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	<title>Arquivos Corsage - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Corsage - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>39º Festival de Cinema de Munique: Corsage</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Jul 2022 15:34:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Entre cortes descontínuos, repetições e riscos, Marie Kreutzer (O Chão sob meus pés) assume uma função um tanto complexa em Corsage: um olhar contemporâneo e mais realista para a Imperatriz Elizabeth da Áustria, mais conhecida como Sissi. No imaginário popular talvez exista uma construção da uma figura de Sissi como alguém doce e ingênua, elaborada por sua representação na série de obras que foram feitas a partir dos anos 1950. Todavia, em Corsage é melhor que o público esqueça completamente [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="font-weight: 400;">Entre cortes descontínuos, repetições e riscos, Marie Kreutzer (<em>O Chão sob meus pés</em>) assume uma função um tanto complexa em <strong><em>Corsage</em></strong>: um olhar contemporâneo e mais realista para a Imperatriz Elizabeth da Áustria, mais conhecida como Sissi. No imaginário popular talvez exista uma construção da uma figura de Sissi como alguém doce e ingênua, elaborada por sua representação na série de obras que foram feitas a partir dos anos 1950.</p>
<p>Todavia, em <em><strong>Corsage</strong> </em>é melhor que o público esqueça completamente a Sissi de Romy Schneider. Kreutzer aparente desejar realizar um oposto aqui, trazendo em seu longa-metragem uma mulher intensa e que se impõe na medida do possível, para seu tempo, mas também imprime este ser coberto de privilégios, egoísmos, rompantes e certo requinte de crueldade. Há uma complexidade profunda em Elizabeth, que é explorada em diálogos e ações da personagem durante toda a projeção.</p>
<p>Este é um dos pontos centrais do longa e o seu principal acerto. Há uma densidade na composição desta personagem, mesclando momentos nos quais o público consegue ter uma grande empatia por Sissi ou uma repulsa profunda. Kreutzer não tem receio de escrever sequências desconfortáveis e cheias de tensão. No entanto, é preciso ressaltar que esta não é uma obra completa ou perfeita. Longe disso. Pois, ao mesmo tempo em que todo um zelo estético é apresentado há uma insistência em permanecer na apoteose, que quebra a força das sensações que deveriam ser fortes.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15643" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/CORSAGE-3.jpg" alt="Corsage" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/CORSAGE-3.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/CORSAGE-3-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/CORSAGE-3-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/CORSAGE-3-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Este fator é o que rompe com a fluidez da narrativa e pode deixar a sessão um tanto cansativa. Desde o início da projeção, antes que o público possa criar uma relação com a história ou com a figura central, movimentos e efeitos  de câmera conduzem o espectador para uma sensação de clímax. Além disso, Marie Kreutzer opta por inúmeros cortes descontínuos, principalmente até a primeira parte da exibição. Esse caminho é o maior equívoco da produção.</p>
<p>Os conflitos e sentimentos de Sissi vão perdendo a importância, se dissolvendo com os saltos temporais e cortes bruscos. Assim, o plot e os subplots permanecem na superficialidade. Desta maneira, é possível enxergar qualidades em <strong><em>Corsage</em></strong>, mas também sentir grandes incômodos enquanto se assiste ao filme. Em seus pontos positivos é necessário reconhecer o talento da direção ao criar uma decupagem que está realmente à serviço da narrativa e que nos momentos apoteóticos potencializa as impressões de grandiosidade e intensidade de Elizabeth.</p>
<p>A interpretação de Vicky Krieps (<em>Tempo</em>) fomenta essa construção e, através de olhares e gestos preciso, humaniza a Imperatriz, elevando a aproximação do espectador com as emoções da protagonista, ainda que ela seja membro da nobreza &#8211; no pior sentido da coisa, com ímpetos de raiva ou falta de consideração, por exemplo. Assim, o lado negativo, que é a perda da coesão, fruto dos saltos temporais não amarrados, poderia ser salvo caso um fio condutor, uma ligação maior entre as sequências, fosse feito. Contudo, <em><strong>Corsage</strong> </em>é uma sessão que já vale apenas pela desconstrução da figura de perfeição que está incrustrado na memória da sociedade quando o tema é Sissi.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Marie Kreutzer</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Vicky Krieps, Colin Morgan, Finnegan Oldfield</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
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