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	<title>Arquivos Clébia Sousa - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Propriedade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Dec 2023 00:22:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em Propriedade, o pernambucano Daniel Bandeira narra uma história atravessada pela violência onde duas realidades colidem. No centro desta narrativa está Tereza, uma estilista interpretada por Malu Galli. Faz alguns anos que a personagem vive reclusa em seu apartamento, até que é convencida pela filha e pelo marido a passar uma temporada na propriedade rural da família. Do outro lado dessa história está o grupo de trabalhadores dessa fazenda que organiza um motim contra os patrões quando descobrem seus planos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Em <strong><em>Propriedade</em></strong>, o pernambucano Daniel Bandeira narra uma história atravessada pela violência onde duas realidades colidem. No centro desta narrativa está Tereza, uma estilista interpretada por Malu Galli. Faz alguns anos que a personagem vive reclusa em seu apartamento, até que é convencida pela filha e pelo marido a passar uma temporada na propriedade rural da família. Do outro lado dessa história está o grupo de trabalhadores dessa fazenda que organiza um motim contra os patrões quando descobrem seus planos para vender a propriedade e transformá-la em um resort, tirando-lhes a sua principal fonte de sustento. É esse caldeirão de tensões que impulsiona o thriller com raízes sociais de Bandeira.</p>
<p>Parte fundamental da ação do filme do diretor ocorre quando Tereza e o marido são surpreendidos pela investida do grupo de empregados e a personagem de Malu Galli busca refúgio no automóvel do casal. A partir dali, ela e os revoltados trabalhadores travam uma dinâmica angustiante na qual um teme pela iniciativa do outro. <strong><em>Propriedade </em></strong>é um jogo de sobrevivência onde muitas vezes aniquilar a parte contrária acaba sendo um caminho inevitável.</p>
<p>Durante todo o desenvolvimento de <strong><em>Propriedade</em></strong>, Daniel Bandeira expõe um cenário no qual os dois estratos sociais representados estabelecem relações marcadas pelo medo, um sentimento que entorpece esses personagens e que proporciona situações de incomunicabilidade, desumanizando as partes envolvidas e transformando tudo em dinâmicas extremamente instintiva, com objetivos elementares: sair ileso daquele cenário. Imediatamente os polos do conflito transformam-se em presa e predador e o senso de sobrevivência é parte dos instintos básicos dessas personagens que se encontram aqui em uma situação bem incomum.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17591" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image-1-4.png" alt="Propriedade" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image-1-4.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image-1-4-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image-1-4-610x407.png 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image-1-4-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O filme de Bandeira traz uma análise social sobre problemas estruturantes do Brasil, mas também revela-se um eficiente thriller marcado pela economia de recursos. Tudo é concentrado em dois únicos cenários: a propriedade do casal &#8211; agora, QG dos trabalhadores dela &#8211; e o carro que serve de abrigo para a personagem de Galli. Nesse sentido, é fundamental para o diretor contar com o empenho de Malu Galli como a personagem central dessa história. A atriz sustenta muito bem o desafio de conduzir uma interpretação que depende exclusivamente dela e das reações que sua personagem tem às investidas do coletivo de funcionários da sua fazenda em um momento muito particular da sua debilitada condição mental. Tamanho destaque para a personagem de Galli até traz a tona uma grande dificuldade do filme: não trabalhar em pormenores a personalidade de muitos dos personagens que estão do lado oposto da sua protagonista. Nesse sentido, os trabalhadores da fazenda ganham essa identidade amorfa reduzida por sua representação social. Ainda assim, em um momento ou outro a ótima Zuleika Ferreira assume um certo protagonismo nesse grupo, mas são breves essas passagens.</p>
<p>Satisfatório como um thriller e empenhado na crítica social, ainda que desequilibre sua &#8220;balança&#8221; no desenvolvimento das suas personagens, <strong><em>Propriedade</em></strong> é marcado por um forte desempenho da sua protagonista e por confirmar a vocação do cinema pernambucano de uma geração que tem contribuído para escancarar uma realidade brutal e indigesta do nosso país, mas que também sabe lidar muito bem com gêneros cinematográficos mais do que consolidados.