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	<title>Arquivos Daisy Ridley - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Daisy Ridley - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Às Vezes Quero Sumir</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Aug 2024 13:56:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em Às Vezes Quero Sumir, Fran é uma moça tímida e solitária que trabalha em um escritório fazendo planilhas. Na maior parte do tempo, a jovem quer passar despercebida e tem alguns pensamentos suicidas. As coisas passam a mudar para a personagem quando chega um novo colega de trabalho em seu escritório, um homem divorciado duas vezes que é apaixonado por filmes. Fran começa a estabelecer um vínculo com esse novo colega e algumas novas possibilidades começam a se apresentar [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Em <em><strong>Às Vezes Quero Sumir</strong></em>, Fran é uma moça tímida e solitária que trabalha em um escritório fazendo planilhas. Na maior parte do tempo, a jovem quer passar despercebida e tem alguns pensamentos suicidas. As coisas passam a mudar para a personagem quando chega um novo colega de trabalho em seu escritório, um homem divorciado duas vezes que é apaixonado por filmes. Fran começa a estabelecer um vínculo com esse novo colega e algumas novas possibilidades começam a se apresentar para ela, que encara tudo com muita reticência apesar do ímpeto de decidir encarar alguns dos seus maiores medos.</p>
<p>É bem comum que jovens estrelas que tenham surgido para o grande público em franquias populares apostem em projetos menores e mais autorais como uma nova etapa profissional a fim de mostrar para o público que seus talentos podem ser explorados de forma diferente. Este parece ser um objetivo da britânica Daisy Ridley desde que encerrou suas obrigações como a jedi Rey de Star Wars.</p>
<p><em><strong>Às Vezes Quero Sumir</strong></em> é um filme que aposta no mínimo. É um produção de proporções modestas, centrada no drama de personagens que são a representação de pessoas ordinárias, com vidas, trabalhos e problemas comuns, e que tem uma abordagem extremamente sensível para um tema em voga nos últimos anos: a saúde mental. A diretora Rachel Lambert acerta ao concentrar seus esforços nos detalhes das interações humanas proporcionando a Daisy Ridley um desempenho único e comovente.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18615" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-6.png" alt="Às Vezes Quero Sumir" width="751" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-6.png 751w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-6-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-6-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 751px) 100vw, 751px" /></p>
<p>Como Fran, Ridley constrói o cotidiano de uma jovem mulher que busca o contato humano, mas não sabe como fazer para conseguir se inserir na sociedade. Em regra, Fran tem sua socialização obstacularizada pelo julgamento muito severo que tem sobre si, algo que torna o seu dia-a-dia, em situações que seriam orgânicas para outras pessoas, bastante doloroso. No meio do caminho, ela acaba cortando abruptamente alguns laços que passa a estreitar, voltando a ciclos insuportáveis de procura pelo contato humano, seguidos por uma repulsa a qualquer possibilidade de afeto.</p>
<p>Lambert explora a psiquê da sua personagem através de representações criativas e simbólicas de alguns dos pensamentos dessa protagonista. A diretora também acerta ao conseguir conferir leveza a um filme que explora temáticas tão pesadas, sem que isso implique em uma visão romantizada para os problemas de Fran. Fica evidente como a personagem sofre com seus problemas de saúde mental, mas isso não significa que sua diretora irá &#8220;pesar a mão&#8221; na atmosfera da história. Lambert tem um olhar otimista para as pessoas e consegue trazer para o filme o acolhimento necessário que a sua protagonista precisa.</p>
