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	<title>Arquivos Dan Gilroy - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Dan Gilroy - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Velvet Buzzsaw</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 Feb 2019 18:39:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A arte pode ter diversos objetivos. O cinema, como uma forma de arte, absorve essas propriedades podendo ser o que a produção e direção do projeto quiserem. Algumas vezes a sétima arte é usada como meio de contestação, crítica social ou sátira dos problemas do passado e/ou presente. Independente do gênero, as películas ganham a função de colocar o espectador num lugar onde ele deve estar alerta para as questões intrínsecas a narrativa. Assim são as premissas básicas de grandes [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A arte pode ter diversos objetivos. O cinema, como uma forma de arte, absorve essas propriedades podendo ser o que a produção e direção do projeto quiserem. Algumas vezes a sétima arte é usada como meio de contestação, crítica social ou sátira dos problemas do passado e/ou presente. Independente do gênero, as películas ganham a função de colocar o espectador num lugar onde ele deve estar alerta para as questões intrínsecas a narrativa. Assim são as premissas básicas de grandes clássicos que datam desde as primeiras décadas da história cinematográfica.</p>
<p>Alguns diretos conduzem os seus trabalhos através desse olhar crítico. O diretor e roteirista Dan Gilroy, por exemplo, tem usado as suas obras como uma denúncia de situações cotidianas. Em sua estreia como diretor em O Abutre (2014), Gilroy traz uma crítica ao fascínio da sociedade pela violência e o mercado monetário que isso criou. Seu thriller jornalístico foca em como o público clama pelo gore e até onde alguém é capaz de ir para conseguir esse “furo violento” e, com ele, ganhar dinheiro. Em seguida, o diretor leva às telonas <em>Roman J. Israel, Esq.</em> (2017), uma história sobre ganância e crenças numa sociedade completamente corrompida por bens materiais. O diretor mostra o declínio do seu nobre cavaleiro – de um justiceiro cheio de ideais para mais uma pessoa vendida as normas e padrões mantidas pelo status quo.</p>
<p>A nova produção dirigida e roteirizada por Dan Gilroy tem, mais uma vez, críticas aos padrões estéticos, econômicos e sociais da atualidade como foco da trama. Dessa vez, o diretor utiliza o universo da arte como pano de fundo para uma brutal amostra da apatia, insensibilidade e ganância humana. <em><strong>Velvet Buzzsaw</strong></em> encara a monetização da arte como um mal irremediável que levará todos a um trágico fim. A terceira película de Gilroy estreou semana passada na Netflix e já divide opiniões. O longa produzido pelo <em>streaming</em> teve a sua première no Festival Sundance de Cinema de 2019.</p>
<p>O dinheiro tomou conta do mercado da arte. Donos de galerias, críticos, artistas e investidores vivem de acordo com as regras do jogo até que um acontecimento fatídico muda tudo. A morte de um pintor desconhecido leva Josephina (Zawe Ashton) a buscar o seu momento de glória. Após pedir conselhos ao famoso crítico Morf Vandewalt (Jake Gyllenhaal), Josephina faz um acordo bilionário com Rhodora (Rene Russo), dona da galeria Haze, para vender as obras do falecido Vetril Dease (Alan Mandell). Após o sucesso de vendas dos quadros de Dease, uma série de mortes misteriosas ocorre. Com a contagem de corpos aumentando, os envolvidos com as obras de Dease vão perceber que há algo de sobrenatural em suas telas.</p>
<p>O desempenho de Gilroy como diretor é interessante. Mais uma vez ele mostrou as suas críticas a sociedade através de imagens belas e impactantes. Por vezes a trama se perde em um emaranhado de cenas esteticamente elaboradas, mas que pouco dizem ao espectador. Os pontos qualitativos de<em><strong> Velvet Buzzsaw</strong></em> estão na superfície. A camada mais exterior do produto tem uma qualidade indiscutível com enquadramentos poderosos, sequências bem elaboradas, uma montagem inteligente e um subtexto extremamente eficiente. Contudo, nem mesmo os números malabarísticos do diretor salvam a confusão formada pelo conteúdo do longa.</p>
<p style="text-align: center;"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-9930" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/02/velvet-buzzsaw-2019-2.jpg" alt="Velvet Buzzsaw" width="610" height="348" /></p>
<p>O roteiro, também assinado por Gilroy, é o paradoxo da produção. Ao mesmo tempo que ele elabora uma carta-denúncia a mercantilização da arte e suas consequências relacionadas a apatia social, o roteirista subaproveita a sua história central e as suas personagens. É compreensível e admirável a criação satírica da película, mas isso se sobrepôs a todo o resto da obra. Gilroy deu mais atenção a isso do que a construção de uma narrativa de terror. O subtexto falou (muito) mais alto que o foco central. Por conta disso, é angustiante para o público passar quase duas horas sendo confrontado por questionamentos sem o revestimento dramático necessário. Em contrapartida, existe uma inteligência na escolha das falas de cada personagem/cena que resulta em uma ligação direta com os acontecimentos da trama.</p>
