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	<title>Arquivos Carola Escobedo Giron - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>27º Festival Regard: Mamita</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Apr 2023 15:25:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Distâncias e aproximações na relação de uma mãe e uma filha são investigadas neste curta-metragem, a partir do fato de que ambas são peruanas, mas a primeira mora no Canadá e a segunda permaneceu no Peru. Aqui, há uma mistura de carinho, amabilidade e frieza da protagonista nos seus gestos e falas. Assim, Mamita (Carola Escobedo Giron) não é colocada de uma forma maniqueísta dentro da obra, que carrega seu nome no título.  Estas emoções são passadas, principalmente, nos silêncios, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Distâncias e aproximações na relação de uma mãe e uma filha são investigadas neste curta-metragem, a partir do fato de que ambas são peruanas, mas a primeira mora no Canadá e a segunda permaneceu no Peru. Aqui, há uma mistura de carinho, amabilidade e frieza da protagonista nos seus gestos e falas. Assim, <em><strong>Mamita</strong> </em>(Carola Escobedo Giron) não é colocada de uma forma maniqueísta dentro da obra, que carrega seu nome no título. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estas emoções são passadas, principalmente, nos silêncios, seja na viagem de ônibus que as duas dividem ou no caminho dentro da van. São os olhares de <em><strong>Mamita</strong> </em>que revelam mais sobre suas emoções em relação a sua filha Mari (Heather Loreto). Já quando as duas estão dialogando, a personagem fica um tanto contida. É como se ela tentasse evitar um confronto direto ou falar realmente sobre suas emoções. </span><span style="font-weight: 400;">Um é exemplo é quando a protagonista quase menciona como é difícil morar em solos canadenses, porém guarda para si a sensação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste sentido, a produção consegue imprimir o peso que habita o coração de <em><strong>Mamita</strong></em>, que carrega uma saudade e uma sensação de não pertencimento junto consigo. Inclusive, o roteiro é feliz em deixar a sua explosão apenas no desfecho da exibição, quando ela pode finalmente soltar toda a carga que vem sentido e não deixou transparecer. É nisso que a produção se sai melhor, em deixar nítido o que Mamita sente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todavia, existe o “por que?”. Falta ao filme justificar melhor as motivações da personagem, as suas relações com as pessoas ao seu redor, o motivo do desconforto dela ao visitar a sua antiga realidade etc. Nenhum destes fatores precisam ser postos verbalmente. Assim como o seu amor pela sua filha, todo o resto poderia estar colocado nas cenas de alguma maneira, para que fosse palpável toda a jornada de <em><strong>Mamita</strong></em>, criando uma verdadeira construção desta figura.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, apesar desta característica, a sensibilidade da equipe técnica e das intérpretes centrais, Carola e Heather, conquistam o espectador. Um exemplo é nesse jogo entre a distância que <em><strong>Mamita</strong> </em>representa na frente de Mari, com tonalidades beges que as circundam, versus a melancolia azul, quando ela está abraçada com a filha na van. Assim, <em><strong>Mamita</strong> </em>é amável, porém nunca profunda. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, as duas conseguem estabelecer um diálogo com olhares, o que acaba contando bastante sobre o que elas pensam. Na cena do casamento de Mari este elemento chega no ápice e acaba gerando o clímax da obra. Assim, existem elementos bem elaborados em <strong><em>Mamita</em></strong>. Na realidade, a grande questão do curta é que ele quase chega lá. Entre tentar emocionar, através desta relação constantemente interrompida pela distância física, falta ao material se concentrar em também investigar a realidade de sua personagem central.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem saber &#8211; ou pelo menos, demonstrar saber &#8211; o background e as experiências de <em><strong>Mamita</strong></em> fica difícil amarrar o conteúdo geral e a sessão acaba sendo frustrante, porque é uma batida na trave. A equipe conta com atrizes talentosas e algumas ideias promissoras na técnica (momentos inspirados de uso da luz, seleções do time de arte para a composição de figurino e cenário ou a própria decupagem). Mas, a obra não vai além disso, da sua boa intenção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Direção:</strong> Luis Molinié</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Elenco:</strong> Carola Escobedo Giron, Heather Loreto, Gabriel Infante</span></p>
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