<p>A diretora Rachel Lambert consegue com <em><strong>Às Vezes Quero Sumir</strong></em> construir uma história empática sobre uma personagem que enfrenta cotidianamente batalhas contra si mesma. O longa é uma ótima oportunidade para Daisy Ridley desabrochar como atriz, presenteando o público com uma interpretação repleta de sensibilidade, detalhes e momentos de cortar o coração. A junção dos esforços dessas duas artistas rendem um filme singelo, mas profundamente rico e humano.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Rachel Lambert</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Daisy Ridley, Dave Merheje, Parvesh Cheena</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/9USFLjhBYVo?si=E8W0vdA4q1jCWtzo" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: A Filha do Rei do Pântano</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Oct 2023 19:14:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Baseado no best-seller escrito por Karen Dionne, A Filha do Rei do Pântano é um thriller que narra a história de Helena Pellletier. A jovem passou sua infância isolada na floresta com os pais até descobrir que seu genitor (Ben Mendelsohn de Capitã Marvel) era um criminoso que mantinha sua mãe em cativeiro. Antes de ser preso, o pai de Helena a ensina todas as técnicas de sobrevivência na mata. Diante da possibilidade de reencontrá-lo na vida adulta depois dele [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Baseado no best-seller escrito por Karen Dionne, <em><strong>A Filha do Rei do Pântano</strong></em> é um thriller que narra a história de Helena Pellletier. A jovem passou sua infância isolada na floresta com os pais até descobrir que seu genitor (Ben Mendelsohn de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-capita-marvel/"><em>Capitã Marvel</em></a>) era um criminoso que mantinha sua mãe em cativeiro. Antes de ser preso, o pai de Helena a ensina todas as técnicas de sobrevivência na mata. Diante da possibilidade de reencontrá-lo na vida adulta depois dele cumprir alguns anos de prisão, os instintos da jovem ficam mais aguçados. Helena passa a entender que deve acatar o seu destino e reencontrá-lo para um ajuste de contas, antes que o pai faça algum mal a seu marido e sua filha.</p>
<p>Dirigido por Neil Burger, o mesmo diretor dos filmes da série <em>Divergente</em> e de <em>O Ilusionista</em>, drama de 2006 com Edward Norton elogiado pela crítica, <strong><em>A Filha do Rei do Pântano</em></strong> é um título que transita com uma certa competência pelo seu gênero. Como convém a um thriller minimamente eficiente, o longa mantém o espectador interessado pelos rumos cada vez mais imprevisíveis da sua história, construindo uma atmosfera de tensão crescente.</p>
<p>O desempenho de Daisy Ridley (a Rey da franquia <em>Star Wars</em>) é bastante competente na construção dessa personagem que preserva força e instinto de sobrevivência, mas que também é capaz de nutrir afeto por marido e filha a despeito de um passado que poderia lhe legar como herança uma dificuldade de estabelecer conexões emocionais. Nesse sentido, a atriz consegue transmitir na tela toda a tensão de uma mulher que vive esse tipo de conflito, sempre transitando entre o desejo de ter uma vida plena e feliz e as raízes do seu trauma que tornam tudo mais difícil.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17269" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/a-filha-do-rei-do-pantano-trailer-filme.jpg" alt="A Filha do Rei do Pântano" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/a-filha-do-rei-do-pantano-trailer-filme.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/a-filha-do-rei-do-pantano-trailer-filme-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/a-filha-do-rei-do-pantano-trailer-filme-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/a-filha-do-rei-do-pantano-trailer-filme-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>É uma pena que a despeito da ótima introdução e desenvolvimento de eventos o filme sofra tanto para encontrar um final satisfatório. No terceiro ato da história, <strong><em>A Filha do Rei do Pântano</em></strong> derrapa em uma resolução insossa e que não corresponde em momento algum às crescentes expectativas por um clímax cheio de adrenalina que constrói. O encontro entre Helena e o pai é decepcionante e solucionado da maneira mais banal possível pelo roteiro e a direção não consegue fazer muito para tornar tudo aquilo minimamente original ou psicologicamente complexo.</p>
<p>Diante das baixas expectativas do material, surgindo por debaixo do radar entre as grandes estreias do circuito comercial cinematográfico, <strong><em>A Filha do Rei do Pântano</em></strong> até que tem um saldo mais positivo do que negativo. É uma pena que o trabalho de Neil Burger tenha o seu pior momento justamente no terceiro ato, quando as emoções da história deveriam ser mais afloradas e a resolução do arco da protagonista deveria ser mais excitante para o espectador. O filme constrói muito bem o percurso até o grande acerto de contas da protagonista, ou seja, sabe conduzir o público até o seu momentum. No entanto, quando ele chega, é decepcionante e tudo é encerrado da maneira mais óbvia e com emoções bem medianas.