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	<title>Arquivos Charlotte Le Bon - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: A Travessia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Oct 2015 23:38:21 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/09/thewalk.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-3700 size-full aligncenter" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/09/thewalk.jpg" alt="TheWalk2-NYFF53-full.jpg" width="600" height="346" /></a></p>
<div>
<p>O que vemos ser narrado em <i>A Travessia </i>já nos foi contado no documentário <i>O Equilibrista</i>. Em 1974, o francês Philippe Petit realizou um feito impressionante, fez uma travessia entra as torres do World Trade Center se equilibrando em um cabo de aço que ligava o topo dos dois prédios. Um ato de muita coragem e destreza física, mas também de valor performático. De maneira bem criativa e tecnicamente irrepreensível, mas também muito simples na produção dos efeitos da sua mensagem, <i>A Travessia </i>narra essa mesma história com uma aplicação pertinente do 3D &#8211; um dos raros casos em que o formato faz toda a diferença na experiência e serve aos propósitos da narrativa &#8211; e com um tom lúdico dado por um Robert Zemeckis que recria a beleza do feito de Petit.</p>
</div>
<div>
<p>Como antecipamos, <i>A Travessia </i>conta a história de Philippe Petit até o ato que levou o seu nome ao reconhecimento mundial, a sua performance no topo das torres do WTC. No longa, o diretor Robert Zemeckis procura entender as razões que levaram Petit a buscar obsessivamente a travessia dos prédios do WTC através de cabos de aço. O cineasta explora o fascínio de Petit pelo circo, seu convívio com aquele que foi o seu grande mentor e sua ida a Nova York para realizar o seu feito em um dos projetos arquitetônicos urbanos mais conhecidos do mundo e que na ocasião estava sendo inaugurado.</p>
</div>
<figure id="attachment_3701" aria-describedby="caption-attachment-3701" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/09/Charlotte-Le-Bon-and-Joseph-Gordon-Levitt-in-The-Walk-slice.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-3701 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/09/Charlotte-Le-Bon-and-Joseph-Gordon-Levitt-in-The-Walk-slice-620x312.jpg" alt="Charlotte-Le-Bon-and-Joseph-Gordon-Levitt-in-The-Walk-slice" width="620" height="312" /></a><figcaption id="caption-attachment-3701" class="wp-caption-text">Obsessão: O personagem interpretado por Joseph Gordon-Levitt cultiva o sonho de atravessar as duas torres do WTC em cabos de aço</figcaption></figure>
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<p>&nbsp;</p>
<p>O grande benefício de <i>A Travessia </i>é contar com um realizador como Robert Zemeckis à frente da concepção visual e narrativa da sua história. Em tom levemente fabular, Zemeckis reconta a trajetória de Philippe Petit em primeira pessoa de forma muito agradável, não repetitiva e espirituosa. O acerto do realizador é entender que o feito do equilibrista nada tem a ver com o anseio por chegar a uma marca, mas sim à busca obstinada de um artista pela sua obra-prima e pelo reconhecimento público dela. Assim, percebemos como o olhar de Zemeckis para uma trama que poderia ganhar contornos motivacionais e um tom de manual de auto-ajuda faz toda a diferença na condução do filme. Aliás, a estrutura e o programa de efeitos de <i>A Travessia </i>são os pontos altos do longa. O diretor acerta ao conferir um tom lúdico e leve no primeiro ato, preencher o &#8220;miolo&#8221; da narrativa com a engenhosa trama de elaboração do plano de &#8220;invasão&#8221; das torres e no final oferecer uma das melhores experiências em 3D produzidas pelo cinema atual.</p>
</div>
<div>
<p>Como experiência, <i>A Travessia </i>tem um dos usos mais eficientes, pertinentes e coerentes do 3D. O recurso é essencial para fazer com que o público realize uma imersão na história. Os ângulos construídos com o auxílio de recursos tecnológicos que captam as torres de cima são essenciais para proporcionarem às plateias a sensação de profundidade. Tudo isso faz com que no último ato de <i>A Travessua</i> o público não desgrude da poltrona. Com seu 3D, Zemeckis mantém o filme, ao mesmo tempo, em estado de apreensão e contemplação.</p>
</div>
<figure id="attachment_3702" aria-describedby="caption-attachment-3702" style="width: 580px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/09/The-Walk-Official-Poster-Banner-PROMO-PHOTOS-08AGOSTO2014-01.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-3702" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/09/The-Walk-Official-Poster-Banner-PROMO-PHOTOS-08AGOSTO2014-01.jpg" alt="The-Walk-Official-Poster-Banner-PROMO-PHOTOS-08AGOSTO2014-01" width="580" height="346" /></a><figcaption id="caption-attachment-3702" class="wp-caption-text">Invasão ao WTC: O protagonista reúne um grupo de amigos para ajudá-lo em seu feito</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>Contando com uma correta interpretação de Joseph Gordon-Levitt, que interpreta o protagonista francês sem incomodar com as usuais tintas que os sotaques costumam ganhar em sua versão hollywoodiana, <i>A Travessia </i>é um trabalho certeiro de Robert Zemeckis que, assim como o seu protagonista Philippe Petit, tenta encontrar a beleza nos lugares e feitos mais improváveis. <i>A Travessia </i>acaba sendo um feito técnico à serviço de uma cartela de sensações que proporciona ao espectador, mostrando-se como uma obra esteticamente impecável que não se mutila em prol de um estúdio ou do &#8220;cinema de arte&#8221;, mas busca negociar aquilo que o cinema sempre se propôs, a tecnologia e a sensibilidade.</p>
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