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	<title>Arquivos Cinema Crítica - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Cinema Crítica - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Malu</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Dec 2024 18:27:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Malu é ambientado na década de 1990 e traz a convergência de três gerações de mulheres pertencentes a uma mesma família. As relações tem como ponto de origem Malu Rocha, personagem de Yara de Novaes, uma atriz em crise emocional que vive no mesmo teto com sua mãe conservadora e recepciona a sua filha recém-chegada da França. O roteiro do diretor Pedro Freire é inspirado na vida da própria mãe do realizador, também atriz com o mesmo nome da protagonista. A [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Malu </strong></em>é ambientado na década de 1990 e traz a convergência de três gerações de mulheres pertencentes a uma mesma família. As relações tem como ponto de origem Malu Rocha, personagem de Yara de Novaes, uma atriz em crise emocional que vive no mesmo teto com sua mãe conservadora e recepciona a sua filha recém-chegada da França. O roteiro do diretor Pedro Freire é inspirado na vida da própria mãe do realizador, também atriz com o mesmo nome da protagonista.</p>
<p>A partir deste drama familiar, Freire faz uma revisão da história do país representada em várias décadas por suas três personagens femininas. Dona Lili, vivida por Juliana Carneiro da Cunha, representa o conservadorismo opressor que conduziu o Brasil à ditadura. A protagonista Malu é a personificação do movimento de resistência e de liberdade de uma juventude que enfrentou os militares, guardando, inclusive, mágoas da mãe por esta ter repreendido tanto o seu comportamento libertário e sua escolha profissional. Já Joana, filha de Malu interpretada por Carol Duarte, é a juventude de um Brasil redemocratizado, repleto de expectivas, tentando construir sua própria identidade enquanto media o atrito entre esses dois países das gerações anteriores.</p>
<p>As associações entre as personagens e a história do Brasil construídas por <em><strong>Malu </strong></em>não estão isoladas nas épocas mencionadas no próprio filme, elas têm paralelos no presente com a ascensão de forças políticas tão repressoras quanto as da ditadura e que encontram igualmente adesão em parte da população. A dinâmica entre Malu, Lili e Joana segue significativa na história presente de uma sociedade ainda buscando construir a sua própria identidade no porvir de um Brasil.</p>
<p>Podendo também ser lido objetivamente como um drama sobre relações humanas, <em><strong>Malu </strong></em>constrói uma dinâmica familiar disfuncional que dá espaço para suas três atrizes principais construírem personagens extremamente complexas. Malu tem um &#8220;q&#8221; do cinema de John Cassavetes com Yara de Novaes no centro do seu drama como a nossa Gena Rowlands. Malu Rocha é a Mabel brasileira, eternizada por Rowlands em Uma Mulher sob Influência, um dos melhores filmes do diretor estadunidense, definidores de uma forma de contar histórias nas telas.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18999" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-8.png" alt="Malu" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-8.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-8-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-8-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A personagem interpretada com expansividade, vitalidade e fúria por Novaes encontra-se no limite. Malu é dona de uma liberdade que não cabe em si, encontrando como barreira o próprio corpo e o seu contexto político social de crise no campo da cultura dos anos 1990, uma época em que as artes tentavam se reconstruir após o desmonte das instituições pelo governo Collor. Afetada em sua saúde mental pela situação política, Malu é capaz de rompantes que assustam, mas que revelam sua dificuldade para lidar com os sentimentos que nutre pela mãe e pela filha. Uma mulher fascinante que não conseguiu explorar toda sua potencialidade em razão dos danos psicológicos que os anos mais pesados do país lhe trouxeram como herança.</p>
<p>Com Carol Duarte e Juliana Carneiro da Cunha, Yara de Novaes tem cenas intensas onde os mundos e as personalidades distintas de <em><strong>Malu </strong></em>, Lili e Joana se chocam, vindo à tona afetos e mágoas. Todas são cenas de forte dramaticidade sustentadas por uma direção de atores primorosa de Pedro Freire e pela sensibilidade de atrizes que conseguem acessar com precisão as nuances dessas mulheres.</p>
<p>Juliana Carneiro da Cunha interpreta uma mulher repleta de preconceitos, proporcionando dor sob o disfarce de uma pretensa inocência, mas que não é um mal estereotipado, conseguindo também ser capaz de dar amor à filha e à neta e ter suas próprias dores fruto de abusos de uma estrutura opressora que, contraditoriamente, perpetua. Já Joana sofre as consequências de ter crescido em um lar instável e de ter uma mãe com personalidade fascinante, mas, muitas vezes narcisista, fazendo com que qualquer uma de suas conquistas soe pequena diante de alguém &#8220;maior que a vida&#8221; como Malu. Há muitas nuances nessas mulheres e elas só se aprofundam na medida em que seus desejos e suas respectivas bagagens de vida entram em colisão no roteiro desse longa.</p>
