção não economiza um tostão do seu orçamento para produzir um filme arrojado visualmente, primando por um trabalho irretocável da equipe de direção de arte coordenada por Eve Stewart (</span><i data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">O Discurso do Rei </i><span data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">e </span><i data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">Os Miseráveis</i><span data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">) em articulação com a fotografia criativa de Bojan Bazelli (que já havia trabalhado com o diretor em </span><i data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">O Cavaleiro Solitário</i><span data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">). É uma pena que a trama não acompanhe os esforços estéticos do filme e Verbinski se perca nesses atrativos visuais e sensoriais, esquecendo-se de que, no seu caso específico, cairia bem um roteiro mais polido e menos afeito a situações artificiais. </span></p>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Em <i>A Cura </i>um jovem executivo vivido pelo ator Dane DeHaan (de <i>O Espetacular Homem-Aranha 2 </i>e <i>Versos de um Crime</i>) é enviado pela sua empresa a um centro de reabilitação para convencer o CEO da companhia a retornar para suas funções. Quando chega ao local, o personagem é surpreendido pela resistência do homem e por uma série de acontecimentos estranhos que o fazem ficar cada vez mais encurralado e preso naquele lugar.</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7353" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/02/A_Cura.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Quando menciono que <i>A Cura </i>parece uma obra deslocada em seu tempo, me refiro ao fato de que atualmente parece impossível que um estúdio invista tanto assim nesse tipo de material, um suspense psicológico de proporções macro estética e tecnicamente, afinal o gênero parece cada vez mais vinculado a produções de baixo orçamento e independentes. Plasticamente, tudo em <i>A Cura </i>recebe tratamento de primeira, cada cômodo e parede da casa de saúde que sedia grande parte das cenas do filme recebem um cuidado meticuloso em suas cores e formas, além disso Bazelli prima pela composição de planos que de fato desafiam o espectador tamanha a sua inventividade e polimento. O filme nos faz lembrar o apuro estético de longas do gênero como <i>O Iluminado, </i>de Stanley Kubrick, ou <i>Ilha do Medo</i>, de Martin Scorsese<i>,</i> com o último não apenas por seu visual ou pela composição dos seus planos, mas também pelos caminhos trilhados pelo seu protagonista.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Acontece que, em diversas ocasiões, ao ostentar o seu apuro imagético, mesmo que capte a atenção do espectador, <i>A Cura </i>parece ser um longa governado pelo artificialismo das suas sequências. A trama do filme não têm fôlego para acompanhar o visual da obra, fazendo com que, muitas vezes, Verbinski construa uma atmosfera de tensão que não existe de fato e que não vai movimentar a história em nenhuma das suas frentes. Tudo parece pretexto para o realizador exercitar o seu prazer de mostrar as proezas plásticas da sua obra. O longa acaba ficando à serviço das suas excentricidades visuais, oferecendo muito menos do que deveria oferecer.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p><i>A Cura</i> ainda poderia render uma reflexão interessante a respeito de um dos maiores males do século, a depressão e as sequelas de se conviver com as demandas sobre-humanas da cidade grande. No lugar disso, sufoca todas as potenciais temáticas privilegiando um desfecho burocrático e nada corajoso. Entre as associações evidentes com a eugenia praticada por médicos nazistas na primeira metade do século passado e os arroubos visuais da equipe de Verbinski, <i>A Cura </i>revela-se como uma obra morna, decepcionando por potencialmente representar um fiapo de esperança de que filmes com propostas como a sua possam ser mais frequentes entre as prioridades dos grandes estúdios. Cada obra como esta que fracassa artística ou financeiramente representa um recuo considerável na indústria fazendo com que similares tenham mais dificuldade de sair do papel. Uma pena.</p>
</div>
<p><strong>Assista ao trailer do filme: </strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/NsADsl8oMZc" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Life &#8211; Um Retrato de James Dean</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Jul 2016 21:16:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Anton Corbijn]]></category>
		<category><![CDATA[Ben Kingsley]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Dane DeHaan]]></category>
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		<category><![CDATA[Joel Edgerton]]></category>