<p>Apesar dos atores extraordinários que compõem o elenco, os seus talentos não são totalmente explorados pelos problemas do roteiro. As personagens são extremamente superficiais e, por mais que isso pudesse ser um conceito da narrativa, atrapalha o processo de identificação e, consequentemente, os efeitos que o longa desejava alcançar. Jake Gyllenhaal e Rene Russo são os mais bem aproveitados e ambos estão excelentes em suas personagens. É inevitável que o público espere momentos de maior adrenalina e tempo de tela para artistas como Toni Collette e John Malkovich. Mesmo se comparando aos trabalhos do falecido Robert Altman e seu extenso elenco, Dan Gilroy não conseguiu dar oportunidades cênicas aos atores como Altman fazia.</p>
<p>A apreciação por <strong><em>Velvet Buzzsaw</em></strong> não se deixa abater pelos deslizes do roteiro. Outras partes da produção, como a montagem e a direção de arte, conseguem compensar e trazer o espectador para junto da trama outra vez. O trabalho feito na edição das cenas é espetacular. A brincadeira das paisagens de Los Angeles com as sinistras obras de Dease e a conexão dos diálogos com as imagens são brilhantes. Outro ponto alto da produção é a direção de arte que aproveita a estética do mundo das galerias e da arte e faz um jogo de cores e cenários o qual ajuda a criar a tensão do terror. Ademais, os créditos iniciais são uma obra de arte a parte. A sutileza criativa e metalinguística imbuída aos créditos de abertura iniciam o filme da melhor forma possível.</p>
<p><em><strong>Velvet Buzzsaw</strong></em> deixa muito claro para que veio ao mundo. As suas críticas estão evidentes a cada cena dentro dos 113 minutos de tela. A força dessa mensagem talvez tenha sofrido por causa do roteiro. Talvez, se melhor trabalhado o terror e as dinâmicas das personagens, o longa-metragem pudesse alcançar o objetivo de denúncia e ainda ser completo como produto artístico de determinado gênero. Mesmo com discussões importantes da atualidade sendo levantadas – como o sentido da arte, a falta consideração do mercado com a arte e a indiferença e ganância do ser humano – o conceito falou mais alto que o conteúdo do terror psicológico. No meio desse resultado um tanto caótico, o novo longa de Gilroy se firma como uma obra contraditória, porém inteligente e estranhamente cativante. <strong><em>Velvet Buzzsaw</em></strong> é bom, mas ele poderia ser muito mais; ele poderia ser um manifesto satírico do terror.</p>
<p><strong>Assista ao <a href="https://coisadecinefilo.com.br/tag/trailer/">trailer</a>!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/jjCzrXiuEe8" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: O Abutre</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Dec 2014 15:20:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Dan Gilroy]]></category>
		<category><![CDATA[Jake Gyllenhaal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Os rumos da carreira de Jake Gyllenhaal têm sido bem interessantes. O ator poderia se acomodar na alcunha de galã da nova geração que lhe foi proposta logo após O Segredo de Brokeback Mountain e confirmada em filmes como Amor e Outras Drogas. No entanto, Gyllenhaal preferiu se jogar de cabeça em projetos ousados e que lhe impuseram desafios dramáticos severos, é o caso do detetive Loki de Os Suspeitos, o policial Brian Taylor de Marcados para Morrer e, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: justify;">
<figure id="attachment_2471" aria-describedby="caption-attachment-2471" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/12/1JLsCF4.png"><img decoding="async" class="wp-image-2471 size-full" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/12/1JLsCF4.png" alt="1JLsCF4" width="620" height="347" /></a><figcaption id="caption-attachment-2471" class="wp-caption-text">Abutre: Onde tem sujeira, o personagem de Jake Gyllenhaal está.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>Os rumos da carreira de Jake Gyllenhaal têm sido bem interessantes. O ator poderia se acomodar na alcunha de galã da nova geração que lhe foi proposta logo após <i>O Segredo de Brokeback Mountain</i> e confirmada em filmes como <i>Amor e Outras Drogas</i>. No entanto, Gyllenhaal preferiu se jogar de cabeça em projetos ousados e que lhe impuseram desafios dramáticos severos, é o caso do detetive Loki de <i>Os Suspeitos</i>, o policial Brian Taylor de <i>Marcados para Morrer</i> e, mais recente, os sósias Adam e Anthony de <i>O Homem Duplicado</i>. Talvez, o cinegrafista Lou Bloom seja o momento mais maduro dessa fase da carreira do ator. Gyllenhaal não mede esforços na compreensão de um homem eticamente questionável com severos danos psicológicos, trata-se de um <i>tour de force</i> sustentado por uma consciente direção do experiente roteirista Dan Gilroy que tem lhe rendido algumas indicações a prêmios e cujo próximo passo promete ser o retorno do ator ao Oscar, desta vez na categoria melhor ator.</p>