<p>Com três personagens complexas executadas com primor por suas atrizes principais, <em><strong>Malu </strong></em>consegue ser um filme que sintetiza a história política do nosso país como um ciclo: passado, presente e futuro; passado, presente e futuro. É um grande feito cinematográfico, daqueles difíceis de serem atingidos pois consegue ser satisfatório em várias frentes. É completo.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Pedro Freire</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Yara de Novaes, Carol Duarte, Juliana Carneiro da Cunha</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/NXiOoKWluaw?si=D-kceY94ekKMEFkG" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Alien &#8211; Romulus</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 31 Aug 2024 20:08:02 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[David Jonsson]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Alien &#8211; Romulus é o mais bem-sucedido longa da franquia Alien em termos criativos depois de Aliens: O Resgate (1986) de James Cameron. Alien &#8211; Romulus acerta naquilo que foi fundamental para o êxito do inaugural Alien: O Oitavo Passageiro (1979) de Ridley Scott: compreender o universo como propício para o gênero terror. O filme dirigido pelo uruguaio Fede Alvarez (O Homem nas Trevas) acerta ao perceber o sci-fi como um tipo de narrativa que pode fazer um híbrido peculiar junto ao horror, sem se preocupar com ambições megalomaníacas que tanto [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Alien &#8211; Romulus</strong></em> é o mais bem-sucedido longa da franquia Alien em termos criativos depois de <em>Aliens: O Resgate</em> (1986) de James Cameron. <em>Alien &#8211; Romulus </em>acerta naquilo que foi fundamental para o êxito do inaugural <em>Alien: O Oitavo Passageiro</em> (1979) de Ridley Scott: compreender o universo como propício para o gênero terror. O filme dirigido pelo uruguaio Fede Alvarez (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-homem-nas-trevas/"><em>O Homem nas Trevas</em></a>) acerta ao perceber o sci-fi como um tipo de narrativa que pode fazer um híbrido peculiar junto ao horror, sem se preocupar com ambições megalomaníacas que tanto prejudicaram a franquia ao longo dos anos, como foi o caso do mal-fadado Prometheus de 2012.</p>
<p>Os eventos de <em><strong>Alien &#8211; Romulus</strong></em> são ambientados entre os longas de Ridley Scott e James Cameron. Fede Alvarez apresenta um grupo de jovens protagonistas que vivem colonizadores. Eles se unem para uma empreitada no espaço e acabam se deparando com a estação abandonada por Ripley, personagem eternizada por Sigourney Weaver no primeiro filme. Lá, esses novos personagens acabam testemunhando o nascimento de novos xenomorfos.</p>
<p><em><strong>Alien &#8211; Romulus</strong></em> é um longa extremamente bem dirigido cujo mérito é administrar com precisão as tensões da sua história. O filme sabe gerar expectativa no público e mantê-lo cativo aos seus eventos com uma trama que funciona em um modus operandi bastante simples: aquele do filme no qual um grupo de personagens tenta escapar com vida de um monstro predador que está a sua caça em um ambiente de proporções limítrofes, como é o caso da estação espacial que volta a ser cenário da franquia.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18642" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-4-1.png" alt="Alien - Romulus" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-4-1.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-4-1-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-4-1-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A mesma lógica que garantiu o resultado de <em>Alien: O Oitavo Passageiro</em> em 1979 é aplicada aqui. Nesse sentido, por exemplo, Fede Alvarez sabe muito bem utilizar a criatura a favor do filme, economizando suas entradas, valorizando a revelação completa da sua aparência e potencializando características que dimensionam para o público a certeza de ameaça que ele representa para seus personagens humanos. O xenomorfo é o principal catalizador das tensões e instabilidades desse exemplar da franquia e o seu diretor sabe manipular isso com muita segurança.</p>
<p>Com uma carreira ascendente em Hollywood depois de projetos como Priscilla e Guerra Civil, Cailee Spaeny interpreta uma boa heroína nesse longa da franquia Alien, funcionando como termômetro para as tensões do público, o que também é um acerto de Fede Alvarez. <em><strong>Alien &#8211; Romulus</strong></em> é basicamente um trabalho de uma direção que acerta na condução de recursos basilares do gênero horror e faz a alegria dos fãs originais de uma série cinematográfica que por tantos anos &#8220;penaram&#8221; para ver algo decente com este universo ser feito nas telas novamente.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Fede Alvarez</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Cailee Spaeny, David Jonsson, Archie Renaux</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/aNkMiJ_7LA0?si=JGGRtdUisrFvX1sy" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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