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	<title>Arquivos Cleopatra Coleman - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Sombra Lunar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Michel Gutwilen]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Oct 2019 21:08:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Falar sobre viagem no tempo sempre foi algo complexo no cinema. Apesar dos muitos furos, um de seus aspectos mais interessantes é que essa premissa pode ser aplicada dentro de qualquer gênero. De Volta Para o Futuro é uma aventura; O Exterminador do Futuro 2 &#8211; O Julgamento Final é ação; Harry Potter e o Prisoneiro de Azkaban é uma fantasia; Click é uma comédia; e A Morte Te Dá Parabéns é um terror. Completando a cartilha, Sombra Lunar é um neonoir (ou pelo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Falar sobre viagem no tempo sempre foi algo complexo no cinema. Apesar dos muitos furos, um de seus aspectos mais interessantes é que essa premissa pode ser aplicada dentro de qualquer gênero. <em>De Volta Para o Futuro </em>é uma aventura; <em>O Exterminador do Futuro 2 &#8211; O Julgamento Final </em>é ação; <em>Harry Potter e o Prisoneiro de Azkaban </em>é uma fantasia; <em>Click </em>é uma comédia; e <em><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-morte-te-da-parabens/">A Morte Te Dá Parabéns</a> </em>é um terror. Completando a cartilha, <em><strong>Sombra Lunar</strong></em> é um <em>neonoir </em>(ou pelo menos tenta ser) com <em>time travel</em>. Imagine que <em>Zodíaco </em>tivesse um filho com <em>Looper</em>, só que ruim.</p>
<p>No ano de 1988, Locke (Boyd Holbrook, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-predador/"><em>O Predador</em></a>) é um policial de menor escalão na Filadélfia. Ambicioso e seguidor de seus instintos, ele descumpre as ordens de seu chefe, Holt (Michael C. Hall, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-versos-de-um-crime/"><em>Versos de um Crime</em></a>), e decide investigar um estranho caso, no qual pessoas estão sangrando até a morte após serem picadas por uma agulha. </p>
<p>Entretanto, quando finalmente se encontra cara-a-cara com Rya (Cleopatra Coleman), a autora dos crimes, esta revela ter vindo do futuro. Não só isso, mas ela conta que, naquele exato momento, a esposa do policial estaria morrendo durante o parto. A partir de então, o filme acompanhará a vida de Locke, de nove em nove anos, sempre na data que a viajante volta no tempo.</p>
<p>Inicialmente, o roteiro de Weidman e Tock começa simples ao tratar de sua lógica interna. Resumidamente, Rya viaja, do futuro para o passado, em sentido inverso ao do protagonista. Ou seja, para a viajante, o primeiro encontro deles é o último, e vice-versa. De maneira expositiva, eles tentam explicar isso, colocando Locke explicando a viagem no tempo utilizando um saleiro e um caneleiro como exemplos.</p>
<p>Contudo, a história se pauta em um princípio da predestinação que pouco convence. Em particular, um cientista que aparece como <em>Deus Ex Machina </em>na trama incomoda bastante. Em primeiro lugar, porque ele surge aleatoriamente para explicar aos protagonistas como funciona a viagem no tempo de <strong><em>Sombra Lunar</em></strong> — e que é uma explicação muito fraca, pois funciona conforme ciclos da lua e, por isso, o título do filme. Além disso, ele fica fissurado com um objeto importante da trama que veio do futuro e, tentando reconstruí-lo, acaba criando tal ferramenta. Pois é, viagem no tempo é complicado.</p>
<p>Ainda sobre o roteiro e sua fixação com predestinação, é provável que o público mais acostumado com o gênero mate sua charada antes de sua revelação. Clichês não são um problema <em>a priori</em>, mas se tornam ruins quando mal executados e de maneira cafona. Por outro lado, tratando de seu lado investigativo, sua lógica é igualmente rasa. Cada descoberta feita por Locke não é precedida por nenhuma dificuldade real a ele, apenas por um jogo de gato e rato com Rya ao longo dos anos.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-11399" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/09/Sombra-Lunar-750x500.jpeg" alt="Sombra Lunar" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/09/Sombra-Lunar.jpeg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/09/Sombra-Lunar-610x407.jpeg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/09/Sombra-Lunar-360x240.jpeg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>De todos os recortes temporais, o mais atrativo é, sem dúvidas, o do primeiro ato. Aliás, uma pena que <em><strong>Sombra Lunar</strong></em> não se passe todo nos anos 80. Característica marcante do diretor Jim Mickle <em>(Julho</em> Cinzento), seu apreço por uma paleta azul marca sua versão da Filadélfia. Tanto o filtro da câmera, quanto sua presença espalhada pelo <em>design</em> de produção e até realçada pela própria chuva, criam essa estética fria azulada. Juntamente com a ambientação noturna, sempre contrastando com os grandes anúncios azuis, além de numerosas fumaças, Mickle cria um ambiente <em>neonoir</em>, lembrando <em>Drive</em>.</p>
<p>Entretanto, a única coisa realmente diferente daí para frente é a aparência do protagonista. Neste sentido, Holbrook mostra uma enorme versatilidade ao performar a decadente jornada de um homem até a loucura (seus melhores e mais emocionantes momentos), passando por uma grande transformação física. Igualmente é a mudança em Michael C. Hall, apesar de mais contida. Sempre querendo os holofotes para si, Holt envelhece em um perfeito burocrata. Outro secundário é o parceiro de Locke, Maddox (Bookem Woodbine, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-operacao-overlord/"><em>Operação Overlord</em></a>), servindo de alívio cômico (que funciona) e trazendo um contraponto em seus diálogos.</p>
<p>Por fim, <strong><em>Sombra Lunar</em> </strong>tenta ser um ambicioso <em>sci-fi </em>investigativo, mas sua narrativa é simplista e repleta de facilitações, ainda que entregue um final coerente com sua lógica. Inclusive, a motivação por trás das ações de Rya, quando esclarecida, mostra que o filme deixou pistas interessantes ao longo do caminho — como os livros de presidentes norte-americanos espalhados e a cena da abordagem policial — mas faltou maior desenvolvimento para tal temática não soar um maniqueísmo barato de que o mal está em toda camada da sociedade.</p>
<p><strong>Direção</strong>: Jim Mickle<br />
<strong>Elenco</strong>: Michael C. Hall, Boyd Holbrook, Cleopatra Coleman, Bookem Woodbine</p>
<p style="text-align: center"><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p>[youtube https://www.youtube.com/watch?v=OBBxLdKpThk&amp;w=750&amp;h=500]</p>
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