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Neil Burger</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Daisy Ridley, Ben Mendelsohn, Garrett Hedlund, Gil Birmingham, Imali Perera, Brooklynn Prince, Caren Pistorius, Chris Violette</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/qNB04fA_iOE" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Star Wars: A Ascensão Skywalker</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Michel Gutwilen]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 22 Dec 2019 18:36:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Afinal, qual a relação entre cinema e público? Se falarmos que a demanda popular gera um filme, estaríamos assumindo que o cinema é um produto comercial? Ou se é o cinema que gera a demanda, aí estaríamos falando de uma entidade própria que orienta os valores da sociedade? Aliás, será que sequer existe alguma relação hierárquica entre cinema e público? Um precisa ditar como vai ser o funcionamento do outro? Ou são apenas conjuntos diferentes que habitam o mesmo universo? [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Afinal, qual a relação entre cinema e público? Se falarmos que a demanda popular gera um filme, estaríamos assumindo que o cinema é um produto comercial? Ou se é o cinema que gera a demanda, aí estaríamos falando de uma entidade própria que orienta os valores da sociedade? Aliás, será que sequer existe alguma relação hierárquica entre cinema e público? Um precisa ditar como vai ser o funcionamento do outro? Ou são apenas conjuntos diferentes que habitam o mesmo universo? Peço perdão por tantas dúvidas, mas <strong><em>Star Wars: A Ascensão Skywalker</em></strong> me fez questionar bastante a função do cinema.</p>
<p>Quando Martin Scorsese (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-irlandes/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>O Irlandês</em></a>) afirmou que os filmes da Marvel não eram verdadeiramente cinema e mais como uma montanha-russa, o cineasta não mentiu em sua argumentação. Apesar disso, acredito que mesmo um gênio da sétima arte não tem poder para ditar o que deve ser ou não cinema. Todavia, o que é inegável é o quanto ele foi preciso em suas palavras — e aqui peço paciência do leitor, pois vou parafrasear o mestre:</p>
<p><em>“Muitos dos elementos que definem o cinema como eu conheço estão ali nos filmes da Marvel. O que não está é a revelação, o mistério ou o perigo emocional genuíno. Nada está em risco. Os filmes são feitos para satisfazer uma leva específica de demandas, e são desenhados como variações em um número finito de temas.</em></p>
<p><em>Eles são sequências no nome mas refilmagens em espírito, e tudo neles é oficialmente sancionado porque não tem como ser de outra forma. Essa é a natureza das franquias cinematográficas modernas: com pesquisas de mercado, testadas pelo público, vetadas, modificadas, vetadas mais uma vez e novamente modificadas, até que estejam próprias para o consumo.”</em> (tradução retirada do <a href="http://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-151596/">AdoroCinema</a>).</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12108" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/4523692.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Star Wars: A Ascensão Skywalker" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/4523692.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/4523692.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/4523692.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Bem, e o que <strong><em>Star Wars: A Ascensão Skywalker</em></strong> tem a ver com a Marvel? Primeiramente, não podemos esquecer que todos fazem parte de uma mesma companhia (Disney), preocupada em monopolizar o mercado de maneira que mais gere lucros e menos riscos possíveis.</p>
<p>Por outro lado, a diferença entre o universo de Kevin Feige e o filme de J.J. Abrams fica gritante quando vemos que, mesmo quando os dois fazem a mesma coisa — entregar fan service —, há uma diferença gritante entre os  resultados. E qual o motivo? Primordialmente, <em>Ultimato</em> é um amálgama de mais de 20 filmes que foram construídos dentro de uma unidade, apesar de cada aventura ter sua particularidade.</p>
<p>De maneira oposta, há um certo momento de <strong><em>A Ascensão Skywalker</em> </strong>que C3PO tem sua memória apagada. Logo depois, o robô consegue recuperá-las parcialmente, com exceção de todas as suas aventuras mais recentes. Não há cena que melhor o que é esse filme. Ao estar mais preocupado em anular o legado vanguardista deixado por Rian Johnson em <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-star-wars-os-ultimos-jedi/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Os Último Jedi</em></a>, o último capítulo da Saga Skywalker se torna um gigante <em>retcom</em> e esquece que apenas a negação do passado não basta.</p>