		<category><![CDATA[Life - Um Retrato de James Dean]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Life: Um Retrato de James Dean poderia se contentar com as convenções formais de uma biografia sobre aquele que foi um dos maiores astros de Hollywood, mas, seguindo a linha do que o diretor Anton Corbijn tem feito no cinema desde a sua estreia em longas como Control, o filme é bem mais do que um relato sobre a vida e a carreira de uma figura célebre. Em sua recente empreitada nos cinemas, Corbijn demonstra querer entender a personalidade do seus [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Life: Um Retrato de James Dean</em> poderia se contentar com as convenções formais de uma biografia sobre aquele que foi um dos maiores astros de Hollywood, mas, seguindo a linha do que o diretor Anton Corbijn tem feito no cinema desde a sua estreia em longas como <em>Control</em>, o filme é bem mais do que um relato sobre a vida e a carreira de uma figura célebre. Em sua recente empreitada nos cinemas, Corbijn demonstra querer entender a personalidade do seus personagens biografados através de uma pertinente reflexão sobre as formas como reagimos às asperezas da vida. Assim, aos mostrar-se apto a produzir leituras que vão além da esperada sequência de fatos da vida do astro de <em>Juventude Transviada</em>, <em>Assim Caminha a Humanidade</em> e <em>Vidas Amargas</em>, <em>Life: Um Retrato de James Dean</em> se sobressai e gera algum interesse que não seja o do conhecimento de um relato enciclopédico.</p>
<p>No filme, somos apresentados a um James Dean prestes a ser catapultado ao estrelato com<em> Juventude Transviada</em>. <em>Life</em> se passa no hiato em que o jovem ator era lançado nos cinemas com um grande papel em <em>Vidas Amargas</em>, filme de 1955 de Elia Kazan, e havia acabado de ser contratado por Jack Warner para interpretar Jim Stark na fita que o transformaria no símbolo de uma geração,<em> Juventude Transviada</em>. Na ocasião, Dennis Stock, um fotógrafo da revista Life, captou o potencial efeito que uma figura como Dean causaria na cultura americana e insistiu na realização de um ensaio fotográfico com o jovem ator que ficaria conhecido por capturar a verdadeira essência do astro hollywoodiano anos mais tarde.</p>
<p>Colocando em colisão as personalidades de Dean e Stock, <em>Life: Um Retrato de James Dean</em> é um filme que deseja abordar, acima de tudo, a maneira avassaladora como os protocolos da vida cotidiana comprimem nossos sonhos, frustram nossas expectativas de juventude e podem nos transformar em figuras irreconhecíveis. De um lado, somos apresentados a Dennis Stock, um fotógrafo consumido pelos problemas da sua vida, divorciado, com problemas para se conectar com o filho pequeno que pouco vê em função do seu trabalho e com quem tem pouca intimidade, um homem que, às custas de tornar-se uma figura relativamente amargurada e com muito senso prático para as coisas, aprendeu desde muito cedo a abrir mão de certos sonhos, tudo para manter-se de pé e pagar as contas. Do outro lado, temos James Dean, um jovem ator que queria apenas atuar e fora das telas ser quem ele realmente era, um rapaz simples do interior e de espírito livre. Na medida em que começa a formar uma carreira no cinema, Dean passa a encontrar como obstáculo uma série de normas comportamentais impostas pelos grandes estúdios de Hollywood às suas maiores estrelas.</p>
<p>O filme lança seus olhares para as duas diferentes lógicas dos seus protagonistas encararem a realidade. Enquanto, Stock obedecia ao &#8220;sistema&#8221; às custas de mergulhar em um poço de melancolia, ansiedade e frustração pessoal e profissional, Dean resistia a esses chamados e reagia atendendo ao seu desejo de retornar a sua cidade natal, Fairmount, localizada no estado Indiana, algo que, depois de ser alçado a condição de estrela hollywoodiana jamais voltaria a fazer. Dean externava aquilo que todos nós, incluindo Stock, desejamos quando somos atropelados pelas responsabilidades do cotidiano, voltar para casa, para um lugar que nos traga a sensação de acolhimento e proteção, é exatamente isso o que ele diz em uma das narrações do filme. Para a realização do ensaio fotográfico da revista Life, Dean leva o fotógrafo Dennis Stock para esse refúgio e é nesse momento que o título do longa deixa de ser apenas uma referência à publicação que permitiu o encontro dessas duas personalidades mas um vínculo com o que o filme de fato quer abordar, o modus operandi da vida adulta, as diferentes formas de reagir a ele e, consequentemente, os seus efeitos em nós. Não por acaso, as diferentes lógicas de conduzir a vida dos dois personagens os levaram a caminhos muito distintos, enquanto Dean faleceria precocemente pouco tempo depois dos acontecimentos retratados no filme, Stock teria uma carreira longeva e faleceu aos 81 anos de idade.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-6456" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/07/life.jpg" alt="life" width="610" height="348" /></p>