</div>
<div style="text-align: justify;">
<p><i>O Abutre </i>traz a história de Lou Bloom um jovem desempregado que se vira como pode para conseguir se sustentar, até mesmo voltar-se para atividades ilegais como invasão e assalto de propriedades privadas. Um dia, Bloom vislumbra uma forma rentável de ganhar a vida. Após um acidente em uma rua de Los Angeles, ele observa um grupo de cinegrafistas filmando a vítima para vender esse material a uma emissora local. Logo, Bloom se aventura na atividade e descobre um talento nato para o ramo, além de entender que aquilo é um negócio altamente lucrativo e, para ele, fascinante.</p>
</div>
<div style="text-align: justify;">
<figure id="attachment_2472" aria-describedby="caption-attachment-2472" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/12/jake01.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-2472 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/12/jake01-620x334.jpg" alt="jake01" width="620" height="334" /></a><figcaption id="caption-attachment-2472" class="wp-caption-text">Vendendo o peixe: Lou Bloom (Gyllenhaal) tenta convencer a diretora de jornalismo Nina Romina de que é o cara certo para o serviço sujo.</figcaption></figure>
</div>
<div style="text-align: justify;">
<p>&nbsp;</p>
<p><i>O Abutre </i>pode<i> </i>não ter grandes saltos em sua trama, não promover nenhuma grande transformação no seu personagem ou mesmo que não dizer nada do que ainda não tenha sido dito sobre o universo do &#8220;jornalismo&#8221; sensacionalista, contudo, a forma que o diretor e roteirista Dan Gilroy encontrou para fazer sua crítica a esse tema é fascinante. Através do seu protagonista, Gilroy acompanha o mergulho sem perspectiva de retorno à Terra de um grupo de pessoas tragadas pelas facilidades desse tipo de abordagem &#8220;jornalística&#8221; e pela própria rotina dos meios. Pode parecer reducionista para o próprio filme, mas não é pequeno o número de colegas de profissão que são enredados nesse universo onde a ética é elástica e apenas um acessório indesejado. Claro que Lou Bloom é um homem visivelmente desarranjado psicologicamente, mas a maneira como ele se descobre nesse &#8220;ramo&#8221; e as razões pelas quais seu perfil se encaixa na atividade são dados certeiros de um tipo específico de profissional, guardada as devidas proporções. Outros personagens e suas respectivas  dinâmicas dão contornos mais interessantes a esse retrato, como a diretora de jornalismo da emissora para a qual Bloom vende seu material, Nina Romina, vivida por Rene Russo.</p>
</div>
<div style="text-align: justify;">
<p>Sobre o desempenho de Gyllenhaal, ele é o grande protagonista desta fita e não de uma forma exibicionista ou extravagante. O ator constroi um tipo que exige dele a confecção de um sujeito singular, mas Jake é tão inteligente em suas escolhas e no caminho que traça para tanto que jamais cai na zona do caricato, do tipo. Bloom é um personagem interessante por trazer, através do desempenho do ator, um certo grau de insegurança para o espectador, que oscila entre a certeza e a incerteza sobre os próximos passos daquele sujeito, afinal, a ética não é o seu forte.</p>
</div>
<div style="text-align: justify;">
<figure id="attachment_2473" aria-describedby="caption-attachment-2473" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/12/nightcrawler_17-620x413.jpeg"><img decoding="async" class="wp-image-2473 size-full" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/12/nightcrawler_17-620x413.jpeg" alt="nightcrawler_17-620x413" width="620" height="322" /></a><figcaption id="caption-attachment-2473" class="wp-caption-text">Ética questionável: Personagem não mede esforços para conseguir as imagens que precisa.</figcaption></figure>
</div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Conduzido por um diretor que sabe bem o limite entre a correta aplicação da linguagem cinematográfica e o exibicionismo, <i>O Abutre </i>traz essa performance memorável de um jovem ator que chamou a atenção dos cinéfilos no início da década passada com <i>Donnie Darko </i>e que parecia ir por um caminho nada aconselhável, ou, pelo menos, artisticamente pobre, com filmes irrelevantes como <i>Príncipe da Pérsia</i>, <i>O Amor e Outras Drogas </i>e <i>O Dia depois de Amanhã</i>, mas que amadureceu espantosamente bem como profissional. E ainda tem muito mais a oferecer.</p>
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