<p>O roteiro de J.J. Abrams e Chris Terrio (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-batman-vs-superman-a-origem-da-justica/"><em>Batman vs. Superman</em></a>, o que explica muita coisa) assume tanto seu caráter mercadológico que chega a “matar” CINCO personagens, apenas para desfazer essa ilusão instantes depois. É, literalmente, como uma montanha-russa. Afinal, o filme manipula momentaneamente as emoções do público, apenas para no final desfazer suas ações, mostrando que nunca houve um verdadeiro risco.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12109" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/3917203.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Star Wars: A Ascensão Skywalker" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/3917203.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/3917203.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/3917203.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Ainda em roteiro — e aqui abro uma grande aspas para falar de temas sociais e não fílmicos — me incomoda profundamente o quanto este filme é conservador, retrógrado e conveniente com uma parte preconceituosa dos fãs de Star Wars. Desde o <em>Despertar da Força</em>, há uma brincadeira na internet falando que o Finn (John Boyega) e Poe (Oscar Isaac) são um casal. Assim, o filme, como uma criança de 10 anos que precisa auto afirmar sua masculinidade diante dos coleguinhas de classe, vai enfiando goela abaixo diversas situações sem nexo apenas para responder a audiência que os dois protagonistas são héteros. Essa é, literalmente, a única justificativa para a existência das as novas personagens femininas, vividas por Keri Russell e Naomie Ackie.</p>
<p>Similarmente, outra covardia que não pode ser omitida é o que <strong><em>Star Wars: A Ascensão Skywalker</em></strong><em> </em>faz com Rose. Para quem não sabe, a atriz Kelly Marie Tran sofreu um grande assédio moral e ataques xenofóbicos após o filme, a ponto de apagar suas redes sociais. Por isso, é um golpe baixo colocar a personagem quase como uma figurante, mostrando uma subserviência de Abrams aos <em>trolls</em> de internet. Mas <em>ok</em>, vamos botar um beijo entre duas figurantes para fingirmos que nos importamos com essas causas? Tenta outra, J.J.</p>
<p>Bem, e se a gente ignorar todas as decisões arbitrárias, visto que mesmo péssimo roteiro nas mãos de uma boa direção pode resultar em um grande filme? Honestamente, não entendo o que aconteceu com Abrams aqui. Revendo a morte de Han Solo em <em>O Despertar da Força</em>, percebe-se como o <em>timing</em> daquela cena permite que ela seja sentida. Já no filme de 2019, é o inverso. Uma montagem frenética impede a formação de qualquer catarse ou potencialidade dramática. Em particular, há um(a) protagonista importante que se vai e o longa não deixa que o espectador senta aquele momento, já seguindo em frente, como estivesse mais preocupado em encerrar todas as pontas soltas do que criar um vínculo emocional.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12102" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/3753914.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Star Wars: A Ascensão Skywalker" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/3753914.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/3753914.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/3753914.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Ainda nesta lógica mercadológica de filme como um produto, o terceiro ato de <em><strong>A Ascensão Skywalker</strong> </em>reafirma a questão. Desse modo, qualquer pessoa que tenha visto <em>Vingadores Ultimato</em> poderá notar duas gigantes similaridades com ele: a abertura dos portais e frase épica de Tony Stark. Nada mais revelador do que uma empresa bilionária tentar emular os acertos de uma franquia em outra. Mesmo que a gente ignore que <em>Star Wars</em> é cinema, pensando apenas um entretenimento, até nisso ele falha. Em um total anticlímax, sua cena de ação mais original ocorre no segundo ato, justamente por explorar diferentes cenários com a ligação telepática entre Rey (Daisy Ridley) e Kylo (Adam Driver).</p>