<p>O filme adota uma gramática bem particular para atingir as suas metas. Assim como acontecia com os demais longas do diretor, <em>Life: Um Retrato de James Dean</em> não é um filme com muito ritmo, seu processo de observação é mais introspectivo e ele não faz questão alguma de seguir às clássicas orientações de funcionamento de um manual de roteiro. É uma lógica própria, mas nem por isso deixa de funcionar e mostrar-se coesa com seus intentos de entender a natureza dos seus dois protagonistas. O filme é marcado ainda por um excelente trabalho de direção de arte, reproduzindo com precisão a década de 1950, mas também com muita elegância, e pela inspirada fotografia de Charlotte Bruus Christensen, que sabe produzir imagens marcantes sem chamar a atenção para seu trabalho em si, mas para o que o próprio filme tem a nos dizer com suas perspectivas a respeito dos seus personagens. A trilha sonora de Owen Pallett também é um ponto alto do longa, fazendo da sonoridade do jazz mais um elemento que nos faz compreender as emoções de Dean e Stock.</p>
<p>A dupla de atores também é um dos acertos do longa. Robert Pattinson segue em sua interessante carreira pós-<em>Crepúsculo</em> (que inclui <em>The Rover: A Caçada, Mapas para as Estrelas </em>ou<em> Cosmópolis</em>), conseguindo imprimir na tela os efeitos da natureza caótica da vida de Stock em sua personalidade e na dinâmica que estabelece com todos ao seu redor, Dane DeHaan, por sua vez, tem a difícil missão de interpretar uma personalidade marcante como a de James Dean, um trabalho difícil já que requer fidelidade à notória figura do astro hollywoodiano, mas que não pode ser confundida com uma barata imitação, um difícil e ingrato meio termo que o jovem ator de longas como <em>O Lugar onde Tudo Termina </em>e<em> O Espetacular Homem-Aranha 2</em> consegue encontrar.</p>
<p>Na contramão da natureza protocolar das biografias cinematográficas, sobretudo aquelas que se debruçam sobre grandes personalidades do cinema, sempre tendentes a trabalhos opulentos e artificiais, <em>Life: Um Retrato de James Dean</em> consegue ser eficiente e dar conta do que de fato a vida dos seus protagonistas tem a nos dizer. Através desse encontro entre Dean e o fotógrafo Dennis Stock, o realizador Anton Corbijn faz um filme dotado de personalidade. Esta natureza indômita de Corbijn pode custar a Life uma desatenção do espectador pelo seu ritmo pouco usual e pela sua lógica particular de funcionamento dramatúrgico, mas é pertinente, refrescante, instigante e demonstra a plena consciência do realizador de que nunca conseguirá dar conta por completo dos seus biografados, mas apenas de uma fração deles. E a fração que Corbijn e o roteirista Luke Davies oferecem é exposta com muito êxito pelo filme.</p>
<p><strong>Assista ao trailer do filme:</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/IV5eemoiUhA" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Versos de um Crime</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Jun 2014 02:36:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Dane DeHaan]]></category>
		<category><![CDATA[Daniel Radcliffe]]></category>
		<category><![CDATA[Versos de Um Crime]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; A geração beat foi um movimento literário que tomou impulso no final da década de 1950 e início dos anos de 1960. Cansados do excesso de veneração a canônes e valores conservadores da cultura norte-americana, um grupo de jovens rompeu com os padrões vigentes através de uma produção intelectual inspirada. Movidos a jazz, drogas e sexo livre esses escritores produziam compulsivamente e apresentavam uma narrativa intensa, com fluxo de pensamento desalinhado, abusando do emprego de gírias e palavrões. Participaram [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_1201" aria-describedby="caption-attachment-1201" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/Kill-Your-Darlings-Movie.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1201 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/kill-620x345.jpg" alt="kill" width="620" height="345" /></a><figcaption id="caption-attachment-1201" class="wp-caption-text">O início de uma revolução: Burroughs (Ben Foster), Ginsberg (Daniel Radcliffe) e Carr (Dane DeHaan) preparam o seu primeiro manifesto contra os canônes da cultura americana na Universidade de Columbia.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>A geração <em>beat </em>foi um movimento literário que tomou impulso no final da década de 1950 e início dos anos de 1960. Cansados do excesso de veneração a canônes e valores conservadores da cultura norte-americana, um grupo de jovens rompeu com os padrões vigentes através de uma produção intelectual inspirada. Movidos a jazz, drogas e sexo livre esses escritores produziam compulsivamente e apresentavam uma narrativa intensa, com fluxo de pensamento desalinhado, abusando do emprego de gírias e palavrões. Participaram desse movimento o poeta Allen Ginsberg (de <em>Howl</em>), o escritor William Burroughs (<em>Naked Lunch</em>) e, claro, Jack Kerouac (que imortalizou Neal Cassady como um herói para a geração da segunda metade do século passado em <em>On The Road</em>). Mais tarde, esse grupo se revelaria como a inspiração para a geração de ouro de cineastas norte-americanos da década de 1970 e bandas como os Beattles e o The Doors, por exemplo.</p>