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Daniel Bandeira</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Malu Galli, Tavinho Teixeira, Ane Oliva, Zuleika Ferreira, Sandro Guerra, Clébia Sousa, Marcílio Moraes, Nivaldo Nascimento, Carlos Amorim</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/83ILS8x4VPA?si=F3j78CvGzXb89e4L" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Fortaleza Hotel</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Jan 2022 13:29:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Depois da repercussão de Greta, drama protagonizado por Marco Nanini em 2019, o cineasta cearense Armando Praça entrega para o público uma história protagonizada por duas mulheres. A premissa de Fortaleza Hotel traz para o centro do seu drama Pilar, camareira vivida por Clebia Sousa, e Shin, papel de Yeong-ran Lee, hóspede do hotel onde a primeira trabalha. Shin chega da Seul para levar o corpo do seu marido recém-falecido no Brasil, enquanto Pilar está nos seus últimos dias de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Depois da repercussão de Greta, drama protagonizado por Marco Nanini em 2019, o cineasta cearense Armando Praça entrega para o público uma história protagonizada por duas mulheres. A premissa de <strong><em>Fortaleza Hotel</em></strong> traz para o centro do seu drama Pilar, camareira vivida por Clebia Sousa, e Shin, papel de Yeong-ran Lee, hóspede do hotel onde a primeira trabalha. Shin chega da Seul para levar o corpo do seu marido recém-falecido no Brasil, enquanto Pilar está nos seus últimos dias de serviço, já que está com viagem marcada para Dublin, mas é surpreendida por uma notícia envolvendo a filha. A ideia de Praça com <em><strong>Fortaleza Hotel</strong></em> é cruzar a trajetória dessas duas personagens que vivem em momentos e contextos distintos, mas têm em comum o desejo de viver uma realidade diferente.</p>
<p>Greta tinha como mérito a atuação de Marco Nanini, que entregava uma personagem nuançada, mesmo quando o filme não fazia muito por ele. Em <strong><em>Fortaleza Hotel</em></strong>, Armando Praça, que agora conta com o roteiro de Isadora Rodrigues e Pedro Cândido, tem uma história mais bem amarrada, cujo traço central é a intensificação gradual do drama das duas personagens ao mesmo tempo que consegue estabelecer bem as bases da relação entre elas entre distinções e semelhanças. Enquanto Pilar vive uma situação limítrofe com o envolvimento de sua filha com criminosos, se colocando disposta a tudo para salvá-la e se mudar de vez para Dublin, isso significando se prostituir e cometer um crime, Shin assimila a frustração do seu plano de sair da Coreia rumo ao Brasil dar errado com a morte repentina do esposo.</p>
<p>O acerto do roteiro nessa construção inicial permite que as atrizes Clebia Sousa e Yeong-ran Lee tenham ótimos momentos. Sousa interpreta Pilar como uma mulher cheia de dignidade, mas toma algumas atitudes ao longo da história contrariando os seus próprios valores. É perceptível no trabalho da atriz a luta da sua personagem contra a sua própria índole e como ela entra em conflito com isso. Já Yeong-ran Lee sustenta o luto, a sensação de estafa e desnorteamento de uma mulher em terra estrangeira.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15113" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/FH-3-Foto-de-Jorge-Silvestre.jpg" alt="Fortaleza Hotel" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/FH-3-Foto-de-Jorge-Silvestre.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/FH-3-Foto-de-Jorge-Silvestre-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/FH-3-Foto-de-Jorge-Silvestre-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/FH-3-Foto-de-Jorge-Silvestre-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Os momentos em que as atrizes compartilham o mesmo quadro são especiais para o filme, destacando a cena na qual uma ensina para a outra músicas típicas de seus países, algo que destaca no longa o breve apagamento entre as fronteiras culturais, mas também a disposição de partilha naquela situação. É interessante também como nesses momentos de partilha o longa acerta não só na condução da atuação da dupla principal mas do ponto de vista plástico, trazendo sempre na sua fotografia um jogo interessante e simbólico entre as cores rosa e azul.</p>
<p>É uma pena que o desfecho de <em><strong>Fortaleza Hotel</strong></em> não corresponda ao seu desenvolvimento e entregue lacunas em excesso para o espectador. A história de Pilar é encerrada satisfatoriamente, fica perceptível os ciclos que se abrem e se encerram na jornada da personagem, mas a trajetória de Shin fica à deriva, deixando no espectador a sensação de que há um desenvolvimento desigual na história das suas duas figuras centrais. Infelizmente é um longa que deixa o resquício da frustração no público. Sobretudo por ter entregue tanto por tanto tempo.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Armando Praça</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Clébia Sousa, Lee Young-Lan, Larissa Góes, Demick Lopes, Ana Marlene, Vanderlei Bernardino, Andrea Piol, João Fontenele, Raphael Souma, Jane Azeredo, Katiana Monteiro, Natasha Faria, Layla Sáh, Fabíola Líper, Tayana Tavares, Ícaro Eloi, Jéssica Teixeira, Yuri Yamamoto</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/qVU74yLicdo" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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