<p>Neste sentido, lamento que <em><strong>A Ascensão Skywalker</strong></em> não trabalhe mais a fundo o único elemento que J.J. recicla de Rian Johnson: a tensão sexual entre os dois protagonistas. Curioso que provavelmente a cena que mais incomodou a todos no cinema é a que mais me agrada. Enxergo a trilogia <em>sequel</em> não como uma simples dualidade maniqueísta entre bem e mal, como as duas anteriores, mas como uma grande tragédia grega de amor. Da mesma forma, até enxergo algumas coisas <em>shakespearianas</em> nesta lógica de uma alma se sacrificando pelo outra.</p>
<p>No fim, o novo (e, certamente, não o último) fim da saga Star Wars é como uma montanha russa sem <em>looping</em>. Retomando os questionamentos do primeiro parágrafo, nada mais significativo do que um <em>blockbuster</em> encerrar os anos 2010-2019 se mostrando totalmente refém de executivos engravatados e sua própria fan base tóxica. Pelo menos os bonecos do Baby Yoda vão vender muito, não é?</p>
<p><strong>Direção:</strong> J.J. Abrams<br />
<strong>Elenco:</strong> Carrie Fisher, Mark Hamill, Adam Driver, Daisy Ridley, John Boyega, Oscar Isaac, Anthony Daniels, Naomi Ackie, Domhnall Gleeson, Richard E. Grant, Lupita Nyong&#8217;o, Keri Russell, Joonas Suotamo, Kelly Marie Tran, Ian McDiarmid</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p>[youtube https://www.youtube.com/watch?v=W0squnw6Jp8]</p>
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		<title>Crítica: Assassinato no Expresso do Oriente</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Nov 2017 22:52:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Assassinato no Expresso do Oriente]]></category>
		<category><![CDATA[Daisy Ridley]]></category>
		<category><![CDATA[Johnny Depp]]></category>
		<category><![CDATA[Judi Dench]]></category>
		<category><![CDATA[Kenneth Branagh]]></category>
		<category><![CDATA[Michelle Pfeiffer]]></category>
		<category><![CDATA[Penélope Cruz]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Interessante que, num tempo em que tantas histórias de detetive já foram exploradas nas mais diversas mídias e com os mais diferentes atrativos, ainda é pertinente retornar a um texto tão basilar e caro ao gênero como Assassinato no Expresso do Oriente de Agatha Christie. Adaptá-lo nunca é um movimento supérfluo. Segunda versão cinematográfica do clássico da escritora que concebeu Hercule Poirot, um dos detetives mais celebrados da literatura mundial, Assassinato no Expresso do Oriente de Kenneth Branagh, que também assume o manto do [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Interessante que, num tempo em que tantas histórias de detetive já foram exploradas nas mais diversas mídias e com os mais diferentes atrativos, ainda é pertinente retornar a um texto tão basilar e caro ao gênero como <i>Assassinato no Expresso do Oriente </i>de Agatha Christie. Adaptá-lo nunca é um movimento supérfluo. Segunda versão cinematográfica do clássico da escritora que concebeu Hercule Poirot, um dos detetives mais celebrados da literatura mundial, <i>Assassinato no Expresso do Oriente </i>de Kenneth Branagh, que também assume o manto do protagonista, acerta ao compreender que junto ao valor do livro como entretenimento, a obra consegue estabelecer discussões interessantes sobre a natureza humana a partir dos códigos de conduta bem claros do seu personagem principal. Ao desvendar o crime que mobiliza todos os passageiros do Expresso do Oriente e os transforma em suspeitos em potencial, Poirot se vê obrigado a agir pesando sua própria compreensão de justiça e ética.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">A história parte de uma premissa semelhante àquela estabelecida no livro. Poirot é um dos passageiros do luxuoso Expresso do Oriente e junto com os demais é surpreendido por uma tempestade de neve que faz com que todos fiquem presos num local até que uma equipe de resgate surja para ajudá-los. Concomitantemente, os passageiros são surpreendidos por um fato ainda mais extraordinário, um deles é assassinado e, obviamente, todos os presentes se transformam em suspeitos potenciais. Caberá ao grande Hercule Poirot descobrir quem é o responsável pelo crime ao desvendar o passado de cada um dos suspeitos e da vítima em questão.</p>