<p><em>Versos de um Crime </em>mostra a gênese do movimento personificada na figura de Lucien Carr, um jovem com pouco talento mas muita rebeldia que acaba inspirando essas três figuras da geração <em>beat</em>, Allen Ginsberg, William Burroughs e Jack Kerouac, em especial Ginsberg, com quem Carr teve um breve mas intenso romance. Carr foi o responsável por inspirar os três escritores a se tornarem quem são hoje, utilizando as potencialidades dos três para materializar em verso e prosa o espírito <em>beat</em>. No entanto, Carr se envolveria em uma trama de assassinato que acabou fragilizando a perpetuação das relações do grupo e cada um seguiu o seu próprio caminho.</p>
<figure id="attachment_1178" aria-describedby="caption-attachment-1178" style="width: 612px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/Kill-Your-Darlings-Movie.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1178 size-full" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/Kill-Your-Darlings-Movie.jpg" alt="Kill-Your-Darlings-Movie" width="612" height="349" /></a><figcaption id="caption-attachment-1178" class="wp-caption-text">Pacto de sangue: Carr e Ginsberg selam uma união que definiria a carreira e a vida do poeta.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>O filme de John Krokidas é bastante linear e pouco inventivo como narrativa audiovisual. O realizador se apoia no interesse natural do espectador pela história, que é mantido graças aos nomes envolvidos na sua trama (Ginsberg, Kerouac e Burroughs) e não aos esforços dele como cineasta. <em>Versos de um Crime </em>mantém a preocupação com a gênese do fenômeno cultural <em>beat</em> e não consegue passar em imagens o espírito do grupo. Fazendo uma inevitável comparação, Walter Salles conseguiu, com toda a simplicidade que lhe é inerente, trazer para o seu <em>Na Estrada </em>a falta de linearidade, o pensamento pulsante e a atmosfera libertária da produção <em>beat</em>. <em>Versos de um Crime </em>não consegue dar conta de demandas que deveriam ser atendidas para além da simples execução de um roteiro. Krokidas não chega a comprometer o longa com essa decisão, apenas o torna menos interessante do que poderia ser.</p>
<p>Daniel Radcliffe até que se esforça como Ginsberg (sim, esforço é a palavra certa para esse caso), mas Dane DeHaan (atenção para esse rapaz pois em breve ele viverá James Dean) chama o filme para si como o instável Lucien Carr. Ben Foster também está ótimo como William Burroughs, assim como Jack Huston na pele de Kerouac. Há participações pontuais de veteranos como Jennifer Jason Leigh (interessante como a mãe de Ginsberg), Kyra Sedgwick e Michael C. Hall, como David Krammerer, a vítima de Carr. Elizabeth Olsen, por sua vez, é subaproveitada como a esposa de Kerouac, o que é uma pena.</p>
<figure id="attachment_1179" aria-describedby="caption-attachment-1179" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/Kill-Your-Darlings-2013-Danniel.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1179 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/Kill-Your-Darlings-2013-Danniel-620x331.jpg" alt="Kill-Your-Darlings-2013-Danniel" width="620" height="331" /></a><figcaption id="caption-attachment-1179" class="wp-caption-text">Pedra no sapato: Personagem de Michael C. Hall é o elemento desestabilizador do grupo.</figcaption></figure>
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<p><em>Versos de um Crime </em>é um filme &#8220;quadradinho&#8221; e linear demais para retratar (ou introduzir) para a audiência do cinema (sempre muito diversificada) o que representou a geração <em>beat</em>. Apesar de trazer o embrião do movimento, John Krokidas não se preocupou em traduzir em imagens as características da escrita do grupo, o que seria essencial para torná-lo uma obra viva e menos banal do que ela acaba sendo. No final, <em>Versos de um Crime </em>se torna apenas um capítulo burocrático e didático, como essas páginas de armazenamento de curiosidades sobre um determinado fenômeno, personalidade ou obra que a gente encontra na Internet. Como obra cinematográfica poderia se inspirar pelo menos um pouco na subversão dos seus protagonistas.</p>
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