<p data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-8478" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/11/hero_Murder-Orient-Express-2017.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Como diretor, Kenneth Branagh consegue o mérito de fazer com que <i>Assassinato no Expresso do Oriente </i>se apresente ao espectador como uma narrativa de entretenimento que, no terceiro ato, revela que tem muito mais a dizer para o seu público. Na verdade, antes mesmo da resolução do crime por Poirot, o filme de Branagh dá indícios disso com movimentos pontuais do roteiro de Michael Green, de <i>Blade Runner 2049 </i>e <i>Logan</i>, dando conta da personalidade de Poirot e do seu código moral ao construir um <i>background </i>que justifica a atitude do detetive no desfecho da história. O protagonista, por sinal, encontra no próprio Branagh uma ótima encarnação. O ator encontra o equilíbrio entre criar  Poirot como um tipo peculiar sem transformá-lo numa caricatura, uma armadilha fácil para outros atores, imagino. Penso no próprio Johnny Depp, que está no elenco do filme, por exemplo. Tendente a criar tipos, Depp encontraria em Poirot um terreno fértil para suas composições excêntricas. Branagh foge completamente dessa chave e obtém muito êxito.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Como o longa de 1974, a nova versão cinematográfica do livro de Christie também é um deleite para os cinéfilos pelo seu elenco de estrelas. O público contempla ao longo da história as aparições  pontuais de um elenco que desfila pelo vagão do Expresso do Oriente. Reunidos, todos esses atores causam impacto em cena. Temos Judi Dench passando a deixa para Penélope Cruz que é sucedida por Michelle Pfeiffer, Daisy Ridley, Willem Dafoe e assim por diante, culminando em Johnny Depp, que, justificadamente, do ponto de vista pessoal e profissional, não está com muita moral com o público, mas também integra o grupo. Além de Branagh, destacaria Michelle Pfeiffer como a melhor interpretação desta versão da história, sobretudo quando no terceiro ato mais camadas são adicionadas a sua personagem.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Como forma de justificar sua própria existência e diferencial em comparação com a obra de 1974, o que acho uma tolice, o filme de Branagh faz uma mudança pontual no desfecho da história. Se por um lado, dialoga com a maneira como o próprio Poirot enxerga aquilo que nos diferencia de alguém que é capaz de cometer um ato brutal como um assassinato, por outro também acaba trazendo uma contradição para o próprio filme que assume um posicionamento que, suspeito, não era o intencionado, mas enfim, são eventuais leituras que poderão ser feitas sobre a obra, sobretudo em tempos que vivemos, que podem ser frutíferas se discutidas com a complexidade que merecem. Polêmicas à parte, <i>Assassinato no Expresso do Oriente </i>mantém as qualidades de um elegante entretenimento com seu acertado elenco, ainda que não seja uma joia do cinema contemporâneo.</p>
</div>
<p><strong>Assista ao trailer:</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/1LqXLJEq4sw" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Star Wars &#8211; O Despertar da Força (COM SPOILERS)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Dec 2015 20:48:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Adam Driver]]></category>
		<category><![CDATA[Andy Serkis]]></category>
		<category><![CDATA[Carrie Fisher]]></category>
		<category><![CDATA[Daisy Ridley]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>ATENÇÃO SPOILERS!!! NÃO LEIA SE VOCÊ NÃO ASSISTIU AO FILME (OU LEIA POR SUA CONTA EM RISCO) Indubitavelmente, Star Wars &#8211; O Despertar da Força é o acontecimento cinematográfico do ano. Com quase quarenta anos de existência, a franquia cinematográfica mais cultuada da história da indústria do cinema teve em seu episódio sete, conduzido pelo experiente J.J. Abrams, criador de Lost e responsável pelo renascimento de outra série cultuada em todo o mundo Star Trek, um capítulo importante da sua trajetória. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img decoding="async" class="aligncenter size-medium wp-image-4195" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/12/star-wars-kylo-158800-620x331.jpg" alt="star-wars-kylo-158800" width="620" height="331" /></p>
<div>
<p><span style="font-size: xx-large;">ATENÇÃO SPOILERS!!! </span><span style="font-size: x-large;">NÃO LEIA SE VOCÊ NÃO ASSISTIU AO FILME (OU LEIA POR SUA CONTA EM RISCO)</span></p>
</div>
<div>
<p>Indubitavelmente, <i>Star Wars &#8211; O Despertar da Força </i>é o acontecimento cinematográfico do ano. Com quase quarenta anos de existência, a franquia cinematográfica mais cultuada da história da indústria do cinema teve em seu episódio sete, conduzido pelo experiente J.J. Abrams, criador de <i>Lost </i>e responsável pelo renascimento de outra série cultuada em todo o mundo <i>Star Trek,</i> um capítulo importante da sua trajetória. O lançamento era aguardado com expectativas pelo simples motivo de ser <i>Star Wars</i>, praticamente um embrião do <i>blockbuster </i>norte-americano, mas porque <i>O Despertar da Força </i>representava um recomeço para a saga, cuja última trilogia, prequelas conduzidas pessoalmente por George Lucas, resultara em filmes mornos, com histórias previsíveis (afinal, todo mundo que havia assistido <i>Uma Nova Esperança</i>, <i>O Império contra-ataca </i>e <i>O Retorno de Jedi</i> sabia exatamente o destino de Anakin Skywalker). Ambientado 30 anos após o <i>O Retorno de Jedi</i>, <i>Star Wars &#8211; O Despertar da Força </i>dialoga muito mais com a vivacidade da trilogia de 1977-1983  do que com a esquecível de 1999-2005 e apresenta uma história nova com elementos e personagens representando trajetórias conhecidas que moldaram as marcas da própria franquia.</p>
</div>
<div> O filme traz o surgimento de uma nova ameaça, a Primeira Ordem, uma organização que visa destruir a República e estabelecer um novo caos na galáxia. Orquestrada pelo Líder Supremo Snooke e por seus comandados diretos Kylo Ren e General Hux, a Primeira Ordem está em busca de um mapa que os levará a localização de Luke Skywalker, considerado uma ameaça por ser o último Jedi vivo que se tem notícia. O paradeiro de Skywalker é mantido em segredo pelo robô BB-8, que por sua vez conta com a ajuda de uma jovem sucateira do planeta Jaku,  a catadora de sucatas Rey. Com a ajuda de um stormtrooper desertor da Primeira Ordem chamado Finn, Rey assumirá a missão de levar BB-8 de volta para a República antes que ele caia nas mãos de Snooke e companhia.</div>
<div></div>
<div></div>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-medium wp-image-4196" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/12/swtfareybb8_large-620x329.jpg" alt="swtfareybb8_large" width="620" height="329" /></p>
<div>
<p>Não existe grandes rupturas com o tom e a trajetória da primeira trilogia <i>Star Wars </i>em <i>Star Wars &#8211; O Despertar da Força</i>. A jornada e a função dos seus novos personagens são basicamente as mesmas daquelas exercidas por Luke Skywalker, Princesa Leia, Han Solo e Darth Vader na trilogia de 1977-1983, o que não é um demérito para o novo filme da saga, pelo contrário. Firmando <i>Star Wars </i>como uma grande saga familiar lastreada basicamente pela mitológica disputa entre o bem e o mal e pela ascensão da figura de um herói vindo do lugar mais improvável, <i>O Despertar da Força </i>revive os passos que fizeram George Lucas cimentar a saga como um fenômeno da cultura pop de maneira muito mais eficiente e vibrante do que o próprio criador da franquia no pálido <i>prequel</i> de 1999-2005, composto por <i>A Ameaça Fantasma</i>, <i>Ataque dos Clones </i>e <i>A Vingança dos Sith</i>, que se enquadram muito mais como um mimo de Lucas e cia. aos fãs ardorosos da série cinematográfica do que uma história com urgência de ser contada. Tudo em <i>O Despertar da Força </i>é crível, tem textura, forma, dimensão e emoções reais &#8211; em oposição ao <i>prequel </i>de <i>Star Wars </i>sufocado por dezenas de efeitos especiais que deram um tom cartunesco à trilogia dos anos 2000 &#8211; , o que comprova que, talvez, curiosamente, a franquia sempre esteja em boas mãos quando está longe das decisões diretas do seu próprio criador. A exceção de <i>Uma Nova Esperança </i>de 1977, todos os melhores filmes <i>Star Wars </i>não tiveram a direção de George Lucas.</p>
</div>
<div>
<p>Um dos grandes acertos de <i>Star Wars &#8211; O Despertar da Força </i>está em conseguir equilibrar a reverência ao passado da franquia com situações e dinâmicas que nos remetem a <i>Uma Nova Esperança </i>e <i>O Império contra-ataca </i> e estabelecer novos rumos para o seu universo. Assim, J.J. Abrams consegue agradar antigos fãs de <i>Star Wars </i>e fidelizar uma nova leva de aficionados pela saga, afinal nos são apresentados personagens que, a despeito de &#8220;respirarem&#8221; as motivações e os &#8220;lugares&#8221; ocupados pelos seus antecessores naquele universo, possuem identidade própria e fôlego para empreender uma nova e intensa jornada pelos próximos anos.</p>
</div>
<div>
<p>Diversas decisões tomadas por J.J. Abrams, Lawrence Kasdan e Michael Arndt no roteiro de <i>O Despertar da Força </i>evidenciam os esforços do trio em promover novos rumos para a saga preservando as marcas da trilogia de 1977-1983, o que é bastante interessante. É como se o trio de roteiristas repaginasse a série cinematográfica conservando elementos vitais e que assumem a identidade de <i>Star Wars</i>. Nesse sentido, entender como centro de suas preocupações a jornada de dois desses personagens, a heroína Rey e o vilão Kylo Ren rumo a construção dos seus respectivos mitos, e trazer novamente uma tragédia familiar como elemento propulsor das suas ações e decisões traz para <i>O Despertar da Força </i>um caráter cíclico, ou seja, a noção de que as histórias se repetem pelas gerações.</p>
</div>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-4217" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/12/han-solo-and-chewy-from-star-wars-the-force-awakens.jpg" alt="han-solo-and-chewy-from-star-wars-the-force-awakens" width="600" height="373" /></p>
<div>
<p>ATENÇÃO MEGA-SPOILER!  ATENÇÃO MEGA-SPOILER!  ATENÇÃO MEGA-SPOILER!</p>
</div>
<div>
<p>Um dos momentos mais emblemáticos de <i>O Despertar da Força </i>que evidenciam esta oscilação sadia entre o nostálgico e o rejuvenescimento da franquia  é a corajosa decisão que os roteiristas tiveram ao matar um dos personagens mais emblemáticos e queridos de toda a franquia, o Han Solo de Harrison Ford, assassinado pelas mãos do seu próprio filho com Leia, o vilão Kylo Ren. A morte de Han Solo em <i>O Despertar da Força </i>remete à icônica cena em que Darth Vader revela a Luke Skywalker que é o seu pai em <i>O Império contra-ataca</i>, mas também mostra-se como um momento singular para a saga dali em diante e que, por sua gravidade, justifica a formação de conflitos ainda mais severos entre os seus personagens pelos próximos capítulos. A decisão drástica dos roteiristas de <i>O Despertar da Força</i> confirma a natureza perversa de Kylo Ren,  que durante todo o filme sempre esteve em conflito entre a luz e o lado negro da força e que, após o assassinato do pai, parece ter fincado de vez a sua posição no universo. Além disso, mexe drasticamente com a trajetória de diversos personagens traumatizados pelo acontecimento, como Chewbacca, Leia e até mesmo os novatos Finn e Rey, cuja verdadeira filiação não tivemos conhecimento em <i>O Despertar da Força</i>.</p>
</div>
<div>
<p>Somado a uma direção eficiente e um primoroso trabalho em seus departamentos técnicos e artísticos, <i>Star Wars </i>conta com um elenco espetacular de jovens atores que se junta a uma velha-guarda encabeçada por Mark Hamill (em breve participação nesse episódio já que o desaparecimento do seu personagem é o mote do filme), Carrie Fisher e Harrison Ford, mais uma vez impagável como Han Solo. A protagonista da nova trilogia é a radiante Daisy Ridley, que consegue fazer de Rey uma jovem marcada pelas dificuldades da sua realidade, mas que não perde a doçura e até mesmo a ingenuidade diante da descoberta de um novo universo. Fica evidente também na performance de Ridley a transformação sofrida pela personagem que, na medida em que a história chega ao seu fim, amadurece e assume seu lugar e sua responsabilidade nesse universo. Na pele do ex-stormtrooper Finn, John Boyega transborda carisma e humanidade sem tornar o seu personagem uma caricatura ambulante. Ao mesmo tempo em que, por diversos momentos, Finn seja utilizado como um alívio cômico do novo filme, Boyega não se esquece que seu personagem possui traumas tão profundos quanto os de Rey a partir do momento em que todas as suas decisões na história são tomadas por um medo de ser punido pela Primeira Ordem, cujo <i>modus operandi </i>ele conhece como nenhum outro. Existem outros personagens interessantes ao longo de <i>O Despertar da Força</i> que podem ser explorados em maior profundidade nos próximos filmes, mas que aqui já demonstram seu potencial através do tom certeiro dos seus atores, como o piloto de X-Wing Poe Dameron do ator Oscar Isaac, a Capitã Phasma de Gwendoline Christie, o General Hux de Domhnall Gleeson e até mesmo os personagens construídos por captura de movimentos dos atores Lupita Nyong&#8217;o e Andy Serkis, Maz Kanata e o Líder Supremo Snooke, respectivamente.</p>
</div>
<div>
<p>E a maior prova de que J.J. Abrams conseguiu conservar os já numerosos fãs da série e angariar um novo e jovem grupo de fanáticos por <i>Star Wars </i>está ao final das sessões de <i>O Despertar da Força </i>ou mesmo nas ruas. É perceptível a empolgação de pequenos de diversas faixas etárias quando os créditos finais do novo filme da franquia começam a aparecer. As crianças não param de falar da Rey, do Finn, do Kylo Ren, de Han Solo, do Chewbacca, do BB-8&#8230; Basta entrar também em qualquer loja de brinquedos e ver como meninos e meninas com menos de dez anos de idade estão loucos para ter o próprio sabre de luz, que, por sinal, andam esgotados. Enfim, J.J. Abrams conseguiu mesmo despertar a força de uma franquia que nem mesmo o seu criador foi capaz de respeitar nos monótonos <i>A Ameaça Fantasma</i>, <i>Ataque dos Clones </i>e <i>A Vingança dos Sith</i>. Amigos e <i>haters</i>, gostem ou não, <i>Star Wars </i>está de volta!</p>
</div>
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